quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Mais Plágios...


Por aqui, andei falando em minha prática de plágios. E no outro dia vi naquele "Informe Especial" do jornal Zero Hora uma denúncia de um comentador de Slavoj Zizek que este estava plagiando a si próprio e até a terceiros, pois citava obras e obras sem referir a fonte, especialmente as próprias publicações anteriores. Achei impertinente de parte a parte: do comentador e do jornalista que selecionou a notícia como algo relevante e esclarecedor.

Em compensação, na página 134 do segundo volume d'O Capital in fine e andando para página 135, fala-se no consumo de serviços na hora da produção, ou seja, um bem é um objeto material (que pode desaparecer ao ser consumido, e.g., um copo de cachaça) e um serviço é um blim-blim-blim que desaparece no preciso momento de sua produção: uma engraxada de sapatos (exemplo que marcou-me, originário do professor Hélio Portugal Silva). Citei na postagem lá de cima também o livro de mesoeconomia.

Mas não é apenas de Marx que li e incorporei coisas que passei a tratar como minhas. Por exemplo, meu amado Campos de Carvalho ensinou-me milhares de palavras e mais não o fez, pois havia momentos em que eu sofria de ojeriza a dicionários (isto foi antes de eu dizer que o dicionário é o melhor amigo do homem). Vai lá, Campos de Carvalho, ainda que me contradiga:

página 71:
Palavras, palavras, o dicionário está cheio delas e nem por isso ensina coisa que preste.

página 31:
[...] distribui sua bênção e sai lampeiro.
esta aqui é plágio de Monteiro Lobato que nem me deu tempo de escrever, mas parece que eu a escreveria, originando-se meu conhecimento da literatura infantil do bom paulista (que CC é/foi mineiro).

página 49:
O soldado ainda estremunhava...
é certo que o verbo estremunhar, estremunhado, faz parte de meu dicionário, ainda que não tenha achado no blog. E será que aprendi com o CC?

página 59:
... pode-se até sentir o velame drapejando sobre a cabeça...
pois agora está claro que esta uma delas ou as duas palavra está na tradução do Robinson de Hymer, que encetei na coautoria de Adalberto Alves Maia Neto.

página 61:
O gerente atrás da piteira, vive anunciando novidades
então agora temos novo plágio sei lá de quem. O fato é que lembrei de Carlos Drummond de Andrade: o homem atrás dos óculos e do bigode é sério, simples e forte...

página 82:
... alguém dentro de mim deu uma gargalhada estrondosa e logo em seguida...
desta vez é o contrário: Frank Herbert, no romance de cinco volumes (ou mais?) tem aquela turma que vira o Lagartão, e que tem na 'genética' todos os antepassados: voz dentro de mim? Very suspicious.

página 89:
Tudo isto é uma palhaçada, daqui a cinquenta anos estaremos todos mortos...
pois chegou novo plágio de CC. Ele plagiou, ou não?, o próprio JMK, ou seja, aquela frase de Keynes de que, a longo prazo, estaremos todos mortos. Ele, John Maynard, não durou nem os 50 de CC.

página 101:
Os cegos usam óculos par não ver, já era para eu ter descoberto há muito mais tempo: ou não? ...
página 104:
Por falar nisso, ainda devo ter um [charuto] aqui no bolso: ou não?
duas páginas: plágio meu? Este negócio de fazer uma afirmação A e em seguida indagar muito do filosoficamente 'ou não?'

Para concluir, um pouco de política brasileira contemporânea, na página 108:
... Quem resistiu a tantas guerras há de resistir a mais esta, e a outras tantas [...]
 (reticências no original, corte [ ] meu).
claro que isto lembrou-me a própria Dilma, a presidenta que vive os dias atuais em palpos de aranha (de onde tirei estes palpos de aranha?). Mas isto me leva a uma reflexão muito séria.

Vamos a ela, que depois falarei mais. É o seguinte. O Brasil vive um impasse institucional que seria facilmente resolvida com o parlamentarismo. Digamos que Dilma fosse a primeira ministra. Ela poderia dissolver o Congresso como Alexis Tsipras fez na Grécia. Ou o Congresso poderia lançar-lhe um voto de desconfiança, forçando novas eleições.

DdAB
Imagem daqui. E parece que devo falar mais sobre parlamentarismo mesmo. Parece que a esquerda tradicional brasileira, quando ganha os dedos, já quer logo as mãos. Dois exemplos: na queda de João Goulart, quebrou-se o parlamentarismo que teria servido como colchão de amortecimento entre as tensões criadas com o primeiro ministro Tancredo Neves. É possível que o golpe militar de 1964 tivesse sido evitado, e houvesse ganhos de esquerda em algumas áreas que foram, digamos, avassaladas. E depois quando se achou que seria golpe contra Lula fazer o parlamentarismo lá na constituição de 1988. Pode? Bebe-se!

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