sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Juiz Alexandre


Querido diário:

Li no jornal de ontem a espantosa notícia do juíz Alexandre, que era o fideicomisso do caso judicial do sr. Eike Batista. O juiz tomou a si a guarda de um automóvel de luxo, deu outro à guarda de um vizinho de prédio e a outro vizinho cedeu um piano finíssimo do milionário filho de ex-ministro da república.

Os que me leem com frequência terão visto que volta e meia amaldiçoo-me por ter estudado e ganho os títulos de bacharel, mestre, master of arts, doctor of philosophy (com estágios pós-doutorais na University of London e outro na Freie Universität Berlin), tudinho na ciência econômica. Eu não tinha feito minha psicanálise sobre esta mania de estudar economia, até que, ao ler a notícia do juiz Alexandre, entendi tudo. É que se eu tivesse estudado para juiz, já na infância, tornar-me-ia fideicomisso de um cueiro charmoso que vi em um colega de berçário, uma bola de futebol, outra de vôlei, uma caneta azul de uma colega, a garota do baile do primeiro ferrabrás que vi, o carro, os patins, o iate, o jatinho. E muito mais, Picassos, Cézannes, Francis Bacons, e por aí vai.

DdAB
Imagem aqui.
P.S. das 10h33min de domingo, primeiro de março: e o diabo do nome do juiz não era Alexandre, mas Flávio Roberto de Souza.

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