quarta-feira, 27 de maio de 2015

Valor (preço) e Equilíbrio


Querido diário:

A economia marxista tem espantoso poder explicativo sobre a "economia industrial". Com sua definição de valor V (devidamente transformado em preço), temos

V = c + v + m

onde c é o capital constante, v é o capital variável e m é a mais-valia.

Das componentes de V, criamos três razões:

taxa de lucro r = m/(c+v),

taxa de exploração d = m/v,

composição orgânica do capital f = c/v.

Esta equação-definição de valor só se sustenta "em equilíbrio". Só há valor se a mercadoria deu seu salto mortal, isto é, se a oferta encontrou sua demanda (ou melhor, se a quantidade levada ao mercado pelos ofertantes igualou-se à quantidade lá buscada pelos consumidores.

E até podemos dizer ("podemos", pois Marx não disse) que

m = f(c/v), com dm/dc/v < 0,

ou seja, quanto maior a composição orgânica do capital, menor a mais-valia. Em um ambiente concorrencial, todas as empresas enfrentam um mesmo preço no mercado. Deste modo, aquelas empresas mais capitalizadas gerarão menos valor que as menos capitalizadas e, com tal preço superior ao valor que geram, sua rentabilidade será superior. Este é o primeiro prenúncio da taxa de lucro cadente.

DdAB
A imagem daquela belíssima garota em equilíbrio veio daqui. Até há excesso de equilíbrios, pois a menina espelhada por Botero também encontra-se neste estado.
P.S. de 29/maio/2015: há um comentário de meu amigo Teixeira dizendo que, naquela frase do parágrafo final, eu cometera um erro, originalmente lendo-se naquele "menos" em negrito um "mais". Quanto menos trabalho útil socialmente necessário, menos valor: mais máquinas (c) aumentam a produtividade do trabalho, reduzindo seus requisitos por unidade de produto.

2 comentários:

Anônimo disse...

Prezado Duilio,

Lendo teu post ontem fiquei em dúvida quanto à seguinte frase:

"Deste modo, aquelas empresas mais capitalizadas gerarão menos valor que as mais capitalizadas e, com tal preço superior ao valor que geram, sua rentabilidade será superior. Este é o primeiro prenúncio da taxa de lucro cadente."

Abraço,
Teixeira.

... DdAB - Duilio de Avila Bêrni, ... disse...

Caro amigo Teixeira:
Obrigado pela desconfiança...
Arrumo aqui e arrumarei lá:
"Deste modo, aquelas empresas mais capitalizadas gerarão menos valor que as
menos
capitalizadas e, com tal preço superior ao valor que geram, sua rentabilidade será superior. Este é o primeiro prenúncio da taxa de lucro cadente."
Abçs
DdAB