segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Dilma e Cachoeira: imposto neles!

Querido diário:
No outro dia, fiquei pensando num daqueles argumentos propugnando pela redução do tamanho do governo na economia brasileira, em certa medida, querendo que o Brasil acompanhasse o padrão de gasto de países como a Bolívia e a Bessarábia, quando eu queria Atlantis e Dinamarca. Ok, ok, não era bem isto, nem é bem isto, nem será bem isto. Mas é parecidíssimo.

A primeira coisa que sempre falo na aula do primeiro semestre da faculdade: o chamado teorema do orçamento equilibrado. Se o governo eleva o gasto em D$ 1 e também os tributos em D$ 1, o que acontece é que o orçamento fica equilibrado e a renda tem um impacto (pelo lado da demanda) de D$ 1 para crescer. Claro que, com os juros do modelo IS-LM, este D$ 1 cairá para muitos centavos. E, com preços subindo por causa da expansão da demanda agregada, cai ainda mais. Mas podemos esperar o aumento de renda de alguns centavos, induzidos pelo gasto público (e qualquer outro componente de gasto autônomo) e manter o orçamento equilibrado.

Quando um pinta recomenda redução do gasto público, eu penso na atual realidade europeia. Os dirigentes econômicos sabem que, ao reduzir este gasto, estão condenando a economia à recessão e, como tal, ao desemprego. E o blim-blim-blim do orçamento equilibrado? E o modelo IS-LM da economia aberta e a construção da curva de demanda agregada? E a nova macroeconomia que nunca estudei a fundo, mas que não pode contrariar estas banalidades que o senso comum de milhares de economistas pré-2000 sempre perceberam.

Pois bem, e o título? Dilma e Carlos Cachoeira, uma de feriadão e o outro de lua-de-mel, respiraram os mesmos ares baianos. O sr. Carlos está em liberdade, embora condenado a 30 anos de cadeia. Dilma descansava na Bahia depois de um ano de intenso trabalho. Ambos ganham dezenas de vezes mais do que a renda per capita do país, mais do que o salário mínimo do país. Como restringir seus gastos? Claro que cobrando o imposto de renda progressivo (não esquecer o enquadramento pelo MAL*).

O problema brasileiro, diferentemente do que anuncia uma malta de dromedários, não é o gasto público, mas o desperdício com vencimentos e ordenados elevadíssimos, como os dos deputados e juízes. E este se corrige com o imposto de renda progressivo. Agora entrou na moda, na França, a alíquota de 75% para quem ganha mais de 400.000E. Uns R$ 100.000 mensais, por aqui. Mas, digamos, a partir de R$ 10.000, já se deveria cobrar alíquotas, tornando-as mais agressivas à medida que percorremos este espaço entre os R$ 10.000 e os R$ 100.000. E, depois dos R$ 100.000, que tal alíquotas de até 95%?

Com estes impostos, poder-se-ia financiar um verdadeiro programa de gastos públicos voltados aos serviços, em geral. Seria o paraíso em menos de 20 anos!

DdAB
Imagem de um blog que não pude rastrear. Mas é um paraíso meio plúmbeo. Que seja!

P.S.: reedições profundas às 15h22min do mesmo dia 7/jan/2013.

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