sábado, 11 de julho de 2015

Conflito comercial enfraquece o Mercosul


Querido diário:

Olha quantos troços estranhos:
.a. dei esta entrevista 11 anos atrás
.b. guardei-a
.c. ela poderia ter sido dada ontem (ver aqui)
.d. esqueci de dizer que o Brasil deveria criar o Banco de Comércio Exterior, como aprendi ainda enquanto aluno da faculdade de economia.

Jornal do Comércio
Sexta-feira e fim de semana
23, 24 e 25 de julho de 2004

Conselho Regional de Economia do RS
Economia em Dia
Conflito comercial enfraquece o Mercosul
As restrições impostas pelo governo argentino a produtos brasileiros são um banho de água fria na retomada do Mercosul e no processo de integração internacional. Essa é a opinião do economista Duilio de Avila Bêrni, professor do Mestrado em Economia da PUCRS. Acompanhe a entrevista concedida ao Corecon/RS.

* * *

A Argentina é o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Qual o impacto desse impasse na economia brasileira?
Duilio de Avila Bêrni: O impacto é relativamente pequeno. O total das exportações brasileiras para a Argentina é diversificado e o item das geladeiras não é muito expressivo. O que está em jogo não é o prejuízo para as empresas ou para a economia brasileira, mas para o avanço do Mercosul.

Como avalia o posicionamento do governo brasileiro neste episódio?
O governo brasileiro adotou medidas corretas buscando a negociação. Em uma situação de confronto comercial, seria possível um posicionamento de retaliação por parte do governo brasileiro, estabelecendo tarifas extraordinárias para produtos argentinos. Esse estilo de negociação é comum em alguns países do mundo, particularmente nos Estados Unidos. Por sorte, o governo brasileiro não adotou esse tipo de política em relação à chamada "guerra das geladeiras". Se o governo brasileiro tivesse determinado alguma retaliação à Argentina, aumentando a alíquota do tribo, por exemplo, possivelmente os argentinos colocariam em sua pauta outros produtos brasileiros. Estou partindo da premissa de que expandir o Mercosul é bom tanto para a economia brasileira quanto para as demais economias do bloco. Estamos vivendo em um mundo em que o protecionismo deve ceder lugar para um maior volume de transações internacionais, ou seja, o mundo deve se tornar cada vez mais globalizado.

A estratégia de negociação do governo brasileiro é  uma forma de evitar futuros impasses?
O governo argentino tem dado demonstrações frequentes de uma política benévola para a Argentina no curto prazo. A moratória da dívida externa é um exemplo. De certa fora, observa-se uma continuação dessa política de apenas pensar nos seus interesses imediatos, deixando em segundo plano questões estratégicas mais amplas, como o Mercosul.

O conflito comercial entre Brasil e Argentina prejudica o processo de retomada do Mercosul?
Esse conflito é um banho de água fria no processo de integração internacional. No longo prazo, espera-se uma certa unificação das políticas macroeconômicas especialmente da relação entre o nível de preços internos e a taxa de câmbio. A única saída é a unificação cambial inicialmente relacionada ao comércio exterior e posteriormente a uma moeda comum que circule em todas as economias do Mercosul.

Qual o impacto desse impasse nas negociações entre Mercosul e União Europeia?
Esse tipo de contradição interna, exposta publicamente, enfraquece o bloco. Os negociadores europeus sentem-se fortalecidos, pois podem explorar os conflitos que existem entre os principais países do bloco.

O que o Brasil pode aprender com os recentes episódios da China e da Argentina?
A exportação é um negócio sério e de alto risco. O Brasil precisa se qualificar para exportar inúmeros produtos e para diferentes países. Hoje, o Brasil é especializado na exportação de alguns produtos e concentra o volume de negócios em poucos países. Isto torna a economia extremamente frágil. O melhor seguro, em termos de comércio exterior, é tornar o país competitivo em muitos produtos.

Por Sílvia Lago.


DdAB
O que deixei de dizer, pois não chegara a hora, foi que -anos depois- o Brasil mostraria sua avareza ao ver cogitada a possibilidade de surgir uma região portuária global com Buenos Aires, Montevidéu e Rio Grande e frações do empresariado e da imprensa insurgir-se violentamente, sabotando a iniciativa. Em outras palavras, o Mercosul não anda porque ninguém quer.

Imagem: aqui.

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