sexta-feira, 7 de agosto de 2015

8.372 Tratores


Querido diário:

Todos sabem como contesto meus próprios conhecimentos desenvolvidos nos anos 1970 sobre o fetichismo industrial e seu assemelhado elogio da lei de Say. Aprendi, naqueles anos de estudante de economia, que a indústria seria a panaceia para todos os males do subdesenvolvimento brasileiro. E que, portanto, deveríamos financiar projetos industriais, modernizar a indústria, produzir aviões a jato, automóveis os mais modernos, com bancos de plástico, e por aí vai.

E um dia decidi indagar-me que diabos não teria sido deste indigitado país se, ao invés de políticas industriais, os governantes tivessem optado por desenvolver seu setor agrícola de maneira inovadora. Treinamento, education, education, education. Vender cacau para a Suíça e também chocolate. Vender café para a Alemanha e também cafeterias. Vender borracha para a Malásia e também umas plantationzinhas por lá...

Então dei uma olhada puramente via internet para o ano de 1950, quando o pior poderia ter sido evitado, talvez à custa de uma reforma agrária.

População do país: 52 milhões de habitantes.
População rural: 33 milhões de habitantes.
Número de estabelecimentos agrícolas: 5,2 milhões.
Número de tratores: 8.372.837.283.

Mais de 1.000 tratores em cada propriedade agrícola? Não, claro que não, absolutamente não. O que houve foi um engavetamento numérico: são apenas 8.372 tratores. Até agora duvido que este número seja correto. Só oito mil? Para cinco milhões de propriedades? E se tivéssemos tido mesmo um por cada?

Por cada? Rima com as capas de plástico para os estofamentos dos automóveis produzidos nos anos 1950s. E se fossem capas de couro de porco? Pobres porcos, ricos seriam os agricultores. E não teria fugido na escola e do meio rural, com que o fizeram, asilando-se no lixo urbano.

E os Estados Unidos? Não busquei muito, ou melhor, busquei na internet por alguns instantes e achei. Em 1925, havia 158 mil tratores.

Não pude conter-me e fui procurar o primeiro bar (eram 8h32 da manhã de hoje) que vende cachaça aqui no bairro Menino Deus de Porto Alegre.

DdAB
A imagem veio daqui. E tem a seguinte legenda: Lugar, Carlos Serafini - Vincente Wrzesinski e filho dele. Um dos primeiros tratores. /1950/

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