quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Capitalismo Socialista


Querido diário:

É socialista, pois seu índice de desigualdade na distribuição da renda é 0,25 (Gini), um dos três menores do mundo. É capitalista, pois o Gini da distribuição da riqueza é de mais de 0,8, talvez perdendo apenas para alguns países africanos... É a Suécia.

No delicado momento vivido pelo Brasil, é crucial que se entendam os objetivos nacionais mais amplos e que se os discutam amplamente. Respeitando o primeiro princípio da sociedade justa, podemos mudar o que disse John Rawls sobre a liberdade para talvez uma unanimidade sobre um dos objetivos centrais de uma sociedade moderna: garantir a todos a maior qualidade de vida compatível com o dos demais. Considerando que um escravo não desfruta da maior liberdade possível, descarta-se o uso deste “colaborador” para elevar o bem-estar individual.

A visão de que o livre funcionamento do mercado pode levar a sociedade a alcançar o maior bem-estar é minoritária entre os estudiosos do assunto, a maioria deles insistindo na criação de políticas compensatórias por parte do governo. Num país como o Brasil de enorme desigualdade (Gini da renda duas vezes o sueco), falar em governo e em políticas compensatórias leva a que se fale em políticas fiscais e monetárias.

A ação fiscal reside no gasto público e tributação. No primeiro caso, o governo precisa voltar-se à provisão de bens públicos (segurança, saneamento ambiental) e bens meritórios (educação, ginástica), pois os gastos beneficiam mais que proporcionalmente à renda os menos aquinhoados. No caso da política tributária, trata-se de trocar a estrutura da arrecadação, tirando o peso dos impostos indiretos (ICMS, IPI) e carregando nos diretos (renda e patrimônio). Uma política monetária que favorece o igualitarismo é o crédito orientado para pequenos empreendimentos, inclusive com bolsas de estudos voltadas à formação de empreendedores.

Hoje em dia, a evidência empírica tem indicado que os países igualitários têm melhor desempenho do que os menos. Em uma economia dinâmica, há mais empregos, menos assaltos, mais escolas, menos presídios. E até os presídios, na sociedade igualitária têm a vantagem de gerar empregos para o guarda e o zelador, o dentista e o assistente social. Sabe-se como chegar “lá”. O problema brasileiro é que governo e oposição enfrentam-se com tal radicalismo que não conseguem fazer frente única para os verdadeiros temas relevantes.

DdAB
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