segunda-feira, 15 de junho de 2015

Kurz, Schwarz, Marx


Querido diário:

Para mim, Roberto Schwartz é conhecido por meio de um artigo de Leda Paulani. Começa com Fernando Henrique Cardoso, se bem entendo (é que li alguma coisa além dela e mesmo dela não li com tanto afinco), que tem algo como "As ideias e seu lugar" e aí o Schwartz tem "As ideias fora do lugar" e a Paulani com "Ideias sem lugar", raivoso artigo contra a profa. Deirdre McCloskey e seus artigo e livro sobre a retórica na economia.

Eu, ok, volto, quero falar ultra-brevissimamente do livro

KURZ, Robert (1993) O colapso da modernização; da derrocada do socialismo de caserna à crise da economia mundial. 2ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

Quero falar rapidissimamente, mas aumentei. A crise derradeira da economia capitalista universal estava mais ou menos, aos olhos do autor, deflagrada e declarada lá por aqueles 1993 do século XX. E agora, claro, andei lendo aquele sr. Anselm Jappe, discípulo de Kurz que fala precisamente o mesmo: não, não era a crise de 1998, nem a de 1987, mas seria -teriam adivinhado eles?- a de 2007-8. Então um, entre as crises derradeiras, houve uma crise resolvida, que o mundo deixou de andar em crise e ainda espera a crise derradeira para finalizar.

Ok. Diz Schwartz na página 11 do livro de Kurz

Pela primeira vez o aumento de produtividade está significando dispensa de trabalhadores também em números absolutos, ou seja, o capital começa a perder a  faculdade de explorar trabalho.

A encrenca está dada: será que agora estamos mesmo vendo a crise final do capitalismo, aquela abordagem de Jappe dizendo que a lei do valor, a mercadoria, o fetichismo e o dinheiro declararam o fim inexorável do capitalismo.

Só posso comentar minha também eterna brincadeira: o capitalismo acabou há mais de 15 dias. Se o fez hoje, pode ser que ainda estivesse vivo em  1993, ano em que a Paz e Terra lançou a segunda edição do livro de Kurz. Será que Marx estava errado? Ou era Jappe? Ou ambos? E a China, que -desde 1993- aumentou seu tamanho em mais de seis vezes? E a Índia, o capitalismo asiático, aquelas coisas todas? A ideia que me foi passada por Andrew Glyn de que as próprias privatizações nos países capitalistas avançados e o montante enorme que ainda resta a ser feito por lá, tudo isto, é atestado de vida para o capitalismo.

É verdade que hoje parece que o emprego nos antigos países capitalistas avançados parece claudicar e mesmo pode ser que fenecer. A distribuição da renda mundial, Picketty, essa turma toda, tudo conta. Eppur si muove, teria dito Galileu quando indagado por um médium o que acharia de reencarnar hoje.

DdAB
Imagem aqui.
P.S. Voltei aqui às 21h00 para dizer que li algo muito interessante na Zero Hora. Página 22, artigo de Moisés Mendes, título "O novo reacionário". Pensei: serei um deles, logo eu que conheço presumivelmente tantos?  Ele diz: "[...] O conservador clássico [...] é duro e inflexível em suas posições e contrapõe-se aos discordantes com respeito e fleuma cerimoniosa. O conservador informa-se sobre o que pretende comentar. [...] O novo reacionário, não. Ele é o ultraconservador agressivo que ultrapassou os limites, porque ele não tem categoria para ser apenas conservador." Acho que o ponto chave que me põe na esquerda do conservador é que, embora tenhamos em comum a busca de informação sobre o que desejamos comentar, é que eu defendo a maior liberdade possível a cada indivíduo compatível com a dos demais e, não menos importante, o igualitarismo.

Nenhum comentário: