domingo, 26 de julho de 2015

Anaximandro: Brasil XXI, mas também XX, XIX, XVIII, ...


Querido diário:

Hoje, domingo, 26 julho 2015, há uma postagem extraordinária no blog Anaximandro, o universo dança sozinho. Intitulando-se "modestas, é verdade...", imagino que estaremos vendo o primeiro choque do querido professor, ao retornar de seu pós-doutorado na Alemanha. Não lembro de ter lido em sua hagiografia registro sobre outra/s viagen/s ao exterior. É certo que a presente estada, mais longa, deve tê-lo marcado bastante pelo contraste de um cotidiano em um país decente e a vida atribulada de um brasileiro em seu país de origem. Julgo por mim. Julgo pelos pensamentos que, às vezes, me acorrem ao circular pelas ruas do chamado Sul-Maravilha, que minha experiência acima do Trópico de Capricórnio é até o Equador é rala.

Decidi transcrevê-la não tanto por perder a ideia geral, mas para poder ler, evocar, sofrer, dar risinho amarelo indicando "tá vendo?, não falei?, eu não disse? vou desencarnar e não ver o país decente que me prometeram na primeira infância e até hoje prometem aos novos infantes?, vou desencarnar assaltado, na fila da urgência hospitalar, da bala perdida, da colisão de trânsito, do leite contaminado, da enchente, da seca, de ódio, de dó, de comiseração, de compaixão, de empatia mal introjetada?"

Farei uma lista item por item, mas deixarei o registro original no apêndice, meu tradicional P.S.

. 1 temos pouco tempo e muito ainda por fazer, 
. 2 é inaceitável o arranjo que convencionamos chamar de equilíbrio social, 
. 3 em falhas graves, nossas virtudes são poucas e de baixa propriedade. 
. 4 em muitos há um apelo para uma radicalização, os da direita, mercado, os da esquerda, estado, no meio estamos nós, os de centro, sem problemas, estado, sem problemas, mercado, mas, por favor, vamos encaminhar mais efetividade para o combate às diferenças sociais, não faz sentido um país tão desigual ou com tantos em situação da mais absoluta miséria em muitas dimensões importantes para uma vida satisfatória.
. 5 precisamos mais, um outro estado de bem estar social, mais efetivo e de mais generosidade e solidariedade a favor dos que estão fora da nossa 'posição original'. 

. 6 os dois grupos acima, com os quais não me identifico, assumem ares de sabedoria suprema, ungidos pelos deuses da reforma, sabem na ponta da língua a solução, o método e como implantar o estado de bem estado social do zero de miséria e fome e de muita fartura e riqueza.
. 7 mais modesto e assumidamente triste com minha incompetência, reconheço que não sei o caminho da salvação e nem mesmo se atravessarei o portal do purgatório, o que venho de propor e saber é pouco, é uma combinação do Sen com o Lyndon Jonhson doméstico, o do combate a pobreza, não o da guerra, mais gastos em saúde e educação, contratos melhores para proteger os menos favorecidos e mais espaço para o debate público. 

. 8 ao contrário dos que querem controlar a grande mídia e a internet, mais liberdade ali, mais grande mídia e mais internet livre.
. 9 acabaria com as obrigatoriedades do serviço militar e do voto, 

.10 o lucro seria livre e o imposto progressivo sem procedentes, 
.11 substituiria o imposto indireto, gradativamente, em poucas palavras, apenas o razoável, 
.12 votos distritais, reeleições, menos e mais fortes, os partidos, 
.13 e um sentido absoluto de tolerância pelo diferente. 
.14 na economia, a nova bossa seria o trivial nas contas públicas, um banco central autônomo e bancos públicos com capital aberto e transparentes, 
.15 sinceramente, não há como apoiar privilégios para empreiteiros ou outros amigos da casa real, se quiser existir vai ter que se justificar com resultados guiados por princípios comuns a toda a gente. 
.16 é uma proposta modesta e conservadora, diriam os da esquerda, é estatizante e intervencionista, diriam os libertários, 
.17 como não tenho o dom da mágica ou o entendimento absoluta dos arranjos humanos, fico feliz com essa avaliação, errarei pouco, todavia.

Há ainda alguma coisa mais a dizer a acrescentar?  Parece-me a agenda perfeita! Inclusive a requerida modéstia contida no item 17 de minha interrupção da leitura. Quem sabe tudo? Quem não sabe que lhe falta algo para fechar o quadro, quem não sabe que injunções políticas podem ajudar a estruturar os instrumentos de política pública que devem consertar o início do sexto século do estrago? Quem não sabe que a lei do orçamento deveria ser cumprida? Eu penso que o começo do início é investir em educação. Mas não é nem na escola, nem no professor, nem no aluno. O início é montar o grupo de controle para impedir a roubalheira, a pedofilia, a violência intra-infantil, as péssimas condições de vivenda da petizada. E um grupo de controle sobre o grupo de controle. E outro e outro. E outro.

DdAB
P. S. Postagem original:
26 de julho de 2015 6h05min [domingo]

modestas, é verdade...
temos pouco tempo e muito ainda por fazer, é inaceitável o arranjo que convencionamos chamar de equilíbrio social, em falhas graves, nossas virtudes são poucas e de baixa propriedade. Em muitos há um apelo para uma radicalização, os da direita, mercado, os da esquerda, estado, no meio estamos nós, os de centro, sem problemas, estado, sem problemas, mercado, mas, por favor, vamos encaminhar mais efetividade para o combate às diferenças sociais, não faz sentido um país tão desigual ou com tantos em situação da mais absoluta miséria em muitas dimensões importantes para uma vida satisfatória.
precisamos mais, um outro estado de bem estar social, mais efetivo e de mais generosidade e solidariedade a favor dos que estão fora da nossa 'posição original'. os dois grupos acima, com os quais não me identifico, assumem ares de sabedoria suprema, ungidos pelos deuses da reforma, sabem na ponta da língua a solução, o método e como implantar o estado de bem estado social do zero de miséria e fome e de muita fartura e riqueza.
Mais modesto e assumidamente triste com minha incompetência, reconheço que não sei o caminho da salvação e nem mesmo se atravessarei o portal do purgatório, o que venho de propor e saber é pouco, é uma combinação do Sen com o Lyndon Jonhson doméstico, o do combate a pobreza, não o da guerra, mais gastos em saúde e educação, contratos melhores para proteger os menos favorecidos e mais espaço para o debate público. Ao contrário dos que querem controlar a grande mídia e a internet, mais liberdade ali, mais grande mídia e mais internet livre.
Acabaria com as obrigatoriedades do serviço militar e do voto, o lucro seria livre e o imposto progressivo sem procedentes, substituiria o imposto indireto, gradativamente, em poucas palavras, apenas o razoável, votos distritais, reeleições, menos e mais fortes, os partidos, e um sentido absoluto de tolerância pelo diferente. Na economia, a nova bossa seria o trivial nas contas públicas, um banco central autônomo e bancos públicos com capital aberto e transparentes, sinceramente, não há como apoiar privilégios para empreiteiros ou outros amigos da casa real, se quiser existir vai ter que se justificar com resultados guiados por princípios comuns a toda a gente. é uma proposta modesta e conservadora, diriam os da esquerda, é estatizante e intervencionista, diriam os libertários, como não tenho o dom da mágica ou o entendimento absoluta dos arranjos humanos, fico feliz com essa avaliação, errarei pouco, todavia.

[abcz]
A imagem é daqui, pura criança de cabelo loiro e olhos azuis! Claro que esta segregação racial não é segregação, pois é a Finlândia! No Brasil, tinha alemãozinho comendo lixo naquele documentário 'Santa Soja".

2 comentários:

Anaximandros disse...

Duílio, muito obrigado pela homenagem. Concordamos aqui, modestamente. Em breve retorno e podemos combinar uma República nova. Grande abraço, s.

... DdAB - Duilio de Avila Bêrni, ... disse...

Caro Filósofo:
Aquele 's' é de 'Sócrates'?
Então o grande golpe da chegada ainda não foi desferido? Espero que seja considerado apenas como parte do aprendizado e não como instrumento de tortura.
E volto a acalentar o projeto República nova.
DdAB