domingo, 10 de maio de 2015

Zero Hora Dominical


Querido diário:

Zero Hora, o jornal de formato tabloide que leio regularmente no domingo, é feita no sábado. No dia das mães que hoje transcorre, além do inefável futebol que lhe municia as capas all over the year, vemos uma notícia: O PMDB partido em três. Não sei se é aquele cultivo ao lugar comum que tanto me chama a atenção para, se puder, saltar adiante, e que volta e meia pega-me distraído.

Pois bem: um partido partido? Eu já notara esta peculiaridade do PMDB, se não o universo peemedebista, mas pelo menos o desditado PMDB sul-riograndense. Pois não é que, nas eleições de 2014, havia um candidato a governador: José Ivo Sartori, que acabou eleito no segundo turno, com acachapante derrota do oficialismo, que era o mister Tarso Genro, do PT, como sabemos (e achamos tudo o fim da picada).

Moral da história: o PMDB, no primeiro turno, apoiava os três candidatos de lídimas chances de eleger-se presidente da república. Pela ordem alfabética, Aécio, Dilma e Marina. Pode um partido, que deve ser partido da sociedade não partido dentro de si, apoiar todo mundo? Chance de obtenção de cargos para cada tipo de conjunção política que se possa imaginar? Claro que pode. Onde? No Brasil, que se chamava Brazil, até a turma do Getúlio Vargas e asseclas mudar. Como, agora o mister Lula e asseclas voltou a mudar em 2009. E eu já joguei no lixo uns cinco dicionários que comprara após a última mudança de 1973, que nem lembro quem era o general-presidente da república.

Em compensação, as páginas finais de Zero Hora de hoje têm cada uma:

Uma: o cronista Moisés Mendes elogia "o jurista Luiz Edson Fachin", candidato a uma vaga no supremo tribunal de justiça e a juíza Carine Labres, candidata à notoriedade eterna, pois promoveu o casamento gay, um troço assim. Olha aqui:

   Os dissimulados, que nos vendem a farsa da neutralidade, incomodam-se com Carine e Fachin. Pela velha convenção do cinismo brasileiro, o bom mesmo é ter a companhia dos de sempre. O reacionarismo é implacável com os que o desafiam.

Outra: o cronista Luciano Potter, ao lado de Moisés, tem o que já notei ser uma postura de alienação direitista. Que digo? Digo o que se lê, claro. Alienação direitista. Vejamos o que ele diz que Fernanda Takai, a gatinha do conjunto de rock Patu Fu, disse:

Fernanda Takai [...], sobre o atual momento político brasileiro: 'Não podemos torcer contra o Brasil. Torço para que o governo dê certo. Torço para que as pessoas não se dividam entre contra e a favor.'

E tem alguém querendo sangrar o governo por aí? Será legítimo? E será legítimo que o Luciano Potter, naqueles colchetes que inseri ali na citação que ele faz da gatinha, tivesse inserido "amiga da presidente Dilma"? Tinha, na escola, aquele blim-blim-blim de aposto ou vocativo, que nunca entendi bem. O que vemos é um aposto? E que diabos tem este Luciano na cabeça para misturar o bom-mocismo de Fernanda Takai com a amizade que ela retém com Dilma? Será a mesma de milhares de outras pessoas, inclusive Martha Medeiros, que foram lá em palácio e ganharam medalhas? E Luciano? No outro dia, ele citou um profundo pensamento de Diogo Mainardi. Luciano informa seu e-mail na coluna (nomeadamente, potter@atlantida.com.br) e eu escrevi um e-mail informando-o ter achado aquilo coisa de mau gosto. Seu e-mail de resposta para mim... não veio nunca!

Longe de mim querer acabar com as opiniões reacionárias, longe de mim querer acabar com os jovens jornalistas, longe de mim querer que não se formem mais intelectuais da imprensa como antigamente. A questão é outra, nem sei bem qual é a outra. Parece que Fernanda Takai misturou sua arte (rock é arte?) com política. Isto pode. E Luciano misturou política com arte. Isto também pode, só que há duas misturas, a de direita e a de esquerda. E ele fez a de direita. E se a Fernanda não fosse amiga de minha ex-estagiária Dilma, será que não valeria a pena eximir-nos de torcer contra o Brasil?

E se não me alongo, deixo bem claro que -claro- torço a favor do Brasil. E, de acordo com Jacques Lambert, há dois Brasis, logo devo esclarecer para qual desses dois é que escolho para torcer, como na capa do jornal e seu futebol? Escolho, claro, o Brasil igualitarista, em que haveria prisões para os infratores, como é o caso de pilhas, pilhas, pilhas de juízes, deputados e demais agentes da política.

DdAB
Imagem: claro que a dialética não é um "modo de pensar" exclusivo da esquerda. Seja como for, a imagem lá de cima (e daqui) está eivada de dialética: o que vemos a nossa esquerda é direita e vice versa. A mão direita, à esquerda, tem o comprimido vermelho, ao passo que a mão esquerda tem o comprimido azul.
P.S. quando falei acima em dia das mães, quero dizer "Feliz Dia das Mães!", para mães e sua filharada.

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