quinta-feira, 21 de maio de 2015

Boltzman e a Lei da Entropia; Marx e a Concentração Industrial


Querido diário:

BOLTZMAN (aqui)
Boltzman  teve, naquele tempo, a compreensão fundamental da finitude universal, da perda permanente de energia, do escoar da concentração, da dispersão. Hoje sabemos que o universo está se expandindo. Sabemos? Digamos que sabemos, mas localmente há concentração. E se não sabemos? Se for assim, a negação do saber da expansão eterna, fica a perspectiva da ação de buracos negros que farão outro/s universo/s renascer/em. A verdade é que estou escrevendo isto neste computador, pois a vida é manifestação antientropia, mas arrasa o meio-ambiente, que também é vida, e até hoje não consegui descobrir se a massa de seres vivos no planeta é maior do que, digamos, a três bilhões e meio de anos.

Uma espécie de anti-entropia é a constatação de haver uma lei que diz que há menos objetos grandes do que pequenos (Azimov p.103): pedras na praia, estrelas no firmamento, e por aí vai. Ou seja, parece haver uma lei intrínseca da concentração, o que também parece ter sido capturado pela lei de Gibrat (à qual só achei referência na Wikipedia francesa aqui). Ou seja, como até já andei falando sobre o dito de Ilyá Prigogine (aqui), a força é dissipativa e o acaso é concentrador.

Tem mais: aquela frase de Bertrand Russel que encima o artigo de Stephen Hymer sobre Robinson Crusoé: todo ser vivo é uma espécie de imperialista, procurando transformar a maior parte possível do meio-ambiente em seu benefício. Cada vez que respiro, digo cá eu, acabo com milhões de bactérias, cada vez que me alimento, acabo com alfaces, beterrabas, carne, damascos, e por aí vai.

Pois não é que estamos mesmo pensando em um mundo que gera concentração, mesmo que, na tendência geral de longo prazo no universo, venha a vencer a dissipação. Então entrou Marx em minha cabeça, Uma das grandes "leis de movimento do modo de produção capitalista" fala na concentração e centralização. Em boa medida, mesmo com as dezenas de empresas automobilísticas contemporâneas, não podemos nem pensar em comparar com o que havia, para falar apenas dos Estados Unidos, há 120 anos. E a centralização? Esta lei é espantosamente verdadeira, sendo mesmo a lei de Gibrat uma aliada, explicando pelo inexplicável, ou seja, o acaso.

Só isto? Não, tem o Robert Averitt (livro lido: The dual economy. New York: Norton), que fui procurar aqui no Planeta 23 e nada encontrei, ou seja, provavelmente nunca citei-lhe o nome. Ele fala em firmas centrais e firmas periféricas, ou seja, que se situam na periferia dos oligopólios e mesmo dos monopólios artificiais (e até naturais, com a geração de energia fora do sistema central, por exemplo, geograficamente).

Claro que são as firmas centrais que se responsabilizam pela maior parte das variáveis relevantes de um sistema econômico: emprego, renda e preços. Que mais? Mais que andei falando que a Dilma deveria ter procurado cada família rica do Brasil e dito: "Tu aí, por que tu não paga uns 100 ônibus para as escolas de tua zona?" e, para outra, "Tu aí, por que tu não dá uniformes a umas 100 crianças?", e assim por diante, até alcançarmos o crescimento de 7,12% ao ano, o que -como sabemos- dobra a renda a cada 10 anos.

DdAB
A imagem veio da Wikipedia que pediu para eu dizer isto aqui. E botei-a aqui, pois pela primeira vez vejo os dois nomes juntos: Ven e Euler que, aqui ou ali, atribuem-se a autoria do popular diagrama lá de cima: esta postagem tem coisas de cada item.

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