terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Barbosa Chega Lá, hehehe


Querido diário:

O grande ministro da fazenda (critério de peso e altura) começou mal, a meu ver. Temos um governo fraco, claramente preocupado em fazer agrados ao capital e mostrar que as conquistas da classe trabalhadora são um óbice ao crescimento econômico e à própria estabilidade da economia. Se a encrenca voltar a crescer será o maior mistério desde Jesus Cristo.

Diz o jornal Zero Hora de hoje (página 16, coluna de Marta Sfredo) que ele:

[...] aceitou o convite de um grande banco internacional para teleconferência com investidores estrangeiros. [Ele] falou em encaminhar o projeto para fixar a idade mínima para a aposentadoria - além de outras reformas estruturais -, o que deveria ser música para o mercado.

A causa desta declaração de subserviência é antecipada na página 9. Garra de olhar isto, cuja autoria não identifico 100%, Barbosa ou jornal:

[...]
   A previdência tem passado por mudanças em diversos países [...]. As pessoas estão vivendo mais e recebendo aposentadorias por um período de tempo maior. Além disso, as taxas de fecundidade estão caindo - nas próximas décadas, haverá menos contribuintes para cada idoso. Projeções do Ministério do Trabalho e Previdência Social mostram que hoje há mais de nove pessoas em idade ativa para cada idoso no Brasil. Em 2030, serão cinco, em 2050, três, e em 2060, somente 2,3 contribuintes por beneficiário. O déficit do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deverá avançar de 40,5%, em 2016 e atingir R$ 129,9 bilhões. Nessa conta entram benefícios de assistência social pagos pelo governo, como para idosos carentes.

Esta visão de caixa, confusão entre objetivos nacionais, felicidade nacional e déficit previdenciário é uma das coisas que mais me deixa louco. Minha pergunta técnica é "e daí?" Qual foi o íncubo que exigiu superávit nas despesas de previdência, nas despesas de manutenção de uma população cujo segmento trabalhador terá uma produtividade espantosamente maior que a do tempo antigo? O governo brasileiro está tão longe da social-democracia (e nem me dou ao trabalho de falar no também social-democrata PSDB) quanto a eficiência dista do poder judiciário.

Os desempregados, os jovens que nem mesmo chegaram ao mercado de trabalho, os ganhos de produtividade dos trabalhadores ativos passados, presentes e futuros, nada disto é considerado pelo governo ao tentar passar tão tresloucada medida, tão escandalosamente hostil aos interesses de todos os trabalhadores. Obviamente, não estamos frente a um ajuste de esquerda, o qual requereria, para começar, novas alíquotas marginais no imposto de rende de 37,5% e 50%, digamos que a alíquota máxima atual de 27,5% começasse para quem ganha a partir de R$ 10 mil. Ok, ok, então R$ 15 mil, e fim!

DdAB
Imagem: aqui. Não confundir Barbosa com babosa, boa para queda de cabelo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Duilio,

Também não entendo essas coisas. Estou cada ficando cada vez mais preocupado com os rumos do país. E intuo que a a partir de 2018, pelas ideias que estão circulando por aí, teremos um tremendo retrocesso.

Abraço,
Teixeira.

... DdAB - Duilio de Avila Bêrni, ... disse...

É verdade, querido amigo! Um certo pessimismo com relação aos tempos vividos é uma característica de velhos e intelectuais (quem é quem?). Mas meu otimismo em certo e idealizado longo prazo que não verei (por já velho) é incontido. Acho que seremos felizes... Mas não posso esquecer o verso do poema que lembro de ter visto ser atribuído a Brecht: "quem está rindo é porque não recebeu ainda a notícia terrível". Seja como form aproveito agora para, em nosso pequeno mundo, desejar boas festas. Vingo-me um pouco na postagem de hoje, 25/dez.
DdAB