segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Os Balcões e as Ilusões


Querido diário:

Tenho visto nos meios de comunicação a que tenho acesso a escancarada barganha dos governos estadual e federal sobre o loteamento da administração pública aos partidos políticos, secretaria prá cá, ministério para lá. A desfaçatez já é tanta que fico imaginando que daqui a 50 anos, este negócio -este balcão de negócios- será considerado normal: assim como os países decentes têm coalizões partidárias para disputar eleições, o Brasil tem um festival de negociações "pelo tempo de TV". E depois as secretarias e ministérios é que se ajeitem.

O instituto do governo paralelo deveria corrigir estas distorções na maneira de fazer "a boa política". E, claro, o voto voluntário e distrital. E, ainda mais claro, muito mais coisa.

O que me deixa mais contristado é a previsão que faço sobre o "otherwise". Não tenho ilusões, quero dizer, se não fosse Sartori o ungido ao governo estadual, se não fosse a Dilma a alcançar a presidência da república. Aqui seria absolutamente igual, exceto os "aliados". Lá seria absolutamente igual, exceto os "aliados". Ou seja, mudariam as ferraduras, mas os cravos permaneceriam sendo exatamente os mesmos.

DdAB
p.s. Eppur si muove. Quero dizer, ontem andei de automóvel pela cidade e havia coisas funcionando: leitos de rua não totalmente esburacados, todos os semáforos funcionando, não vi ninguém sendo espancado ou assaltado, não presenciei batidas de carros nem motoristas exaltados. Somos felizes de qualquer jeito!
Imagem: aqui.

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