quinta-feira, 4 de abril de 2013

Trotsky e a Filha do Rei

Querido diário:
Uma diferença importante entre a Espanha e a Rússia czarista é que, na primeira, foi restaurado um reino (o Rei João Carlos, perigo dos leões e elefantes) e, na segunda, havia um império. Segue-se logicamente que existe algo que Leon Trotsky não precisava era eu fazer uma injustiça a sua memória. Por falar em memória, se injustiça faço, ela é involuntária e causada por falha de memória. Juro que li que Trotsky é que foi o funcionário do governo responsável pelo fuzilamento de toda a família imperial russa, inclusive o cachorro do imperador. Nada sei sobre, na linha de Zadig, a cachorra da rainha, digo, imperadora. Mas também lembro de ter lido (eram os livros de Isaac Deutscher) que Trotsky disse que aquele destrambelho era mais um signo de que monarquia era fria. Ninguém iria tentar fuzilar (há exceções chilenas e outras, claro) um presidente da república deposto.

Pois bem. Quantas famílias reais (imperiais) há no mundo vivendo no exílio? Os Bragança não contam? Lembro da turma do Irã, memória, memória. Os Bourbón da Espanha viveram no exílio inglês durante a ditadura franquista. Diz o jornal que esta durou 36 anos, e o rei Juan Carlos, a exemplo dos pais, nasceu em Roma, circulou pelo mundo e estudou na própria Espanha, autorizado por Francisco Franco, chefe da ditadura militar de lá.

E que tem sua filha Cristina a ver com tudo isto? Tem que a Espanha não precisa desta restauração monárquica. O probleminha de corrupção de que ela está sendo acusada não seria assunto internacional se ela fosse uma ladra comum. Quer dizer, Trotsky matou (?) a filha do rei e não é impossível que outro desvarios daquele jaez ainda acabe por matar a garota.

DdAB
Tirei a imagem de lá de cima daqui. Não era Maria Cristina, who cares?
P.S.: escrito às 12h30min do sábado 6/abr/2013: Minha diatribe contra a monarquia durou pouco, pois o jornal de hoje informa que a Infanta Cristina foi declarada inumputável por um juiz daquele, assim,  estável reino.

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