terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Mensalão e o MAL*

Querido diário:
Como lembramos, o MAL* é o Movimento pela Anistia aos Ladrões Estrela, um movimento radical sugerindo que a hipocrisia reside mais em desleixar os cuidados com o futuro roubo do que tentar vingança com relação a coisas passadas. O MAL* sabe muito bem que a impunidade é o maior incentivo ao crime, mas -neste fio de navalha- prefere que tudo comece a contar mesmo a partir do próximo 1o. de janeiro.

O MAL* deseja que seja criada uma estrutura judiciária/policial/política que impeça a ladroagem para cima do dinheiro público (inclusive a sonegação de impostos). Mas a política brasileira, do jeito que se transformou em programa de auditório, em que há duas torcidas insanas, não promete maiores reformas. Daí o certo niilismo do MAL*.

E o Mensalão? Pois acabou o julgamento, mas ainda falta tanta coisa para a negadinha ir para o xilindró que nem sei se ainda lembraremos do assunto quando isto começar a rolar. E ainda tem este imgroblio entre os juristas que anunciam a cassação do mandato de três políticos eleitos (e como é que foram eleitos, se tinham um processo de probidade em julgamento?) e o presidente da câmara dos deputados, que acha que isto é um desrespeito.

No outro dia, fiquei a indagar-me -e ainda não tive resposta- se a câmara autorizou o judiciário a fazer o processo. O certo é que o executivo o fez, pois foi ele que encaminhou o pedido. E o último juiz a votar, Celso de Mello, disse algo meridiano:

Não se pode vislumbrar o exercício de mandato parlamentar por aqueles cujos direitos políticos estão suspensos.

Quero entender: se nos mandaram o caso para julgar, é que queriam que julgássemos. Neste caso, nossa decisão não está sob consideração dos deputados. De modo simétrico, se -depois da condenação pelos juízes- o processo voltasse aos deputados, eles poderiam absolver os condenados. Meridiano. Mas, meridiano por meridiano, até o Meridiano de Tordesilhas já deu muita encrenca.

DdAB
P.S.: tirei o mapa daqui.

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