terça-feira, 7 de abril de 2015

Jogos, Aranha e Martins


Querido diário:

As senhoras Aranha e Martins são autoras do livro que li com o maior proveito:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda e MARTINS, Maria Helena Pires (2009) Filosofando; introdução à filosofia. 4ed. São Paulo: Moderna.

Na página 301, há algo muito interessante. Estamos no mundo da política, estamos no mundo de Maquiavel. Estamos falando em fortuna e virtù.

[...] para fazer política é preciso compreender o sistema de forças existentes de fato e calcular a alteração do equilíbrio provocada pela interferência de sua própria ação nesse sistema: como vimos, o desafio está em compreender bem a relação fortuna-virtù.

De sua parte, na página 300, temos:

FORTUNA, em sentido com um, significa acúmulo de bens, riqueza. Sua origem é a deusa romana Fortuna, que representa a abundância, ms também é aquela que move a roda da sorte. Especificamente, fortuna significa ocasião, acaso, sorte. Para agir bem, o príncipe não deve deixar escapar a ocasião oportuna. De nada adiantaria ser virtuoso, se o príncipe não soubesse ser precavido ou ousado e aguardar a ocasião propícia, aproveitando o acaso ou a sorte das circunstâncias, como observador atento do curso da história.

VIRTÙ significa virtude, no sentido grego de força, valor, qualidade de lutador e guerreiro viril. Príncipes de virtù são governantes especiais, capazes de realizar grandes obras e provocar mudanças na história. Não se trata, portanto, do príncipe virtuoso, bom e justo, segundo os preceitos da moral cristã, mas sim daquele que tem a capacidade de perceber o jogo de forças da política, para então agir com energia a fim de conquistar e manter o poder.

Parece óbvio que este sentido que está sendo dado ao termo equilíbrio é muito mais sofisticado que o geralmente atribuído pela ciência econômica. O que parece estranho é aquela turma que não faz modelagem, nem a que se associa à maior dualidade da ciência econômica (tudo o que se vende é igual a tudo o que se compra): se foi assim ontem, qual será o nível que devemos ofertar hoje para que não haja nem excedente nem escassez de oferta. Eu disse: oferta. A quantidade de informação que podemos retirar do conhecimento das curvas de oferta e demanda planejadas em um mercado específico, muitos mercados específicos e todos os mercados reunidos (agora estamos na macroeconomia) é estonteante.

DdAB
A imagem saiu daqui.

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