sábado, 28 de fevereiro de 2015

A Água, o Governo e a Época


Querido diário:

Todos sabem que duvido existir pessoa mais contra o governo que eu. Por isso mesmo tive sofrimentos terríveis ao decidir, nas últimas eleições, votar em ladrões de esquerda, em prejuízo do voto aos ladrões de direita. Como pode alguém ser contra o governo? Fala-se hoje em apoiarmos o piloto do avião. Mas como pode alguém deixar de comover-se com a quantidade escandalosa de -claro- escândalos de corrupção e aparelhamento da máquina pública para criar benesses a apaniguados e outro tipo de oportunistas.

E daí? Daí é que ainda tem mais. Talvez eu tenha cometido algum crime literário de vulto em alguma reencarnação anterior que fui condenado na atual a ler sistematicamente dois veículos que reputo da mais alta baixa qualidade, a Zero Herra e a Capital dos Carta. Mas nem só deste tipo de expiação vivo eu na presente quadratura planetária. Em pleno aeroporto de Guarulhos (parece-me que agora foi batizado de Airton Senna, Edson Arantes, um troço destes), adquiri por R$ 11,90 (carga tributária federal aproximada de 4,65%, cifra que tem a relevância conceitual e empírica do zero que antecede o 4: 04,65%) a revista Época. Esperava estar reduzindo as penas a que fui condenado na atual reencarnação, mas que esperança!

Li daqui e dali com algum proveito e outro tanto de indignação. "Intrinsecamente reacionária", condenei. E a prova cabal da ma fé, como aquele negócio entre parênteses acima que fala em um número esdrúxulo para os impostos federais omitindo pagamentos vários a impostos estaduais e municipais, fora as verbas de suborno das autoridades adequadas a cada caso, é o noticiário sobre a falta dágua em São Paulo.

O ápice do destrambelho apareceu nas páginas 68-69, com o prosseguimento da matéria "Vidas Secas", em que nem mesmo Baleia foi inocentada. A matéria indicia-se como "A culpa é do governo" e segue com "A administração pública tem mais responsabilidade na crise da água que a falta de chuva, de acordo com um levantamento de opinião do Reclame Aqui. ~~~ O Reclame Aqui fez o levantamento a pedido da revista, que encarrega-se de dizer que "Mais de 20 mil pessoas responderam às questões, a maioria moradores do Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Ele não tem rigor estatístico para representar fielmente a opinião dessas populações."

Então pensei:

.a. deixaram de entrevistar 199.980.000 pessoas, mais ou menos

.b. o governo que deveria cuidar da água em São Paulo deveria ser o local, o estadual, a Sabesp. Em outras palavras, os ladrões estaduais não foram devidamente diferenciados dos ladrões nacionais. Parece-me -crime de opinião não gera reencarnação- que esta é uma abordagem direitosa encarregada de levar-nos a pensar nos ladrões federais juntamente com São Pedro e as rezadeiras como co-responsáveis pela incúria na administração local.

Isto não é nada, se compararmos com o Juiz Alexandre, de quem falei ontem. E esqueci que o carro dirigido pelo magistrado era um Porsche. E no caso da água outro juiz deu ganho de causa ao advogado de 50 anos intitulado Marco Antonio Silva que requereu o direito de "tomar banho e lavar a roupa à noite". E o juiz No Name "decretou a tutela antecipada, determinando que a empresa [Sabesp] não cortasse a água da minha residência, a equipe técnica veio instalar um aparelho em meu hidrômetro."

Se os 19.999.999 moradores da região contratarem o causídico a um pila por cada, ele já estará rico, se é que ainda não ficou com este tipo de ideia tão contrário ao conceito de orçamento universal. Mas nem critico o causídico que, com esses R$ 20 milhões (arredondamento pela ABNT) poderia lixar-se em outras freguesias, mas o juiz, um verdadeiro sucedâneo do Alexandre de Tal.

Eu nunca tinha pensado em justiça de esquerda ou de direita, mas o Alexandre e este outro não podem ser de esquerda, sob pena de eu ter que reencarnar novamente, a fim de entender.

DdAB
Imagem: aqui.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Juiz Alexandre


Querido diário:

Li no jornal de ontem a espantosa notícia do juíz Alexandre, que era o fideicomisso do caso judicial do sr. Eike Batista. O juiz tomou a si a guarda de um automóvel de luxo, deu outro à guarda de um vizinho de prédio e a outro vizinho cedeu um piano finíssimo do milionário filho de ex-ministro da república.

Os que me leem com frequência terão visto que volta e meia amaldiçoo-me por ter estudado e ganho os títulos de bacharel, mestre, master of arts, doctor of philosophy (com estágios pós-doutorais na University of London e outro na Freie Universität Berlin), tudinho na ciência econômica. Eu não tinha feito minha psicanálise sobre esta mania de estudar economia, até que, ao ler a notícia do juiz Alexandre, entendi tudo. É que se eu tivesse estudado para juiz, já na infância, tornar-me-ia fideicomisso de um cueiro charmoso que vi em um colega de berçário, uma bola de futebol, outra de vôlei, uma caneta azul de uma colega, a garota do baile do primeiro ferrabrás que vi, o carro, os patins, o iate, o jatinho. E muito mais, Picassos, Cézannes, Francis Bacons, e por aí vai.

DdAB
Imagem aqui.
P.S. das 10h33min de domingo, primeiro de março: e o diabo do nome do juiz não era Alexandre, mas Flávio Roberto de Souza.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Igualitarismo e Literatura


Querido diário:

Lemos ali ligeiras manifestações de buscas que fiz no Google sobre a dupla Calac e Polanco, que tudo me levaram a crer nas virtudes do humor e sua consagração na sociedade igualitária. Explico-me. Vemos assim um trecho de

RABASSA, Gregory. If this be treason; translation and its discontents - a memoir. New York: New Directions, 2005. Página 57.

que encontrei ao procurar a origem dos nomes da dupla. Sempre ponho-me a pensar em eruditas citações de Shakespeare, Quixote ou algum elemento químico.

Mas tudo isto foi buscado tendo em vista permitir-me falar em

CORTÁZAR, Julio. A volta ao dia em 80 minutos. Lisboa: Cavalo de Ferro, 2009. (Impresso na Itália), [Tradução de Alberto Simões].

Em particular, quero falar em Cortázar que impressionou-se com um "revisor de autocarro em Buenos Aires" que disse: "Mais um passinho para frente e avancem de lado que há lugar...". Então Polando indagou a Calac algo sobre "pão com manteiga e mamíferos paquidérmicos". Calac foi-se entusiasmando com as próprias explicações, deixando Polanco quase monossilábico. Destaco uma passagem especialmente apologética da sociedade igualitária:

[... Calac: ]
   -Mas isto é o que todos os poetas fazem - disse Polanco, decepcionado.
   -Claro que fazem, mas depois expressam-no na sua poesia e tu sabes que as pessoas leem poesia quase sempre como se fosse um momento excepcional, excelente fórmula para se voltar rapidamente à prosa e não nos inquietarmos muito. É por isso que eu te digo que é preciso aplicar o conselho do revisor do autocarro à vida banana, à vida pasta de dentes, à vida bom dia mamã, que levamos. Ao fim e ao cabo é como disse o Conde, a verdadeira poesia terá de ser feita por todos e não apenas por um. E a elasticidade, o deslizamento e a escorregadela entre o fiambre e o pão são a única forma de nos irmos fazendo ao seu uso, aparte de que com centavos se fazem pesos, como me ensinou a minha mestra do terceiro grau.
   -Tu o pão mete-lo em quase todos os exemplos - disse Polanco. -Se entendi bem, tu propões a esponja como a pedra-pomes?
[...]

E por aí seguiu-se o -atrevo-me a dizer- conto intitulado "Diálogo com Maioris", com o trecho que colhi à página que refiro lá em cima, mas não tão em cima a ponto de confundir com o filósofo-tradutor (diria lá ele mesmo "traduttore traditore").

Afinal, que quero dizer ao citar praticamente milhares de nomes de pessoas e coisas reais ou fictícias? Quero dizer que será apenas na sociedade igualitária que alcançaremos a verdadeira poesia. Que quereríamos mais? Pão com manteiga, roupa lavada, poemas a mancheias...

DdAB

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Do Verbo Faltar


Querido diário:

Falei aqui em Lisboa amar a turma de Floripa, os caixeirinhos, as caixeirinhas, que -quando entras na loja em que eles atuam- somos indagados: "Falta...". E devemos completar: "Um casaco, um maço de lenços de papel, uma garrafa de cachaça...". Aqui em Lisboa, o equivalente é: "Que mais falta?". E acho que isto explica aquilo. Mas também falamos, quando cansamos: "era o que faltava". No caso, estaríamos falando na sociedade brasileira contemporânea: "só faltava mesmo era um político honesto".

DdAB
Imagem: aqui.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Ulysses: primeiras conexões lisboetas


Querido diário:

Depois de passar alguns dias em Lisboa, saudou-me a comunidade joyceana com o aceno de nova tradução de "Ulysses". Bem sei que fiz alguns registros, algumas milhares de ações de registro, apenas neste blog, como podemos observar ao clicar aqui. Mas sei mais ainda sobre os pensamentos a que dediquei minha atração pela primeira sentença da obra magna irlandesa. E mais ainda mais que mais sei que nessa postagem está registrada também a tradução que agora poeticamente trago na mão:

Aqui se registra a tradução
que agora poeticamente
trago na alma e ispo facto na mão.

Volto a dizer, volta e meia volto-me a pensar em letras e vejo hai-kais saírem de meus achados, meus pensamentos perdidos. Bebi? Sigamos:

Como sabemos, a primeira sentença da obra magna do afamado irlandês é:

Stately, plump Buck Mulligan came from the stairhead, bearing a bowl of lather on which a mirror and a razor lay crossed.

A ela o tradutor colocou em sua página 9, a seguinte correspondência em português/Portugal:

Soberbo, o roliço Buck Mulligan veio do cimo das escadas, trazendo uma bacia com espuma de sabão sobre a qual um espelho e uma navalha se cruzavam.

O livro cuja capa coloquei na postagem que cito acima e encima esta é:

JOYCE, James (2013). Ulisses. Lisboa: Relógio D'Água. Tradução de Jorge Vaz de Carvalho.

Eu já andei andando e ainda mais vou estar andando naquela ponte cujo nome foge-me agora como lhe fogem as águas do rio Liffey. E imagino o dia em que todas as fotos de todos os neutrinos de todos os momentos do universo que perpassaram a ponte e suas cercanias forem registradas na cabeça de um alfinete: então estarei ao lado de Buck, de Stephen, de Leopold, de James, Nora e toda aquela turma. Eu, talvez diferentemente deles, estarei portando na mão direita um copo de café Starbucks e na outra um sorvete Häagen Dazs.

DdAB
E aqui a capa da primeira edição, a parisiense:
E a maldade do dia é mais uma vez deixar claro que aquela do Houaiss "sobranceiro, fornido, Buck Mulligan..." é fria.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Hai-Kai n. 106


Querido diário:

Para o hai-kai n. 106, vemos dizeres de MILLÔR:

NA PENUMBRA, A SÓS.
QUANDO A LUZ SE ACENDE
JÁ NÃO SOMOS NÓS.

Planeta 23:

Já não somos nós
Seres limitados
Que a vida compôs?

DdAB
Imagem aqui.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Hai-Kai n. 105


Querido diário:

Para o hai-kai n. 105, temos a seguinte trova:

MILLÔR

NO LUSCO-FUSCO, A PASSARADA
FAZ O ENSAIO GERAL
PARA A ALVORADA.

Planeta 23:

Para a alvorada,
Com teu sorriso
a luz já vem irradiada.

DdAB
Imagem: Wikipedia, aqui.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Macroeconomia e formação do preço da empresa


Querido diário:

Tem um artigo velhinho que volta e meia retorna e retorna a chamar-me a atenção. Eu o descobri já uns bons 10 anos depois da publicação. Mas ele ainda fala coisas importantes.

Essencialmente, o que estamos dizendo é que o preço da firma é função do preço da indústria e da demanda agregada.

Vejamos sua equação principal:

P = (Pb)k x (Pn)1-k

onde P é o nível geral de preços, Pb é é o preço cobrado pelas firmas de racionalidade limitada, Pn é o preço cobrado pelas firmas plenamente informadas que arcam com o custo de obterem informação, chamadas de Firmas Nash

Por seu turno,

Pn = k x Pa x M1-a

o preço das firmas informadas depende do nível de preços e do estoque nominal de moeda.

Vim a ver que o Mr. Ng tem uma equação parecida em seu livro de 1986 ou até antes no artigo da revista Economica.

Ver: BLANCHARD, O. & KIYOTAKI, N. (1987) Monopolistic competition and the effects of aggregate demand. AER v. 77 n.4 -.647-666.

DdAB
Imagem daqui. Coloquei a primeira equação e o Google Images mostrou-me, entre outras, a imagem que nos encima.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Hai-Kai n. 104


Querido diário:

No hai-kai n. 104, disse-nos MILLÔR:

O ARBUSTO ESGALHADO
IMITA À PERFEIÇÃO
O VEADO.

O veado olhou a corsa
Fixado à ideia submersa
Fugir, fugir da ursa.

DdAB
Imagem:

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Hai-Kai n. 103


Querido diário:

No hai-kai 103, escreve MILLÔR:

O LEÃO EVADIDO NÃO AMEAÇA.
ATÉ QUE SE ESCONDE
DA GENTE QUE PASSA.

Trova do Planeta 23:

Da gente que passa
Desviou-se o mendigo:
"Ninguém tem cachaça."

DdAB
Imagem da Wikipedia daqui. Taí rimar amor e dor, ou melhor, leão e cachaça: deu sv, que talvez seja Sérvia. Prova: coloquei lá no tradutor o seguinte "Leão de Ouro är en lagrad cachaça tillverkad i staden Salinas i delstaten Minas Gerais." E deu como tradução "Leão de Ouro é um Lagrådet cachaça Tillverkad e staden Salinas e delstaten Minas Gerais." Provou o quê?

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Hai-Kai n. 102


Querido diário:

Temos agora o hai-kai n. 102 de MILLÔR:

O VERÃO É UMA FOGUEIRA
NO CÉU AZUL. É DOMINGO
ESTA SEGUNDA-FEIRA!

Segunda-feira? O Planeta 23 entusiasmou-se e trovou:

Esta segunda-feira
Anuncia o domingo,
A segunda, a primeira.

Agora que estou loucamente aposentado de férias em Lisboa, posso dizer: este hai-kai foi feito na cidade do México. Não o mantinha em segredo, apenas retive-o, pois ele habita a página 108, a do hai-kai millôriano 102. Esta, como sabemos, sucede a 107, que usei no outro dia.

DdAB
Imagem daqui.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Ridley Scott e o Homem de Marte


Querido diário:

Tem muita coisa aqui em Lisboa. Especialmente no livro "Perdido em Marte", de Andy Weir (aqui). Em Lisboa? Sim, acabei de lê-lo ainda ontem, no dia de São Valentim, muito festejado por aqui, o santo, quero dizer. Adquiri-o, ao livro, no aeroporto de Porto Alegre na hora da partida. Li o que pude, aqui e ali. Que mais? Já li que Ridley Scott fez/faz o filme que será lançado no dia 26/nov/2015. No capitalismo, tudo vira mercadoria, não é mesmo?

Não vou dar uma resenha. Antes de chegar aonde quero (que não é Marte...), ainda preciso falar do outro livro (entre milhares) sobre Marte: "Um estranho numa terra estranha", de Ray Bradbury, onde aprendi o verbo "grocar": entender o âmago de alguma pessoa, animal ou coisa. Por exemplo, lá naqueles tempos, eu groquei aquele cachorro esperando pacientemente para atravessar a Av. Edvaldo Pereira Paiva, em Porto Alegre, deslocando-se do Parque Marinha do Brasil à orla do Rio Guaíba. Fim disto.

Mas sigo, assim, com o "Perdido em Marte". Nem preciso dizer que entendi no final do livro que o astronauta que foi perdido em Marte foi resgatado e tudo ficou maravilhoso. O que quero é falar dos parágrafos finais, elogios estrondosos ao altruísmo, se é que é isto:

[...]
   O custo de minha sobrevivência deve ter sido de centenas de milhões de dólares. Tudo para salvar um botânico bobão. Pra que se dar o trabalho?
   Tudo bem, eu sei qual é a resposta. Em parte, pode ser o que eu represento: progresso, ciência e o futuro interplanetário com o qual sonhamos há séculos. Mas, na verdade, fizeram isso porque todo ser humano tem um instinto básico de ajudar os outros. Talvez não pareça ser assim às vezes, mas é verdade.
   Se um excursionista se perde nas montanhas, as pessoas organizam uma busca. Se um trem colide, as pessoas, fazem fila para doar sangue. Se um terremoto arrasa uma cidade, as pessoas em todo o mundo mandam suprimentos de emergência. Isso é tão fundamentalmente humano que é encontrado em todas as culturas, sem exceção. Sim, existem babacas que não se importam, mas são uma ínfima minoria. E, por causa disso, bilhões de pessoas ficaram do meu lado.
   Muito legal, não é?
  De todo modo, minhas costelas estão doendo à beça e minha visão ainda está turva por causa do mal-estar da aceleração. Estou morrendo de fome, mais 211 dias vão se passar até que eu volte à Terra e, ao que parece, estou fedendo como se um gambá tivesse feito cocô em um par de meias suadas.
   Este é o dia mais feliz de minha vida.
[...]

E não é? Talvez minha teoria dizendo que um terço é egoísta e dois terços são altruístas esteja subestimando o altruísmo. No lado egoísta, há como calcular o número de psicopatas e narcisistas. E aí chegamos certinhos aos heróis do futuro.

DdAB

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Hai-Kai n. 101


Querido diário:

O hai-kai simbolicamente mais importante dos últimos tempos é o de número 101. Diz-nos MILLÔR:

É MINHA IDEIA
QUE O OUTONO SÓ DESFOLHA
ÁRVORE EUROPEIA.

O Planeta 23 fez a trova seguinte:

Árvore europeia
Não dá cortiço
Ao mel da velha.

E, de brinde, um tanto nonsense com tudo a ver no contexto:

Falou em Cabul?
Também houve napalm
Nas ilhas do sul.

DdAB
Imagem daqui.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Hai-Kai 100


Querido diário:

Nosso hai-kai n. 100, de autoria de MILLÔR, é:

ENFORCOU-SE O CALHORDA
ALGUÉM MURMURA
SURSUM CORDA.

Diz-nos o Planeta 23, imbuído da solenidade que cabe a uma centena de trovas:

Sursum corda
Coração dos tempos:
Ela canta, dança, esculpe, lava, seca, prega botão, faz curativo, pinta e borda.

DdAB
A imagem é propaganda da loja El Corte Inglés, da Estação São Sebastião do metrô de Lisboa. A razão da seleção prende-se à peculiaridade de um método de andar de bicicleta que criei há 30 anos e nunca falhou (como o de deixar de fumar, mas algo parecido falhou, que era a dieta de 1000 dias: fila e fracassei-la...). O método é: ande lomba abaixo, não tire os pés do chão enquanto não se equilibra, vá desenvolvendo o senso de equilíbrio, até que os pés ficarão no ar por momentos suficientes para dizermos que o método teve sucesso. A rigor, a modéstia me impede de dizer que houve dois casos de duas garotas que praticamente aprenderam, mas desistiram na última hora.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Economistas Não



Querido diário:

Se nem mesmo sei o nome de todos os economistas do mundo, talvez nem mesmo saiba todos os que ganharam o Prêmio Nobél (que surgiu já em meu horizonte de vida profissional, com Ragnar Frisch e Jan Tinbergen logo em meus primeiros tempos de faculdade, em 1969), que dizer de grandes artistas? Pois aqui em Lisboa descobri dois que me evocaram o gaúcho Xico Stockinger (nascido na Áustria conforme vemos aqui).

O primeiro é Kenneth Armitage (aqui) e aqui:


E o segundo é Lynn Chadwick aqui e aqui:


DdAB
P.S.: o Xico Stockinger lá de cima é daqui.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Hai-Kai n. 99


Querido diário:

Temos hoje o hai-kai n. 99 de MILLÔR:

PRETENDE UM SOM BELO
O HOMEM QUE COÇA
A BARRIGA DO VIOLONCELO?

Planeta 23:

A barriga do violoncelo
Suave e grávida
Põe na vida outro elo.

DdAB
Imagem: aqui.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Indústria: daria para ser ainda pior?


Querido diário:

Quem me acompanha no mundo alheio aos hai-kais sabe que tenho especial invocação com o endeusamento do setor industrial. Obviamente não falo de peças industriais como a cadeira em que agora sento, o copo que usei para tomar um leitinho há umas duas horas, o computador em que ora batuco, o vaso que comporta flores a minha frente, a TV que me contempla, desligada e altaneira, os chinelos que uso, a roupinha que me cobre as vergonhas, tudo isto. Sou a favor delas, inclusive sou a favor de que nenhum terráqueo sinta-lhes falta. Quando falo em terráqueos quero dizer mesmo os nigerianos e bolivianos, noruegueses e malasianos, baianos e pantanalenses.

E quando falo em indústria provocando males medonhos tenho em mente, por exemplo, os automóveis. Eles matam 50 mil pessoas por ano em pleno Brasil. E nem falo da performance demoníaca associada a outros países subdesenvolvidos. Penso especialmente no Brasil, o entusiasmo de muita gente, inclusive meu, quando começaram a surgir os primeiros fuscas, há menos de 60 anos. O automóvel, esta maravilhosa engenhoca destrutiva de cidades e seus habitantes, teve um custo de oportunidade, por exemplo, mensurado em universidades da mandioca, do álcool da madeira, os trens, as eclusas, os barcos e navios.

O que me deixa mesmo abisurado (como diz Ivans Berzins) é perceber que tem muita gente que defende a política econômica voltada à promoção da indústria, como se tratores pudessem produzir engenheiros. Naturalmente, escolas é que produzem engenheiros, porteiros, carregadores, açougueiros e médicos. A propósitos dos médicos, bisturis jamais os produziriam...

Construir artificialmente um setor dinâmico e confiar excessivamente no "get the prices wrong" para ver o mercado induzi-los a ser "right" esbarrou no mais estrondoso fracasso. Hoje em dia, às vezes eu mesmo chego a pensar que parte de nosso mal-estar de crescimento rastejante se deve à perniciosa ação do câmbio. E dos impostos indiretos. Mas tudo faz parte do mesmo botequim: câmbio segura a inflação. E quem provoca inflação? Entre outras razões, o escandaloso desejo da produtividade do trabalho em ficar rastejando. Como é que produtividade aumenta? Claro que com máquinas, tratores, mas principalmente com engenheiros, com trabalhadores alfabetizados, com homens e mulheres saudáveis.

DdAB
P.S. Não sei o que seria de mim, se não tivesse tido meus carrinhos há mais de 40 anos. E quando penso nisto digo a mim mesmo: seria melhor. Mais trens, mais barcos, mais ônibus urbanos, mais metrôs.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Hai-Kai n. 98


Querido diário:

O hai-kai de MILLÔR é:

SERÁ QUE O DOUTOR
COBRA PELA CURA
OU COBRA A DOR?

Planeta 23

Ou cobra a dor
ou cobra a vida
o cobrador?

DdAB
P.S. dica musical de Lisboa: Michael Bublé. Isso que o "I've got you under my skin" não está ali.
Imagem: aqui. Não é que é só chegar em Lisboa que começamos a pensar em peixe o dia inteiro? Pedi ao Google Images "hai-kai 98" e ele me apresentou o florido prato.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Hai-Kai n. 97


Querido diário:

Diz, no hai-kai n.97, nosso MILLÔR:

PRA SER FELIZ DE VERDADE
É PRECISO ENCARAR
A REALIDADE

Planeta 23:

A realidade, meu filho,
Precisa de fatos tangidos
Pela bondade.

DdAB
Imagem aqui. Grande foto. Parece até de um daqueles gênios tipo Cartier-Bresson, e daí para cima...

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Hai-Kai n. 96


Querido diário:

O hai-kai n. 96, de autoria de Millôr Fernandes, diz:

NO SONO UNIFORME
O PESADELO
TAMBÉM DORME

O Planeta 23 diz:

Também dorme
quem acorda os homens
e adormece as crianças.

DdAB
Chegada em Lisboa!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

É de São José? não, não é


Querido diário:
Esse título de postagem cheira ao marcador "Besteirol", não parece? Mas não é: é pura economia política, é política, é dinheiro, ergo é "Economia Política". Como sabemos, a economia política escrita com minha letra é um ramo da ciência econômica criado por mim e que envolve traços da economia marxista com outros da teoria da escolha pública e com o resto daquela encrenca que a negadinha chama de corrente principal.

E daí? Daí que ontem mesmo vi na TV e hoje repercutiu no jornal Zero Hora que a turma da Petrobrás levou US$ 200 milhões de dólares para os fins mais nobres e os mais escusos. Nobre seria o presente de natal (uma bicicletinha) que um dos ladões deu para o filho de seu motorista ou de uma das empregadas. Fim vil (digo vil não por ser contrário ao consumo de drogas recreativamente, mas considero excluídos da benesse as crianças, os criminosos e os loucos) é a compra de maconha, segundo ouvi rolar em Curitiba...

E José Dirceu, que tem a ver com tudo isto? O São José do título da postagem indica que considero-o -ao político e advogado- um santo, especialmente se o compararmos a essa turma que também ouço (não, claro, na Zero Herra) estar ligada a nomeações a cargo do PMDB. O que me admira é que resquícios de políticos honestos do Rio Grande do Sul ainda se atrelem a esta sigla. E -by the way- à do PT, nem se fala!

Eu conheço dois esquerdistas que:

.a. um entrou na oposição ao governo Lula no primeiro dia, há 12 anos e um mês

.b. outra me disse que não iria sair do PT para não dar bandeira, em fevereiro do mesmo ano de início do mandato do maior político brasileiro de todos os tempos, por causa do escândalo de Valdomiro Diniz, homem que tinha sido companheiro de quarto de... José Dirceu,

Então, comparado com estes caras dos R$ 400 milhões, José Dirceu passa a chamar-se São José, ou Santo Dirceu.

DdAB
Imagem daqui. Pensei que roubalheira por roubalheira poderia exibir a quem de direito o quadro de Mark Rothko que adquiri em Nova York. Claro que, como não participei dos esquemas o que adquiri não é o Rothko, mas uma reprodução de, digamos, menos de US$ 200 milhões, bem menos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Mais na Marta: o lugar da eficiência alocativa


Querido diário:

Podemos meio adivinhar que estou falando da colunista do + Economia de Zero Hora, a sra. Marta Sfredo. No outro dia, falei em lugar comum. Hoje não é este o tema, mas não dá para ler a coluna sem tremer, sobre as baixarias da Petrobrás: "[...]
   Agora, encolhe o tempo para encontrar o substituto legal [da atual diretoria], mas estanca o sangramento na imagem já descorada da companhia. [...]" Sangramento adicional em imagem já descorada? É um quase-lugar comum.

Mas não era isto. Lá pelas tantas, cita-se o

[...]
"ex-diretor geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zulbersztajn [que] ponderou à coluna que não adianta mudar as pessoas, é preciso mudar a orientação do governo em relação à estatal:
   -A Petrobrás tem de ser tratada como uma empresa, que dê lucro para o acionista.
[...]

Volta e meia, sugiro que os políticos sejam obrigados -sob as penas da lei- a fazerem um curso de teoria da escolha pública, ainda antes de pensarem em candidatar-se a cargos eletivos, ganharem prebendas (os cargos em comissão), e por aí vai. E que dizer, então, de um ex-dirigente de uma empresa que não sabe que está recomendando que se alcancem lucros extraordinários, beneficiando acionistas e prejudicando consumidores? Lucro extraordinário é sinal de ineficiência alocativa. Digo que tem cada uma!

DdAB
P.S. Procurei no Google "eficiência alocativa" e encontrei a simpática figura lá de cima no simpático blog daqui. Como sabemos, lá se vê à esquerda as principais curvas para determinar o vetor [p q] da empresa e, a sua direita, a situação do mercado. A demanda da empresa é horizontal, desenhando-se precisamente no ponto de equilíbrio do mercado, no ponto Q* do eixo das quantidades. Se houver equilíbrio no mercado (e para que haja), haverá eficiência alocativa se empresa produzir a quantidade correspondente a seu custo marginal. Ela estará maximizando seus lucros a longo prazo. E não haverá ineficiência alocativa. Naquele gráfico, tampouco haverá ineficiência produtiva (produz-se na quantidade que corresponde ao custo médio mínimo) e nem ineficiência distributiva (produz-se até quando o custo médio iguala a receita média (aquela linha horizontal). Não é?

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A Maconha e os Médicos


Querido diário:

O cronista David Coimbra, de Zero Hora, escreveu na página 39 sobre a legalização das drogas. Afirma (e eu bem sei) que o consumo brasileiro é mais livre que um passarinho. O único racionamento - digo eu - é o do mercado, um bem de demérito que tem sua demanda seviciada pelo... vicio. [Esta de "seviciada pelo vício" é homenagem à postagem de ontem]. Diz o jornalista:

[...]
   O Brasil só conseguirá restringir as drogas se as controlar. Ou seja: tornando-as legais de direito, já que o são de fato. O Estado brasileiro deveria tomar a si a produção e a venda das drogas, cadastrando os consumidores, definindo os locais de uso, transformando as drogas em problema de saúde pública, não de polícia. Mais ou menos como é feito com o cigarro, que, com inteligência, está sendo banido da sociedade.
   O dinheiro das drogas deveria ser investido, exatamente, no combate às drogas, na prevenção, na educação, em vez de ser investido na compra de armamentos por bandidos.
[...]

Olha só, nunca pensei neste argumento: quem está armando os bandidos que já destruíram boa parte do país, destacadamente, a polícia e o judiciário, é a política proibicionista. E não é difícil entender a razão: os prêmios pagos aos ofertantes desta atividade ilegal são spectacular, para usar o termo de Joseph Schumpeter.

Mercado regulado? Bens de demérito? E que tal falar em bens de mérito, atividades meritórias também reguladas pelas leis de mercado? Outro desvio igualmente escandaloso é mais um setor com equivalente poder de monopólio, seviciando as parturientes brasileiras, essas heroínas da vida comunitária: os obstetras! As páginas 20-21 do mesmíssimo jornal falam por si mesmas, em um contexto em que a mulher engravida, procura acompanhamento médico durante a gestação e quer que o mesmo profissional faça o parto. Este só fará, em muitos casos, se ganhar um dinheirinho por fora:

SUA VIDA
MATERNIDADE
O PREÇO DA DISPONIBILIDADE
TAXA COBRADA POR OBSTETRAS conveniados a planos de saúde para garantir que realizem o parto surpreende gestantes em pré-natal. Apontado como irregular pelo Ministério da Saúde, procedimento é aceito por entidades médicas.

[...] A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), porém, não admitem a cobrança.
   -Se o médico acha que deve ser remunerado por sua disponibilidade, tem que negociar com a operadora do plano de saúde, e não com a gestante em uma situação vulnerável - sustenta a advogada do Idee Joana Cruz.

[...] A quiropraxista Giulia Pereira, 27 anos, moradora de Sapiranga, deixou sobressaltada a primeira consulta com uma obstetra de Novo Hamburgo. Descobriu que, mesmo coberta pelo plano de saúde, teria que desenbolsar outros R$ 3,5 mil se quisesse que a mesma profissional responsável pelo acompanhamento pré-natal fizesse o parto normal de seu primeiro filho.

[...]

Paulo de Argollo Mendes [presidente do sindicato médico do RS (Simers)] defende a cobrança da taxa de disponibilidade [do médico para o dia do parto] como uma compensação pela defasagem da remuneração oferecida pelos planos de saúde.

Eu pensei: maconha e partos? Um é fácil no Brasil e o outro é complicado. Se eu mesmo pudesse pensar duas vezes teria escolhido outros contornos para meu nascimento. Admito que o médico pode achar que ganha pouco ao se credenciar a atender pelo plano de saúde. Mas cobrar logo da paciente que deseja seguir com sua assistência no parto? Por que, como disseram, não cobrar do plano? E o plano, por que não se ressarcir dos signatários? Parece-me absolutamente fora de propósito, apenas em um país de moralidade baixa que os médicos achaquem os pacientes!

DdAB
Imagem: aqui. Se eu já estava estupefato com os médicos que achacam pacientes, só imagina o que direi de médicos atendendo a cirurgias cerebrais devidamente chapados. Mas acho que este tipo de indagação é bastante elementar, pois parece-me que qualquer médico que não seja criança nem criminoso nem criança há de separar as horas de consumo recreativo de jogos de tênis, bifes à milanesa e baseados para outros momentos em que não estiver em ação enquanto profissional. E você, leitor do Planeta 23, teria coragem de ser operado por um médico todo suarento, pois -entre uma sutura e outra- joga tênis no corredor do hospital com uma parturiente?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Era Herra? era e é


Querido diário:

Esta não é uma postagem sobre gramática, nem sobre aritmética, ainda que venha a falar de ambas. Estamos na página 19 do jornal Zero Hora de hoje, coluna "+ Economia", de responsabilidade da jornalista Marta Sfredo, a quem respeito, mas não me deixo enganar.

Primeiro: gramática, ou melhor, português. Trata-se das trivialidades (lugares-comuns) que vejo crescentemente encaixados em seus importantes comentários econômicos. Dou-lhe um:

ECONOMIA ABAIXO DE ZERO
O Brasil não está atolado em neve, mas tem uma tempestade perfeita no horizonte. [...]

Ora, ora: quem está atolado em neve? Alguns bons trechos do hemisfério norte, que enfrenta um rigoroso inverno. E a economia brasileira deverá ter um crescimento negativo no PIB. Faz sentido ligar o frio de lá com o menos algo do PIB/2015? Claro, mas é que de tanto ver lugar comum da própria Marta, como já denunciei neste blog algumas vezes de sua antecessora de anos e anos atrás, a jornalista Lurdete Ertel, começo a cansar-me.

Dou-lhe dois, na mesma página, a nota que segue, a propósito da possibilidade de acrescentarem mais álcool anidro (mais barato que o já adicionado) à gasolina:

PRESSÃO NO POSTO
[...] a mudança na mistura não deve ajudar a engatar a marcha a ré veloz nos marcadores de valor nas bombas.

E dou-lhe três. Agora é a aritmética, que incidiu em erro na coluna de hoje, ainda na primeira notícia, a do "congelamento" do PIB:

   Em janeiro, conforme destaca a publicação [um troço do Itaú-Unibanco] a chuva correspondeu a 64% da média histórica. Isso quer dizer que faltou o equivalente a 46% para só empatar com o que é normal. [...]

Erro por erro, errar todo mundo erra. Mas, como sabemos, 64 + 46 ≠ 100. E eu, de tanto piscar o olho, já fiquei sem a pestana.

DdAB
Imagem daqui. Esta é a antevisão do Carnaval/2015 e do restante do ano no indigitado país.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Anti-Comunismo e Burrice


Querido diário:

A burrice, no caso, é minha mesmo. Mas não sou o único. Há tempos li no jornal que um carinha de Santa Catarina (se a memória não é burralda...) entrou na justiça (esta maravilhosa fábrica de burros) exigindo o direito de não estudar o legado de Karl Heinrich Marx, sob a alegação de que, sob sua inspiração, teriam ocorrido muitas burrices e coisas até pior. Na União Soviética, no Araguaia, e em milhares de outros locais e tempos.

Hoje no jornal Zero Hora tem um artigo de Moisés Mendes, jornalista que tem aparecido mais publicamente (no jornal, claro) há uns poucos anos, se não apenas alguns muitos meses. Pois não é que Moisés é que me fez sentir-me burro, por não ter conseguido fazer uma projeção do requerimento do jovem anti-comunista e, com ela, uma verdadeira piada contra a intolerância, dogmatismo, ideologia, burrice. Explorando o paralelismo entre o mal causado pelo comunismo e aquele gerado pelas guerras, as doenças, essas coisas, alguém poderia invocar o direito de não estudar estas maldades.

DdAB
Imagem aqui.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Hai-Kai n. 95


Querido diário:

O hai-kai n. 95 de MILLÔR:

SANTO DE VERDADE:
UM EGOÍSTA
DA GENEROSIDADE.

Planeta 23:

Da generosidade do cão
e da do gato, o velho rato
Escaldou-se no ato.

DdAB
P.S.: ao fazer esta trova, estava distraído, pois poderia ter trabalhado mais a visão de que mesmo o altruísmo pode gerar comportamentos que parecem egoístas e, o que é mais preocupante, o egoísmo pode parecer o mais puro altruísmo.

Imagem daqui. E agora com esta do Allan Kardec (ver aqui)?