segunda-feira, 29 de abril de 2013

Segunda Lição de Epistemologia da Ciência Econômica

Querido diário:
Como não poderia deixar de acontecer, recebi comentários sapientíssimos relativamente à postagem que chamei de "Primeira Lição de Epistemologia da Ciência Econômica". E considerei não ser tardio pensarmos na segunda lição. Falo agora de dois "métodos". O primeiro é o modelo de simulação, ao passo que o segundo é o modelo conjetural. Pois muito bem. Não faz muito tempo que aprendi com Robert Axelrod (que tanto me ensinara sobre teoria dos jogos) que aos tradicionais métodos da indução e da dedução, a moderna ciência social deve acrescentar este modelo de simulação. Claro que os cientistas sociais (e os demais, claro) sempre se valeram de simulações, de previsões, feitas para avaliar seus modelos, para não dizer as recomendações sobre a ação dos agentes. Mas agora o prof. Robert Axelrod veio com mais novidades.

E o modelo conjetural tem minha introdução ao tema e sua relevância engendrada pelo artigo maravilhoso, estrondosamente maravilhoso, agora disponível na internet ao clicarmos aqui. Eu pensara em falar um pouco mais sobre o assunto, mas -ao descobrir há poucos dias o PDF na internet- exultei, enviei ao Bípede Pensante e estou muito feliz em poder relê-lo na telinha. E hoje deixo minha participação no assunto encerrada (afinal, a qualquer tempo será possível fazer a terceira lição).

Mesmo assim, não resisto em citar o que acabo de ler, por ter acabado de encontrar o livro num sebo porto-alegrense. Belíssimo estado de conservação. Belíssima capa, assinada por Marius Lauritzen Bern (capista que substituiu Eugênio Hirsch). Falo do ano de 1966, da Editora Civilização Brasileira, do autor Vianna Moog (o original é, lê-se na 5a. edição, de 1938, cf. Wikipedia), o livro é Eça de Queirós e o Século XIX. Segue-se logicamente que na p. 11, queixando-se de haver pouco material destinado a embasar a biografia, diz:

   Tudo isto constitui, até certo ponto, simples conjetura, mas fora das conjeturas nada haveria a fazer no tocante à infância de Eça. E sem elas, o seu retrato caracterológico ficaria incompleto.
   Assim como o paleontólogo pode reconstituir o esqueleto inteiro dos animais pré-históricos, à simples presença de um fragmento de ossada, tal como o botânico vê mentalmente em sua inteireza a planta de que lhe apresentam uma simples fôlha, o dever do biógrafo é aproveitar o mais possível dos sinais certos e inequívocos sôbre determinada existência para a explicação de tudo quanto lhe parecer obscuro na psicologia do biografado.

Surpresa atrás de surpresa, eu nunca soubera que Karl Popper teria vindo a São Leopoldo, a fim de ter aulas de epistemologia comVianna Moog, mas parece óbvio que o tenha feito.

DdAB
P.S. E se o tema é epistemologia, que tal lembrarmos esta postagem aqui?
P.S.S.: A fonte da imagem, parece loucura, parece dar cadeia, é o Planeta 23 mesmo! Que fiz? Pedi ao Google Images precisamente o título da postagem de hoje, sem aspas e sem operadores booleanos. Que veio? A imagem que retirei daqui. Caso me convidem a abrir mão de minha liberdade, ingressando na loucura ou na cadeia, pedirei que acertem contas com todos os religiosos, antes de se preocuparem comigo...
P.S.S.S. Tem mais: ampliando a imagem acima, veremos:
.a. no topo. o que o Google Images fez com meu pedido de "Segunda Lição..."
.b. no terceiro lugar do segundo plano, temos... a efígie daqui. Small world, ain't it?

2 comentários:

Bípede_Pensante disse...

Oi Profe! Hoje vou meter minha colher de pau na postagem bem fresquinha: na minha modesta opinião, das duas, uma:
1. Vianna Moog sabia alemão e leu Logik der Forshung (lembre-se que a primeira edição é de 1934) e as conjecturas e refutações já estavam lá! Ou seja, aprendeu epistemologia com o Popper mesmo, ou então
2. a ideia das conjecturas e refutações fazia parte do espírito da época. Pairava portanto na atmosfera terrestre nos anos 1930's, sendo que qualquer vivente podia pegá-la.

No mais, como de costume, vc está muito certo: é mesmo uma vila esse planetinha.

Brena.

... DdAB - Duilio de Avila Bêrni, ... disse...

oi, B.P.:
Ainda ontem pensei nesta hipótese mais atraente do que a de Popper ou Occam em São Leopoldo. Aliás, nem sei se Vianna Moog ainda estava por lá no ano da primeira edição do livro. Quanto à possibilidade de que ele (Vianna) soubesse alemão, a probabilidade é de mais de 100%. Ou, pelo menos, 51%.
DdAB