sábado, 30 de junho de 2012

Rostinho Colado



Querido Diário:
Hoje é domingo, lá vem coisa... Pois é Rita Pavone, presença absolutamente fundamental de meu final de adolescência, transitando -o mundo e myself- para os Beatles e depois os Rolling Stones. A canção é "Il Ballo del Mattone", que um amigo traduzira por "o balido do cordeirinho", um tanto fora do tom, pois é "O Baile do Tijolo". E o blim-blim-blim do "guancia a guancia": bochecha na bochecha. E de mattone, tinha o colega Mottini. E de baile no chão de tijolo, tinha o baile da meia, de Louis Roberto Westphal, para não fazer barulho para o apartamento de baixo.

Pode? Da Ritinha, eu não entendia algumas coisas importantes para dar sentido à história. A pronúncia não anunciava: aquele 'gelosso' parecia 'furiosso', depois veio "il tuíst". Mas "il rack" já era demais.

Tá aqui a letra inteira:

IL BALLO DEL MATTONE
Non essere geloso se con gli altri ballo il twist,
non essere furioso se con gli altri ballo il rock:
con te, con te, con te che sei la mia passione
io ballo il ballo del mattone.

Non provocar la lite se con gli altri ballo il twist,
non farmi le scenate se con gli altri ballo il rock:
con te, con te, con te che sei la mia passione
io ballo il ballo del mattone.

Lentamente, guancia a guancia,
io ti dico che ti amo
tu mi dici che son bella
dondolando, 
dondolando sulla stessa mattonella!

Non essere geloso se con gli altri ballo il twist,
nn essere furioso se con gli altri ballo il rock:
con te, con te, con te che sei la mia passione
io ballo il ballo del mattone.

Lentamente, guancia a guancia,
io ti dico che ti amo
tu mi dici che son bella
dondolando 
abbracciati sulla stessa mattonella!

Non essere geloso se con gli altri ballo il twist,
non essere furioso se con gli altri ballo il rock:
con te, con te, con te che sei la mia passione
io ballo il ballo del mattone.
Amooor

É.
DdAB
P.S.: a tradução do Goggle vale a pena. Amei esta do roquenrou virar 'rack' para a srta. Pavone e depois rocha para os americanos tradutores:

A DANÇA DO TIJOLO

Não seja ciumento se a dançar o twist outra,
não fique bravo se a rocha outra dança:
com você, com você, com você que é minha paixão
Eu danço a dança do tijolo.

Não provocar a discussão com os outros se você dançar o twist,
não me embora suas cenas com a rocha outra dança:
com você, com você, com você que é minha paixão
Eu danço a dança do tijolo.

Lentamente, bochecha, na bochecha,
Eu te digo que te amo
você diz que é bonito
oscilante,
balançando na telha mesmo!

Não seja ciumento se a dançar o twist outra,
nn ficar furioso se a rocha outra dança:
com você, com você, com você que é minha paixão
Eu danço a dança do tijolo.

Lentamente, bochecha, na bochecha,
Eu te digo que te amo
você diz que é bonito
oscilante
abraçou a mesma telha!

Não seja ciumento se a dançar o twist outra,
não fique bravo se a rocha outra dança:
com você, com você, com você que é minha paixão
Eu danço a dança do tijolo.
Amooor


P.S.S.: e que me dizes disto?
P.S.S.S.: escrito às 12h15min de 4/jul/2012:: informam-me que 'ballo del mattone" quer dizer, além de 'rostinho colado', que há um grude tal nos dançarinos que eles podem perfeitamente usar como terreno apenas a área de um tijolo. Levei mais de 50 anos para entender isto.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Nash, von Neumann e Edgar Allan Poe

Querido Diário:
Não é impossível que o que ando fazendo seja chamado de trabalho. Não-remunerado, como cabe a um aposentado de respeito, mas trabalho. Já falei da piadinha britânica para estudantes de doutorado: o que andas fazendo, escrevendo, lendo, ou apenas pensando? Parece que ando estudando, ou seja, ando lendo e anotando. Anotar talvez não seja sinônimo de escrever, mas sinto-me trabalhando, há pelo menos umas quatro horas.

Em que trabalho eu? Jogos, teoria dos jogos, meu chapa. E há outras coisas, como diziam aqueles mesmíssimos estudantes de doutorado, in between. Neste caso, em tradução nossa, olha o conceito de equilíbrio de Nash:


As ações [do participante de uma economia social de trocas] serão influenciadas por suas expectativas das ações dos demais participantes, e estas por sua vez refletem as expectativas das ações do primeiro.


De onde tirei esta súmula do conceito de equilíbrio de Nash? Da p.12 do livro de von Neumann e Morgernstern. Era uma antevisão. Era original? Não, claro que não, pois temos algo parecido, sendo atribuído a Edgar Allan Poe por Morton D. Davis, no livro Game theory; a nontechnical introduction, que adquiri em Porto Alegre itself. Diz-nos Davis que no conto The Purloined Letter (aqui), que fala de um menino de oito anos de idade, e por aí vai, sem tradução minha. O texto que aqui divulgo é retirado do site do 'aqui' ali pertinho. Mas, para ser fiel a Davis, eliminei alguma coisinha do original de Poe:

I knew one about eight years of age, whose success at guessing in the game of 'even and odd' attracted universal admiration. This game is simple, and is played with marbles. One player holds in his hand a number of these toys, and demands of another whether that number is even or odd. If the guess is right, the guesser wins one; if wrong, he loses one. The boy to whom I allude won all the marbles of the school. Of course he had some principle of guessing; and this lay in mere observation and admeasurement of the astuteness of his opponents. For example, an arrant simpleton is his opponent, and, holding up his closed hand, asks, 'are they even or odd?' Our schoolboy replies, 'odd,' and loses; but upon the second trial he wins, for he then says to himself, the simpleton had them even upon the first trial, and his amount of cunning is just sufficient to make him have them odd upon the second; I will therefore guess odd'; --he guesses odd, and wins. Now, with a simpleton a degree above the first, he would have reasoned thus: 'This fellow finds that in the first instance I guessed odd, and, in the second, he will propose to himself upon the first impulse, a simple variation from even to odd, as did the first simpleton; but then a second thought will suggest that this is too simple a variation, and finally he will decide upon putting it even as before. I will therefore guess even' guesses even, and wins. Now this mode of reasoning in the schoolboy, whom his fellows termed "lucky," --what, in its last analysis, is it?"
"It is merely," I said, "an identification of the reasoner's intellect with that of his opponent."
"It is," said Dupin;" and, upon inquiring of the boy by what means he effected the thorough identification in which his success consisted, I received answer as follows: 'When I wish to find out how wise, or how stupid, or how good, or how wicked is any one, or what are his thoughts at the moment, I fashion the expression of my face, as accurately as possible, in accordance with the expression of his, and then wait to see what thoughts or sentiments arise in my mind or heart, as if to match or correspond with the expression.'
* * *
As poet and mathematician, he would reason well; as mere mathematician, he could not have reasoned at all, and thus would have been at the mercy of the Prefect." 




Que temos? Um jogo dinâmico com assimetria de informação, não é mesmo? Nem Davis nem DdAB têm algo a ver com este monsieur D. E tem tanta coisa para comentar...

DdAB
Imagem daqui: abcz.

P.S.: às 18h53min de 02/jul/2012, acrescento: o livro de Davis tem tradução:

DAVIS, Morton D. (1973) Teoria dos jogos. São Paulo: Cultrix. Tradução de Leônidas Hegenberg e Octanny S. Motta.

P.S.S.: O Leônidas, hein?

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Desigualdade Visível

Querido Blog:
Desde ontem, faz-se farra sobre a divulgação dos vencimentos e ordenados dos funcionários públicos do poder executivo. Em particular, vi as remunerações da presidenta da república (no jornal) e de dois ou três ministros. O que achei de peculiar é que dois deles ganharam brutos R$ 45 mil, mais ou menos. Ultrapassam o teto estabelecido sei lá por quem, mas muito justamente.

Como impedir a moçada de ultrapassar o teto? Simplérrimo: cobra imposto de renda deles. Mas posso até ser preso por ficar falando isto. E como chegaram tão longe do teto? Aí foi que gelei: ganharam R$ 16 mil de jetons por participarem da diretoria da Petrobrás e da Eletrobrás.

Pensei: 16 mil? quantos salários mínimos? Qual é realmente o segredo de uma sociedade tão desigual? E qual a razão deste clube de compadres com as diretorias das empresas e bancos estatais? Talvez seja um "efeito demonstração": o trabalhador que se esfalfar trabalhando poderá também credenciar-se a receber ces jetons.

DdAB
P.S.: jetom:: terceira acepção do Aurelião: Remuneração recebida por membros de órgãos colegiados (parlamentos, conselhos diretores, academias de letras, etc.) pelo comparecimento às suas sessões ou reuniões.

P.S.S.: Imagem daqui.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Mais Eça da Paz e Terra

Querido Diário:
No domingo, fiquei falando coisas do "O Mandarim", de Eça de Queiróz. Aqui. E já falara um pouco por aqui. E agora falarei mais, tem mais pelo menos dois probleminhas no livrinho da Paz e Terra.

Primeiro: na p.67, tem um "All rigth...", que não pode ser de Eça, que -à própria época em que escreveu esta novela- vivia em Bristol. Viver em Bristol é atestado de proficência! Claro, pois ele era do corpo diplomático português. Naquele livro que baixei e falei no outro dia, está mesmo é "all right". Que dizer? Só bebendo. Bebendo e aprendendo.

Segundo. Na p.94, fala: "Foi um momento comovente para mim, aquele em que vi, às primeiras voltas do hélice, afastar-se a terra da China."

Claro que fui olhar em meu Aurelião este negócio de "o hélice". E, parece que tudo começou com "helice", sem o acento getulista. Mas registra-se, neste caso, como substantivo feminino, exceto para o caso do "rebordo exterior do pavilhão da orelha", o que não é o caso...

DdAB
Imagem aqui.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Indivíduo e Cidadão: visão de Marx

Querido Diário:
Na p.30 da Carta Capital de 27/jun/2012, há um artigo de Luiz Gonzaga Belluzzo intitulado "Os juízes e a democracia." A certa altura, ele tem um parágrafo, que transcrevo, mas não consigo identificar 100% onde começa ele e onde cita-se Karl Henrich Marx:

Na Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, [... Karl Marx...] dizia: "Na sociedade burguesa, a contradição suprema se estabelece entre o homem real, ou seja, o indivíduo egoísta, e o verdadeiro, ou seja, o cidadão "abstrato". O entrechoque entre o homem "real" e o homem "verdadeiro" é mediado pelo conjunto de direitos produzidos historicamente pela luta social e política dos subalternos. Por isso, "a democracia não é a última forma da emancipação humana, mas a forma mais avançada da emancipação humana dentro dos limites da organização atual da sociedade."

Claro que vou atrás, vou ver o que é mesmo que diz Hegel para motivar Marx a fazer-lhe a crítica. Projeto de 10 anos, ao que suponho. Por enquanto, vou ficando com o título da postagem. A diferença entre indivíduo e cidadão é fundamental precisamente para pensarmos na ação egoísta, por contraste à ação altruísta.

Mas há muitas coisas além desta tecnicalidade. Outra é que também podemos falar em individualismo metodológico, precisamente ao aquilatarmos o que se quer dizer com entrechoque entre homem real e homem verdadeiro. Por fim também é razoável pensarmos que temos aí drágeas do que hoje se chama de economia dos contratos, uma vez que se tornam salientes os direitos de propriedade o produto da luta social e política entre -lá venho eu- vassalos e suseranos.

DdAB
Imagem deste interessante blog: aqui. PCdoB, hein? Feuerbach, Engels?

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Um Novo Tempo

Querido Diário:
Às vezes, a observação do caos na rua e no jornal deixa-me preocupado e pensativo sobre o futuro do planeta. E outras, com e sem ironia, sinto que há avanços democráticos. Agora mesmo tenho três casos, nem todos coincidentes no 'agora'. Ou seja, há precursores de novos arranjos menos desbradados.

O primeiro surgiu na policialesca Rússia. Vladimir Putin era o presidente, reelegeu-se, não podia quebrar as regras constitucionais, mudou o regime de presidencialista para parlamentarista, elegeu um novo presidente de seu curral e tornou-se primeiro ministro. No período, voltou a ser presidente e hoje mostra quão diverso é do velho regime soviético: nada ou quase.

No Egito, descontente com a falta de admiração por parte do povo aos representantes do exército, o poder judiciário julgou ilegalidades nas eleições, querendo de volta o candidato queridinho dos militares. Parece que teve uma evolução sinuosa.

Por fim, no Paraguay, Lugo foi impedido pelo senado da república. Um processo, uma crise de alta velocidade, parece ter durado 31 horas apenas. Parece que há reação e os golpistas ainda podem encenar mais uma guerra no Paraguay.

No Brasil, por enquanto, não esqueçamos, está no poder a chapa Serra-Dilma. Só quem não vê a convergência é que não teve seu cargo avalizado, pois um extremo da chama exclui o outro.
DdAB
Yin e Yang daqui.

domingo, 24 de junho de 2012

Domingo na Gramática: Eça e Camões

Querido Diário:
O título é, em alguma forma, enganador. É linguagem, aquele construto social comum a homens e abelhas, bactérias e algas. Claro que não falo na visão chomskyana, se é que não o faço. Não é besteirol, pois está escrito. O que não está no processo (escrito) não está no mundo, dizem os juízes.

Para mim, há dois tipos de escrita: a boa e a má. A má nem sempre é apenas má, no sentido de mau conteúdo. Eu tenho aqui a prova de dois escritos de boa escrita, mas de má forma. Ainda pior, juro que a má forma foi inserida por seus editores (eu ia escrevendo, por erro de digitação, 'esditores', e fiquei com 'desditados editores'). Claro que cometo erros de português e erros de digitação aqui e ali. Claro que escrevo mais no português de Eça, Machado e Graciliano (eu, hein?). Digo-o no sentido de ênclises e mesóclises.

E os erros? Aqui, apresentei um erro que juro não ser camoniano, aparentemente sendo de seus desleixados digitadores e revisores profissionais. Ah, claro que esta é uma boa escusa para meus erros/errinhos/errões neste blog. Aqui não há revisão profissional de nada. E mesmo, em outros escritos em que esta faz-se presente, ainda assim seguem erros escabelados. Na postagem que ali refiro, de 12/mar/2012, escrevi que li:

A chaga que, Senhora, me fizeste

Tinha que ser "me fizestes", porque, quatro versos depois do 'fizeste', vemos um "tivestes". Presumi que a audácia do digitador foi mesmo errar o primeiro 's'.

Nâo refeito desta cachaçada, ante-ontem comecei a ler "O Mandarim", de Eça de Queiróz, e ainda não sei se é mesmo a edição original que empunho. Tenho um Paz-e-terrinho deste tamanhinho: 10,5 x 13,5, de uma "Coleção Leitura", de 99 páginas de texto. Este título consta de suas obras completas, como obra em vida, e tudo o mais. Original de 1880, logo em plena vida do autor.

Eu li:

-E todavia tu fizestes que esse bem-estar em que te regalas, nunca mais fosse gozado pelo venerável Ti-Chin-Fu!...

Aqui, na seção III, que o verbo está no singular. Gosto de Eça, amei reler "A Cidade e as Serras", nos tempor recentes. E quase morri de encanto e de rir ao ler "A Correspondência de Fradique Mendes". Amo Eça, à beça, mas não gosto deste "e todavia" que também é machadiano e de outros amados. Ou seja, nem tudo o que amo me sabe à imagem... Mas esta última sentença ainda tem outro probleminha: uma vírgula lá onde nada haveria de haver: "te regalas, nunca". Aqui, não deveria, mas aqui também tem. Retirando-a, chegamos a:

-E todavia tu fizeste que esse bem-estar em que te regalas nunca mais fosse gozado pelo veneravel Ti-Chin-Fú!…

E qual a fonte? Tá aqui. E, para concluir, tem um 'fú', por contraste a meu Paz-e-Terra com 'fu'. E diz que é "Um romance [...] segundo a edição de 1880." e dizem ser ortograficamente corrigido. Vita difficile. Mas ainda tem outra fonte: aqui. É 'fizeste' mesmo, é 'fú', mesmo e -horreur de toutes les horreurs- tem vírgula mesmo. Pode?

DdAB

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Supersalários

Querido Diário:
As novidades do período, para minha visão enviesada, são:
.a. vida social na Síria e a fuga do piloto de jato com o jato (poderia ser o começo da débacle do regime do escárnio?)
.b. vida social planetária: a conferência Rio+20 está prometendo o mais rotundo, estrondoso e tonitruante fracasso
.c. a maconha liberada no Uruguay já teve uma reportagem completamente enviesada (reacionária) no reacionário jornal Zero Hora (p.29), onde se vê uma imagem do presidente uruguayo ladeado pela presidenta Dilma. O nome dela não entra na matéria. Que faz por ali? Acho que pode ser apenas má vontade. Mas, ao fundo, vêem-se as folhas... de uma palmeira. Os depoimentos são de gente que não quer saber de pensar amplamente nas diferentes dimensões do tema: econômica, médica, criminal, sanitária.
.d. a aliança Lula-Maluf. Se escrevermos ""la máfia" entra "ia" [de 'entrei numa fria'] e sai um "lulu" [a cachorrada na política]. Aliança Lula-Maluf? Só bebendo!

A notícia do dia, para mim, começou ontem e hoje "repercutiu" no próprio jornal. Trata-se da proposta de uma lei, no congresso nacional, acabando com o requerimento de que limite aos vencimentos dos funcionários públicos em nível decente. Os deputados querem:
.a. indexação aos ministros do supremo (bem sabemos quão privilegiados eles são)
.b. manter as vantagens indiregas a que fazem juz: milhares de assessores, milhares de milhas em voos aéreos, milhares de diárias de viagem, e por aí vai.

A solução é muito simples, para um país decente, coisa que -de longe- não somos. Basta ver a infância e a velhice desamparada pelas ruas para percebermos a incúria do setor público, de outra parte, tão esperado em produzir e prover petróleo, prédios de arquitetura arrojadíssima, hotéis e hospitais de luxos para seus apaniguados. A solução é elevar a alíquota do pagamento do imposto de renda, permitindo que pela via fiscal passe-se ao take home pay de R$20.000. "O pobrema é que eles adora o dinheiro dosotros" -disse o menino de rua- "e noys só come pão dormido." Pensei: "Melhor pão-dormido do que fome." E ele respondeu com o pensamento: "E melhor férias na disneilândia do que pão dormido."

Parece que há um probleminha de comunicação entre o Planeta 23 e o governo, que não o está lendo com exação. Se lesse, faria mudanças no imposto de renda. Pareço ingênuo?
DdAB
Imagem: aqui.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Maconha no Uruguay

Querido Blog:
Desde que a -por aqui- sociedade uruguaya pôde voltar a ser escrita com 'y' por causa das novas leis ortográficas brasileiras, é certo que houve muita evolução. Lá, por certo, eis que aqui tudo é duvidoso. Eles, uruguayos, seguiram grafando-se como sempre escreveram e viveram felizes, com drágeas de infelicidade.

Uma chamada de capa na Zero Hora de hoje

Polêmica
Governo do Uruguai [o jornal grafa com 'i' e não com 'y'] quer vender maconha
Na tentativa de reduzir a violência, projeto legaliza a compra de 40 cigarrros ao mês, por usuário cadastrado.

E segue-se-lhe uma reportagem ocupando toda a página 30. Ao lê-la, retem-se algum entusiasmo com a solução de problemas sociais com a ajuda do governo, mas há outros pontos para a desolação. No primeiro caso, se o cidadão (logo, não poderíamos falar em crianças, criminosos e loucos de cara) se cadastrar, ele terá direito a uma cesta de 40 baseados por mês. No segundo, parece que se coloca na moda a internação compulsória dos viciados em cocaína, crack e milhares de outras drogas, algumas de uso meramente recreativo e outras perniciosas.

O fim da ilegalidade é sinônimo de afastamento dos criminosos do tráfico, o fim das guerras de gangues e o fim da corrupção da juventude já viciada. Mas a regulamentação é fundamental e os controels são todos fundamentais.


Parece óbvio que haverá duas encrencas para o Brasil:
.a. a importação ilegal vai crescer
.b. o "efeito demonstração" fará com que os grupos sociais interessados na legalização das drogas recebam alentado ímpeto.

Em minha maneira de ver, não há problemas:
.a. o governo é tão corrupto que pode malversar completamente todos os contornos da legalização e, particularmente, da produção
.b. podemos contratar a empresa júnior de uma faculdade de agronomia suíça e, com ela, produzir a mardita, encaminhando os resultados (enrolados) à Anvisa, ou algo assim.

Em outras palavras, minha visão a respeito do assunto é que o primeiro corte é entre drogas recreativas e drogas perniciosas. As primeiras deveriam ter produção privada controlada pelo estado. As segundas também, com a diferença de que as primeiras podem ter a comercialização liberada às -digamos- farmácias. As drogas perniciosas devem ter oferta gratuita.

Forçar uma garota de 12 anos assassinar uma velhinha de 89 para roubar R$10 para comprara crack é mesmo querer jogar a sociedade nas mãos dos piores vilões (talvez apenas igualáveis aos políticos contemporâneos) que se pode imaginar. A velhinha teria vivido mais sem o assassinato. E a garota não precisaria sujar as mãos, já que poderia sujar os pulmões de outra maneira. Seria encaminhada a enfermeiros e não a traficantes/criminosos.

A grande tristeza do Brasil é não apenas a ladroagem na política, mas o falso moralismo que grassa entre milhares de políticos, assessores e outros indivíduos: recusar-se a aceitar o conceito de droga recreativa é abrir as comportas para o consumo clandestino, com ele, preços espetaculares e com eles a violência e a bandidagem. Tenho dito que a lei da oferta e procura é mais insinuante do que a lei da gravidade. Tentar revogá-la de modo idiota só poderia ter dado no que deu: a destruição da sociedade brasileira. Sobraram restolhos, que talvez agora possam ser recuperados pelos homens e mulheres de boa vontade.
DdAB
P.S.: respeitar a grafia do país alheio é interessante, como o fizeram os ingleses e americanos, chamando o Brazil de Brazil mesmo, pois assim estava na primeira constituição da república. E Brasília com 's' mesmo, eis que -para eles- amarra-se o burro à vontade do dono. E os donos foram os gramáticos da era getulista, que incineraram milhares de livros e dicionários. Mas não nos vimos livres dos gramáticos: em minha existênica já houve mais dois incêndios radicais. Tem gente que não sabe que Brasil é Brazil.
P.S.S.: parece que a imagem daqui é uma mistura do presidente uruguayo com Bob Marley.
P.S.S.S.: será coincidência que as cores que circundam a efígie são as da bandeira do Rio Grande do Sul?

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Plagiário eu?

Querido Diário:
Dá uma olhadinha aqui:

Pouco a pouco, inteirando-se de qualquer coisa, [um sujeito em manga de camisa] entrou a manifestar sinais de inquietação, jogando-nos de soslaio olhadelas descontentes.

Era Graciliano Ramos chegando à prisão em Recife, era a p.47 do primeiro volume das Memórias do Cárcere, escrito em 1953 e que li menos de 15 anos depois. E estou relendo agora. Agora olha aqui:

Tio César, depois de manifestar sinais de inquietação, passou a evitar definitivamente dirigir-se ao pátio de sua casa. Indagado sobre as razões que o teriam levado a adotar tão nefasto proceder, ele disse não poder conviver com galinhas, por ser um grão de milho.

Agora estamos em meu velho livro de teoria dos jogos, frase da p.1. Agora é uma piada que juram ser familiar, não era tio César (embora houvesse um tio com este nome), mas tio Jobim. Escrevi em, digamos, 2000 ou 2001 e publiquei em 2004. Mais de 30 anos depois de ler Graciliano. É plágio?

Bastaria para condenar-me?

Hà dias, comprei de segunda mão o livro "As Três Mulheres de Antibes", de William Somerset Maugham, publicado nos Estados Unidos em 1940 (sete anos antes de minha aparição), traduzido no Brasil em 1956 e que terei lido lá por volta daquele final dos anos 1960s. Segue-se logicamente que achei à p.18:

-Adoro pão com manteiga. Vocês não gostam? - indagou Lena voltando-se para Beatriz.
Esboçou a interpelada um sorriso amarelo e deu uma resposta evasiva. O mordomo tornou carregando um longo e estalejante pão francês. Partiu-o Lena em dois e besuntou-o com manteiga, milagrosamente surgida. Serviu-se um linguado assado na grelha.


Será plágio? Na p. 26 do CAPÍTULO 11A O CONCEITO DE MÉDIA, A MATEMÁTICA DAS FUNÇÕES ECONÔMICAS DE AGREGAÇÃO E OS NÚMEROS ÍNDICES do vetusto Bêrni e Lautert (orgs.) [Mesoeconomia; lições de contabilidade social],

O caso oposto ao das curvas de indiferença em formato de L é o da possibilidade de substituição perfeita entre as duas mercadorias, como o processo de escolha entre dois tipos de chá assemelhados ou de dois tipos de gordura para besuntar o pão que vai transformar-se em torrada.

Besuntar, meu chapa? Só posso ter guardado na memória este termo da admirável história das três senhoras gordas que morreriam de inveja da prima que levou o escritor britânico a usar o verbo.

E à p.22 do mesmo livro, podemos ver mais reclamações das três senhoras gordas contra a prima esbelta:

-Ela é sua prima, não é nossa - interveio Flecha. - Eu é que não vou ficar sentada aí durante catorze dias vendo essa mulher empanzinar-se.

E daí? Daí, leia aqui. Trata-se de notas de aula do curso de Micro III que dei no PPGE/PUCRS nos já afastados anos de 2004-7, algo assim. Ou seja, ficará claro que traduzi trecho de Poundstone, usando precisamente o verbo que aprendi lá no final da adolescência. [E, aparentemente, fiquei com preguiça de pensar mais sobre a tradução de 'fair share', que dei por resolvida com "dividir"]. É plágio?

Vejamos agora mais algum detalhe: Poundstone p.234 – com algo interessante sobre a cooperação: animais que se empanzinam ou que dividem o alimento:
                         ┌───────────────────────┐
                         │     Animal  Beto      │
           ┌─────────────┼─────────┬─────────────┤
           │ Estratégias │FairShare│Se empanzina │
┌──────────┼─────────────┴─────────┴─────────────┤
│ Animal   │ Fair Share       2,2        0,3     │
│   Ana    │ Se empanzina     3,0        1,1     │
└──────────┴─────────────────────────────────────┘
A população de animais que se empanzinam (gorge) vai exterminar a dos que dividem, pois estes vão procriando menos. 

E isto é tudo? Provavelmente não. Seguirei vigilante. E você, caro/a leitor/a, cuidado para não ser aprisionado no dilema do prisioneiro: se cair neste jogo, vá loco começando a empanzinar-se, que é a estratégia dominante e ao mesmo tempo equilíbrio de Nash. Nâo é isto?

DdAB
Imagem: aqui. E olha que uma coisa é plágio e outra é direito autoral. Quanto a este/s, sou a favor de uma mudança radical na política planetária: considera os autores como, por exemplo, os serviços de saúde britânicos consideram os médicos. O pacienta não paga, mas o governo paga. Aí teríamos verdadeira mente a informação a serviço da humanidade.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Juízes e Crimes

Querido Diário:
Fiquei novamente estarrecido com estas histórias do sr. Charles Falls. Um juiz de direito autorizou a polícia a gravar as ligações telefônicas do grande brasileiro. Depois que tudo veio à luz, os advogados do sr. Falls, não garanto se o ministro Márcio Tomás Bastos ou assemelhados, requereram a ilegalidade da operação policial. Um juiz de maior hierarquia do primeiro deu um parecer no tribunal que o juiz estava errado e que o sr. Charles devia ser inocentado. Mas seus colegas de câmara, deram-lhe perda de causa, ou seja, a polícia tinha o direito de gravar o mr. Falls.

Meu ponto é antigo: se a prova ilegal, ela não serve para mudar os fatos, mas para condenar o incriminado e processar o funcionário público ou advogado que fez a ilegalidade. Dizer que, por exemplo, Brutus não precisaria ir para a cadeia, pois o flagra que lhe deram apunhalando Júlio César foi feito ilegalmente. Brutos ajudou ou não a matar? A prova foi legal ou ilegal? Se foi ilegal, repito, quem deve ser punido é quem fez a ilegalidade. Jamais isto deve servir para tirar da cadeia o vilão.
DdAB
Imagem daqui.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Popper p.258

Querido diário:
Aprendi com a profa. Brena Fernandez (ver o blog B.P. sinalizado no lado direito, em meus 'Links Amados') que, se Shakespeare não tivesse existido, não teríamos o Grande Otelo, pois, naturalmente, o próprio Otelo não teria sido concebido. Então tampouco teríamos Iago e, como tal, nem Bento Santiago, ergo, nada de Capitu, nada de nada, nada de carnaval na Bahia, uma tristeza. E claro que não foi B. P. quem fez estes adendos finais. Mas ela disse, por contraste a obras que são inventadas, existem as descobertas humanas, diria eu, como a descoberta da pólvora e outras menos citadas, como o vapor e o motor a explosão, a fórmica e o tênis shoe.

O mundo, este mundo, o mundo desta postagem, divide-se, portanto, em invenções e descobertas. Aí é que Popper, Karl Popper, Karl Raymund Popper entra na dança (não é propriamente o carnaval da Bahia). Segue-se logicamente (à p.257) o que é dito na p.258 de sua "Autobiografia Intelectual", edição portuguesa:

.a. inventamos, nós, a humanidade, inclusive eu, os números naturais infinitos

.b. descobrimos os números primos.

Ou seja, uma coisa é eu ter nascido com 10 dedos e começar a contar, usar os outros (a que não me referira até agora, os dos pés) para contar até 20, voltar ao mindinho e começar novamente, chegando a 40, e assim por diante, até o infinito, ou seja, sempre tenho um n+1 na manga. E outra é eu perceber que há pares e ímpares (os tais n e 2n+1, o que não implica que haja mais pares do que ímpares, não é mesmo?). E, ainda mais abstratamente, é eu entender que há números que são divisíveis apenas por si mesmos e pela unidade, o que os faz primos. Estou na casa do pai e mãe de meus primos. Chamam para o almoço: devo encerrar.

DdAB
Imagem da bela página aqui.

domingo, 17 de junho de 2012

Ulysses: o "Y" da Questão

Querido diário:
De quantas palavras pode constar uma frase decente? É questão de falsificação ad hoc fácil. Stephen Pinker levou-me a entender que o tamanho máximo é infinito. Por exemplo, as duas primeiras deste parágrafo podem ser alongadas com: É questão de falsificação ad hoc fácil a determinação de quantas palavras podem constar numa frase decente. E aí começa. Digo que é questão de falsificação ad hoc fácil a determinação de quantas palavras podem constar numa frase decente. Digo e não duvido que é questão de falsificação ad hoc fácil a determinação de quantas palavras podem constar numa frase decente. Dizem que eu digo que é questão de falsificação ad hoc fácil a determinação de quantas palavras podem constar numa frase decente. E por aí vai, ad infinitum. Claro que, popperianamente, podemos ver que a palavra "decente" permite-nos impor limites, ainda que arbitrários nesta encrenca.

Precisamente por isto, tenho razões para crer que existe um cânone: não mais de quatro linhas. Vejamos então a seguinte:

Um tradutor que cita o diretor Quentin Tarantino para explicar por que escolheu grafar Ulisses com "y" ("quando lhe perguntaram o sentido da estranha ortografia de Inglorius Basterds: (ele disse) 'tem coisas que é melhor deixar para o leitor tentar resolver'...") e a banda conceitual americana Velvet Underground para justificar por que um livro tão pouco lido entrou para o cânone ocidental ("quando eles estavam tocando em Nova York, pouca gente viu, mas quem viu montou uma banda") marca uma diferença geracional profunda em relação aos tradutores que o antecederam na monumental tarefa de traduzir o clássico de Joyce para o leitor brasileiro - o filólogo Antonio Houaiss (1915-1999), que nasceu antes de o livro ser escrito, e a filósofa e professora emérita da UFRJ Bernardina da Silveira Pinheiro (1922), que nasceu no ano em que o romance foi publicado.

Na contagem do Word, temos: 140 palavras, 723 caracteres e 862 caracteres e espaços. E que blim-blim-blim é esse de Ulisses Velho e Ulysses Novo? É a nova mudança ortográfica, tão ao feitio dos milionários da academia brasileira de letras, que ajudam a queimar nossas bibliotecas, mudando a ortografia. A bola da vez foi inserirem no alfabeto as letras k, w e y, o que deu vida nova a gregos e irlandeses.

DdAB
imagem: daqui. Procurei no Google Imagem em "Felipe", o nome do menino de rua hoje biografado, como veremos no p.s.. Não pude deixar de evocar Raul Seixas: "um palhaço que come lixo." Dói, dói, dói.
p.s. a frase em destaque acima originou-se de entrevista concedida por Caetano W. Galindo (tradutor do Ulysses) a Cláudia Laitano, publicada no caderno Cultura (pp.4-5) de Zero Hora de ontem.
p.s.s.: a Zero está impossível: neste domingo, tem um caderno especial que poderia ser considerado um conto intitulado todo o caderno "Filho da Rua". É a história de um menino que ganhou as ruas aos cinco anos de idade e hoje, aos 14, todo mundo prenuncia: será morto in due time. A grande viagem do caderno é a contracapa: "Não dê esmola. A esmola (e isso inclui comida) só contribui para fixar as crianças na rua. Frequentemente, serve para sustentar o consumo de drogas."

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Beleléu: onde anda o sistema de preços no Brasil

Querido diário:
Filosofando sobre as economias monetárias e a maravilha representada pelo mecanismo de preços (e a tragédia que ocorre quando se quer delegar a ele tarefas para as quais ele não é preparado), tropecei novamente na questão da desigualdade.

Meu ponto focal é que, numa sociedade de elevado grau de desigualdade, como a brasileira contemporânea, o mecanismo de mercado fica obnubilado pela desigualdade. Já falei da assimetria das multas de trânsito para gente do porte de Aécio Neves ou Romário e José da Silva e João de Souza. Parece que a multa é de R$1.000 para quem fica obnubilado pela bebida e dirige veículo auto-motor. Agora imaginemos que Aécio ganha R$100.000 mensais e Romário ganha R$1.000.000, por contraste a José da Silva, que ganha R$1.000. Então a importância da multa no orçamento de cada exemplar é:

José da Silva: 100%
Aécio Neves: 1%
Romário: 0,1%.

Naturalmente, invertemos aquela viagem do "a fine is a price" para uma multa destas não é preço, ou seja, moderador da demanda, para nada. Isto implica necessariamente que os defensores das economias de mercado devem, ipso facto, defender certa equidade distributiva, sem a qual os preços relativos tornam-se importantes apenas no beleléu.
DdAB
Esta imagem veio do Google, quando pedi 'beleleu'. Parece que estamos indicando o rumo.
p.s.: fora esta estrutura de impostos diretos (progressivos) e indiretos (regressivos): a importância distorciva dos indiretos é um autêntico caso de polícia.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

No Brasil, ...

Querido diário:
Hoje tem uma notícia na p.10 do jornal Zero Hora de fazer rir, rir, rir. Lá vai:

Pacote sinistro
Um estranho pacote apareceu ontem em frente aos elevadores do sétimo andar da Assembleia Legislativa, onde estão instalados os gabinetes de deputados do PSDB, do PTB e do PMDB.
Identificado como um despacho [sic], o pacote continha uma cruz pintada com esmalte vermelho. Até agora, não se sabe quem deixou a encomenda no prédio do Legislativo, nem se era apenas uma brincadeira de mau gosto ou uma tentativa de semear o pânico entre os assessores.

A primeira coisa que pensei foi: "Que beleza vivermos num país que esconde a guerra civil de um jeito que não pensamos, ou o fazemos apenas após esgotar as possibilidades do grotesco, em 'bombas de fabricação caseira'. No caso, quem poderia explodir seria mesmo uma melancia chinesa ou um galo cego em estado de putrefação."

E a segunda foi a frase que acabo de procurar no Google e nada achei:

"se feitiço ganhase jogo, o bahia seria campeão".

Dizem-me ser esta uma frase do famoso João Saldanha, a propósito de ameaças feitas pelo além à supremacia do clube Botafogo do Rio de Janeiro pelo futebol bahiano.
DdAB
Imagem daqui.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Reforma Agrária x Reforma Industrial

Querido diário:
O veterinário Júlio Bratz bateu-me o seguinte lance. Ainda empolgado com a entrevista de Chico de Oliveira que li ante-ontem, indaguei-lhe o que pensa sobre a reforma agrária. Ele não usou a velha expressão de Delfim Neto ('assunto para economista desocupado'), mas manifestou, entre outras coisas, que nunca houve algo parecido no Brasil. E as tentativas tópicas, associadas às invasões de terras, levaram a tanta distorção que nem vale a pena falar nelas.

E me deu uma argumentação interessante, como homem urbano e prestador de serviços rurais. Aduziu que que muito melhor faria o governo do que investir nesses assentamentos que têm dado o que falar se optasse por fazer um programa de financiamento associado a zoneamentos que evidenciem as vocações econômicas da regiões. Exemplificou com o suíno do noroeste gaúcho e com o açaí da Amazônia.

DdAB
Imagem: aqui.

domingo, 10 de junho de 2012

Helena Rizzo deixa o cenário gastronômico do Brasil...


Querido diário:
Domingo, fim de tarde. A p.48 da revista Cláudia de junho tem uma foto de uma garota de turbante e a manchete: Um modelo de chef; a bela Helena Rizzo comanda o Maní, eleito um dos melhores restaurantes do mundo. E daí?

Número 1: ouça a canção El Manisero (ou manicero?).

Número 2: note que engraçado os dizeres ao pé da garota:

Helena Rizzo deixa o cenário gastronômico do Brasil com um gostinho especial

Eu pense, naquela linha do otimismo cultivado: "Helena Rizzo deixa o cenário gastronômico", que pena, vai para onde? Mas, depois de desesperar-me com a perda de uma modelar chef, li o resto da sentença. E tudo se esclareceu. Mas acho que, na linha do quanto pior, melhor, acho que esta chamada à matéria (que não li, unfortunately) é um tanto infeliz.

Este negócio de uma garota chamar-se de Rizzo lembra-me as histórias de Moacyr Scliar, que tinha uma brincadeira com "sobrenomes que condicionam destinos". Ok, ok, não é bem isto, pois -em italiano- arroz é riso, e não rizzo, com s e com diversão. Mas comer é good fun, como dizem os italianos de New York.

DdAB
P.S.: e eu ia escrevendo: não houve nada de mais impressionante entre Helena, mim e Cláudia. E não escrevi, por axar eshdrúshulo.

sábado, 9 de junho de 2012

Chico de Oliveira e o Ornitorrinco

Querido diário:
Chico de Oliveira celebrizou-se, para mim, por ter escrito "Economia brasileira: crítica à razão dualista". Uma obra prima que, por falar nisto, é hora de reler. Mas, mais modernamente, ele tornou-se, penso, ainda mais célebre com a imagem de ornitorrinco para a economia brasileira. Não deixa de ser a incorporação da própria metáfora que criticava: tem uma economia com pelo de mamífero e bico de ave botocuda. Dualismo. Mais dualista ainda é o jornal Zero Hora: às vezes sério e compenetrato e outras tantas frívolo e iracundo. Nas pp.4-5 do Caderno Cultura de hoje, há uma entrevista sua (lá dele, Chico). O título da matéria é uma citação lá de seu conteúdo:

"Quem comanda as coisas no Brasil é o mercado, não é o Estado"

Eu, dualisticamente, gostei e desgostei. Gostei por deixar claro que as economias monetárias vivem em torno de mercados e mesmo suas falhas tornam-se crescentemente mercadorias. Por exemplo, risco e seguro. Por exemplo, bens públicos e produção privada. E por aí vai. Desgostei porque ele deixa fora de sua visão do comando o capitalismo de estado. Isto significa deixar à deriva a visão da Economist sobre a qual postei aqui. Claro que o capitalismo brasileiro não é bem capitalismo e nem socialismo, da mesma forma que não o são o chinês e o indiano. Mas penso serem estes últimos diferentes, por exemplo, do americano e mesmo do francês e alemão (com todas as regulamentações dos dois últimos). Tem socialismo nos Estados Unidos? Claro que tem, na linha que acima tangencio, de bens públicos com produção privada: ônibus e esgotos, universidades e bombas.

Ponto para Chico: (o papel do Brasil na nova configuração da economia global): (um papel secundário). Ponto contra: o que faz a China e a Índia tão importantes é o tamanho relativo de suas populações. Claro que apenas população não faz nada, pois -como sabemos- a Nigéria será o terceiro país mais populoso do mundo em 2050 e não podemos esperar que ela venha a tornar-se um participante mundial importante nesses anos. Nem nos vindouros: população sem capital humano é pobre, como a brasileira e, como tal, o Brasil.

Ponto para Chico: acrescenta aos Brics a África do Sul. Negativo: descarta-a pelo mesmo motivo: tamanho populacional relativamente à China e Índia. Por aqui ele tem alguns raciocínios que levam-me a pensar que ele atribui excessiva importância para as economias de escala na produção. Estas cada vez tornam-se menos importantes, face aos retornos generalizados (produção, finanças, pesquisa tecnológica, propaganda). Isto explicaria por que a Suíça seguirá oferecendo grande renda per capita a seus habitantes, com tamanhos de território e população diminutos.

Ponto para Chico: "[...] Vargas é o único estadista que o Brasil produziu em seus 500 anos de existência." Ponto contra: não é o único e talvez Lula seja até maior.

Ponto para Zero Hora: "O senhor escreveu sobre o Brasil, em 2003: 'Espera-se que não resolva se autoclonar, perpetuando o ornitorrinco.' O que vai acontecer com esse bicho?"

Ponto para Chico: "Vai seguir sendo ornitorrinco. Não há nenhuma transformação radical na sociedade brasileira à vista. Até onde a vista da ciência social, que às vezes é muito limitada, alcança.[...] O Brasil está acomodado num patamar de capitalismo, e ninguém está insatisfeito. Ninguém reclama mais reforma agrária. [...] Nâo se reclama porque, na sua mesa, a reforma agrária não está mais. [...] Porque o Brasil é o segundo maior produtor mundial de grãos e o primeiro exportador mundial de carnes. Então o capitalismo venceu no campo. Isso é o que nós, de esquerda, temos dificuldade de reconhecer."

Ponto para mim: eu reconheço isto há muito tempo.

Ponto para Chico: ZH indagou: "O capitalismo fez uma revolução agrícola sem fazer uma revolução agrária [no Brasil]?" Chico respondeu: "É, o que é muito comum na história. Foram poucos os países que fizeram reforma agrária, e onde houve reforma agrária sem uma força capitalista por trás, foi um fiasco. A Bolívia fez duas vezes [...]."

Ok. Eu não conheço o suficiente sobre esta questão da reforma agrária. Dizem que foi ingrediente fundamental para os Estados Unidos, a Coréia e Taiwan. Mas conheço sobre a falta de perspectiva para o Brasil: o nó entre povo-que-não-sabe-votar e político-que-não-quer-que-aprenda. Mas talvez a equação de Chico não seja falseada: deram-se bem porque houve outras dezenas de condições de contorno bem atendidas. E já vai me ocorrendo direto outro contra-exemplo: o caso do México. Uma encrenca dos diabos.


DdAB
p.s.: Imagem daqui.
P.S.S.: nota das 22h49min de 13/ago/2012: esta postagem tem recebido pilhas de leitores desviantes da média de acessos diários a este blog. Localizei-a por isto e vi pilhas de comentários de um leitor anônimo. Não respondi pois não vi à época. agora, acho tarde. Ainda assim, decidi passá-la de cima a baixo, corrigindo erros. O que me fez tomar a decisão de reeditá-la (formalmente apenas) foi que cometi um erro, falando em "provisão privada" e não em "produção privada". Lá em cima, agora, lê-se o que minha intenção queria, mas o gesto negou.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Impostos e o Judiciário: tudo a ver

Querido Diário:
Ontem falei novamente sobre impostos e a diferença entre estes e as taxas; e ainda existem as contribuições. Este trio abriga-se sob o substantivo coletivo 'tributação'. Pois bem: diz a p.8 da ZH de hoje que o governador Tarso Genro, no debate promovido pela própria ZH e seus associados televisivos ocorrido no dia 29/set/2011, anunciou:

Nâo aumentaremos tributos. Temos o compromisso de desonerar os impostos das micro e pequenas empresas, em função dos empregos que proporcionam.

Se ontem me queixei que um jornalista-advogado não sabe suficiente direito tributário, que digo hoje de um advogado-político que tampouco sabe essas filigranas? Filigrana ou não, o que devia ser feito pelo poder judiciário, em particular, a justiça eleitoral, era fiscalizar desde o cumprimento da lei do orçamento até o pagamento das promessas feitas nos manifestos eleitorais e mesmo nas declarações dos candidatos aos cargos eletivos (e o próprio judiciário deveria ter seus cargos maiores preenchidos por eleições, não é mesmo?). Nâo é à toa que vivo dizendo que a sociedade brasileira muito se beneficiaria se os estados (, o senado) e o judiciário fossem fechados. No caso desta importante função de arbitragem de conflitos sociais, faríamos um convênio com uma a empresa júnior do centro acadêmico da faculdade de direito de alguma universidade dinamarquesa para, sob contrato, administrar o sistema judiciário brasileiro. Exagero?

DdAB
E a imagem do afamado filme brasileiro veio daqui.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Mais Demagogia sobre Impostos


Querido Diário:
No outro dia, falei da demagogia do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, que tem seu 'impostômetro', listando como imposto até multa e taxa de coleta de lixo. Pois hoje o festejado cronista de Zero Hora, sr. Paulo Sant'Ana, não apenas denuncia a demagogia do sr. Tarso Genro, governador do RGS, mas também faz lá sua profissão de fé na ignorância.

O governador propôs e a Assembleia Legislativa aprovou uma lei ou o que seja permitindo a elevação da taxa de licenciamento de veículos ou o que seja. Vejamos a pergunta retórica de Sant'Ana:

A alegação do governador Tarso Genro de que não descumpriu a promessa eleitoral de não aumentar impostos ao mandar para a Assembleia o projeto de aumento das principais taxas do Detran é graciosa: o governo disse que não se trata de aumento de impostos, é aumenta na taxa de serviços. Isso parece uma piada. Qual a diferença entre imposto e taxa de serviço? [...] Não existe concretamente nenhuma diferença, é tributo pago pelo contribuinte, é eufemismo.

Isto parece piada: terei lido que Sant'Ana é formado pela faculdade de direito, que -portanto- pagou pelos créditos de uma disciplina chamada de Direito Tributário, ou algo nesta linha. Nâo saber a diferença entre imposto e taxa é casca grossa. No caso, há demagogia de Sant'Ana, pois incorpora a campanha de condenar impostos, dada a condenação que se faz dos desmandos dos governantes. Agora mesmo, o mesmo jornal denuncia que o reitor da Universidade Federal Pelotas andou passando a mão (apenas alisando?) uns R$ 10milhões, por meio da compra de um terreno. A solução é a existência de um orçamento universal bem delineado e bem executado.

E é só? Claro que não: esse negócio de governadores brincarem com a ignorância popular (?) de prometer estabilização de impostos e elevar taxas é, claro, demagogia. Parece evidente que governadores, economistas, institutos tributários e jornalistas deveriam saber a diferença, o mesmo não sendo necessário de pedir aos eleitores. Ademais, longe de mim querer defender os mexe-mexes da gestão Tarso. Já li cada uma...
DdAB
p.s.: Com tanta feiúra, pedi ao Google Images: "algo belo" e o que vemos veio daqui.
p.s.s.: imposto como substantivo:
 2.     Transferência compulsória de dinheiro ao governo (no passado, também de mercadorias e serviços), por parte de indivíduos ou instituições; tributo.
 3.     Jur.  Tributo exigido, independentemente da prestação de serviços específicos, ao contribuinte, pelo governo. [Opõe-se, nesta acepç., a taxa (2).] 
p.s.s.s.: taxa:
1.     Tributo, imposto. 
 2.     Jur. Tributo cobrado como remuneração de serviços específicos prestados ao contribuinte, ou postos à disposição deste: taxa de limpeza pública.  [Opõe-se, nesta acepç., a imposto (3).] 
 3.     Preço cobrado por certos serviços; tarifa: Cartas registradas pagam taxa adicional; O banco debitou-me uma taxa pela emissão do talão de cheques.
p.s.s.s.s.: esta primeira acepção não é absolutamente técnica: vem bem como tributo (pela constituição de 1988, há impostos, taxas e contribuições, ou seja, contribuição não é taxa nem imposto, nem imposto é taxa ou contribuição).

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Visita a Tio Sherlock

Querido Diário:
Estamos de visita. Uma sobrinha muito amada, que já morou conosco nas vésperas da viagem a Berlim, volta a passar temporada de médio porte por cá. Ontem, ao chegar da rua, ouvi o ruído característico da máquina de lavar roupa. Hoje, a sobrinha ausentada para uma entrevista na rua, falou-se no mistério de uma roupa lavada presa ao secador de alumínio.

Indagou-se como aquele cobertor cheiroso foi parar naquele varal. Não vacilei: afirmei, sob as penas da lei, que foi a roupa lavada pela garota. Como sei isto? Por que afirmo em voz alta? Seria eu considerado capaz de ler o passado? É, na verdade, o modelo conjetural em ação. Ontem, ao analisar a quebra do vaso (que o leitor jamais saberá se veramente ocorreu, ou saberá?), não mencionei o modelo conjetural do maravilhoso lavoro de Carlo Ginzburg (vai aqui uma comentadora):
http://www.historiaecultura.pro.br/cienciaepreconceito/instrumentos/sinais.pdf
e
www.indiciarismo.net

E tampouco fiz referència ao nice and charming paper de Robert Axelrod:
http://caronte.dma.unive.it/~paolop/ecomp/papers/AdvancingArtofSim.pdf
que diz que, além dos métodos dedutivo e indutivo, crescentemente está surgindo o método da simulação. Muito interessante.

E a moral da história? Temos um desafío de converter as proposições destes tipos de argumentação nos cânones do método hipotético-dedutivo. Ou não temos e seguimos louvando o pluralismo metodológico?
DdAB
Intrigante site deu-nos a imagem: haverá alguém manipulando o carinha?

terça-feira, 5 de junho de 2012

Quebra-se um Vaso (perdem-se R$1.000)

Querido Diário:
Digamos que minha netinha, em seu afã de dominar as formas do mundo, esteja manipulando aquele vaso que chegou-me a casa por meio de algum meio que não nos interessa escrutar. Ok, escrutar é investigar, pesquisar, sondar. Ok, estamos em plena postagem de busca de entendimento (Verstehen) dos métodos científicos. Estamos com duas postagens [(a) e (b), para não falar na (c)] do Bípede Pensante em mente, além de milhares de outras. Estamos com a pergunta: quantos métodos há de gerar conhecimento? E qual subconjunto destes são científicos?

A resposta é muito simples. Há incontáveis métodos de gerar conhecimento, por exemplo -te esconjuro- a tortura. Logo eu falar nisto, que ontem mesmo estava preocupadíssimo com o general que disse que tomaria a liberdade de fuzilar Graciliano Ramos. Só na cadeia! Deixemos este hediondo método no inferno (de onde nunca deveria ter saído) e passemos aos mais conhecidos: dedução e indução. Depois falaremos de abdução.

Atrevo-me a fazer um resumo dessas postagens do B.P.:
.a. a ciência não pode basear-se na indução, pois o salto que se faz para levar o conhecimento conhecido à conjetura de que ele também se verifica num período de resultados desconhecidos é um ato de fé. Como fé rima com café e valência rima com ciência, conclui-se que esta passagem não tem valência, isto é, validade.

.b. a ciência não pode ampliar seu estoque de conhecimento sobre as coisas do mundo por meio do método dedutivo, pois a dedução não gera conhecimento novo: a conclusão já estava dentro das premissas. Obvio que Sócrates é mortal, pois todos os homens são mortais. E se Sócrates não fosse homem? Então o silogismo da forma bArbArA não rolaria.

Então precisamos saber de onde vem o conhecimento científico. Já sabemos: do método hipotético-dedutivo. Ouvi um barulho de vaso de R$1.000 quebrado, vira a instantes a netinha brincando com ele, perscrutando-lhe as formas. Olhei para o ponto de onde supuz estar-se originando a fábrica de caquinhos. Vi frangalhos de vaso de R$1.000; vi bugalhos em lugar dos doces olhos da garota. Ao observar aquelas duas -a bilha quebrada e a menina derreada-, saltou-me aos olhos como que uma caixa de um jogo de quebra-cabeça. Na capa da caixa, vi o vaso como me acostumara a vê-lo, num pedestal. Abrindo-a, vi os caquinhos. Pensei: estes frangalhos dentro da caixa precisam ser armados como a imagem que temos em sua tampa. Pensei: nada isto está acontecendo. Apenas um avô senil deseducaria uma netinha daquelas deixando-a destruir o patrimônio artístico do bairro Menino Deus. Mas a hipótese de que a menina deixara cair o vaso tinha consequências lógicas que me fariam dar sentido ao barulho de vaso escangalhando-se e, mais ainda, ao depósito de caquinhos sobre o tapete de R$1.999. Caso resolvido: a neta quebrou o vaso.

Mas tenho algo a aduzir. Ao pensar mais detidamente sobre o ocorrido, percebi que, no preciso instante em que, despertado de minhas meditações sobre o método científico pelo ruído do vaso ao chão, vi os caquinhos, vi os olhos da menina, mas também vi, porta afora, um vulto das dimensões aproximadas do gato de Schroedinger. Estaria o gato, depois de ter assustado a garota, sendo abduzido por sua zelosa mãe? Que disse B.P.?

É daí que surge a necessidade das hipóteses e consequentemente do método hipotético-dedutivo. As hipóteses são o grande pulo do gato. Elas são os insights, os educated-guesses, os lampejos, como preferirem... São as respostas tentativas (e criativas, frutos do engenho inventivo do homem) para as perguntas que estão nas mentes dos cientistas.Elas são a fonte das novidades que estamos procurando.



E agora? Tenho duas hipóteses: a menina quebrou o vaso versus o gato quebrou o vaso. Não resolve pensar em usar o método abdutivo, pois ele nada mais faria do que insistir em que devemos pensar mais nestas duas hipóteses que explicariam o barulho de bilha quebrada. Pensei em contratar um detetive. Pensei em olhar o site recomendado na postagem do B.P. a que se chega clicando aqui.

Como sabem aqueles que frequentam academias calistênicas (ou que têm consciência corporal qualis A, mesmo sem a mercantilização da beleza), há duas máquinas que se chamam 'adutor' e 'abdutor' e que, embora o movimento das pernas seja o mesmo, digamos abre-fecha, os músculos requisitados são diferentes: um aduz e o outro abduz. Confuso? Ver Webster:

abduce vem do latim abducere, to lead away, to draw from; to withdraw, or draw to a different part

abducens, abducentes one of the abducent nerves [   ] The abducent muscles, called abductors, are opposed to teh adducent muscles, or adductors

abducent to take a person away unlawfully and by force; kidnap (epa, volta o método do general...)

abduction
1. an abducting or being abducted
2. in logic, a knd of aragumentuation, called by the Greeks apagoge, in which the major is evident, but the minor is so obscure as to require a further proof
3. in law, theunlawful taking and carrying away of a child, a wife, etc., either by fraud, persuasion or open violence
4. in physiology, (a) the moving of a part of the body away from the median axis or from another part; (b) the changed position resulting from this.

abductor
1. in physiology, a muscle or nerve which abducts
2. a person who abducts; a kidnaper.

Pois bem, não resisti e pensei em ir ao próprio Webster olhar o que é adduction. Ora, to begin with, aduzir é acrescentar, complementar. Mas e o Webster? Quase meia página:

adduce do latim adducere, to lead or bring to; ad, to and ducere, to lead. to give, present, or offer as a reason or proof, to cite, name, or introduce as an example. Syn - advange, allege, assign cite, quote, bring forward, urge, name, mention

adducent in physiology, adducting, opposed to abducent

adducer one who aduces

adducible, adduceable , cabable of being adduced

adduct adductus pp of adducere, to lead to; in physiology, to mode or pull (a part of the body) toward the median axis or toward another part; opposed to abduct

adduction
1. an adducing
2. in physiology, (a) an adducting; (b) the position (of a part) resulting from adducting
adductive
1. adducting
2.. of adducton

adductor Latim: adducere, to leat to
1. a muscle which adducts, as the adductor of the eye toward the nose; the adductor of the thumb, which draws the thumb toward the fingers
2. in zoology, one of the muscles which bring together the valves of the shell of the bivalve mullusks

addulce: adoçar, epa, acabou, mas acabou docemente... (transcrições feitas um tanto contrafeito/as: muito longas).


DdAB
A imagem é daqui.
P.S.: além disto, lá no site B.P., li mal: todos os mamíferos são cordatos e pensei em adotar um leão. Olhei com mais vagar, pensei que as despesas de casa, comida e roupa lavada para um leão numa metrópole brasileira contemporânea seriam proibitivas. Olhei o dicionário: cordado é um animal que em pelo menos um estágio da vida, ou durante toda ela, apresenta notocórdio. Notocórdio? Pensei: não adotaria um animal que pode apresentar notocórdios aos vizinhos, aos cães dos vizinhos, ao gato que fugia, espavorido com o ruído da bilha quebrada.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Memórias do Graça

Querido Diário:
Li que o chamavam de Graça - Graciliano Ramos. Li coisas várias dele, em alguns momentos de minha vida. Individualizo dois: o final de minha adolescência, digamos que o ano de 1965, e o pós-doutorado em Berlim, na beira de entrar na terceira idade. No final da adolescência, li -juro- São Bernardo, provavelmente Vidas Secas e certamente Insônia. Memórias do Cárcere também é daquele período, só que li os dois volumes (dois em cada) encadernados, de propriedade de meu velho e finado amigo Walter Browne Maia, que o emprestou por meio de seu filho, meu colega for life.

Em Berlim, li pela primeira vez Infância e Caetés (em português, hehehe). Achei por bem, na sequência da qualidade literária de Machado de Assis, reencontrar Graciliano Ramos, outro formalista exuberante, com um português que foi tirado de moda pelo brasileiro. Foi marcante, em estupefaciente contraste com a tentativa de reler Capitães de Areia, de Jorge Amado, que refuguei aos brados. Já no Brasil, segui na saga gracilianesca, com S. Bernardo (pouco lembrava, mas algo ficara), Vidas Secas (claro que lembrava da Baleia e da Sinhá Vitória, dos meninos sem nome, Fabiano, o soldado, o filme). Depois reencontrei Insônia e evocava perfeitamente alguns traços importantes do conto do menino ladrão. Finalmente, cheguei a Angústia e deixei pendente a leitura das Memórias do Cárcere.

Pois bem, decidi ler Memórias do Cárcere neste outono. Já estou adiantado, ele acaba de ficar estupefato com um general que lhe disse: "Eu queria que o governo me desse permissão para mandar fuzilá-lo." Mas o que me trouxe ao blog foi uma reflexão interessante, na linha que costumo fazer, brincalhonamente, com o traço de algumas revistas (e automóveis) lançarem-se ao futuro. Ford 2013 em pleno 2012. Carta Capital da próxima quarta-feira em processo de leitura, jazendo a meu lado neste instante.

O traço que me interessa listar é o seguinte. Em meu exemplar (que, no final das contas, após a morte de Walter, foi-me dado por Adalberto), há uma lista das obras completas do Graça, culminando com as memórias, publicadas postumemente:

.1. Caetés (que li, como falei, em Berlim; tem Luíza na parada): Schmidt: Rio, 1933.

.2. S. Bernardo: Ariel: Rio, 1934 (este andou sendo publicado como São Bernardo e voltou, com a Editora Record, em 2005, a ser chamado de S. Bernardo.

.3. Angústia: José Olympio: Rio, 1936 (doravante, tudo o que falarei é da José Olympio). As Memórias do Cárcere começam no início de 1936 e ele fala que tem um livro em andamento, ou até que tem um livro mal-recebido pela crítica e que, se erro houve, foi de não ter cortado um terço. Não concordo, mas que falou, lá isto falou.

.4. Vidas Secas: 1938.

.5. Insônia: 1947, o livro de contos. Por coincidência, não apenas nasci em 1947, como pude adquirir num sebo porto-alegrense um exemplar desta primeira edição. Não sou dado a valorizar as raridades literárias, mas que tenho esta, lá isto tenho.

.6. Infância: 1945. Por que será que está listado depois daquele de 1947? Meu exemplar, também da Record, não tem data, podendo-se jurar ser posterior a 1980, quando morreu Octávio de Faria, que fez um posfácio.

.7. Memórias do Cárcere (obra póstuma): 1953.

Resumo: na listagem das minhas Memórias do Cárcere, são sete e apenas sete as obras completas de Graciliano. Por que sustentar esta tese? Porque precisamente no primeiro capítulo, página 8, paragrafão iniciado na p.7 com "O receio de cometer indiscrição [...]", lá para diante diz: "Estou a descer para a cova, êste novelo de casos em muitos pontos vai emaranhar-se, escrevo com lentidão - e provàvelmente isto será publicação póstuma, como convém a um livro de memórias." Quero dizer: muito provavelmente, não foi ele que deu a forma final ao que de resto veio. Analogias ao segundo volume do Capital (Engels) e o terceiro (Kautsky). Quem é mesmo o autor dessas obras?

Que nos diz o exemplar de S. Bernardo que terminei de ler às 0h15min de 31/jan/2008?

Caetés, 1933, ok.

S. Bernardo, 1934, ok.

Angústia, 1936, ok.

Vidas secas, 1936, ok.

A terra dos meninos pelados. Porto Alegre: Globo, 1939. Epa I: por que minha edição não o registra na contracapa da folha de rosto?

Histórias de Alexandre, Rio de Janeiro: Leitura, 1944. Epa II: também em plena vida do Graça.

Dois dedos. Começa a confusão: no site que citarei abaixo, ele não consta das 12 obras que por lá se listam. No meu exemplar da Record, fala literalmente: "Dois dedos. Ilustrações em madeira de Axel de Leskoschek. R. A., 1945. Conteúdo: Dois dedos, O relógio do hospital, Paulo, A prisão de J ?Carmo Gomes, Silveira Peereira, Um pobre-diabo, Ciúmes, Minsk, Insônia. Um ladrão." Pois bem, este troço é mais ou menos o Insônia, lá dos meus meados dos anos 1960s. Olha agora o que lá diz (agora, digo, agora, estou com o livro de 1997 da Record): Insônia, Um ladrão, O relógio do hospital, Paulo, Luciana, Minsk, A prisão de J. Carmo Gomes, Dois dedos, A testemunha, Ciúmes, Um pobre-diabo, Uma visita, Silveira Pereira. Em outras palavras, que diabos é este R.A? [A internet mostrou-me o seguinte: "Mário de Andrade publicará em 1935 esse mesmo ensaio sob o título “O Aleijadinho e sua posição nacional”, no livro O Aleijadinho e Álvares de Azevedo. Rio de Janeiro, R.A. Editora." Talvez seja a mesma. Ver aqui.

Infância (memórias): tudo nos conformes.

Histórias incompletas. Rio de Janeiro, Globo, 1946. Tempo de vida do Graça, mas ausente de minha primeira fonte.

Insônia. Rio de Janeiro: José Olympio, como já sabemos, 1947.

Memórias do Cárcere, ok.

Viagem. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954 (ou seja, após a morte de Graça e um ano após as Memórias do Cárcere).

Contos e novelas (organizador). 1957, Rio de Janeiro: Casa do Estudante do Brasil. Afinal, não era autor, não era? Organizador post mortem?

Linhas tortas. São Paulo: Martins, 1962.

Viventes das Alagoas. Quadros e costumes do Nordeste. Sáo Paulo: Martins, 1962.

Alexandre e outros heróis. São Paulo: Martins, 1962.

Cartas. Rio de Janeiro, Record, 1980.

Cartas de amor a Heloísa. São Paulo: Secretaria Municipal de Cultura, 1992.

O estribo de prata. Rio de Janeiro: Record, 1984.

DdAB
Num dos livros tem o site: www.graciliano.com.br, onde aprendi que a sinalética que apresento acima não está 100% de acordo com o futuro. Que futuro. Tinha que conferir tudo no site citado. Quando me meterei em algo que não vire confusão?

P.S. de 8/jan/2014: este site, muito maneiro, é maravilhosamente maneiro, como eu disse:
http://www.vidaslusofonas.pt/graciliano_ramos.htm
e uma lição para fazermos no br sites igualmente maneiros. E, vi há pouco, por razões vãs, que ele fala no 'Graça', dando-o como um fait accompli.

domingo, 3 de junho de 2012

Alguma Coisa Errada na Roupa do Rei

Querido Diário:
Se, por rei, podemos entender mesmo o ex-ministro da justiça e milionário sr. Márcio Tomás Bastos, seremos forçados a concluir que exageraram aqueles que disseram que ele iria receber R$ 16milhões para defender (calar, hehehe) o sr. Charles Falls. Diz a Carta Capital que recebi ontem e que tem data da próxima quarta-feira que eram apenas R$ 15milhões. Mas diz algo mais, algo que faz com que o cidadão invejoso ou apenas o altruísta pense que nem tudo está perdido.

O Ministério Público indagou de onde vem aquele dinheiro. Parecia que o Cachoeira tinha apontados no imposto de renda ganhos de R$200mil anuais. Como poderia ter um patrimônio que lhe permitisse contratualizar esssas 15 vezes a renda de um ano? Tem que explicar.

Parece óbvio: de onde tiram dinheiro os advogados de porta de cadeia? Os melhores estão no crime, na defesa tributária, em estratosféricas questões de fusões e aqusições. De onde vem o dinheiro? Tinha o tal ministro do supremo que se aposentou e, ato contínuo, começou a defender um dos maiores traficantes das quatro linhas. Parece que li na Veja, saberia evocar o nome, dado o incentivo mnemônico adequado.

Aliás, também a mim, pessoalmente, deve explicações o dr. Bastos sobre as razões que o teriam a aceitar defender as causas de todos os clientes que o procuraram em seus festejados 50 ou 60 anos de carareira. E terá escapado algum que ele declarou-se impedido, por falta de tempo, por falta de abcz, por excesso de wxyz. Tá na hora da transparência, não é? Então quero saber. Como é que faz?

DdAB
p.s.: imagem daqui.
p.s.s. na linha da importância da industrialização para promover a modernidade, não posso deixar de indagar-me se computadores fazem processos judiciais ou se, ao contrário, advogados é que os fazem.
p.s.s.s.: todos têm direito de defesa. mas tá na cara que quem vai usar recursos do crime para pagar o advogado de defesa deve ter este dinheiro apreendido e devolvido à vítima e receber assistência judiciária gratuita.
p.s.s.s.s.: a impunidade grassa por todos os cantos. costumam falar que o brasileiro não respeita fila. e sempre achei ridículo este argumento, pois o problema não é bem o furo na fila, mas o furo nas burras governamentais.
p.s.s.s.s.s.: a proposição "alguma coisa errada na roupa do rei" é uma proposição científica, no sentido de que pode ser corroborada, com o que pode não ser falseada. No caso, sabíamos que esta CPI ia ser uma palhaçada, pois os deputados se enrustiram no trabalho da polícia, em busca de holofotes. A tática dos réprobos em nada declararem (sob inspiração do magistral causídico) serve para corroborar o que sugeri ex ante, o que lhe dá caráter científico. E se todo mundo tivesse falado tudo direitim? Teríamos chegado na democracia e faltaria apenas investigar a origem da riqueza do dr. Bastos himself.

sábado, 2 de junho de 2012

Os Impostos no Brasil: falta seriedade no IBPT

Querido Diário:
Existe uma verdadeira farra quando o assunto é tributação no Brasil. Por um lado, o governo cobra impostos indiretos em níveis muito superiores àqueles da conveniente punição à produção de bens de demérito (por exemplo, mais de 80% sobre o consumo da cachaça). Com isto, provoca distorções no sistema de preços relativos de tal magnitude que só pode corromper a distribuição da renda. Por outro lado, se não me é favorável falar em demagogia, falarei em retórica para descrever o serviço que o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário IBPT presta ao país. Mas é uma retórica que foge aos cânones razoáveis.

A informação sobre o consumo de cachaça que acabo de referir origina-se do site desse instituto (aqui) a que cheguei por causa de uma postagem que encontrei (aqui), remetido que fui d(aqui). Diz lá a macacada do IBPT:

O Impostômetro considera todos os valores arrecadados pelas três esferas de governo a título de tributos: impostos, taxas e contribuições, incluindo as multas, juros e correção monetária.

Quer dizer, eu sempre suspeitei que esse blim-blim-blim de 35%, 40%, 50% de impostos sobre a cacunda do brasileiro era bafo. Está aqui a confissão: neles se incluem as taxas, como a da coleta do lixo. Por que o governo cobra para coletar o lixo urbano? Pois -ensina-se no primeiro semestre da faculdade- o mercado falha na provisão deste tipo de serviço: caroneiros não iriam pagar, alegando que de sua casa não sai lixo... Então colocar este tipo de gasto como 'imposto' já é exagero. Ademais, colocar multas sobre impostos atrasados como impostos também é estranho.Se quisermos meter este tipo de cifra no cálculo da receita governamental, já teremos também que enfiar as doações, comuns na Porto Alegre de outrora, de pessoas doarem casas à UFRGS e à Santa Casa de Misericórdia. Claro que isto nã estaria aumentando o peso do estado na economa, né, meu?

A fim de campear a informação que me angustiava sobre essa balela tributária do IBPT, andei por aqui e por ali em seu site e -além da confissão lá de cima- achei algo interessante, mesmo com a metodologia lá deles. Fiz uma simulação com 'salários' de pobres e de ricos. Torna-se claro que aquela alíquota que eles calculam -e que já chegou a 45% do PIB- é uma média aritmética ponderada. E quem ganha R$1.000 por mês paga 9,99% deste valor em imposto de renda. Ok, pois quem ganha R$30.000 (juízes? só trintão?) vai pagar 17,31%. Ainda assim, até o imposto de renda e sua aliquotazinha marginal de 27,5% tem progressividade rastejante no país da desigualdade tributária e do arauto enviesado. O ricaço que ganha modestos R$ 15.000 pagará 16,63%. E aquele que 'retira' R$250.000 (como li que o sr. Márcio Tomás Bastos teria declarado ganhar de seu escritório de advocacia lá naqueles tempos) paga 18,78%.

Série de rendimentos:
R$ 1.000; R$15.000; R$ 30.000; R$250.000; R$1.000.000
Série de impostos sobre os rendimentos:
9,99%; 16,63%; 17,31%; 18,78%; 18,93.
Ou seja, o imposto sobre a renda é mesmo progressivo, mas é baixo tanto no nível (10 a 19%) quanto na evolução (6,64% no primeiro caso e apenas 0,25% no último).

Também é interessante fazermos outro exercício com os dados do consumo, evidenciando a regressividade total (diretos + indiretos) do sistema tributário brasileiro (entendendo 'tributo' como este negócio de mensurar até a arrecadação da taxa da coleta do lixo e dos esgotos urbanos. Cada uma...). Peguei o sr. Pobretão (R$1.000), gastando R$100 em cada item indagado pelo IBPT. E o Juiz (R$30.000) gastando os mesmos R$100 da outra família. Ambos tiveram um gasto total de R$700 por cada, como diriam os suinocultores. E aí o próprio IBPT mostra a regressividade: o pobre paga 22,50% de sua renda em impostos sobre o consumo, ao passo que o ricaço paga apenas 0,75%. Mas, claro, este não é o ponto que o IBPT deseja destacar, ele não quer reforma do sistema, o que é uma daquelas reformas democráticas que conduzem ao socialismo. O que ele quer? Acho que é diminuir o tamanho do governo medido pela receita, o que se faz acompanhar pelo tamanho medido pelo gasto. Parece óbrio que um juiz e um deputado ganharem R$30.000 é um escárnio. Mas parece óbvio que não haver juízes e deputados é um despautério.

Tudo isto aponta para a seguinte moraleja:
.a. uma forma de castigar os pobres no Brasil seria aumentar-lhes a renda, o que os levaria a trabalhar para o governo mais dias por ano.
.b. uma forma de beneficiar os ricos seria acabar com os impostos indiretos sobre a cesta de consumo das famílias.

DdAB

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Condições Iniciais: questionamentos

Querido Diário:
Depois de 1.000 postagens, começa tudo novamente, começo a confrontar as condições iniciais, tudo novamente? Difícil responder, esta é a verdade. Verdade? Que é verdade? As condições iniciais que geraram o universo conhecido explicam necessariamente o surgimento da vida, o surgimento de entes que clamam por verdade, por justiça e por paz?

Seriam as moléculas que se autorreproduzem inevitáveis? Sua probabilidade é zero? É próxima de zero? Mas autorreprodução não é suficiente para permitir-nos existir (nós, quero dizer, os meninos de rua e os reis europeus), pois também se fizeram necessárias incontáveis mutações. Era certo que aquele tipo de molécula autorreprodutível iria experimentar mutações? Que é certeza, a propósito?

Qual a probabilidade de jogarmos um dado e termos zero como resultado? Que tipo de evento seria este? Se, mesmo sabendo que não faz sentido, eu jogá-lo, estarei confrontando meu destino? Ou estou confrontando uma afirmação solipsística de que era evidente que eu o lançaria, mesmo com a probabilidade nula de ver a face zero? E de que importa que eu creia, digamos, que a evolução das espécies baseia-se em mutações e mutações e mutações? Haverá uma verdade, independente de minha crença: ou houve aleatoriedade ou não houve. E fim. Fim?

DdAB
Imagem: blog interessasnte aqui. Com uma canção intrigante.