domingo, 21 de junho de 2015

A Farsa do Déficit Previdenciário


Querido diário:

Ontem esqueci de dizer que o próprio governo Maduro da Venezuela também é uma farsa, como o foi o do general Chavez, talvez o maior orador que vi em minha vida, durante o Forum Social Mundial de Porto Alegre em um daqueles anos. Vi-o, Chavez, no Estádio Gigantinho aqui no Bairro Menino Deus. E que farsa é esta? A farsa de esquerda que tem também seus dramas em Cuba e Coréia do Norte, essas dinastias comunistas. Logo eu, que me considero mais à esquerda do que permite um círculo trigonométrico de raio orientado e de valor unitário! Farsas, farsas. E esta que denuncio hoje?

Começa com a notícia da revista CartaCapital de 24/jun/2015 (próxima quarta-feira), página 31. Inserida em matéria chamada "Mate o velho?", há uma tabela mostrando as três primeiras colunas da tabela que montei em meu Excel e enquadrei como a imagem de hoje. Claro que eles são solidários com o velho, a quem acham que a sociedade deveria deixar viver o maior tempo possível. Eu também acho, claro. E até costumo dizer que o crescimento do setor terciário é ilimitado, pois é necessária pesquisa para permitir-nos viver um par ou mais de bilhões de anos e viajar para os mais estranhos recortes do universo. Ou seja, viver montes é um desejo legítimo daquela turma que não é burocrata suficiente ao ponto de achar que a "conta da previdência" deve dar lucro.

A penúltima coluna tem a cor vermelha para indicar que apenas um projeto nacional ajustado com os interesses populares poderá gerar uma vida longa e pacífica para todos os brasileiros. É hora de começar a discursar em favor desta visão benévola do futuro. Se a produtividade do trabalho crescerá 5,2 vezes e o "PIB per capita" dos trabalhadores e ex-trabalhadores crescer 3,9 vezes (ver P.S.), qual será mesmo o problema que não meramente distributivo? E quem seria capaz de dizer que aquele estonteante ganho de 5,2 vezes na produtividade do trabalho (estonteante comparado com o da Coreia ou China...) não teve muito a ver precisamente com o esforço dos aposentados, durante seu período de vinculação ao mercado de trabalho?

DdAB

P.S.: A partir de 2014, tudo foi projetado com taxa de 3% a.a., que é até menor que a do período 2000/2013, com seus 3,26% a.a. A taxa aritmética entre 1901 e 2013 é de 4,83% anuais. Recusei-me a projetar com esta, contendo meu otimismo. Do jeito que projetei usando a taxa mais modesta, a produtividade por trabalhador crescerá 5,2 vezes entre 2000 e 2060. Pode dizer que vai faltar dinheiro para pagar essa macacada toda? Contrastando com estas 5,2 vezes mais produtividade por trabalhador, fiz um cálculo também mostrando o PIB por trabalhador ativo ou ex-ativo, isto é, aposentado. E encontrei espantosos 3,9. Quero dizer: esta balela de que vai faltar dinheiro para a previdência tem este suposto idiota de que o INSS deve dar lucro.

P.S.S. Até que ponto estou defendendo interesses pessoais? A solidariedade dos velhinhos? Meus interesses materiais feridos? Sou solidário com os colegas velhinhos, mas duvido que haja um problema sério de sobrevivência para mim, em virtude das vantagens que o sistema me outorgou depois de 41 anos de trabalho.

P.S.S.S. Aqui está minha primeira postagem de uma série de dez em que falo sobre aquele mito vergonhoso de se considerar que bem-estar em Santana do Livramento só é alcançado por meio da produção de aviões a jato naquele local. E fala-se rapidamente naquela "infecção de custos" de William Baumol, algo hoje definitivamente colocado no pretérito. Parece óbvio que a produtividade do trabalho pode crescer infinitamente se houver milhares de condições mantidas constantes e outras inevitavelmente variáveis, pois -por exemplo- o desequilíbrio ambiental pode acabar com aquela população de 230-240 milhões lá de 2060. E também deve-se notar que aqueles 7 trilhões de reais de 2060 (medidos aos preços de 2000, que bem conhecemos, compramos nossas comidinhas e roupinhas com eles) guardarão à indústria uma fração desabotinadamente reduzida.

P.S.S.S.S. E tem ainda o espantoso contrafactual de pensarmos em como seria uma sociedade com uma produtividade do trabalho absolutamente estonteante, digamos que apenas dez indivíduos produzissem todos aqueles sete trilhões de reais? Então eles ficariam com tudo para si e deixariam os demais milhões de trabalhadores no consumo zero? Só idiotas é que pensam que as elevações da produtividade devem fazer as pessoas trabalhar mais e não menos!

P.S.S.S.S.S. E tu viu que a última coluna da tabela tem um "após" ai invés da abreviatura que inventei para aposentado, "apos"? O Bill Gates e seu Excel também será contra os velhinhos?
abcz

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