quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Desarmando os Bandidos

Querido diário:
Na p.2 de Zero Hora de hoje tem uma carta do leitor Luís Antonio Gomes Barbosa (empresário de Rosário do Sul):

Bandidos armados
Caroline Silva Lee, de 15 anos, foi morta na segunda-feira em São Paulo, com um tiro no pescoço por ter-se recusado a dar a bolsa para um marginal. Uma vida tirada por um elemento de 19 anos que já fora preso três vezes por tráfico e roubo, assim como os seus comparsas, que também tinham passagens pela polícia. [...] O que vejo é uma crescente violência armada nas ruas, sem que a tal lei do desarmamento tenha melhorado alguma coisa para o cidadão de bem.

De minha parte, o que vejo é outra manifestação da sociedade igualitária. Parece agora óbvio que faltaram serviços sociais para identificar neste garoto de 19 anos um criminoso em formação. Ele poderia estar em formação, digamos, em engenharia ou mecânica de automóveis, administração, investigador de polícia ou auxiliar de açougue, sabe-se lá. O que não é concebível como razoável é que o rapaz tenha tido já três passagens pela polícia e não viva nenhum tipo de monitoramento que os sociopatas requerem. Da primeira vez, já era suficiente.

E por que este tipo de conduta não é adotado no Brasil? Claro que é pela conduta alternativa que nos tornamos uma sociedade desigual e violenta. Embora tente, nem sempre consigo desligar-me 100% das mazelas de meu próprio cotidiano: vítima da desigualdade e da violência, que estes dois termos me parecem sinônimos. Talvez não sejam em outras quadraturas do círculo terráqueo. A sensação que tenho de minha vivência no presente e da leitura de relatos (romances, crônicas) do passado é que, no Brasil, a violência piorou precisamente porque este tipo de política igualitária a que me estou referindo não é bola da vez. Nem tem sido, nos últimos 50 anos.

Houve um tempo em que se confundia polícia (e todo o restante do aparato judiciário) com repressão, mas hoje é bem razoável pensarmos que a polícia pode ser um elemento fundamental para a redistribuição das oportunidades de emprego. E, com ela, a redução da criminalidade.

A melhor maneira de desarmar os bandidos é ocupar-lhes as mãos com livros, instrumentos musicais, aparatos esportivos, bisturis, escalímetros, essas coisas.

Agora tem outro recorte importante: quanto a família da vítima pagaria (estaria disposta a subornar os bandidos) pela vida de sua filha? É uma grotesca falha de governo que os políticos não entendam isto e passem a alocar com mais decência os recursos públicos. Nâo posso esquecer, ao ver os quatro anos de idade entre a vítima e o algoz, a diferença de idade entre a garota de 13 que assassinou a vizinha de 93 em Erechim há um bom tempo.

DdAB
Imagem: daqui. Moral da história da ilustração: nem todo desarmado é desalmado. O esporte, na foto acima, pode ajudar a escoar a violência. E aumenta a desigualdade.

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