quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O Hai-Kai e a Trova

Querido diário:
A postagem de ontem bombou, isto é, recebeu um número extraordinário de acessos. Decidi mostrar um hai-kai de minha própria autoria. Já mostrara outros, em outros tempos. Mas este é diferente.

Em 1957, segundo diz no prefácio do livro, Millôr Fernandes começou a escrever seus hai-kais na seção O Pif Paf da Vida que entretinha na revista O Cruzeiro. Pois é precisamente daqueles instantes que eu, em torno de meus 10-12 anos de idade, vim a conhecê-lo, nos tempos de Matto Grosso. Parece que eu me sentia um verdadeiro portento intelectual, pois gostava daquelas coisas, embora de conhecimento profundo eu tivesse apenas a literatura infantil de Monteiro Lobato (e, claro, o Macaco Sabido, além de outras pérolas).

Pois bem: sempre gostei dos hai-kais, que aprendi a apreciar com ele. Hà dois ou três anos, adquiri o livro que a L&PM publicou em 2007. Depois que publiquei o hai-kai de Mariana, peguei o livro de Millôr e vi que eu tivera o atrevimento. Peguei o primeiro (e alguns outros) hai-kais do livro e emendei outro com o último verso. Como as trovas gauchescas que também conheço desde a infância.

Millôr:

OLHA,
ENTRE UM PINGO E OUTRO
A CHUVA NÃO MOLHA.

Planeta 23:

Se a chuva não molha,
é o pingo de cima
que fez a escolha.

DdAB
P.S. imagem aqui.

4 comentários:

Anaximandros disse...

Se escolha foi feita,
ela é aleatória...

... DdAB - Duilio de Avila Bêrni, ... disse...

ela é aleatória,
a escolha, digamos,
sensata vitória.
DdAB

Anaximandros disse...

o Millôr, a trova, o trovador e o bardo, não tem vencidos, nem vencedor...s.

... DdAB - Duilio de Avila Bêrni, ... disse...

Gut, Anaximandros, Gut!
DdAB