quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Delfim é Contra o 2 + 2?

Querido diário:
Parece que todo mundo concorda que 2 + 2 é mesmo quatro. Mas, na hora H, nem sempre a gente se dá conta disto. Eu, por exemplo, ao ler a coluna de Delfim Neto na p.18 da Carta Capital de 6/fev/2013, vi o seguinte:

Há condições de fazer um crescimento [da economia brasileira] um pouco melhor do que em 2012 [hoje li no jornal que falam em 1,6%] e isso depende fundamentalmente da capacidade de o governo convencer o setor privado a ampliar seus investimentos.

A primeira coisa que fiz foi evocar a definição de valor adicionado por meio da ótica da despesa:

VA = C + I + G + (X - M),

onde VA é o tal valor adicionado, C é o consumo das famílias, I é o investimento das empresas, G é o gasto do governo e (X - M) é o saldo do balanço de pagamentos em conta corrente.

Então pensei: por que é mesmo que, no ano que vem, o investimento é melhor do que o consumo das famílias ou o do governo ou o saldo de comércio exterior. Para o ano que vem, eu disse. Ou seja, o investimento, claro, aumenta a capacidade produtiva. Mas, a capacidade produtiva do ano que vem foi dada no ano presente. Ou seja, o que pode aumentar o PIB, a despesa, a renda no ano que vem é o aumento de algum componente, qualquer um, da despesa. Botar a negadinha para usar seus recursos, não importando a letra da equação do VA a que eles serão direcionados. Afinal, 2 + 2 é quatro.

DdAB
Imagem: aqui. Achei-a buscando "aritmética política". É um lindo Breughel. O rodapé fala em pagameanto de impostos. Mesmo que o governo açambarque 100% da renda, a renda permanecerá sendo 100% de si mesma!

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