sábado, 5 de janeiro de 2013

O Cão, a Lebre e o Rato

Querido diário:

Tudo em 3 de abril de 2012 (aqui).

Estamos falando da possibilidade de civilizações animais. Em meu post scriptum, podemos ler "[até hoje estou procurando uma] referência que juro ter lido sobre ratos do deserto mexicano que trocam -portanto- mercadorias"

Primeiro comentário:
Bípede Pensante:
[...] me disse que tem um tal de "Pack rat", parecido com esse teu rato mexicano que gosta de praticar um escambo. Dá só uma olhada: http://en.wikipedia.org/wiki/Pack_rat


Segundo comentário (já no 7/abr/2012):
Eu myself disse:
Acabo de olhar o link indicado. não estou em casa, mas desejo voltar ardentemente para voltar a manusear meus livros de divulgação da biologia evolucionária, a fim de renovar a busca com mais dados. na Wiki, frustro-me ligeiramente: falar em 'troca' pode ser apenas um exagero humano. mas pode ser que haja outras espécies não-humanas que tenham trocas análogas às nossas: às vezes mercadorias e tantas outras, apenas signos e subjetividade.

Terceiro comentário (ainda no 7/abr/2012):
Volta de Bípede Pensante:
Sabe que eu também achei um pouco de forçação antropomórfica chamar isso que o Pak-ratinho faz de "troca". Pensei que, se ele tivesse quatro patinhas dianteiras ao invés de duas (ou uma mochila, talvez), iria querer carregar as tralhinhas todas consigo... Mas isso por sua vez também é uma interpretação antropomórfica: não tem muito jeito.

Pois hoje, 5/jan/2013:

Zero Hora, só pode! Zero Hora. Tem o Segundo Caderno. Que tem a p.6. Que tem uma coluna chamada Pampeanas. E que o convidado da semana de hoje é Sergio Napp (escritor e letrista). A crônica se chama "Dom Luís" e trata-se do cachorro de Sergio. Vai uma citação longa:

[...] É de vê-lo com a lebre! Ela o provoca se aproximando ao máxino. Ele lhe dá corda aguardando-a deitado. os olhos brilhantes, língua de fora. Num repente, soltam a correr. Em algumas vezes, Dom Luís imobiliza a lebre com seu corpo. Aí, a fareja, lambe, depois a larga, que foge estabanada. Para voltar no dia seguinte e provocá-lo. Já aconteceu de a lebre trazer-lhe uma cenoura de presente, e ele presenteá-la com um pouco de ração.

Está aí! Muito mais que os pack rats mexicanos, temos nos pampas sul-riograndenses casos comprovados (um, por enquanto) do acerto das teorias da antropologia maussiana sobre a inexistência da dádiva, sobre a troca. Não duvido que, em poucos anos, sob a presidência de Sergio Napp, ainda tenhamos o Banco Central dos Bichos Meridionais.

DdAB
Imagem daqui. Estará o Dom Luís dali de cima apenas brincando? E a Lebre Elster sorri?

2 comentários:

Bípede_Pensante disse...

Quando eu vi esse título, vim achando que era algo à la La Fontaine, mas eram os teus ratinhos mexicanos - hehehe. Melhor vc procurar entre os chimps. Estes sim fazem de tudo, até conchavos políticos...

Brena.

... DdAB - Duilio de Avila Bêrni, ... disse...

Ainda desencavo a referência destes ratos, B.P. Aguarde.
DdAB