sábado, 16 de fevereiro de 2013

Metades: uma, duas e três

Querido diário:
Volta e meia, falamos na metade de algo, de coisas. Por exemplo, bebi a metade de duas pints de cerveja Guiness. E mais metade de outras seis. Ou seja, com tanta metade, fiquei embriagado.

Quando falamos de duas metades, em geral, temos em mente que elas constituem um todo, uma totalidade. Agora mesmo tenho claro que a população da Irlanda se divide em metade irlandeses e metade brasileiros. Dá um país inteiro. Na verdade, a metade brasileira tem em mim uma exceção demográfica, uma vez que sou velho. O que dá mesmo em Dublim é irlandeses de todas as idades (lá sua metade) e 100% de jovens brasileiros, formando a metade migratória.

Isto não é nada. Todos que me leem sabem do programa de pesquisa individual em que me envolvi há um quarto de século buscando a verdadeira autoria da teoria das três metades. Tanto falei e nela falo que houve gente que chegou a pensar que fui eu mesmo que a criei. O que não é verdade. Aplicação: metade brasileiro, metade tranbiqueiro e metade estrangeiro. Daria uma charada made in Dublin.

Pois isto não é nada, menos ainda. A página 155 de

HARR, Jonathan (2006) The lost painting; the quest for a Caravaggio masterpiece. New York: Random House.

mostra que, se não foi este Ruskin, foi alguém de intelecto assemelhado:

partly despicable, partly disgusting, partly ridiculous.

Este despicable não é bem de meu conhecimento. Então diz o Google Tradutor:

desprezível, em parte, em parte repugnantes, em parte ridícula.

DdAB
P.S. o livro é uma linda viagem sobre a arte/pintura, a natureza humana, sua condição desprezível, repugnante e ridícula, além da sublime condição de doce, elevada e dadivosa.
P.S.S. a imagem é daqui. E parece haver, por ali, bem mais de três metades, não é mesmo?
P.S.S.S.: às 11h06min de Dublim, percebi que não colocara o nome do livro de Harr e o fiz. 
P.S.S.S.S.: às 23h05min (hora local de Dublim), acrescento: recebi do Bípede Pensante um convite a visitar o seguinte site (aqui). Trata-se da mais insofismável prova de que o número de metades que compõem um corpo integrado ao universo conhecido é mesmo infinito.

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