sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Cavalos: no governo e no mercado

Querido diário:
Que é mais revoltante, comer carne de cachorro ou de cavalo? Os coreanos dizem que de cavalo, os franceses e sul-italianos, de cachorro. Brasileiros comeram carne de cachorro durante a copa do mundo Japão/Coreia. Não duvido que eu mesmo tenha comido carne de cavalo no sul da Itália. O problema não é tanto de que horrível e medonho é comer carne de cavalo.

O problema é que agentes econômicos inescrupulosos (empresários) e incompetentes (venais?, no governo) permitiram que esta febre de carne chevaline encha os noticiários aqui em Dublim. Não posso esquecer meus tempos oxfordianos, quando surgiu o problema da vaca louca (mad cow disease) e eu mesmo vi na TV uma senhora, alta autoridade governamental, dizendo que quem acha que há problema de vaca louca é que é louco. Pode? Até no Paraná parece que já rolou caso de vaca louca, não é mesmo?

A tríade mercado-estado-comunidade é fundamental para ser pensada num momento destes. Lá no já famoso livro de "Mesoeconomia; lições de contabilidade social", diz-se algo na linha de que a melhor sociedade é aquela que consegue equilibrar estas três organizações societárias. Mercado forte pode corromper governo fraco, como é o caso. Claro que governo forte pode corromper tanto a vida mercantil quanto a comunitária. E, claro, comunidade forte (religiâo?) pode comprometer o crescimento da produtividade, a grande benção das economias de mercado.

A solução parece mesmo ser pegar todos os políticos e extrair-lhes a raiz quadrada, de sorte que eles parem de incomodar a sociedade, jogando os cavalos aos campos. Mas, ainda assim, não deixo de indagar-me que diabos de tanto cavalo foi produzido para corte. Não sei bem a situação hoje, mas quando fiz minha dissertação de mestrado (1976-77), em Pelotas, havia o "Frigorífico Brasileiros", um nome destes. Matavam os pingos, pelo que entendi.

DdAB
P.S. ao que parece, temos um problema com o cavalo ou o cavaleiro na imagem daqui.

4 comentários:

Daniel Simões Coelho disse...

Sobre a tríade me fez pensar que os "mercadores" fazem parte da comunidade, os "estadistas" também são membros da comunidade, mas nem sempre "mercadores" são "estadistas" ou o inverso. Não seria mais justo a manipulação da comunidade?

Alucinações à parte, grande abraço.

... DdAB - Duilio de Avila Bêrni, ... disse...

Aí, Daniel!
Obrigado pelo comentário e pelo abraço. Eu bem que gostaria de conhecer mais sobre as movimentações entre os integrantes desta tríade: como é que um membro da comunidade torna-se empresário ou assalariado, como é que outro torna-se político, como é que um terceiro permanece exercendo sua condição de cidadão comum. Tem muita coisa, bem sei, mas meu estudo na área é que é ralo.
DdAB

... DdAB - Duilio de Avila Bêrni, ... disse...

Mais ainda: sempre digo que vivo um certo fracasso profissional. Ao concluir a faculdade (1972), eu pensava que poderia realmente mudar o Brasil. Agora bem vejo que ele mesmo pouco mudou, seja quem quer que tenha/m sido o/s responsável/is. Mas, aos 65, minha constatação é mais modesta: acho que todos os anos de estudo de economia do desenvolvimento não deixaram claro, para mim, o que é mesmo que causa o progresso. O livro da dupla que fala no que não fazer é um começo interessante. Sobre o que fazer, eu seguiria dizendo que um belo início é, claro, a educação. E se tiver mais de um, é a construção: estradas de ferro, túneis, represas, barragens, pontos, casas, casas, casas.
DdAB

Daniel Simões Coelho disse...

Bem comum esse desejo de mudança. Acho que já nasci conformista, não acredito em revolução, mas em graduais mudanças. O Brasil mudou muito, temo dizer que pra pior. Estamos assistindo ao nascimento de uma geração tola, consumidora de opiniões pré estabelecidas. Enfim, faremos um esforço particular para mudar algo.