domingo, 25 de novembro de 2012

Mais Economês. Logo no Domingo?

Querido diário:
Estou vivendo novo ímpeto de esclarecer o tipo de erro em que incide quem acha que cada R$ 1,00 gerado na indústria vale mais do que o correspondente R$ 1,00 que emergiu da agricultura. Dito assim, parece que ninguém concorda, não é mesmo? Mas olha os disfarces que se colocam no discurso e se chega a pensar que os defensores da desigualdade estão cobertos de razão. Em particular, fala-se que a indústria tem maiores linkages do que a agricultura, o que pode ser contingentemente verdadeiro, e nada significa. Óbvio: valor adicionado não é valor da produção (ou oferta total), não é mesmo? Se a oferta total cresce, digamos 10% na indústria e 5% na agricultura, isto não implica necessariamente que o valor adicionado (produto) em uma será maior do que o da outra. Tem que olhar para o consumo intermediário.

Nesta linha é que muito aprendi com as coisas que li de Ulrich Köhli:

KOHLI, U. A gross national product function and the derived demand for imports and supply of exports. Canadian Journal of Economics, v. 11, n. 2, p. 167‑182, 1978.

KOHLI, U. GDP Growth accounting: a national income function approach. Review of Income and Wealth, v. 49, n.1, p. 23‑34, 2003.

KOHLI, U. Growth accounting in the open economy: parametric and nonparametric estimates. Journal of  Economic and Social Measurement, v. 16, p. 125‑136, 1990.

Aprendi que, para gerar o PIB, precisa-se de capital e trabalho: PIB = P(K, L). E inventei que, para se apropriar da renda, a família deve ter homens ou mulheres brancos ou negros, educados ou não, essas coisas, para endereçar ao mercado de trabalho. E incorporei as tradicionais funções de demanda para explicar como a mesma cifra do valor adicionado vai ser absorvida na forma de demanda final.

Por tudo isto é que tive a coragem de dizer o que referi ontem, nomeadamente, que VA = g(OT), ou seja, o valor adicionado depende do nível de oferta total. Também mostrei o caso óbvio em que, obedecendo a equação quantitativa da moeda, chegamos a ver que M = Y, ou a oferta de moeda que gira apenas uma vez por ano entre o comprador e o vendedor, numa economia de preços estáveis é precisamente o que se necessita para alocar toda a renda, ou o produto, ou a despesa, ou seja, o valor adicionado!

E por que posso dizer que VA = g(OT)? Digo que é a intensidade da vida econômica que explica o nível do valor adicionado. Ordem gera mais progresso do que desordem. Boas instituições, respeito a contratos, seriedade na política, essas coisas, também. E também disse que esta parte da crescente importância das relações interinstitucionais revela-se na relação do total de transferências relativamente ao valor adicionado e também ao próprio montante de relações interindustriais.

DdAB


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