sábado, 1 de novembro de 2014

Igualitaristas Contemporâneos


Querido diário:

Tempos atrás, não sei bem se embalado no furore universal provocado pelo livro de Thomas Piketty (2013), vim a cair na leitura do espantoso artigo de Easterly (2007). Tão espantoso -ambos- que decidi fazer um recall de todos os textos (livros e artigos) que me marcaram nos últimos anos, por trazerem racionalizações para as apologias da sociedade igualitária. Na postagem daqui, motivada/inspirado pelo/no artigo de Flávio Comim saído no caderno PrOA de Zero Hora, reproduzi um box exibindo o conceito de sociedade justa, de acordo com três renomados pensadores e também acrescentei as oito questões que, de acordo com Joan Robinson e John Eatwell, devem reger a filosofia econômica. Para fins de registro devidamente registrado, falo um pouquinho sobre cada um deles. E nem falo nas investigações sobre a curva de Kuznets, coisa em que eu mesmo andei mexendo.

A. GLYN, Andrew & MILIBAND eds. David (1994) Paying for inequality; the economic cost of social injustice. London: IPPR/Rivers Oram.

B. KRUGMAN, Paul & VENABLES, Anthony J. (1995) Globalization and the inequality of nations. Quarterly Journal of Economics. V. CX n.4. p.25-48.

C. RIFKIN, Jeremy (1995) The end of work: the decline of global labor force and the dawn of the post-market era. New York: Putnam.

D. LINDERT, Peter H. & WILLIAMSON, Jeffrey G. (2001) Does globalization make the world more unequal? Cambridge-USA: NBER. (Working paper 8228; www.nber.org/papers/8228).

E. LAYARD, Richard (2005) Happiness; lessons from a new science. London: Penguin.

F. WILKINSON, Richard & PICKETT, Kate (2010) The spirit level; why equality is better for everyone. lONDON: Penguin.

G. PIKETTY, Thomas (2014) Capital in the XXI Century. Cambridge-USA: Harvard.

H. E aí vem ele:

EASTERLY, William Easterly (2007) Inequality does cause underdevelopment: insights from a new instrument. (2007) Journal of Development Economics. V. 84 p.755-776.

Não lembro bem, agora, como cheguei a ele. Quero dizer, como é que comecei a procurá-lo, pois cheguei a ele por meio da ajuda sempre efetiva de meu colega, o prof. Jesiel de Marco Gomes. O título já é marcante: does cause, em troca de simplesmente causes. Forte, fortíssimo. Então causa mesmo, né? E como é que ele chegou a esta conclusão, qual é mesmo o new instrument por ele utilizado?

O interessante, para mim, que nunca fui propriamente versado em história econômica, é que Easterly retirou a hipótese a investigar de um trabalho de historiadores (Engerman e Sokoloff). Qual a hipótese? [...] agricultural endowments predict inequality and inequality predicts development. Pulando a sua conclusão, percebemos que [...] inequality also affects other development outcomes - institutions and schooling - which the literature has emphasized as mechanisms by which higher inequality lowers per capita income.


DdAB
P.S. Acho que o Easterly é que me inspirou para, nesta época em que já começa-se a alardear o natal/2014, encontrar reminiscências pascais. Seja como for, esta é uma bela oportunidade para relembrar qual é o breve contra o caos desigualitário:

.a. política fiscal:
a.1. gasto público em bens públicos e de mérito
a.2. imposto sobre a renda e a riqueza (inclusive a Tobin Tax, o imposto de James Tobin)

.b. política monetária: crédito aos integrantes da Brigada Ambiental Mundial, na busca de transformá-los, de imediato, em pequenos empresários (e esperando que certa fração entre ascenda na escala da empresa, do governo, das artes, do esporte...

P.S.S. Baseado no conceito de John Rawls de "sociedade justa", volta e meia eu me indagava sobre o que é "justiça". No outro dia, estava lendo um livro de filosofia política e vi praticamente uma definição de dicionário: dar a todos o mesmo tratamento, o que significa tratar desigualmente os desiguais. O que me chamou a atenção é que o cerne da questão é a palavra "igual", "o mesmo". Pois não é direto o Rawls?
.a. liberdade: a maior possível compatível com a dos demais.
.b. cargos públicos abertos a todos: todos podem escolher ser assalariados da Brigada Ambiental Mundial.
.c. administrar a desigualdade de modo que esta favoreça os menos aquinhoados.

P.S.S.S. E por que este tipo de abordagem não venceu as eleições no Brasil? Porque ainda será necessário muito sofrimento, muita quebradeira para se chegar a este ponto!

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