quinta-feira, 11 de junho de 2015

Promover a Indústria: item 4


Querido diário:

Desde aqui , estamos buscando analisar os conteúdos substantivos das justificativas da importância do setor industrial na promoção do desenvolvimento econômico. Devemos ter presente que não nego correlações, associações e talvez nem mesmo causações. O que nego é que a política industrial deva ter a chancela do governo e especialmente o custo de oportunidade medido em número de meninos de rua, de adolescentes deseducados e adultos deseducadíssimos. Segue-se com:

There are powerful empirical and theoretical arguments in favour of industrialisation as the main engine of growth in economic development. The arguments can be summarised as follows:

4. Compared to agriculture, the manufacturing sector offers special opportunities for capital accumulation in developing countries. Capital accumulation can be more easily realised in spatially concentrated manufacturing than in spatially dispersed agriculture. This is one of the reasons why the emergence of manufacturing has been so important in growth and development. Capital intensity is high in mining, manufacturing, utilities and transport. It is much lower in agriculture and services. Capital accumulation is one of the aggregate sources of growth. Thus, an increasing share of manufacturing will contribute to aggregate growth.


Agora temos algo interessante para a esquerda nacionalista ler e meditar, se é que não foi ela mesma que ditou: "capital accumulation" é coisa de economias capitalistas, não é mesmo? Então esse é um ponto de vista que estaria associado àquelas ideias do Partidão de desenvolver a burguesia nacional.

Mas eu não vejo é porque fazer isto com a indústria e não com escolas, hotéis, prisões, aquela pilha de serviços tão almejados pela população.

Nosso autor, em seguida, vira apolotético. Aliás, nem sei o que custa mais caro, se certos equipamentos da medicina moderna ou uma fábrica de automóveis (também moderna, daquelas que pode ser desmontada em dez dias de trabalho (em meio expediente...).

E ainda bem que diz que a acumulação é uma das fontes do crescimento. Ou seja, há outras. E uma delas é acumular no setor industrial, e umas das outras, é precisamente acumular em diversos subsetores dos Serviços.

Aliás ainda tem mais: este negócio de pensar que a acumulação de capital se dá na indústria é contra aquela visão de Donaldson Brown informando que a General Motors, já em seu tempo, era um banco: escaneava o mercado buscando oportunidades lucrativas para decidir onde meter seus lucros.

Reli tudo. Dei-me conta de que o autor estará falando em acumulação de capital no sentido de capital físico, nada mais esdrúxulo para a economia marxista. Mas, sendo fundo de valor em busca de valorização, vale o que falei. Sendo capital físico, máquinas e equipamentos, a questão não é onde vê-los produzidos, mas - se for o caso - como conseguir dinheiro para importá-los. E voltamos ao tema: divisas são obtidas com exportações. De produtos agropecuários, de tecnologia de ponta, de serviços, como o turismo, a assistência médica, e por aí vai.

Resumo: não me parece que esta justificativa para a promoção da política industrial com fundos governamentais se sustente.

DdAB
Imagem: aqui. Parece que aquela encrenca lá de cima é um hotel em Dubai. Jamais saberei com investigação in loco.

4 comentários:

Anônimo disse...

Prezado Duilio,

Tenho lido com atenção os posts sobre a industrialização e fico pensando na validade dessa coisa toda de nacional-desenvolvimentismo ainda em voga, pelo menos por parte de alguns que a defendem.

Pensei: e se jogarmos tudo em coisas básicas, tipo educação de ponta, saneamento básico e serviços para a população, de modo que cresça a capacidade da população de criar, inovar, etc.? Será que daí não surgiriam diversas iniciativas, inclusive indústrias, sem que para isso precisássemos botar tanto dinheiro subsidiado nisso?

E se pegarmos os subsídios todos, só eles - é tanto dinheiro, que deve dar -, e colocarmos em melhorar nossa educação básica, já faria diferença, não?

E pensei mais, concessão com dinheiro do BNDES novamente? Se o Estado precisa sair de algumas atividades, só é possível passar à iniciativa com dinheiro subsidiado? São negócios tão ruins assim? Vamos pagar duas vezes?

Abraço,
Teixeira.

... DdAB - Duilio de Avila Bêrni, ... disse...

Pois é, Teixeira.
Concordamos novamente (parece que tenho uma pequena divergência em outro tema que um dia, se aparecer novamente, juro que terei a coragem de comentar...). Ainda antes de ler teu comentário, vi no jornal Zero Hora haver quem acredite que o novel Program em Investimento em Logística do governo federal também será abortado, pois "apesar de tentar incluir mais a iniciativa privada no programa, ainda existe dúvida em relação ao interesse dos investidores, tendo em vista as atuais condições de financiamento, com menor participação do BNDES" (Débora Morsch, em artigo na página 20). Penso que este banco deveria ser tornado uma "carteira" do Sebrae, financiamento pequenos empresários, treinando-os e supervisionando seus projetos de crescimento, dando-lhes treinamento até em português e matemática básicos. E não subsidiar grandes empresários, ajudando a concentração da renda e as distorções da incompetência (prá não falar em corrupção) a que a abundância de recursos induz (lembrar suínos soviéticos alimentados a leite em pó).
Por exemplo, saneamento básico pode ser feito com uma grande empresa ou com diversas pequenas empresas coordenadas por outra/s. E o sistema que gasta em educação ou saneamento exercerá demanda sobre diversos outros setores industriais e de serviços (os mal-entendidos 'linkages'), criando a bola de neve despencando pela viela que tu e eu desejamos.
Nâo sou tolinho ao ponto de desacreditar das economias de escala generalizadas, ainda que entenda que financiar o crescimento deve conviver com pequenas, médias e grandes empresas como resultados do sucesso dos programas.
DdAB

Anônimo disse...

Prezado Duilio,

Se aparecer a oportunidade, comente mesmo. Assim vou buscando entender o muito que não sei.

Abraço,
Teixeira.

... DdAB - Duilio de Avila Bêrni, ... disse...

Tou começando a preparar, Teixeira!
Abçs
DdAB