terça-feira, 30 de abril de 2013

O MAL* e a Mala $$$

Querido diário:
Parece que o sistema judiciário brasileiro tem na polícia um elo de ferro e no judiciário o elo de cânhamo, hehehe. A postagem de hoje é para mostrar minha estupefação:

.a. com a ladroagem (malas cheias de $$$)
.b. com a cumplicidade do poder judiciário com ela, pois reduz o preço do crime, ao decretar a impunidade
.c. com a incompetência do poder legislativo que vê (e se acumplicia com) este estado de impunidade e nada faz (também, como é que jogadores de futebol e padres leigos poderiam?).

O MAL*, como sabemos, é um movimento criado quando percebi o comportamento de programa de auditório na assembleia legislativa do RGS (que deveria ser fechada, na medida em que os estados também fossem fechados) querendo o impeachment de minha professora e colega, a governadora Yeda, removendo-a de seu cargo. Os rapazes que queriam o impeachment eram de reputação tão ou menos ilibada do que a própria alegada ré. A hipocrisia deixou-me fora de si, como diria a própria governadora e lancei o MAL*, Movimento pela Anistia aos Ladrões Estrela, que teve acolhida sensacional e coisa e tal.

Pois hoje, o MAL* nem sabe o que dizer. A polícia federal prendeu ontem 18 cidadãos brasileiros acusados dos mais variados crimes que têm sido perpetrados pela turma da política há incontáveis governos. Não há mais esquerda ou direita, nem mais há honestos ou desonestos. É tudo farinha do mesmo saco.

Vou reproduzir o que diz o afamado jornal ZH na p.6:

LUIZ FERNANDO ZÁCHIA
Ex-vereador e ex-deputado estadual, foi presidente da Assembleia em 2006. Assumiu a Secretaria do Meio-Ambiente de Porto Alegre em fevereiro de 2011. No PMDB, sempre influenciou nas decisões do diretório da Capital. Em 2009, tentou aprovar na Assesmbleia um projeto de lei que transferia aos municípios a formulação de leis específicas para instalar empreendimentos da construção civil, mas a proposta foi engavetada. No governo Yeda, Záchia foi chefe da Casa Civil e secretário de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais. Ele também é réu em uma das ações de improbidade administrativa da Operação Rodin, que apura o suposto desvio de R$ 44 milhões dos cofres do Detran.

O sr. Záchia (ver) é filho de outro político, o sr. José Alexandre Zachia, que foi também (não sei se antes ou depois) dirigente do Sport Club Internacional, uma das glórias do estilo programa de auditório no Rio Grande do Sul (odeia-se a ele ou odeia-se ao Grêmio Football Porto Alegrense). Lembro-me de seu filho, o atual detento: assumiu a secretaria, pois não se elegeu para vereador nas últimas eleições [ver importante P.S.]. A exemplo do pimpolho do deputado federal Mendes Ribeiro, ganhou esta prebenda por causa do conceito ativo de "base aliada". Isto ou dá bebida ou dá hai-kai. Uma vez que não se bebe computador, segue o hai-kai:

Com aliados assim,
bebo agora ou ainda espero,
meu senhor do Bonfim?

Além de Záchia, também estão na cadeia os políticos Carlos Fernando Niedersberg (do PCdoB) e Berfran Rosado (foi ou era do PPS), envolvidos com a mesma "operação" Concutare da polícia. O primeiro era (acaba de ser demitido) secretário estadual do Meio Ambiente (20 dias no cargo). O segundo foi deputado estadual por três mandatos e também secretário do Meio Ambiente. Os advogados dos três dizem, essencialmente, que os clientes negam tudo.

DdAB
P.S.: suor frio no lombo: será que ainda estão na cadeia? Quando serão julgados?
P.S.S.: O PPS está mudando a sigla (ou algo assim) para MD. Jamais esquecerei que quando um desses partidos mudou a sigla para DEM, a Carta Capital nunca falava em DEM, mas sempre em "ex-PFL". Agora, parece que o eMeDe pode ser dito como "DEM ao contrário." Piadas, piadas não reduzem o mal-estar do menino de rua, da fila do SUS, do assaltante noturno (e do diúrno, que não vamos discriminar...).
Imagem: do site do secretário. Quando olhei, o folder "Notícias" ainda não estava atualizado com os últimos acontecimentos.

P.S.S.S. importante - pelo que entendi, o Planeta 23 cometeu um erro, pois aparentemente o sr. Luiz Fernando Záchia não foi candidato a vereador.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Segunda Lição de Epistemologia da Ciência Econômica

Querido diário:
Como não poderia deixar de acontecer, recebi comentários sapientíssimos relativamente à postagem que chamei de "Primeira Lição de Epistemologia da Ciência Econômica". E considerei não ser tardio pensarmos na segunda lição. Falo agora de dois "métodos". O primeiro é o modelo de simulação, ao passo que o segundo é o modelo conjetural. Pois muito bem. Não faz muito tempo que aprendi com Robert Axelrod (que tanto me ensinara sobre teoria dos jogos) que aos tradicionais métodos da indução e da dedução, a moderna ciência social deve acrescentar este modelo de simulação. Claro que os cientistas sociais (e os demais, claro) sempre se valeram de simulações, de previsões, feitas para avaliar seus modelos, para não dizer as recomendações sobre a ação dos agentes. Mas agora o prof. Robert Axelrod veio com mais novidades.

E o modelo conjetural tem minha introdução ao tema e sua relevância engendrada pelo artigo maravilhoso, estrondosamente maravilhoso, agora disponível na internet ao clicarmos aqui. Eu pensara em falar um pouco mais sobre o assunto, mas -ao descobrir há poucos dias o PDF na internet- exultei, enviei ao Bípede Pensante e estou muito feliz em poder relê-lo na telinha. E hoje deixo minha participação no assunto encerrada (afinal, a qualquer tempo será possível fazer a terceira lição).

Mesmo assim, não resisto em citar o que acabo de ler, por ter acabado de encontrar o livro num sebo porto-alegrense. Belíssimo estado de conservação. Belíssima capa, assinada por Marius Lauritzen Bern (capista que substituiu Eugênio Hirsch). Falo do ano de 1966, da Editora Civilização Brasileira, do autor Vianna Moog (o original é, lê-se na 5a. edição, de 1938, cf. Wikipedia), o livro é Eça de Queirós e o Século XIX. Segue-se logicamente que na p. 11, queixando-se de haver pouco material destinado a embasar a biografia, diz:

   Tudo isto constitui, até certo ponto, simples conjetura, mas fora das conjeturas nada haveria a fazer no tocante à infância de Eça. E sem elas, o seu retrato caracterológico ficaria incompleto.
   Assim como o paleontólogo pode reconstituir o esqueleto inteiro dos animais pré-históricos, à simples presença de um fragmento de ossada, tal como o botânico vê mentalmente em sua inteireza a planta de que lhe apresentam uma simples fôlha, o dever do biógrafo é aproveitar o mais possível dos sinais certos e inequívocos sôbre determinada existência para a explicação de tudo quanto lhe parecer obscuro na psicologia do biografado.

Surpresa atrás de surpresa, eu nunca soubera que Karl Popper teria vindo a São Leopoldo, a fim de ter aulas de epistemologia comVianna Moog, mas parece óbvio que o tenha feito.

DdAB
P.S. E se o tema é epistemologia, que tal lembrarmos esta postagem aqui?
P.S.S.: A fonte da imagem, parece loucura, parece dar cadeia, é o Planeta 23 mesmo! Que fiz? Pedi ao Google Images precisamente o título da postagem de hoje, sem aspas e sem operadores booleanos. Que veio? A imagem que retirei daqui. Caso me convidem a abrir mão de minha liberdade, ingressando na loucura ou na cadeia, pedirei que acertem contas com todos os religiosos, antes de se preocuparem comigo...
P.S.S.S. Tem mais: ampliando a imagem acima, veremos:
.a. no topo. o que o Google Images fez com meu pedido de "Segunda Lição..."
.b. no terceiro lugar do segundo plano, temos... a efígie daqui. Small world, ain't it?

domingo, 28 de abril de 2013

Liberdade e Bandeira

Querido diário:

No outro dia (bem aqui e aqui; procurei e não achei outro dia mais recente...), andei sugerindo que o dístico "Ordem e Progresso" atachado à faixa branca (origem dos privilégios chamados de "chapa branca" no Brasil) deveria ser eliminado.

Se fosse para colocar algo lá no pendão da esperança, certamente eu recomendaria aquele "Ordem e Bondade", particularmente inspirado nos próceres do tempo antigo que criaram na Constituição da República dos Estados Unidos do Brazil a cláusula de que a guerra de conquista é vedada ao país. E que, na constituição de 1946 (?), já com o Brasil com "s", falavam que "todos terão direito a um emprego que lhes possibilite existência digna", o que foi banido por uma daquelas constituições periódicas que eram outorgadas pela aliança entre o congresso nacional e os governantes militares.

E hoje em dia, uma vez que vim a entender (descontada a questão do relativismo cultural, que abomino em termos absolutos, ou seja, aceito-o entusiasticamente em termos relativos) que a liberdade é o valor humano mais elevado (é estratégia dominante, pois quem não quer ser livre que não o seja, mas quem quer sê-lo tem direito, de -diria Jânio- fazê-lo), tenho a noção rawlsiana:

Todos desfrutarão da maior liberdade possível compatível com a dos demais.

Parece óbvio: se quero vender-me como escravo, não sou livre no caso de alguém comprar. E quem compra tampouco é livre, pois sua prerrogativa de ter escravos (mesmo que coincidindo com minha escolha da condição de escravo) não é compatível com a "liberdade dos demais", ou seja, de todos. Como é mesmo que se dois indivíduos, Bina e Dino, decidem um comprar um escravo e o outro vender-se como escravo e, com isto, afetam minha liberdade? Aqui entramos numa das enormes controvérsias que cerca a filosofia política dos últimos 50 (se apenas) anos.

Meus rasos conhecimentos contornariam a questão de permitir a escravatura nos termos de que, quem escolhe abrir mão de sua liberdade pessoal (outro exemplo, deliberadamente contraindo AIDS ou fumando crack a fim de viciar-se) está dando provas de que não merece autonomia decisória completa. Isto é diferente, por exemplo, de meu direito de ser atendido pelo SUS com relação a meus problemas de saúde. Eu prefiro pagar privadamente a enfrentar aquelas filas dobra-quarteirão!

Por fim, deve existir, nesta literatura, algum tipo de reflexão sobre associar as ações livres com a possibilidade de voltar ao status quo ante, o que volta a inviabilizar a escravatura, ainda que - em determinados casos, e apenas neles - o escravo possa (como no caso brasileiro, chamou-me a atenção pela primeira vez o prof. J. R. Sanson) comprar sua própria alforria.

DdAB

Imagem aqui.
P.S.: parece que, naquela linha de Roger Penrose e do espanhol que linquei, temos algo a ver com liberdasde: mesmo sabendo que poderíamos constituir um ser enorme, envolvendo todos os "eus" contemporâneos, pretéritos e pósteros, preferimos nossa individualidade. Preferimos liberdade relativamente aos "demais", preferimos ser nós mesmos, preferimos a solidão cósmica que nos abate à solidariedade absoluta que nos faria um ente único. Como escrevi isto? Não sei.
P.S.S.: e eu ia esquecendo de dizer que eu queria substituir, se fosse o caso, este "Ordem e Progresso" pelo "Informação e Fiscalização", que considero serem os dois guias fundamentais para a ação do governo. Prover e não produzir. (Acrescentei esta profunda reflexão às 13h49min de 30/abr/2013).

sábado, 27 de abril de 2013

Otimismo III, IV e V

 
Querido diário:
Dois dias atrás (aqui), postei sobre os dois primeiros e universais tipos de otimismo. Recebi, desvanecido, novo comentário do filósofo Anaximandro, pois não há saída: o Universo dança desacompanhado mesmo! Transcrevo, a propósito, o trecho que acabo de ler do conto "Aurora sem Dia", do livro "Histórias da Meia-Noite", do escritor Joaquim Maria Machado de Assis, em que o jovem Luis Tinoco, sentindo-se injustiçado pela sociedade que, alegadamente, não lhe reconhecia de modo pecuniário adequado os talentos poéticos, dela reclama, ao que em seguida lemos (sem redundância):

-Má sociedade, se lhe parece - respondeu o dr. Lemos com doçura - mas não há outra à mão, e a menos de não estar disposto a reformá-la, não tem outro recurso senão tolerá-la e viver.

Em outras palavras,se o Universo não dançasse sozinho, talvez ele nem existisse, ou o que talvez até fosse pior, estivéssemos mal-acompanhados. De minha parte, transcrevo o trecho relevante em que Anaximandro, como sempre, incandescentemente, disse, relativamente à postagem Otimismo: I e II:

Lembrei do "homens em tempos sombrios" da bela Arendt no último texto, quase no último paragrafo, algo como o átomo da explosão original ainda está em mim, ou neles, nos inescapáveis..., otimismo III, eterno.

 Eu, que conheço a sra. Arendt apenas de Wikipedia (e curso avançado na Stanford Encyclopedia of Philosophy), não tive a oportunidade de ler o trecho chamado pelo vigilante filósofo. Mas entendo que a compreensão de que todos somos filhos da mesma explosão de algo tido como original pode levar-nos à redenção completa. Esta inicia com a destruição das misérias terrenas, mas não necessariamente. Com ou sem misérias, a segunda etapa é a evasão do colapso do Sol. Esta pode ser feita exclusivamente por meio de astronaves ou, mais complicado e talvez indesejável, rebocando o próprio planeta (conforme já andei lendo em livros de ficção científica; e não é isto que faço agora?). Então quem acredita que é possível à espécie humana ou seus sucessores (inclusive, se fosse o caso, os golfinhos) evadir-se do colapso do Sol estará esposando, nesta linha de argumentação, o Otimismo IV, eis que o Otimismo III é etiológico.

E que será o Otimismo V? Este é mais moderno. Nem sei bem qual é sua etiologia, talvez a linha da descoberta de que a Terra é apenas um ponto no espaço universal, talvez a consciência de que o homem é mesmo uma partícula daquele átomo original bigbangueano, um macaco mal-ajambrado. Mas talvez a mais moderna consciência de que nem o Big Bang que, aparentemente, gerou o átomo original é algo único (Roger Penrose). Então ficamos a pensar na teleologia desta encrenca toda. Será que nosso fim é mesmo, depois da espetacular evasão do colapso do Sol, perdermo-nos num certo Big Crunch destes ou numa eterna expansão daquelas?

Pois agora vem o que prometi a Anaximandro no comentário a seu comentário. Imagino que poderemos construir uma nave para os trilhões da habitantes humanos espalhados por naves e planetas ao longo do Universo poderem enfrentar, se for o caso, o Big Crunch, ou mesmo se evadirem da expansão eterna, pois ficar cada vez menos denso não é algo que agrada aos mamíferos. Então minha novela de ficção científica terá um final mostrando detalhes técnicos da construção dessa fenomenal astronave. Até agora apenas sei que a viatura será envolvida por uma camada de chumbo-terconite de 314,16km de espessura. E por que todo este trabalhão? Tudo porque nós humanos gostamos desta vida material que às vezes nos estressa. Queremos ser materias, queremos ser eternos. Mergulhar num buraco negro (ao invés de ser tragado por outro um deles) não vai estragar nossa alegria, pois seguiremos querendo sendo materiais e eternos.

Mas parece que saber isto está muito longe de saber pouco (comparados com os macacos antropóides, claro)!

DdAB
Imagem da retaguarda: do seguinte e maneiro blog aqui. Imagem da vanguarda, daqui.
P.S.: O Otimismo VI (que, em breve pararei de contar) é aquele que considera possível a imortalidade absoluta, na verdade, seria o 4,5, pois está entre o IV e o V.
P.S.S. Mais novidades:  por uma daquelas fatalidades do destino, liguei o rádio -ao invés de ligar a cafeteira, há duas horas, e entreouvi: "O problema é que só quem não chutou o balde são os corruptos." A menos que resgatemos ondas de rádio de segunda mão, jamais saberemos mais detalhes sobre estes dizeres sapientíssimos.
Este lindo fractal tem um maraviloso artigo sobre o livro de Penrose que acabo de descobrir via Google Images!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Duda Campos e o Futuro do Brasil

Querido diário:
Quem olhou televisão ontem à noite deparou-sse com a imagem do governador de Pernambuco, o sr. Eduardo Campos, falando no programa eleitoral (?) do PSB, o Partido Socialista Brasileiro. Sigo o noticiário da p.12 de ZH de hoje. Reportando-se (indiretamente à postagem daqui do Planeta 23), dizem Campos e o jornal que o melhor tratamento para a presidenta Dilma é presidente.

E o que me mais chamou a atenção foi a seguinte "quote":

-Temos um Estado antigo, que ainda traz as marcas do atraso e do elitismo - disse.

Diz o jornal que é isto o que Duda Campos disse. E eu fiquei pensando naquele episódio em que ele indicou a mãe, tia ou madrasta, não lembro, para o cargo vitalício (como o de Demósthenes Thorres) de conselheira do tribunal de contas, ou seja, pela nova ortografia, pára (de) examinar as contas dos políticos. E fora a parentada no governo de Pernambuco? Pode?

Presidenta ou presidente? Estado ou estado? Parece que não estamos falando de "Estado" no sentido hegeliano ou aquela turma, mas "governo", este que deve ser substituído pela administração das coisas.
DdAB
P.S.: imagem pública da Wikipedia. E mais: marcadores da postagem parece que são sinônimos. Ou melhor, a vetusta economia política, quando estudando os temas brasileiros, transforma-se em besteirol mesmo. A ordem alfabética não é escolha minha, mas do "sistema", hehehe.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Otimismo: I e II

 
Querido diário:
Vim a entender que posso expressar-me da seguinte maneira:

Com otimismo moderado (o Otimismo I), anuncio que aproveitei 53 anos do século XX e intento aproveitar todos os 100 anos do século XXI.

Com otimismo exaltado (o Otimismo II), refaço, se não os cálculos, pelo menos a retórica que os embala e digo que aproveitei 53 anos do segundo milênio e pretendo aproveitar todos os do terceiro.

DdAB


P.S.: imagem: aqui.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Boas Novas no Governo

Querido diário:
A postura negativista do noticiário vai afetando o casal Severino e Severiana, que vivem às turras há exatos 30 anos. Precisamente hoje, ela anunciou sua intenção de deixá-lo (ele bebia...). O que permitiu a ela tomar esta decisão um tanto anti-clímax relativamente às comemorações das bodas de pérola. Ela afirmou que queria deixá-lo desde que completaram as bodas de cristal, mas as circunstâncias não a favoreceram. Indagada sobre quais seriam tais circunstâncias, ela informou que não dispunha de liberdade financeira para tornar-se independente do rapaz. E que teria mudado desde então? Ela fez um curso desses programas governamentais em que era ressarcida das despesas de transporte e ainda ganhava alimentação gratuita. Formou-se em pedreira e imediatamente arrumou colocação remunerada. Claro que, para Severino (que prometera deixar o copo), estas notícias da ação social do governo sonaram como baixaria. Mas Severiana está feliz e informou-nos que as bodas obedecem à listagem que segue:

1º - Papel
15º- Cristal
20º - Porcelana
25º - Prata
30º - Pérola
35º - Coral
40º - Esmeralda
45º - Rubi
50º - Ouro
55º - Ametista
60º - Diamante
65º - Platina
75º - Brilhante
80º - Nogueira ou Carvalho

Disse ainda que sua fonte estava aqui. Quem rastrear o link verá mais prá baixo uma pessoa falando que todos os brasileiros deveriam ganhar R$ 1.000 por mês de renda básica, o que facilitaria a vida de Fabiano e, quem sabe?, a de siá Victória. É espantoso percebermos que, com R$ 1000 por brasileiro em idade economicamente ativa, ir-se-iam apenas 40% da renda nacional. E os ricos poderiam nem recebê-la em cash, mas apenas abatê-la de seu imposto de renda.

DdAB
P.S. Iludo-me? Busquei no Google "ilusionista" e peguei a imagem daqui. Segue-se logicamente que este site aqui mostrou a listagem aqui:
Esmaecidinho, né? Informam-me que os nomes dos diferentes tipos de bodas resultam de elaboradíssimo estudo que a NASA (sra. Maria Nazareth de Assumpção) teria feito em busca de correlação entre os diferentes anos de casamento e a probabilidade de divórcio.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Lições do Mensalão

Querido diário:
As lições do Mensalão resumem-se a uma: não é possível termos um poder judiciário tão lento, tão moroso, tão claudicante, tão espalhafatosamente incompetente. Ele é o verdadeiro entrave do desenvolvimento nacional. Quando atribuem responsabilidades aos economistas, sempre penso nos juízes. A lição sobre as lição (isto não é gauchês: as lições se resumem a uma...), de forma bastante mais circunspecta, recebi-a do prof.Haralambos Simionidis, digamos que na primavera de 1979. Anos depois, vim a descobrir que estávamos falando precisamente na importância das instituições para conduzir a ordem e o progresso (dístico, aliás, que está mais do que na hora de retirar da bandeira do Brasil).

Existe uma implicação de política pública a ser derivada desta imporante e milenar constatação: todos os brasileiros deveríamos assinar um abaixo-assinado proibindo qualquer lei de ter mais de 10 artigos. E mais: qualquer lei, para ser reconhecida pela Corte Internacional de Haia, deveria revogar outras 10. Por fim, o juiz que atrasasse os julgamentos, para não ser considerado muar, devreria pagar juros de mora.

DdAB
Imagem: pedi "muar" à Wikipedia, em homenagem às 8000 páginas do acórdão do Mensalão e olha o que veio aqui.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Democracia: fraude e ladroagem

Querido diário:
Por razões perfeitamente explicáveis para quem as quisesse ouvir, desde sábado guardo uma postagem sobre a página 7 da Zero Hora do sábado que passou de modo fulminante, ainda que ocupando as mesmas e tradicionais 24 horas terráqueas. Mas acho que o tema é tão estapafúrdio que seria um crime privar meus confrades e minhas confreiras do que segue.

Toda a página 7 é tomada por um anúncio da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Fazia-se propaganda de seus 178 anos de existência. A primeira coisa em que pensei foi: "tão velhos e ainda não criaram juízo", dedicando-se à fraude e à ladroagem sistematicamente. Até alguns anos atrás, dizia-se que sua lisura era um dos orgulhos gaúchos. Desde então, se bem lembro, caiu no conhecimento comum a fraude dos selos e depois a ladroagem dos cargos em comissão distribuídos a mal-disfarçados (que digo?, nem se tentou disfarçar) cabos eleitorais dos rapazes que emplacaram a sinecura para si e aparentados & apaniguados.

Antes de partir para o segundo copo de cachaça (o primeiro empinei-o logo que vi aquele "178 ANOS DE COMPROMISSO PELA DEMOCRACIA", com os negritos lá deles), ainda li:

O Parlamento é o espaço da representação política de um povo livre. Nele, se manifestam permanentemente os anseios de uma sociedade e se defendem os interesses dos gaúchos, com a apresentação de projetos e propostas que visam melhorar a vida de todos. O Parlamento é um grande mosaico de debates e ideias, que garante o cumprimeito dos direitos individuais e coletivos de cada cidadão, em respeito à Constituição e à democracia. E para contribuir ainda mais com a sociedade, essa liberdade deve ser preservada. A Assembleia trabalha para  construção do futuro do Rio Grande do Sul. 20 de abril de 2013 - 178 anos de história.

Depreende-se que o povo livre da Chechênia (para falar no que referem as p-4-5 do mesmíssimo jornal sobre a insanidade levada a efeito em Boston por rapazes que por lá nasceram) que "os interesses gaúchos" são defendidos lá em seu "P"arlamento? Não, claro que não. Apenas que também por lá existirão prebendas pagas aos parentes dos eleitos?

Tenho dito que, acabando-se com os estados, vai-se a corrupção da Assembleia. E a do senado.

DdAB
P.S. Nunca esquecendo que o Vereador José Vecchio sempre que queria dizer parlamentar, com ironia, falava em para-lamentar. Era um realista que hoje diria para-muito-lamentar.
P.S.S.: a imagem veio daqui. E não é que havia outro José Vecchio ativo? Será parente?

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Soluções Demográficas Governamentais

Querido diário:
Estivemos ouvindo que, preocupados com a densidade demográfica em certas áreas do planeta 24 (ou seja, a Terra, o terceiro planeta de Sol), o governo sugeriu implementar mudanças genéticas de sorte que os pais pleiteando ter dois filhos de 1,70m de altura cada um seriam subornados a terem, instead, um rebento de, pelo menos, 3,40m de altura, e até mais.

DdAB
Imagem: aqui. De onde veio a imagem? Este negócio de gente com nove metros de altura foi-me ensinado por uma novela de ficção científica do renomado escritor americano (aqui):


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Sapos e o Bem-estar Humano

Querido diário:
Divertido e instigante. Desde a capa, o jornal Zero Hora de hoje anuncia uma encrenca ecológica, prometendo detalhes: "O sapo que parou a usina. Espécie rara de anfíbio descoberta em Arvorezinha atrapalha obras de hidrelétrica. Página 22." Uma vez que não sou psicanalista de jornal, não posso garantir que o "atrapalha" seja um julgamento de valor contrário aos direitos civis do batráqueo.

Na p.22,  Vanessa Kannenberg escreve que a Cooperativa Energia e Desenvolvimento Rural de Fontoura Xavier quer fazer uma hidrelétrica no Rio Forqueta, produzindo 1,8mW, abastencendo duas mil casas e custando R$ 9 milhões. E que, às margens de certa altura desse rio, sempre habitou um sapo chamado de melanophryniscus admirabilis, por ser admiravelmente belo. E que, no passado, já se falava -distante dali- em outro sapo, o melanophryniscus macrogranulosus, também de barriga vermelha, tanto é que fiquei sem saber se minha imagem é de um ou de outro. Minha é que não é.

O prof. Márcio Borges Martins (da UFRGS) diz: "É uma espécie pequena e muito sensível. Qualquer alteração na água, na floresta e no ambiente pode lever à extinção." Então pensei: qualquer alteração? Muito sensível? Então o bichinho está mesmo ameaçado de extinção a qualquer momento. Desde uma caçada feita por meninos normais, pisando no molhado, um raio, uma luta entre um elefante e quatro hipopótamos, sei lá.

Ainda assim, será que os sapos não poderiam subornar os habitantes para reterem seu resort? Ou, ao contrário, os habitantes beneficiados com o projeto não poderiam subornar os sapos, deslocando-os para outra área ainda mais aprazível? Eu vivo recomendando que os políticos deveriam ser condenados a fazerem cursos de teoria da escolha pública antes de ingressarem na política. E agora passo a recomendar que todo mundo faça cursos de análise de custo-benefício, pois só pode ter algo errado com os sapos, para terem enfeitiçado os autores do projeto da hidrelétrica que não avaliaram adequadamente o preço de uma vida humana ou o preço de uma vida anura.

Qual a probabilidade que este sapinho frágil e, aparentemente, serelepe, dure 100 anos? E qual a probabilidade que gente com casinhas iluminadinhas também durem 100 anos?
DdAB
Imagem daqui. Não sei se ela é mesmo do

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Hai-Kai n.27

Querido diário:

Enquanto que Millôr diz:

É TUDO NATURAL:
A GALINHA - POEDEIRA;
O GALO - TEATRAL.

dizemos cá no Planeta 23:

O galo - teatral
Avisa a turma do terreiro
Chantecler é o maioral.

DdAB
Imagem aqui.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O Telefonema do Deputado

Querido diário:
Não foi bem um telefonema de um desses 500 deputados para mim, ao contrário. O fato concreto é que eu estava a refletir sobre a natureza humana e suas principais peculiaridades quando, às 9h27min, fui abalroado por um telefonema "sem número", com uma propaganda de serviços da própria telefônica (a Oi, pessoal!). Deu hai-kai

Fiquemos indignados
com a incapacidade
na ação dos deputados.

Quero dizer: será que nenhum daqueles 500 pensa que poderia fazer leis regulando este assunto, este abandono a que nos levaram (ou nos mantiveram, hehehe) no recebimento de serviços públicos. Parece-me óbvio que há velhinhos solitários e introspectivos que até devem adorar receber uma ligação gravada apregoando os méritos de mudar de plano, de receber mais serviços por menos dinheirinho, tudo aquilo. Só que não é este meu caso. Então penso que a tal lei (que deveria ser apenas um regulamento, o que já bota no mesmo caldeirão em que eu os cozinharia em fogo lento todo o poder executivo) deveria dizer: quando assinas os serviços de certa companhia -Oi, Vivo, SeiLá- deverão indagar-te:

.a. és velhinho solitário? (quando é óbvio que quererão receber os tais telefonêmas de mensagems gravadas)
.b. queres receber propaganda gravada ou apenas fonada? (quando eu e milhões de outros diríamos/diremos que não).

DdAB
Imagem: aqui. Não é bem a minha praia, que ando mais para o lado panteísta. Se é que Deus está em todo lugar, então tudo é Deus. E, como tal, sinônimo de natureza, que poderíamos, assim, grafar Natureza. E por que não escrevo deus? Um dia, falei para a Maria da Paz que o faço por uma espécie de homenagem aos bilhões de seres humanos que, ao logo dos tempos, pensavam em Deus ou Deuses. Acho que respeitá-los me faz mais humano. E talvez arrogante, por achar que estão errados e que o certo mesmo é que o Universo (atentar no U) é um blim-blim-blim que sempre existiu e que não terá fim. Roger Penrose já andou falando em circunstâncias que bem poderiam ter antecedido o Big-Bang. E outras que podem contribuir para a questão 'para onde vamos'. Estou filosófico? Você precisa ver, então, o que foi que eu disse ontem logo depois do final do churrasco.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Primeira Lição de Epistemologia da Ciência Econômica

Querido diário:
A primeira lição de epistemologia da ciência econômica é anunciada nesta postagem, como uma espécie de teste para os acompanhantes do Planeta 23. É ou não é o que prometo? Pois bem, ela  -a primeira lição-  tem três capítulos e algumas itemizações:

A. Teorias empíricas
:: Hume, Kant, Poincaré
:: Lionell Robbins, Popper, Friedman
:: economia experimental (Vernon Smith e muitos mais)

B. Teorias axiomáticas
:: utilidade e utilidade esperada
:: paradoxos de escolha
:: axiomas da construção de médias
:: índices de dispersão (crescimento e desigualdade)
:: funções de utilidade social
    * distância
    * aversão à desigualdade

C. Retórica
:: iniciar com McCloskey
:: iniciar com Arida.

Árido?

DdAB
A imagem é daqui. Religião não é daqui, mas o site é interessante do mesmo jeito. E, por falar em inflação e ilustração, não posso deixar de lembrar a piada que parece remontar ao governo Juscelino Kubitschek. Falava-se na "espiral ascendente da inflação", quando os geômetras se deram conta de que a única espiral que acende é o boa-noite, o resto é helicoidal. Ok, ok, espero não ser preso por esta piadinha um tanto old fashioned, mas bastante abobadada.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Um Porto-alegrense Racional

Querido diário:
Este porto-alegrense racional de que falo certamente não sou eu myself. É que, ontem, andava eu refestelando-me em meu automóvel nesta cidade que aparenta estar em guerra civil e vi algo que me levou a pensar nas postagens com este marcador que nos classifica hoje.

É que eu segui pela terceira pista da Av. Ipiranga, rumo ao Rio Guaíba. Então vi, a minha direita, um ônibus encobrindo o farol traseiro direito de um automóvel (marca irrelevante para o caso). E este mesmo carro tinha o farol da direita piscando. Pensei: se eu quisesse ultrapassar o ônibus, que faria? Pensaria que o rapaz tem ambos os faróis piscando, pois está parado e o ônibus ainda terá que fazer um requerimento aos porto-alegrenses motoristas para sair da posição estática? Ou pensaria que ele estava sinalizando, a fim de entrar prescisamente na minha pista?

Parece que, pelo critério de minimum regret, eu iria considerar que ele poderia com elevada probabilidade estar tentando evadir-se daquela pista e talvez saltar abruptamente para a frente de meu amado automóvel, abalroá-lo e, no processo, provocar-me ferimentos. Então seria cauteloso ao ultrapassar o ônibus e também ele, este carro do farol pisca-pisca ligado.

Minha estratégia dominante seria, no Falcão e Pombo, jogar como pombo, tá ligado?

DdAB
Imagem: aqui.

domingo, 7 de abril de 2013

Teste de Seleção

Querido diário:
Haverá um teste de seleção para ingresso no recém detectado Planeta 23 (ver com a luneta exibida na postagem de ontem).

.1. Quanto é 1 + 1?
(  ) 1
(  ) 10
(  ) 11
(  ) 111
(  ) 99


.2. Quanto é 2 × 3 × 1?
(  ) 231
(  ) 321
(  ) 123
(  ) 124
(  ) 6


.3. Se a = 1, b = 2 e c = 3, quanto é a × b × c?

(  ) 231
(  ) 321
(  ) 123
(  ) 124
(  ) 6

.4. Usando o enunciado da questão .3., quanto é a^2?

.5. E d - d?

 









DdAB
Perdi o controle sobre a origem de todas as imagens. Certamente o lindo site aqui tem pilhas. Ele/ela e outros/as vieram da pesquisa no Google Images com entrada de "prá viajar no cosmos não precisa gasolina", o título do lindo e quase cinquentenário disco de Ney Lisboa.

sábado, 6 de abril de 2013

Os Sete Orifícios da Cabeça

Querido diário:
Há quase 30 anos, li pela primeira vez o livro "Filosofia da ciência; introdução ao jogo e suas regras", de Rubem Alves, da Editora Brasiliense. Era a quinta edição. Bíblico mistério cercaria o ano da primeira edição. Muita coisa fascinou-me na introdução que recebi naquela oportunidade. E talvez a mais iconoclasta é a seguinte:

H.1 Você vai ver agora um exemplo de como se pensava antigamente sobre o universo. Háverá alguma lógica em tal maneira de pensar?

[e cita o livro de S. Warhft (org.) Francis Bacon: a selection of his works. p.17.]:

Há sete janelas dadas aos animais no domicílio da cabeça, através das quais o ar é admitido no tabernáculo do corpo, para aquecê-lo e nutri-lo.
Quais são estas partes do microcosmos? Duas narinas, dois olhos, dois ouvidos e uma boca. Da mesma forma, nos céus, como num macrocosmos, há duas estrelas favoráveis, duas desfavoráveis, dois luminares e Mercúrio, indeciso e indiferente. A partir destas e de muitas outras similaridades na natureza, tais como os sete metais, etc., que seria cansativo enumerar, concluímos que o número dos planetas é necessariamente sete.

Pois bem, digamos que foi em 2011 que li a segunda edição em português do livro "Filosofia da ciência natural", de Carl G. Hempel, da Editora Zahar (a antiga), sinalizado como duas edições, uma de 1966 (USA) e a outra de 1974 (seria a segunda pela Zahar?). Então, que se vê na página 66? Hempel vem já entusiasmado em seu capítulo 5 (começando na página anterior, ou seja, 65):

O astrônomo Francesco Sizi apresentou o seguinte argumento para demonstrar por que, ao contrário do que seu contemporâneo Galileu Galilei afirmava ter visto com uma luneta, não pode haver satélites circulando em torno de Júpiter:

[e dá como fonte: "Transcrito de Holton e Roller, Foundations of Modern Physical Science, p.160]

Existem sete janelas na cabeça: duas ventas, duas orelhas, dois olhos e uma boca. Do mesmo modo, existem no céu duas estrelas propiciadoras, duas desfavoráveis, duas luminosas e uma só indecisa e indiferente, que é Mercúrio. Daí e de muitos outros fenômenos semelhantes da natureza (sete metais, etc.), que seria fatigante enumerar, concluímos que o número dos planetas é necessariamente sete... Além disso, os satélites são invisíveis a olho nu, logo não podem ter influência sobre a Terra, logo são inúteis, logo não existem.

Há muita coisa. Retórica. Quem estava certo, o Warhft ou o Sizi? Erros factuais não podem ser debitados à retórica. Sizi teria copiado Bacon? Um tradutor negligente? Bacon é mais moço que Sizi?

Fui para a Enciclopédia Britânica made in Paraguay (a made in Italy não deu nada relevante):
Francesco Sizzi, an Italian astronomer who lived during the 17th century, is credited with being the first to notice the annual movement of sunspots.[1]

Então é século 17, né? E o Bacon? Tive que olhar, pois achava que também é. Pimba:
Francis Bacon, 1st Viscount St. Alban,[1][a] Kt., KC (22 January 1561 – 9 April 1626) was an English philosopher, statesman, scientist, jurist, and author

Em resumo, havia um erro certo no livro da Zahar: era Sizzi e não Sizi. Brena Fernandez indicou-me Hempel. Pedro Bandeira indicou o Rubem Alves. Claro que Hempel é mais refinado, mas também passaram-se tantos anos e estou certo de que se enxergo mais longe ao ver o texto de Hempel, isto se deve a Alves, que deu-me respaldo há tanto tempo!

DdAB
Imagem: aqui, com dica para compras... Então segue-se necessariamente um hai-kai:
Galileu se deliciaria
Mas ele pouco sabia
Sobre radioastronomia.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Wrana, Dilma e Bibiana

Querido diário:
Pelo que me consta, a profa. Wrana Panizzi foi a primeira presidenta (mulher, claro) da FEE (além de reitora da UFRGS). Ela instituiu que a presidenta seria conhecida como presidenta, assinaria suas correspondências como presidenta, seria designada como presidenta, e não como presidente. Quando Dilma entrou na festa, também presidindo a FEE, parecia óbvio que também ela seria chamada de presidenta, e assim foi. Dilma, na presidência da república, não deixou por menos: presidenta.

A questão é sabermos quão velha é a incorporação do gênero feminino no substantivo presidente. Hoje em dia, ninguém mais sabe, pois há aquelas notinhas em livros de boas editoras e bons autores, o que me desagrada: "Texto fixado pelo Acervo Literário de Erico Verissimo (PUC-RS) com base na edição princeps, sob coordenação de Maria da Glória Bordini." Então, na edição princeps, que estou longe de ter sido informado, devia constar mesmo presidenta. E erros medonhos não são corrigidos?

Em outras palavras, estou falando de Érico Veríssimo, estou falando do volume 2 do romance O Continente que é a parte I da obra magna O Tempo e o Vento, de 2005 (8a. reimpressão), ano do centenário do nascimento do festejado autor brasileiro/sul-riograndense. Companhia das Letras.

Então: na página 318, já está bem fixado na história um advogado baiano, chamado de Toríbio Rezende, que ficou muito amigo de Licurgo Terra Cambará (e só agora notei que não é Licurgo Silva Cambará). Uma noite daquelas, jantando no Sobrado, houve umas escaramuças verbais daqui e dali e dona Bibiana sentenciou: "Pois então coma enquanto tem comida." E aí entram Dilma e Wrana história adentro, numa premonição do dr. Toríbio. Ao ouvir esta rudeza, o inspirador do nome do irmão mais velho de Rodrigo Terra Cambará disse:

A senhora é uma mulher que me agrada. Realista, positiva, hein? hein? De gente assim é que vamos precisar quando vier a república, não é mesmo, Curgo? Pois sua avó vai ser a primeira presidenta do Estado do Rio Grande do Sul, hein?

Bibiana, que partia uma fatia de queijo, sorriu e replicou:

Se eu continuar sendo presidenta do Sobrado me dou por muito satisfeita. [...]


Se não quisermos dizer que presidenta é uma forma monárquica, podemos recuar até 1946-7 quando o livro foi escrito, pois dá-se como data de sua publicação o ano de 1949. Tempos atrás, o prof. Cláudio Moreno, linguista e gramático de merecida fama, em sua coluna do jornal Zero Hora -que sempre fala na presidente Dilma- disse que as duas formas -presidente e presidenta- estão corretas, mas acha que, no futuro, a exemplo de casos assemelhados, o falante vai escolher mesmo é presidenta. Visionário o baiano, visionária a Bibiana, visionária a Wrana e visionária a Dilma.

DdAB
Imagem daqui. Claro que nos encima um trecho da árvore completa. Há registros, no livro (op. cit) de antepassados de Ana Terra (duas gerações) e Pedro Missioneiro (uma geração). E um filho de Toríbio Terra Cambará e mais cinco filhos de seu irmão Rodrigo.
P.S.: aditado às 9h33min de 7/abr/2013: Depois que respondi ao Anaximandro (ver), pensei em colocar este P.S. aqui falando explicitamente no nome de Yeda Rorato Crusius, a primeira governadora (mulher) do Rio Grande do Sul. São, assim, quatro mulheres (Wrana, Dilma, Bibiana e Yeda), que tive a oportunidade de conhecer em carne-e-osso, inclusive uma senhorita Bibiana, cujo nome era homenagem à personagem de Érico Veríssimo.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Trotsky e a Filha do Rei

Querido diário:
Uma diferença importante entre a Espanha e a Rússia czarista é que, na primeira, foi restaurado um reino (o Rei João Carlos, perigo dos leões e elefantes) e, na segunda, havia um império. Segue-se logicamente que existe algo que Leon Trotsky não precisava era eu fazer uma injustiça a sua memória. Por falar em memória, se injustiça faço, ela é involuntária e causada por falha de memória. Juro que li que Trotsky é que foi o funcionário do governo responsável pelo fuzilamento de toda a família imperial russa, inclusive o cachorro do imperador. Nada sei sobre, na linha de Zadig, a cachorra da rainha, digo, imperadora. Mas também lembro de ter lido (eram os livros de Isaac Deutscher) que Trotsky disse que aquele destrambelho era mais um signo de que monarquia era fria. Ninguém iria tentar fuzilar (há exceções chilenas e outras, claro) um presidente da república deposto.

Pois bem. Quantas famílias reais (imperiais) há no mundo vivendo no exílio? Os Bragança não contam? Lembro da turma do Irã, memória, memória. Os Bourbón da Espanha viveram no exílio inglês durante a ditadura franquista. Diz o jornal que esta durou 36 anos, e o rei Juan Carlos, a exemplo dos pais, nasceu em Roma, circulou pelo mundo e estudou na própria Espanha, autorizado por Francisco Franco, chefe da ditadura militar de lá.

E que tem sua filha Cristina a ver com tudo isto? Tem que a Espanha não precisa desta restauração monárquica. O probleminha de corrupção de que ela está sendo acusada não seria assunto internacional se ela fosse uma ladra comum. Quer dizer, Trotsky matou (?) a filha do rei e não é impossível que outro desvarios daquele jaez ainda acabe por matar a garota.

DdAB
Tirei a imagem de lá de cima daqui. Não era Maria Cristina, who cares?
P.S.: escrito às 12h30min do sábado 6/abr/2013: Minha diatribe contra a monarquia durou pouco, pois o jornal de hoje informa que a Infanta Cristina foi declarada inumputável por um juiz daquele, assim,  estável reino.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Emprego e Violência

Querido diário:
Ontem, em pleno uso da retórica que me foi dada por anos de leitura de ficção e correlatos, fiz a seguinte frase:

Como bem conhecem os selenitas, a impunidade é que é a maior arma do crime.

Pois não é que, em continuação, lemos no Informe Especial (p.3) de Zero Hora de Tulio Milman, o seguinte drops:

Teses
Mesmo com pleno emprego, os índices de violência continuam assustando os porto-alegrenses. E agora?

 Tentando analisar o texto dele, já que -autocitações- no outro dia interpretei o que Sérgio Cabral quis dizer com aquela do cantor que canta, pensei que ele está se referindo à tese que parece óbvia de que muita pobreza gera violência. Para mim, a maior causa do crime não é a desigualdade, mas a impunidade. Mas estas duas variáveis estão associadas: num país desigual, os juízes ganham R$ 30mil por mês (e já vão pedir mais aumento em breve), faltam juízes, faltam policiais (que ganham remunerações nada compatíveis com uma carreira atrativa), faltam assistentes sociais, psicólogos, essa turma toda de atividades voltadas à educação e à saúde pública/s. Em resumo, a desigualdade gera a impunidade!

Como é que se pode negar que o desemprego gera a violência urbana no planeta inteiro? Claro que há uma componente retórica valendo mais do que qualquer argumentação analítica: a mente desocupada é a oficina do diabo.

DdAB
Imagem: aqui.
P.S. E analiticamente temos algo mais ou menos assim:
Vi = f(Dp, Ds, Im)
onde Vi é a violência, Dp é o desemprego, Ds é a desigualdade e Im é a impunidade. As três variáveis explicativas agem em relação direta sobre Vi. E aí pode partir-se para a estimação de partâmetros de funções lineares gerais (ou o que os valha) e veremos se as variações de Vi respondem com o mesmo vigor a variações nas três.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Emprego: novos cargos à vista

Querido diário:
O jornal de hoje fala que os governantes vão criar nova e potente medida destinada a controlar as explosões de caixas eletrônicos (dos bancos operando no Brasil): vão retirar o dinheiro dos caixas durante a noite.

Claro que achei a medida um tanto... brasileira. O problema mesmo não é que o Sol deixe de girar em torno da Terra, mas que não existe, no mundo sublunar, um sistema judiciário eficiente. Como bem conhecem os selenitas, a impunidade é que é a maior arma do crime.

Mas o lado alegre da desfaçatez dos governantes é que serão necessárias algumas centenas de trabalhadores para meter o dinheiro nas máquinas de manhã (o que enteremos por manhã?) e sacá-lo de noite (e noite, meu chapa, noite é às 21h30min, como no Solstício de Verão ou 17h45min, como no Solstício de Inverno.

DdAB
Imagem daqui.
P.S. Esta postagem responde pelo número 1234, caracterizando-se, portanto, como cabalística. Na postagem 4321, usarei a mesma ilustração e direi: tomara que ele se reeleja e abjure todos os bandidos. E, claro, serei preso por motivações politicamente incorretas. E terei que retirar de circulação meu silogismo tipo Barbaquá.
P.S.S.: (18h26min) Esqueci de dizer que este negócio de tirar o dinheiro dos caixas durante a noite é o que os epidemiologistas chamam de high risk strategy, ao passo que a population strategy é melhorar a eficiência do sistema judiciário, com polícia e juízes mais eficientes. E, claro, mais policiais e mais juízes.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Desgostos na Economia

Querido diário:
Há muitos anos foi publicado e outros muitos eu li um artigo de um daqueles autores de economia industrial de nome indiano: Bhagwatti, talvez falte alguma letra. Ele pegou o modelo de Bain-Sylos-Modigiani sobre o preço limite e colocou nova variável que reduz o poder de monopólio de uma empresa em formar um preço que barre a entrada de nova concorrência. Diz este conceito que os consumidores, no momento em que percebem terem sido explorados por um fornecedor, têm aquele desgosto que coloquei no título da postagem: um chagrin effect. (Tirei este 'desgosto' do Google Tradutor, pois eu costumava traduzir por 'lamento', nos tempos ativos de professor e quando ministrava disciplinas compatíveis, nem sempre, pois o cerne mesmo é aquele negócio de tamanho da empresa e escala mínima eficiente, para não falar na elasticidade preço da procura).

Estes são os prolegômenos. A postagem mesmo tem a ver com uma notinha que a p.3 de Zero Hora de hoje divulgou. Fala-se de uma leitora do jornal que telefonou ao setor de cancelamento de contas de uma empresa de telefonia (o modelar jornal não diz o nome da empresa, no afã de lançar lama sobre todo o setor, claro). Tentando cancelar um plano, a leitora (no caso, falante) informou sua telefônica que havia ofertas melhores em outras companhias. Parece que entramos no estudo da teoria da contestabilidade. A telefônica (que fala fonada) disse que havia espaço para negociação, pois não queriam perder uma cliente. Ela, leitora do jornal, informou a telefônica que, sim, ela ligara e disseram que não podiam fazer nada. Então a telefônica disse: a sra. deve ter ligado o número errado. Se ligar para os vendedores, eles dirão que não podem. Se ligar para Cancelamentos, como é o caso agora, fazemos a melhoria do plano na hora.

Fosse comigo, eu buscaria a referência bibiográfica completa desse tal artigo do chagrin effect e manifestaria meu desgosto com este tipo de comportamento autorizados pelos governantes brasileiros, mudando de empresa, de qualquer jeito. Principalmente agora que, num aborto político, fizeram regulamentações permitindo que carreguemos o número de nosso celular de uma companhia a outra.

DdAB
Imagem: aqui.