domingo, 15 de fevereiro de 2015

Ridley Scott e o Homem de Marte


Querido diário:

Tem muita coisa aqui em Lisboa. Especialmente no livro "Perdido em Marte", de Andy Weir (aqui). Em Lisboa? Sim, acabei de lê-lo ainda ontem, no dia de São Valentim, muito festejado por aqui, o santo, quero dizer. Adquiri-o, ao livro, no aeroporto de Porto Alegre na hora da partida. Li o que pude, aqui e ali. Que mais? Já li que Ridley Scott fez/faz o filme que será lançado no dia 26/nov/2015. No capitalismo, tudo vira mercadoria, não é mesmo?

Não vou dar uma resenha. Antes de chegar aonde quero (que não é Marte...), ainda preciso falar do outro livro (entre milhares) sobre Marte: "Um estranho numa terra estranha", de Ray Bradbury, onde aprendi o verbo "grocar": entender o âmago de alguma pessoa, animal ou coisa. Por exemplo, lá naqueles tempos, eu groquei aquele cachorro esperando pacientemente para atravessar a Av. Edvaldo Pereira Paiva, em Porto Alegre, deslocando-se do Parque Marinha do Brasil à orla do Rio Guaíba. Fim disto.

Mas sigo, assim, com o "Perdido em Marte". Nem preciso dizer que entendi no final do livro que o astronauta que foi perdido em Marte foi resgatado e tudo ficou maravilhoso. O que quero é falar dos parágrafos finais, elogios estrondosos ao altruísmo, se é que é isto:

[...]
   O custo de minha sobrevivência deve ter sido de centenas de milhões de dólares. Tudo para salvar um botânico bobão. Pra que se dar o trabalho?
   Tudo bem, eu sei qual é a resposta. Em parte, pode ser o que eu represento: progresso, ciência e o futuro interplanetário com o qual sonhamos há séculos. Mas, na verdade, fizeram isso porque todo ser humano tem um instinto básico de ajudar os outros. Talvez não pareça ser assim às vezes, mas é verdade.
   Se um excursionista se perde nas montanhas, as pessoas organizam uma busca. Se um trem colide, as pessoas, fazem fila para doar sangue. Se um terremoto arrasa uma cidade, as pessoas em todo o mundo mandam suprimentos de emergência. Isso é tão fundamentalmente humano que é encontrado em todas as culturas, sem exceção. Sim, existem babacas que não se importam, mas são uma ínfima minoria. E, por causa disso, bilhões de pessoas ficaram do meu lado.
   Muito legal, não é?
  De todo modo, minhas costelas estão doendo à beça e minha visão ainda está turva por causa do mal-estar da aceleração. Estou morrendo de fome, mais 211 dias vão se passar até que eu volte à Terra e, ao que parece, estou fedendo como se um gambá tivesse feito cocô em um par de meias suadas.
   Este é o dia mais feliz de minha vida.
[...]

E não é? Talvez minha teoria dizendo que um terço é egoísta e dois terços são altruístas esteja subestimando o altruísmo. No lado egoísta, há como calcular o número de psicopatas e narcisistas. E aí chegamos certinhos aos heróis do futuro.

DdAB

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