segunda-feira, 19 de outubro de 2015

O Roquenrou e as Políticas Públicas


Querido diário:

No Segundo Caderno do jornal ZH do sábado que passou, páginas 6-7, há uma extraordinária entrevista (humana e cabeça) feita pelo jornalista Juarez Fonseca com uma das legendas do roquenrou gaúcho, o cantor e compositor Fughetti Luz (Liverpool transformado em Bixo da Seda e carreira solo). Rola muita informação interessante sobre ele e -acho genial, humano e natural- a natureza humana. Nas duas questões finais, que transcrevo, Juarez Fonseca sai do rock'n''roll e vai para a política. Tempos áridos, respostas sábias:

JF - Te interessas por política?
FL - Claro, tenho várias ideias para o Brasil. Por exemplo: se agente vive numa democracia, por que somos obrigados a votar em vez de sermos livres para votar? Se não votamos, não nos dão documentos. Acho que os Estados têm que ser independentes, com leis próprias, o país seria melhor. O povo não aguenta mais o atual sistema, está velho e arcaico. O país está em 'desordem e regresso'. E temos que ver a origem do dinheiro dos candidatos, os caras têm que ter ficha limpa desde o início. E não pode ter religiosos na política, essa panelinha tem qu acabar. Sei que são pensamentos utópicos, mas é o que eu acho.

JF - E o que mais?
FL - Quero energia limpa, eólica e solar, pararmos um pouco de agredir a natureza. Quero o país todo ligado por trens. O sistema prisional também precisa mudar, penso que os presos devem plantar sua própria comida e ser separados pelo tipo de crimes que cometeram. Deveria haver professores nas cadeias. E agora, pelo contrário, os professores estão apanhando da polícia. Vi na TV professores sangrando em Curitiba e aquilo me cortou o coração. Pensei em minha mãe, que era professora. E ainda ganham uma miséria de salário. Sem professores bem tratados, o que será de nós?

Achei especialmente interessante que ele refere dois portmanteaux a que volta e meia eu recorro para descrever a sociedade igualitária. Educação na prisão! A escola precisa de professores, dentistas, cozinheiros, motoristas. E também ginásios esportivos, bibliotecas, e por aí vai. E as prisões, além dos guardas, juízes, promotores, precisa exatamente destes demais ingredientes.

DdAB
P.S.: quem não é gaúcho sabe que "bixo" é como os veteranos da faculdade designam os calouros? Seriam os últimos tão burros, sendo incapazes de escrever "bicho" para autodefinir-se. E que seda -será em todo Brasil?- pode ser entendido como "colomi"? Da imagem daqui:
 


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