quinta-feira, 31 de maio de 2012

Planeta 23 a Mil (10^3 Postagens)

Querido Diário:
Ontem foi dia de festa, comemorações pela milésima postagem. Tudo simbólico, hoje explico. Hoje é dia de noticiários sobre as comemorações de ontem. Fiz uma postagem mais circunspecta do que a média das indiscretas. Volta e meia faço estas comemorações por aqui. Lembro, por exemplo, da postagem 400 e da 700, em que fiquei impressionado com estas cifras. Mas, desde a 700, passei a sonhar com a de ontem, ou seja, a de número 1.000.

Na verdade, mesmo aqui este Blogger/Google, fiz mais de 1.000. Primeiro: retirei todas as postagens feitas entre setembro e outubro de 2008. Além disto, tem todas as do UOL (ainda no cyberespaço) e as do dot/pro, ou seja, o site que tive em sociedade com o prof. Adalmir Marquetti e que caiu no olvido, ainda que eu tenha cópia de tudo o que fiz e um dia venha a colocar no "Google/Documents".

Naquele novembro, mostram as estatísticas, fiz 34 postagens, ou seja, para um mês de 30 dias, excedi-me. Lá naquele novembro, tem uma postagem que reputo das mais interessantes e que se torna um tema recorrente para mim: as universalidades observadas entre todas as culturas humanas. Seja como for, ao pensar em qual foi a mais interessante postagem, veio-me à cabeça (spur of the moment) a postagem sobre a impressão em 3D. E há milhares de outras, epa, epa, talvez dezenas de outras. Dezenas? Digamos que 21. Um dia vou listá-las.

Então, considerando que cada postagem tem, em média, o dobro do que está digitado até 'média', tivemos:

palavras: 500.000
signos: 2.500.000
toques: 3.000.000
parágrafos: 8.000
linhas: 46.000

Seriam 35 dias e noites apenas digitando. Tudo pensando em:
.a. divertir-me
.b. divulgar virtudes da sociedade igualitária.

Talvez volte a comemorar cifras menores, mas certamente farei um fuzuê com a postagem 10.000.
DdAB
parece que o gol 1000 nem precisaria ter citada a fonte, que veio daqui.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Adeus às Armas (é mesmo?)

Querido Diário:
Nos dias que correm, lava-se dinheiro em lavanderias, como de hábito, mas também há conversa de lavadeiras entre qualificados jornalistas e o PhD Gilmar Mendes. Toda a questão, e rima, tem a ver com o Mensalão. Na condição de fundador do MAL* - Movimento pela Anistia aos Ladrões Estrela, não posso deixar de dar meu pitaco: vamos esquecer o Charlie Falls, o Inocêncio de Oliveira, o José Sarney, toda essa macacada. O MAL* propõe vida nova a partir do exerecício orçamentário de 2013: zerar o passado para termos um futuro decente. As transferências patrimoniais -legais ou não- realizadas até 31/12/2012 seriam taxadas com o imposto de renda e o imposto de transmissão de bens. O imposto sobre as grandes fortunas também começaria a rolar (afinal, não haveria necessidade de dar-lhes às fortunas, um fim socialmente útil?).

O MAL* nunca escondeu que seu grande objetivo é a paz. Sabemos que os good guys desejamos a paz e que a terra dos crimes só funciona quando há good guys a serem predados. Mesmo os bandidos -indivíduos anti-sociais por índole ou sociopatia- que conseguem manter razoável grau de racionalidade na regência de seu processo de escolha- beneficiam-se da sociedade pacífica. Mas devem ser, a partir de 1st/jan/2013, monitorados para não infectarem excessivamente o pedaço.

Por contraste, o povo armado pode começar a caçar os gangsters, dado seu desencanto (de parte a parte) com o status quo. Uns não veem justiça, outros veem oportunidades lucrativas. Quais as armas caseiras? Os afamados coquetéis molotov e as garruchas de cano de guarda-chuva. Os profissionais assiciam o tráfico de drogas com a ladroagem em geral e o tráfico de armas. As armas ilegais são tão perigosas quanto as drogas ilegais. E a solução no primeiro caso é a repressão, ao passo que no sesgundo o golpe no tráfico começa com a monopolização da oferta (distribuição gratuita) por parte das autoridades sanitárias (comunidade ou governo).

DdAB
p.s.: imagem deste belo blog. Só que a imagem é uma gárgula oxfordiana, tanto quanto minhas retinas tão fatigadas podem identificar. E a usei para comemorar a postagem número 1.000 = 130 + 291 + 268 + 248 + 63.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Reputações Ilibadas

Querido Diário:
Quatro próceres da república têm reputação ilibada, como requer o exercício dos cargos: presidente, ministro disto e ministro daquilo: Lula, Márcio Tomas Bastos, Nelson Jobim e Gilmar Mendes. Tanto é que três deles envolveram-se num bate-boca de fazer corar cavalo de estátua equestre (a que ainda terão direito, se não escrevo por linhas tortas). O quarto, ao contrário, celebrizou-se nos dias que correm por recomendar mutismo a seu cliente, o sr. Charles Falls.

Cacheira foi ministro da justiça, digo, Márcio é que foi e Cachoeira seguiu por lá seus cursos dágua, se não me faço piegas. A altercação entre Lula e Jobim versus Gilmar é de amargar. Diz-que-diz associado aos dois grandes eventos da nacionalidade contemporânea: o julgamento de um processo de corrupção e nada mais nada menos do que... outro. Fora os outros milhares que estão na retaguarda e outros milhares que ainda não despontaram.

De tudo o que mais me deixa acamado é o do ministro Sticks. Disse-me o jornal um dia destes que ele foi contratado pelo sr. Falls por R$ 16 milhões para defender-se, digo, defendê-lo, sei lá. Eu me defenderia galhardamente com estes milhõezinhos. O ponto é velho e começou com a filosofia do menino de rua. No caso, a questão nem é tanto que o menino de rua não tem o direito de estar na rua, mas -ao contrário- ele tem o direito de não-estar na rua. Tinha que ter uma sala de aula para ele, essas coisas. No caso do sr. Sticks, o caso é o mesmo: não que o sr. Carlos Cachoeira não tenha o direito de ser defendido, mas o ex-ministro da justiça também teria o direito de não defendê-lo. Quantos casos chegaram-lhe às mãos e ele passou a bola? Quantos milhões, quantos milhinhos?

DdAB
p.s.: esta foi a primeira imagem que o Google ofereceu-me quando pedi: "agatunados".

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Impostos: bons, médios e maus

Querido Diário:
Primeiro, o nome "imposto" foi escolhido, na língua portuguesa, para indicar que esta transação não é "voluntária". Quem não paga, quando deve, é criminoso. Nem todo criminoso vai para a cadeia, mas também podemos expandir o modelo para tratar de criminosos que criam impostos abstrusos. O bom imposto é aquele que reduz o consumo de bens de demérito. O mau é aquele que distorce toda uma cadeia produtiva de bens regulares ou de mérito. Médio é aquele que tem impacto distorcivo mínimo e existe apenas para marcar a presença, fazer fundos para o orçamento público. Claro que este é facilmente conversível em "mau".

Segundo, o imposto pode ser direto ou indireto. Os indiretos, dado o que foi mencionado acima, devem ser parcimoniosos, pois distorcem os preços das mercadorias. Claro que eles podem ser usados para penalizar o consumo de algumas, como a cachaça e a cocaína. E se pode usar o imposto negativo (subsídio), a fim de expandir o consumo de algum bem de mérito (livros, academias calistênicas).

Terceiro: a parte substantiva da receita pública deve originar-se nos impostos diretos, especialmente, o imposto de renda, mas não desprezar os impostos sobre transmissão de heranças e sobre o patrimônio. Tudo tem sua polêmica, alguns dizendo que o imposto de renda crowds out o trabalho, o que não é aceito como sensato por muita gente. Outros dizem que o imposto sobre transmissão de bens ajuda a nivelar as oportunidades de agentes de diferentes gerações. Tudo se diz. E se vota. Eu voto na sociedade igualitária.

Parece que estava na agenda do governo mexer no problema dos impostos brasileiros. Parece? Quando não esteve? Fala-se agora que vai-se mexer no PIS-Cofins, algo assins. Parece óbvio que tem que reduzir mesmo. Anular, zerar. Estes milhares de impostos distorcivos têm tido vida longa e, como tal, envenenado o sistema de preços brasileiro e, como tal, a distribuição da renda!

Era para resolver? A vergonha agora volta-se aos ombros do segundo nível da sanha do aumento arrecaatório, haja o que houver. No caso, são governantes dos estados querendo uma beirada do ICMS (a ser criado) sobre as transações da Internet. Só fechando os estados! (E, por via de consequência), o senado.

DdAB
imagem aqui.

domingo, 27 de maio de 2012

Racionalidade: vira e mexe e cai na... racionalidade


Querido Diário:
No segundo semestre do ano passado, li a terceira edição (já lera a primeira) do livro de Ronaldo Fiani sobre teoria dos jogos. No capítulo 1, ele -livro/autor- tem uma seção dando um cursinho de teoria da escolha racional. Na seção seguinte (já na p.31), vemos uma justificativa interessante sobre o poder do postulado da racionalidade que, se bem lembro, aprendi no velho livro de Frederick Scherer sobre economia de empresas. Diz Fiani:

[...] às vezes, a hipótese da racionalidade não basta para determinar o que os jogadores irão fazer: é preciso considerar o contexto social e cultural em que se encontram, para podermos analisar seu comportamento. Em outras palavras, algumas vezes a racionalidade somente é exercida em um dado contexto de regras sociais ou de valores culturais. (sic)

Quando li isto, evoquei que -nos tempos em que fui motorista no Reino Unido- não apenas costumava dirigir pela esquerda como também -most peculiar- respeitava as faixas de segurança e todas as demais regras de trânsito de maneira muito mais escorreita do que o faço por estas bandas. Ou seja, as regras sociais e os valores culturais atiçaram minha racionalidade no sentido de cumpri-las, ou pagar mais caro pelo crime de não fazê-lo. Dependendo do contexto (regras e valores), o que é racional é agir de tal ou qual maneira que, mudado o contexto, não seria racional. Mas o importante é que agir assim ou assado não contexta o famoso postulado, apenas emoldura-o como poderoso instrumento para a construção das teorias nas ciências sociais. E, claro, ele é apenas um postulado e não uma pulverização sobre todas lavouras.
DdAB
Imagem: abcz. Se, vira e mexe, caímos no elogio da potência do postulado da racionalidade, isto implica necessariamente que ele é bem representado pelo Uroboro, como lá em cima.

Nâo entendo nada do assunto. A imagem 2 parece-me mais de acordo com o registro jungiano e esta final evoca o 'golden braid', de Roger Penrose.

sábado, 26 de maio de 2012

Falhas: de mercado, de estado, de comunidade

Querido Diário:
Lendo a Boston Review por indicação do LeoMon (here, there & everywhere), fiquei viajando nesta história de que mercados falham, estados falham e comunidades falham. O poder de monopólio concedido, por exemplo, à indústria pelo estado já acumula duas falhas em um só exemplo (a perda de bem-estar devida ao monopólio). A falha de comunidade que mais me agrada são os linchamentos, quero dizer, you know, justiça pelas próprias mãos... Então como é que faz? A solução, dado o atual estágio evolutivo do planeta, é criar uma combinação razoável entre seus respectivos poderes de, digamos, fogo.

O Sandel dá um exemplo avassalador: mercado não serve para compra e venda de amizades (mercados ausentes). E o Gintis responde: há muito tempo que sabemos que tem que proibir certos mercados, como o de escravos (bens de demérito). Como em quase tudo o mais, os políticos brasileiros figuram com destaque: compram 'lealdades' e são donos de escravos. Mas a questão que me prende agora é outra: qual a combinação ótima entre mercado, estado e comunidade? 33% para cada?

Gintis dá uma linda resposta traduzível como: "não sei." Olha:

We do not have a complete theory of when the exchange of valuable entities is best left to the market and when it should be regulated by other mechanisms, such as social norms or laws. But the notion that economists have nothing important to say about this is absurd. For instance, most economists, based on the costs and benefits of prohibiting the sale of recreational drugs, have favored regulation and decriminalization for a long time—a view that is just now becoming popular in the United States.

E ainda manda ver com a citação lá do LeoMon:

By focusing on the marketability of particular things, Sandel misses the larger effect of an economy regulated by markets on the evolution of social morality. Movements for religious and lifestyle tolerance, gender equality, and democracy have ourished and triumphed in societies governed by market exchange, and nowhere else.

Deixando de lado pilhas de questões relevantes sob o ponto de vista de meu marcador 'economia política', dou um passo adiante no marcador TER Equilíbrio. Falo da teoria da escolha racional e da montagem das teorias. Acho que uma chave fundamental é dizer apenas: calcula o benefício e o custo de cada instância de agregação de preferências sociais (nomeadamente, se não redundo, mercado, estado e comunidade) para a provisão de cada bem ou serviço específico. O que der maior diferença é o adotado. Ou melhor, não é 100% isto, mas é parecido.

Finalmente: destaca-se o papel das teorias científicas. Temos um problema importante, por exemplo, saber se a produção de serviços penitenciários deve ser via mercado ou via estado. Precisamos de uma teoria que ilumine a tomada de decisão.

DdAB
p.s.: Por outro lado, a crítica do Gintis me pareceu mais mal-humorada do que a do Bowles.
p.s.s.: lobo e cordeiro daqui
p.s.s.s.: por estas e outras é que andam acusando-me de ser "austríaco", por seguir essa galera. Se fosse apenas isto, não era nada, hehehe.
p.s.s.s.s.: hai-kai do dia:
Por sinal, 
para ter saúde animal,
fique de olho no código florestal.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Riqueza em Favor de Todos

Querido Diário:
Hoje é o "Dia da Indústria". Como é que sei isto? Na p.17 de Zero Hora tem um artigo de Heitor José Müller, presidente da Federação das Indústrias do RGS comemorando a(s) efeméride(s). O título de minha postagem reproduz-lhe as últimas palavras. Lamento não poder transcrever todo o artigo, o que é o maior argumento que já vi na linha de que "o computador não faz o engenheiro". Mas vejamos, ainda no primeiro parágrafo:

A data chama a atenção também para nossas próprias limitações, devido pricipalmente à ainda baixa qualificação profissional, que dificulta um desenvolvimento mais harmônico, em condições de assegurar melhor qualidade de vida para todos.

Na linha das formalizações que tenho exercitado nos últimos dias, não posso deixar de registrar o sistema de duas equações:

MQVT = f(DMH)
 DMH  = g(-BQP).
onde MQVT é 'melhor qualidade de vida para todos', DMH é o 'desenvolvimento mais harmônico' e BQP é a 'baixa qualificação profissional'.

Parece inegável: computador não faz engenheiro. Engenheiro não se faz na fábrica, mas na escola. Se o governo, olvidando corromper-se a cambio de vil metal, tomar a si a tarefa de produzir bens públicos e bens de mérito, então teremos notas de empenho para a produção das escolas e, com elas, os engenheiros e, com eles, rompemos com a baixa qualificação profissional e, com o rompimento, alcançamos o desenvolvimento mais harmônico e, com ele, chegamos na melhor qualidade de vida para todos. A produção de riqueza em favor de todos. Não é, não?

DdAB
imagem: tomara que seja um ator contratado, que tirei daqui.
p.s.: Parece claro que, seguindo os ditames aprendidos com o curso de epistemologia do blog Bípede Pensante, estou buscando o abrigo das teorias científicas para este tipo de tese. Por exemplo, o sistema biequacional da postagem de hoje é perfeitamente trabalhável econometricamente. Trata-se do modelo hipotético-deditivo em ação. Aceita a hipótese (modelo teórico) do presidente da Fiergs (n.b.: sobrou um 'e' aqui), trata-se de (o que não faço aqui) conceber um modelo empírico para estimar-lhe os parâmetros (modelo experimental) e testar os resultados com os fatos colhidos na realidade realmente real.
p.s.s.: Que quero dizer com "o governo, olvidando corromper-se a cambio de vil metal"? Primeiro, evoco a canção "a cambio de mi pobreza". Mas não é isto. Vizinha do artigo o sr. Müller, localiza-se a coluna de Carolina Bahia. Ela tem um drops, como se dizia lá no tempo antigo: "Pânico. Petistas próximos ao ex-presidente Lula não querem ouvir falar na quebra de sigilo da Delta nacional. Em conversas revervadas, reconhecem que a investigação da conexão com os [e]stados será uma bomba, atingindo planos eleitorais de muita gente." Ok, só que, no jornalismo investigativo, saberíamos quem são os petistas (todos, alguns?). Conversas reservadas com quem? E quem seria a gente cujos planos eleitorais seriam atingidos pela investigação desta empresa transferida ao Rio de Janeiro sete anos antes do nascimento de seu fundador?
p.s.s.s.: na p.2, a crônica semanal do jornalista David Coimbra tem dois aspectos interessantes:
.a. diz que Nelson "Mandela assumiu [a presidência] e, em quatro anos, convenceu um país inteiro de que era preciso renunciar à vingança e, às vezes, à justiça, para viver em paz." Caiu-me a ficha: é isto o que penso deste negócio de revisar a lei da anistia. Justiça e paz: eu nunca pensara nisto, em qual a lexicografia. Para Rawls, a liberdade tá na frente da igualdade. Acho que justiça x paz tem a ver com o que fazer com o passado, o que -obviamente- pode comprometer o bem-estar presente, mas, ao mesmo tempo, pode evocar sentimentos de vingança.
.b. e que houve um "rapazote que havia sido preso por furto" e que foi "humilhado" por "uma repórter de TV da Bahia". E que -eu mesmo li isto no jornal- "os parlamentares de Brasília humilhando Carlinhos Cachoeira numa sessão da CPI". Eu sempre disse que esta CPI é uma palhaçada. Mas agora digo mais: se o advogado do sr. Charles Falls lhe recomenda obstruir a justiça, quem deveria ir para a cadeia seriam:
b.1 os deputados themselves
b.2 o dr. Márcio Tomás Bastos.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Bowles e a Industrialização Precoce

Querido Diário:
Bem sabemos quanto admiro o livro de microeconomia de Samuel Bowles, que -no outro- dia passei o link para quem quiser lê-lo em espanhol, da Universidade de los Andes. Nem sei se deixei bem claro que há anos deixei outro link para a versão em italiano, na Universidade de Siena. nas p.3-4 do livro em inglês, consta o parágrafo que abaixo transcrevo da edição em espanhol.

La obra de Sokoloff y Engerman (2000) sugiere la constante importancia de las instituciones en relación con un análogo revés de fortuna del Nuevo Mundo. Estiman que en el año 1700 el ingreso per cápita de México era aproximadamente el de las colonias británicas que se iban a convertir en Estados Unidos, mientras que Cuba y Barbados tenían de nuevo al menos la mitad de riqueza. A finales del siglo XVIII Cuba tenía ingresos per cápita ligeramente mayores a los de Estados Unidos y Haití, probablemente era la sociedad más rica del mundo. No obstante, a inicios del siglo XXI el ingreso per cápita de México era inferior a un tercio del de Estados Unidos y el de Haití era aún menor. En una serie de documentos, Sokoloff y Engerman suministran la siguiente explicación.5 En partes del Nuevo Mundo en las que se podía cultivar azúcar y otros plantíos (Cuba y Haití) o en los cuales los minerales y el trabajo indígena era abundante (México), las elites económicas contaban con mano de obra en garantía o esclavos y consolidaban su poder y privilegios materiales por medio de instituciones altamente exclusivas. Estas instituciones restringían el acceso de los menos favorecidos a la escolaridad, tierras públicas, protección de patentes, oportunidades empresariales y participación política. En consecuencia, durante los siglos siguientes, incluso después de la desaparición de la esclavitud y de otras formas de trabajo forzoso, las oportunidades de ahorro, innovación e inversión fueron monopolizadas por los más prósperos. Él alfabetismo permaneció bajo y la tenencia de tierras estaba altamente concentrada. Como la fuente de riqueza cambió de la extracción de recursos naturales a manufactura y servicios, estas economías altamente desiguales se estancaron mientras que las economías mucho más inclusivas de Estados Unidos y Canadá crecieron rápidamente. El modo en que sus instituciones menos exclusivas contribuyeron al éxito de estas economías estadounidenses sigue siendo obscuro, pero una hipótesis plausible es que el acceso más amplio a la tierra, las oportunidades empresariales y el capital humano estimularon el crecimiento.

Aquele negócio de alfabetismo deve ser analfabetismo em português, pois em inglês é 'low literacy'. Lá no tempo antigo, houve discriminação contra os pobres, sendo estes impedidos de acessar a escolarização, as terras públicas, a proteção das patentes, as oportunidades empreendedoras e a participação política. Daí, os melhores-de-vida é que aproveitaram as oportunidades de poupar, inovar e investir. Eu sempre disse que a poupança dos ricos é o sacrifício dos pobres. E Kalecki falava aquela coisa de que os trabalhadores gastam o que ganham, ao passo que os capitalistas ganham o que gastam.

Mas tem mais Bowles. Diz ele que, como resultado desse quadro que quotei em português, que as fontes da riqueza se deslocaram da extração de recursos naturais para a indústria de transformação e os serviços, estas economias altamente desiguais estagnaram, ao passo que as economias muito mais inclusivas dos USA e Canadá cresceram rapidamente. Ou seja, ele está afirmando que recursos foram transferidos para a transformação e os serviços (digamos, material de transporte e estradas de ferro). Ponto para a indústria (e as ferrovias inglesas ligando as lavouras de café). Mas não está afirmando que o problema ocorreu porque os recursos sumiram da indústria. E sim que uma hipótese plausível para contrastar o ocorrido é que nas economias portadoras de instituições menos excludentes (IME)  houve acesso menos restritivo à terra (AMRT), às oportunidades empreendedoras (OE) e o capital humano (CH). Onde é que está o papel da indústria? Onde, onde? Parece que a formalização agora é (com g sendo a taxa de crescimento da economia):

g = g(IME, AMRT, OE, CH)

com funções de funções implícitas. Obviamente, dg/dIndústria = 0 neste modelo. Só seria positiva, como diria um exímio jogador de snooker, por tabela. Claro, se cresce o PIB, tudo cresce, inclusive a indústria de transformação. A menos que as importações se tornem mais baratas do que o similar nacional.

Parece que Bowles e sua dupla (Sokoloff e Engerman) acham que é mais fácil um ser humano fazer um moinho de trigo (ou milho) do que o moinho fazer o ser humano. Capital humano é a diferença, pois ele faz também as instituições. Que, no caso, podem contribuir para fazer o capital humano de volta. Qual a causa de termos tão maus políticos? A falta de educação do povo. E a causa da causa? Claro que os políticos ladrões, ou seja, todos.

DdAB
e o artigo deles está aqui. e eu pensei que todo o JEP fosse grátis. vou tentar campeá-lo.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Explicações Chinesas (ouvi contar)

Querido Diário:
Numa postagem do dia 20/maio, LeoMon fala no Milagre Chinês. Fui ao original indicado por ele, ou melhor, achei a primeira book review pela listagem do Google. Encontrei esta postagem, datada de 23/jan/2009. Para nossos propósitos, não é tão velha assim, ou seja, para vislumbrarmos as tendências registradas em longos períodos de tempo. O que se fez do gigante asiático desde então não é mais do que colher as consequências lógicas do que rolou naqueles 30 anos iniciais, ou seja, os anos 1980s para frente.

E que que foi que ocorreu? O link do Leo manda para a página do autor do livro lá do próprio MIT. Diz que ele diz avaliar os 30 anos de reformas na economia/sociedade chinesa. E aí vem a tese: o papel central no milagre (M) foi exercido pelo empreendedorismo privado (EP) que foi facilitado pela liberalização financeira (LF) e pela flexibilidade microeconômica (FM). Claro que precisaríamos ler tudinho para entender o que cada expressão destas quer dizer, exatamente. Estando frente a uma função de função, eu posso formalizar como:

M = M(EP, LF, FM).

Por contraste, um comentarista do blog do resenhista diz que faltam "teorias", ou já vai dizendo mesmo antes, faltam "explicações". Diz o comentarista que o autor do livro tem em mente:

M = N(PO)

onde PO é a origem dos líderes Jiang Zemin (de Shanghai) e Zhao Ziyang (de origem rural), o que automaticamente favoreceu o meio urbano e o meio rural. etc. were from the rural provinces so they favored rural areas).

Segue o mesmo comentarista dizendo que há um paper de Mary Gallagher no World Politics de 2002 sustentando que

M = Q(FI/DPB, PS)

onde FI/DPB é o favorecimento ao investimento estrangeiro em detrimento do setor privado, e PS é a componente da estabilidade política.
 De sua parte, o próprio resenhista deixa claro:

China has significantly deviated from the East Asian model into a Latin American style economy; and although capitalism in China has deeper roots today than in the 1980s, the fruits of development are increasingly falling into the hands of the state or the rich.

E o post do Leonardo resume:

O capitalismo chinês nasce no campo, nos anos 80, de baixo para cima, nas províncias mais pobres. Tudo indica que esse crescimento foi o maior responsável pelos avanços sociais dos mais pobres;
 

Nos anos 90, há um retrocesso deliberado na liberalização. O privilégio passa a ser para as empresas estatais e para o capital estrangeiro e o desenvolvimento nas áreas rurais é reprimido. O resultado é o aumento na desigualdade e piora - por vezes absoluta! - nos indicadores sociais;
 
Boa parte das TVE (Town and Village Enterprises) eram - ao contrário do Stiglitz e outros acreditaram - empresas privadas;
 
Shanghai é o exemplo de tudo que há de errado no capitalismo chinês. Pouco empreendedora, intervencionista e desigual. Ou seja, o exato oposto que muitos visitantes (inclusive eu) observaram. 

Moral da História: ainda preciso de mais leitura para fazer uma ideia geral do que estamos falando. Fiquei partaicularmente de orelha em pé com esta comparação com a América Latina. Aqui cultivou-se estrondosamente o caminho da industrialização pela substituição de importações. No Brasil, que tinha mais tamanho de mercado do que o Chile ou o Uruguai, o meio rural foi discriminado, exceto o latifúndio do açúcar, essas coisas. Mas, na altura em que surgia o Milagre Chinês, os militares consolidavam a marcha para o Norte e Centro-Oeste.
DdAB

terça-feira, 22 de maio de 2012

300%: lição de retórica (mas olho nos juros)

Querido Diário:
É a fama... Parece que é frequente que ando ingressando no tour dos 15min de fama. Ontem, fui convidado a participar do programa de TV "Conversas Cruzadas" (Canal 36 em Porto Alegre). Estavam também a profa. Gláucia Campregher e os marmanjos Giácomo Balbinotto e Paulo de Tarso Pinheiro Machado. Algum consenso e outro dissenso. O mote para discutir a inserção internacional da economia brasileira foi a declaração da tarde de ontem da presidenta Dilma Rousseff, asseverando que o Brasil estaria plenamente preparado para as marolas e tsunamis (minhas palavras, minhas?). Mais que isto, estaria preparado 300%.

Nunca esquecerei a retórica de Marx que às folhas tantas dizia algo como "nem que os preços caiam 1.000%". Claro que é retórica, mas até que diferente. Na verdade, os preços cairão até um limite de noventa e nove vírgula noventa e nove por cento, nada mais. Se caírem 100% já estão no limite do desaparecimento, quando será ilegal falar em preço. Se é zero, não é preço, aprendi há anos com o então aluno e agora professor Arlei Fachinello, da UFSC. Mas que podemos dizer sobre os 300%? Esta retórica é diferente, pois ela -presidenta- queria dizer apenas que a economia está muito bem, se 100% é maravilhoso, estamos a tal ponto exuberantes que apenas tudo é insuficiente para enquadrar-nos.

Agora tem o seguinte: claro que podemos medir quão bem um país se encontra face à dificuldade do sistema econômico mundial de adaptar-se a esta crise que se deve a uma ilusão ideológica e a outra incapacidade mundial de entender que é chegada a hora de tratar da federação mundial, o banco central, a justiça, a renda básica universal. Ilusão ideológica? Claro: achar que se combate crise e desemprego cortando gasto público. Mas então eles lá teriam que continuar emprestando dinheiro à Grécia? Claro que teriam e claro que teriam que requerer compromissos de bom-mocismo. Burrice mundial? Claro: tem que impor peias à desfaçatez da desregulamentação da atividade bancária. Claro II: tá na hora de erigir-se a instituição 'dinheiro mundial'.

Falei isto lá? Não, não falei. Falei da mensuração dos 300%, o que poderia ser feito com um índice de vulnerabilidade, como o calculado pelo prof. Cássio Moreira em sua dissertação de mestrado. E milhares de outros. Falei pilhas de coisas, insistindo em que o Brasil não está tão bem assim, pois segue em vigor a imagem do gigante de pés de barro. Nâo podemos falar em "bem", quando seguimos tutelando uma população de baixa intensidade de capital humano.

E que não falei? Perdi enorme chance de dar um significado ao conceito de equilíbrio, que foi -en passant- espinafrado pela profa. Gláucia. Ela declarou-se heterodoxa, eu declarei o Giácomo neoclássico (e ele não protestou) e declarei-me (como tenho feito aqui) como neo-heterodoxo (por modéstia, não disse que fui eu mesmo que criei esta escola). Falei que um neo-heterodoxo lida com a economia neoclássica e, particularmente, a teoria da escolha pública. Mas não falei por que sou heterodoxo. E a resposta é simples: meu credo em que a poupança não pode induzir o investimento simplesmente porque ela e ele são a mesmíssima coisa. Poupança é um blim-blim-blim de saldo, um blim-blim-blim calculado precisamente para ser igual ao investimento. O que um heterodoxo ilustrado pelas leituras dos economistas clássicos e Marx, temperadas pelas de economia de empresas, é que quem determina o investimento na empresa e, ipso facto, no conjunto relevante das empresas, ergo, da economia, é o lucro. Dizer que I = S (investimento iguala a poupança) é tão verdadeiro que o = é, na verdade, o sinal de 'idêntico'. E, se digo que I = S(S), que estou dizendo? Como I é, foi e será igual a S, estou dizendo que I = S(I). Até parece que estamos no SCI, ou seja, o Sporte Clube Internacional, aliás uma das duas baixarias gaúchas no futebol. Por contraste, se digo que I = I(P), ou que o investimento é uma função I dos lucros P, estou falando em teoria. Poderia ser, mas também poderia não ser. Provavelmente será, o que poderá recolher suporte dos dados empíricos no Brasil e na China.

Então o que não falei? Não falei isto, não tive oportunidade. E o blim-blim-blim do equilíbrio? A maior perda que tive de falar sobre macroeconomia foi não ter chamado a atenção de todos os da mesa (do programa, que identifiquei como elíptica, sem retórica) e os do sofá (de casa, com diferentes formas) que a taxa de juros, a taxa de câmbio e todos os demais preços macroeconômicos não devem ser nem altos nem baixos. Ou seja, haverá um nível -no caso- da taxa de juros que equilibrará os mercados monetário e de câmbio e, claro, de bens. Juro zero é casca grossa, como tem bastante a ver com a experiência japonese de 20 anos e americana de um pouco menos tempo. E juros estratosféricos também são caso de polícia. Se a professora Gláucia tivesse ouvido isto, não duvido que perdesse a voz e o microfone, hehehe.

DdAB
Imagem: procurei 'os 300% da Dilma'. Havia fotos do próprio discurso de Santa Catarina. Mas parece que 'ela não trocou vestido', como a sra. Kate Moss (?) lançou na moda. E achei que aquela carinha coloquial deixa-a bem à vontade para ser declarada a mãe dos pobres: um jurinho baixinho. Sua consagração, claro, está na campanha "Veta, Dilma", um chamado repleto de intimidade no trato com a velha amiga, ou a mãe protetora. Achei aqui.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Sobre Réquiens e Obituários

Querido Diário:
Um réquiem é repouso eterno (se é que existe 'eternidade'). Daí pulou para a música e tornou-se metáfora generalizada: réquiem para a última bergamota da cesta. Obituário é não apenas o livro de registro das mortes, mas principalmente -na metáfora- a música e depois o texto de homenagem ao finado. Então, no outro dia, já passado no tempo, li o "Réquiem por Efraim Tomás Bó", de Gerardo Mello Mourão, publicado possivelmente num jornal, não sei o local, nem o nome, nem da data. Parece carioca (pelo cheiro?, jamais saberei; mas se não há eternidade, não será possível que este nome esteja escrito a certa altura da parte fracionária do número pi?). O nome de Efraim não consta da Wikipedia, mas achei-o no Google (aqui) e vem acompanhado pelo do articulista Mourão. Cisca daqui, digita dali e cheguei aqui.

Então Efraim -entendo pelo texto de Mourão- morreu antes de Julio Cortázar, de quem foi amigo de infância, ainda seguindo Mourão. Como Cortázar feneceu aos 12/fev/1984, o jornal que li (em xerox) já começa a contar tempo para completar o cinquentenário. Literato sendo homenageado por literato, não haveria como passar sem citação de outros literatos. Se bem compilei, começamos com Lawrence. A Wikipedia em português foi-me mais útil. Fala no D. H. e no oficial britânico, logo estaremos falando mesmo de David Herbert Richards Lawrence, do afamado autor d'O Amante de Lady Chatterley'. Ok.

Em seguida, tive que voltar ao dicionário: 'cenotáfio' (monumento ao morto seu seu corpo), citado no contexto dos nomes de Cláudio Girola e Alberto Cruz. Girola tem registro tênue. Alberto Cruz, arquiteto português, falecido em 1990, tudo na Wikipedia. Daí vêm os filósofos pré-socráticos, Platão, Aristóteles e Plotino. Passa-se por

todas as províncias do espírito humano, da poesia grega e latina. Vai-se a Dante e aos 'textos medievais dos filósofos árabes e judeus, do pensamento alemão e dos místicos flamengos, do saber espanhol de todos os tempos, do Velho e do Novo Testamento, de Meister Eckardt a Goethe, a Hoelderlin, a Hegel, a Marx, a Rilke, a todos os russos e franceses, a Dostoievsky, a Mallarmé, a Verlaine, a Rimbaud, aos surrealistas, aos mestres ingleses da patrística, a Pound [...].

Depois falou em Jack London. Já li. e Bioy, que presumo ser Adolfo Bioy Casares, sobre quem postei recentemente. Vem adiante Unamuno, Miguel de Unamuno. E Baudelaire, quem não leu? Mais Dante e o conhecido lá dele/s Gofredo Iommi. E mais: Lezama Lima, Labrador Ruiz, Afonso Reyes, Manolo Altolaguirre e Ramoné. Never heard. Já falei de Rimbaud, Kafka e Heidegger? E do "romance argentino do ornitólogo William Hudson"? Seria um Hans Staden mais meridional?

Verlaine e Rilke, ok. Verso de Hoelderlin e ainda o poeta Iommi. Um programa de estudos para ser lido em 10 anos. Johann Christian Friedrich Hölderlin? Tá na Wikipedia. Iommi? Será o da Black Sabbath? Há muita coisa para estudar e também para o lazer criativo, inclusive mais detalhes sobre a vida de Efraim Tomás Bó.

DdAB

domingo, 20 de maio de 2012

O Dinheiro como Forma Abstrata do Valor

Querido Diário:
Antes do que mais seja, informo que o título desta postagem encontra-se dentro do artigo "Uma Crise Terminal", de Luiz Gonzaga Belluzzo, na p.52 da Carta Capital n.698 (23/maio/2012). Aliás, ainda tem "e da Riqueza". Primeiro: ele está falando da crise europeia e termina o artigo com um parágrafo interessante do qual destaco:

É provável que a crise não atingisse tais culminâncias se as autoridades europeias tivessem admitido a inevitabilidade de uma reestruturaçao ordenada da dívida e do controle público do sistema bancário. Teriam, assim, mitigado as agruras da recessão e bloqueado o avanço contagioso da crise financeira. [...]"

Para mim, está tudo aí. Houve barbeiragem na política econômica, inspirada na intransigência alemã, na visão excessivamente monetária e alinhada com a filosofia de manter um estado mínimo. Nâo há dúvida de que o governo alemão da sra. Angela Merkel exibe um forte traço conservador, um traço que se alinha a outros traços da grande conspiração. Não há dúvida de que existe um consenso entre os poderosos de que a autonomia financeira (o poder dos bancos) deve manter-se e ativas redistribuições, especialmente para os desempregados, devem ser evitadas. Não há dúvida, portanto, de que estamos vendo a sociedade europeia pagar, com desemprego e estagnação ou encolhimento do PIB, pelo desarranjo monetário que -a bem da verdade- nem podemos dizer que se originou nos Esados Unidos. Nâo há dúvida de que vemos consequências da entrada chinesa e não há dúvida de que vemos os estertores de um mundo que se recente pela ausência de uma governança verdadeiramente mundial.

E Belluzzo? Volto a ele e à parte intermediária do artigo:

Desde os mercantilistas até os fundadores da moderna economia política, os sistemas monetários se desenvolveram (aos trancos e barrancos) entre entre as duas dimensões incontornáveis da vida econômica moderna: 1. A universalização mercantil que impõe o dinheiro como forma abstrata do valor e da riqueza. 2. O âmbito jurídico-político onde se abrigam a cidadania e seus direitos definidos pela soberania dos [e]stados [n]acionais.

Segundo: claro que tá na hora do governo mundial. Claro que tá na hora de que o BIS se torne o verdadeiro banco mundial. Mas quero enfatizar a parte que reproduzi ispsis litteris agora e que norteou até o título desta postagem. O dinheiro, as finanças. As economias monetárias e o mundo das trocas de mercadorias. Este é o início da vida moderna e do bem-estar moderno, absolutamente visível ao compararmos o padrão de vida do terráqueo médio contemporâneo com o que viveu há 1000 anos. O problema contemporâneo é precisamente o desvio padrão: é sabido que o planeta tem um índice de Gini maior do que qualquer dos países (eita, arcaísmo) que o compõem. O que é importante mantermos em mente é que o dinheiro é o herói, não podendo ser tachado de vilão. O vilão, claro, são aqueles grupos de poderosos que negam-se a pensar com simpatia nas redistribuições pessoais e regionais.

DdAB
Imagem aqui. Aquele 'yes' lá é bom, né? E qual é a forma concreta do valor? É, claro, o valor de uso.
E, para falar mal do articulista, devo dizer que não gostei do título: uma crise terminal: se é terminal, não é 'uma' e sim 'a'. Uma derradeira crise? Claro que não, se é derradeira, nada a segue, logo é 'a derradeira crise'. Não é mesmo?

sábado, 19 de maio de 2012

Bowles e a Racionalidade

Querido Diário:
Ontem fiz novos revoluteios em torno do maravilhoso livro dois pontos:

PIMENTEL, Elson L. A. (2007) Dilema do prisioneiro: da teoria dos jogos à ética. Belo Horizonte: Argumentum.

E achei por bem emendar as sinapses com uma revisão do conceito de racionalidade exibido no amado livro dois pontos:

BOWLES, Samuel (2004) Microeconomics; behavior, institutions, and evolution. Princeton: PUP.

Já faz tempo que o vi em italiano (aqui). E acabo de ouvir que esta obra prima foi traduzida para o espanhol (aqui). Tem um prefácio que mostra a seguinte pérola:

Único entre los sistemas económicos, el capitalismo unificó la variedad de actividades involucradas en generar los medios de vida en un espacio de vida social particular y claramente autónomo, un espacio sujeto además a regularidades equivalentes a leyes.

Pois então tá. Por quê que o capitalismo -se é que o que vivemos hoje ainda é capitalismo- expulsou da vida social todos os demais sistemas econômicos, pelo menos como importantes? Só pode ser porque a sociedade preferiu. Ou porque certos segmentos da sociedade preferiram. Ou ainda, mais ao feitio da explicação econômica evolucionária: porque ele é uma estratégia evolucionariamente estável, ou seja, nenhuma outra é melhor do que ela e ela não se deixa invadir por nenhuma outra. Por exemplo, essas tentativas de 'economia popular solidária', de Paul Singer e outros dispersivos estão fadadas, num horizonte de tempo razoável a rotundo, estrondoso e vibrante fracasso. (Veremos abaixo as famosas citas da Mondragón de España).


No índice analítico do livro de Bowles em inglês, há sete páginas em que se fala de racionalidade. E uma em irracionalidade. Vejamos.

Na p. 7, ele começa uma seçãozinha dentro do Prefácio, cujo sujeito gramatical do tópico frasal é "The Neoclassical paradigm that Marshall helped found was ill-suited to the task he set. [...]" E aí fala em "three empiricallyh observed characteristics of structures of social interaction, individual behaviors, and technologies". Aí começa a falar nas Non-contractual social interactions. Mas o que me interessa, na p.10, é que ele passa ao Adaptive and other-regarding behaviors. Em espanhol:

Comportamientos adaptativos y otros. Experimentos de comportamiento recientes realizados por economistas (que confirman y amplían trabajos realizados anteriormente por otros científicos sociales) así como la observación en escenarios naturales sugiere una reconsideración tanto de los dogmas de “racionalidad” y “codicia” en la trinidad de Solow. Los individuos persiguen intencionalmente sus objetivos, pero lo hacen con mayor frecuencia recurriendo a un repertorio limitado de respuestas de comportamiento adquiridas por experiencias pasadas más que comprometiéndose en los procesos de optimización de avanzada que son exigentes cognitivamente, asumidos por igual mediante el enfoque Walrasiano y por gran parte de la teoría clásica de juegos. En muchas situaciones, emociones como la pena, el disgusto o la envidia se combinan para producir una respuesta de comportamiento. Además, a pesar que el egoísmo es un motivo poderoso, otros motivos como la preocupación acerca de los demás también son importantes. En los experimentos y en la vida  real, la gente con frecuencia está dispuesta a reducir su propio bienestar material no sólo para mejorar el de los demás sino también para culpar a otros que les han hecho daño a ellos o a otros, o han violado una norma ética. Estas denominadas preferencias sociales ayudan a explicar por qué las personas con frecuencia cooperan hacia fines comunes aun cuando la deserción o el abandono traerían recompensas materiales mayores, por qué los esquemas basados en intereses propios a veces contraatacan y por qué las empresas no venden trabajos.

Epa, epa. Em inglês, esta última sentença termina em razões que levam as empresas a não vender empregos (e não trabajos). Seja como for, um ponto contra o postulado da racionalidade. Mas eu posso muito bem viver com esta crítica. Nâo é difícil de contorná-la, um cinturãozinho protetor construído em torno da santidade do livro. E o que era a Solow's trinity? Trago do inglês: equilíbrio, cobiça (em espanhol tem 'codicia') e racionalidade.

Ok, sigo procurando em inglês e citando em espanhol. Na p. 11, ele fala em irracionalidade:

Los economistas han considerado comúnmente comportamientos que violan los cánones rigurosos de la racionalidad formal como idiosincrásicos, inestables o irracionales, es decir, que no presentan las regularidades que permitirían el análisis científico. Pero el hecho que los sujetos experimentales presenten de manera consistente tales “irracionalidades” como intransitividad, aversión a la pérdida, inconsistencia en el descuento temporal y la sobrevaloración de eventos de baja probabilidad, sugiere que estos comportamientos no son sólo comunes sino susceptibles de análisis.

Também aqui, não acho que se possa deixar passar: as intransitividades, a aversão à perda, a reversão de preferências nas taxas de descontos e superestimar o valor de eventos de baixa probabilidade serão -em determinadas circustâncias- precisamente mostras de racionalidade e não de sua ausência.

Na p.97, vemos:

Segundo, los individuos son agentes adaptativos - seguidores de reglas. Con esto quiero decir que economizamos en nuestros limitados recursos cognitivos actuando de acuerdo a las reglas de oro evolucionadas. El término “racionalidad acotada” es usado algunas veces para describir los límites cognitivos de actores humanos reales, pero yo no lo uso, porque sugiere irracionalidad. No es la limitación de nuestra racionalidad lo que quiero remarcar, sino nuestra limitada capacidad y predisposición para comprometernos en ejercicios cognitivos extremadamente costosos y complejos. Entre éstas reglas de comportamiento evolucionadas existen prescripciones éticas que gobiernan las acciones hacia los otros, es decir, normas sociales, cuya conformidad a las mismas es valorada por el actor (ej. la norma está internalizada) y apoyada por la sanción social. Este enfoque contrasta con la visión convencional en la cual el comportamiento es el resultado de procesos cognitivos individuales muy exigentes dirigido a temas tanto evaluativos como causales (¿es este estado deseable? ¿puedo lograrlo?) . Este punto de vista convencional centrada en la cognición individual excluye el comportamiento basado en cosas como reacciones viscerales (como disgusto, miedo, o debilidad de voluntad), hábitos o reglas de oro evolucionadas, y presupone (contra un importante cuerpo de evidencia) que los individuos están capacitados y predispuestos a hacer inferencias bastante avanzadas sobre lo que harán los otros y sobre la forma en que funciona el mundo.

Aqui já tá a primeira vitória do cinturão protetor. Este negócio de racionalidade restrita é tranquilo: o substantivo é racionalidade e o adjetivo é restrita (bounded, acotada). E o que faz a galera agir irracionalmente é a falta de informação. Se tivessem informação, agiriam racionalmente, não é mesmo?

E a p.101 tem:

La función de utilidad es completa lo que significa que cada estado puede ordenarse por una relación de preferencia o de indiferencia respecto a otro estado. El orden es también transitivo lo que significa que la ordenación que produce no incluye ordenaciones inconsistentes como (x, y, z) a preferencia de (x’, y, z), lo que es preferido a (x”, y, z), pero (x”, y, z) se prefiere a (x, y, z). Finalmente, la función de utilidad se presume (por lo general implícitamente) como invariable en el tiempo dentro del periodo relevante: cuando, digamos, los precios cambian exógenamente el individuo responde a los nuevos precios y no sólo a los cambios coincidentes en la función de utilidad. Cuando los individuos actúan de acuerdo a una función de utilidad completa y  transitiva se dice que son racionales. Otras formas de actuar – inconsistencia de elección inducida por capricho o preferencias incompletas sobre resultados inimaginablemente horribles, por ejemplo – no se consideran irracionales. Son simplemente formas de acción que no están cubiertas por este modelo y tal vez sería mejor considerarlo como no racional.
Aqui só posso dizer o que aprendi com Henri Theil: models are to be used, not to be believed.

E na p.178-179? Aí ele diz:

El modelo de ofertas alternadas, como lo sugiere su nombre, aborda el problema del poder de negociación modelando explícitamente el proceso de negociación, invirtiendo eficazmente el enfoque de Nash. Nash preguntaba qué resultado es consistente con un conjunto de axiomas de bienestar social que expresan un concepto de racionalidad colectiva, sin considerar por qué los negociadores individuales podrían llegar a este resultado. Por el contrario, el modelo de ofertas alternadas describe el proceso de negociación como una secuencia de ofertas y contraofertas regidas por un conjunto explícito de reglas y pregunta qué resultado es consistente con los axiomas de racionalidad individual. No juzga normativamente el resultado. El enfoque capta dos características clave de la negociación en el mundo real. Primero, el proceso de negociación consume tiempo y el retraso es costoso debido a la impaciencia de los negociadores, a los riesgos de ruptura, a oportunidades perdidas, o por otras razones. Segundo, la parte para la cual estos costos son menores tiene mayor poder de negociación y asegura una participación mayor. Así, el poder de negociación se deriva de la capacidad de beneficiarse al infligir costos al otro.

Tá bom, né?

Na p.482, temos:


Un comentario final concierne no directamente a los paradigmas en contraste sino más bien a las preocupaciones normativas que nunca están ausentes cuando se discuten alternativas institucionales. “Utilidad” es un término fuertemente cargado: economistas lo usan comúnmente para referirse a motivos, comportamientos y bienestar. La conveniencia de colapsar estos tres distintos usos en un único término es considerable. Pero requiere del supuesto implícito de la racionalidad sustantiva, esto es, que la gente actúa para obtener lo que quiere lo cual a su vez contribuye a su bienestar, medido este por una evaluación independiente de los resultados relevantes. Por contraste la racionalidad formal explícitamente asumida por la mayoría de los economistas impone a los comportamientos únicamente requisitos de consistencia (tales como la transitividad), sin requisitos hedonistas u otras razones subjetivas para actuar, la razonabilidad de los medios adoptados en pos de cierto resultado o las consecuencias para el bienestar del individuo. Un masoquista consistente no es irracional.

E agora? Já faz muito tempo que sabemos dever excluir três agentes da modelagem: crianças, criminosos e loucos. Ademais, é mais útil falarmos em racionalidade restrita do que racionalidade substantiva. Aprendemos isto com Max Weber, e não podemos jogar fora o bebê só porque pintou sujeira na água.

DdAB
imagem: abcz.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sins aos Viadutos Estaiados

Querido Diário:
Às vezes queixo-me da linha eminentemente reacionária do jornal que leio diariamente: Zero Hora. Volta e meia ele -jornal- faz tantas estrepolias que, como um maldoso patrão, epitetei-o/a de Zero Herra. Hoje na p.30 li a manchete "Na onda dos viadutos estaiados". "Pronto" - pensei - "lá vem ela de novo." Ledo engano, pois o erro, ou melhor, a pobreza vocabular, era minha, era meu, sei lá. Já vi tudo na Wikipedia, com esta foto da ponte de Brasília. Pensei no verbo "estaiar", de que nunca ouvira falar nem escrever. Vem do aurelião:"agüentar com estais", que o meu ainda é do tempo dos tremas e que a academia brasileira de letras quer que eu jogue no lixo. E já mandou olhar "estear". Daí cheirei "esteio", mais familiar, esteios da pátria, os políticos, mala dicha. E veio mais coisa, até, no meio das explicas, a palavra "vante", de onde também cheirei "doravante". E que é, quem diria?, a metade dianteira da embarcação.

Pois bem. Pilhas de palavras enriquecendo meu vocabulário. Voltando à p.30, fala-se do tal viaduto estaiado em Porto Alegre, fala-se na área da terceira perimetral. Há um box: "Desapropriaçõeses". Evoquei o rapaz/vendedor da Galeria do Rosário que saudou as duas garotas: "Pois nões, senhoritas". Como há vários viadutos estaiados espraiando-se pelo planeta, digo "sim" a cada um e digo-lhes "sins" a todos (pois já se falou em "suis" como plural de "sul").
DdAB

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O Modo e a Maneira: a ordem dos fatores

Querido Diário:
Esta é uma postagem 'vida pessoal' ou 'besteirol' ou ainda necessitaria de novo marcador 'filosofia da mente' ou o que seja. Reporto-me a um experimento que vivi durante o café da manhã deste dia um tanto fechadinho de um friozinho porto-alegrense deste outoninho acaloradinho. Ao preparar meu 'mingau' -ou o que seja-, inverti os procedimentos consagrados pelo cotidiano: primeiro os cereais e apenas depois é que acrescento o iogurte. Estaria emergindo, alquebrado, de alguma incursão pelo 'mundo da lua', no caso, as civilizações supra-lunares?

Minha dúvida se justifica, pois aprendi há muito tempo que o processo que hoje usei, iniciando com o iogurte e apenas depois, os cereais, é menos eficiente. Usando o marcador 'besteirol', eu diria que uns dois terços menos eficiente. Eu sempre dizia aos alunos para observarem este tipo de detalhes em suas vidas, e já postei a respeito, na linha da teoria da escolha racional. Minha hipótese (científica, por sinal) é que adotamos caminhos que aumentam a produtividade de nossas ações (mais resultado por unidade de tempo).

Mas isto ainda não foi tudo. Ao mexer a mistura por dois terços do tempo usual além do usual, lembrei-me que já vira um experimento público sobre 'a ordem dos fatores'. No caso, eram os anos 1960s, era a volta da família a Porto Alegre, era a televisão chegando à família. Era a propaganda do Nescau: tem gosto de festa etc.. Mas também nela, havia duas formas (o modo e a maneira) de preparar a bebida. Na primeira -bem certinho- entrava primeiro o chocolate e apenas depois é que entrava o leite. E, na segunda -mais lentinho- entrava primeiro o leite e depois a colherada do pozinho.

Observadores críticos da TV, todos os membros da família concordamos que, pelo que se via na telinha, a primeira -que eles chamavam de 'modo'- sobrepujava, em tempo de preparo, a segunda, designada por 'maneira'. Fomos para a cozinha, experimentamos e vimos que venceu mesmo a forma 'modo'. Uma delícia, só que 'e se prepara sem bater' foi substituído -chez moi- por mexer com a colher.
DdAB
o texto a seguir foi retirado daqui (aqui). e o interessante é que eu lembrava tintim por tintim. mas o link dado para ouvir o jínguel não funcionou.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Entropia, se bem entendo

Recipiente 1: mais organizado, menor entropia; Recipiente 2: menos organizado, maior entropia

Querido Diário:
Volta e meia, queixo-me de que há dois conceitos sobre os quais navego com renovadas dificuldades. Um, de que não vou falar, é o teorema da impossibilidade de Arrow. O outro é o conceito de entropia.

A primeira lei da termodinâmica, também chamada de lei da conservação da energia é tão simples que aprendi-a estudando física no curso pré-universitário. Em compensação, passei toda minha faculadade de economia sem voltar a ela, ainda que não possamos deixar de pensar que um equilíbrio contábil entre oferta e demanda expresse exatamente isto. Lá no ensino médio, dizia-se que a soma entre a energia cinética e a energia potencial (mais alguma quebrinha devida à fricção) é uma constante. Ou seja, tudo é estado ou movimento, e um se transforma em outro. Bem na linha da álgegra das decomposições da variação do PIB. No caso da física, estamos vendo como as diferentes formas de trabalho se transformam em calor. E aquele elemento de fricção deve-se ao fato de que parte do calor desse sistema dissipa-se.

A segunda lei é a que garante o termo da fricção: qualquer processo envolvido em qualquer fluxo de energia incidirá em perda. Em economês: não existe lanche grátis.

A terceira lei da termodinâmica sustenta que não é possível alcançar o zero absoluto. Disse-me Azimov naquele livro que andei lendo e citando há algumas semanas que, em 1957 (antes dos 'Luniks'), chegou-se a 0,00002K. Nesta linha, alcança-se a redução da entropia por meio da redução da temperatura do corpo. Mas remover a metade da entropia é muito difícil, muito gastador de energia, qualquer que seja o nível inicial. Isto faz com que, por exemplo, baixar a temperatura de 100K para 50K seja uma façanhazinha, mas baixá-la de 1K para 0,5K é muito mais espantoso. E de -200K para -100K seja um milagre.
DdAB
Imagem daqui: abcz.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Sua (lá deles) Agenda para a Indústria

Querido Diário:
Nâo que esta agenda seja minha. É de empresários que se encontraram ontem no BNDES, no Rio. É o que informa Maria Isabel Hammes na p.22 de ZH de hoje. Querem "promover a competitividade nacional, especialmente a industrial." Quem reduz a competitividade? "[...] falta de inovação, tributos em excesso, educação (país em 115o. lugar entre 144 países avaliados) e infraestrutura deficientes, sem falar no segundo mais alto custo mundial de energia." (sic).

"Especialmente a industrial?", pensei. Disse a mim mesmo: parece que realmente há algo de errado com o lobby dos diretores de escola. Se o Brasil exibe tão medíocre desempenho com este negócio de 115/144, esses diretores não estão sendo capazes de levar aos congressistas (mais industriais e menos educadores) sua mensagem progressista.

De outra parte:

.a. falta de inovação: não é algo peculiar ao setor industrial, mas do setor serviços; bens industriais podem ingressar como insumos (pipetas, máquinas de prensar metais, sei lá);

.b. tributos em excesso: a tributação indireta é um escárnio; todo político é ladrão, tanto é que não mudam esta vergonha econômica e social;

.c. educação: burro por burro, prefiro a batata ao murro;

.d. infraestrutura: estrada de ferro ou rodagem é produto da construção, como também são os portos e canais; energia elétrica (se tirar o ICMS só no RGS dá 27%);

.e. para não falar na aceleração da eficiência do poder judiciário.

DdAB
imagem: e tome indústria da madeira e mobiliário.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Equilíbrio Precário, Preclaro, Preconceito

Querido blog:
Já estamos na segunda-feira, superando a postagem um tanto malhadinha de ontem. Não vou alongar-me, de qualquer jeito. É que tem um caderno especial na Zero Hora de hoje sobre um longo e elogiável ciclo de conferências que rola em Porto Alegre há anos. Alguns jornalistas têm artigo de canto sobre suas áreas. A chefa da seção de economia, jorn. Maria Isabel Hammes, fala sobre Amartya Sen, numa coluna intitulada "Ponto de Equilíbrio":


[ele] é capaz de dar um nó nas visões tanto da esquerda quanto da direita por mais fora de moda que essas correntes possam parecer a esta altura do campeonato globalizado. É capaz de muito mais, claro - até de ir além em busca de um mundo mais justo. [Ele] é partidário de um modelo híbrido para se obter desenvolvimento mais harmÔnico e rápido das populações mais pobres do mundo.

Então garrei de pensar: tudo bem certinho. Exceto esse negócio de que a diferença entre direita e esquerda está fora de moda. Qual a prova? É impossível construir modelo híbrido sobre um cadáver. Logo, se o modelo híbrido ainda tem partidários é porque estes desejam afastar-se dos extremos. Ergo, há pelo menos dois extremos, não é mesmo?

Agora me diz: este negócio do quarto parágrafo lá dela é esquerda ou direita?

[...] o Estado fica encarregado de serviços essenciais, como saúde e educação, e a livre iniciativa se responsabiliza pelas empresas, empregos e inovação."

Empregos?, pensei cá comigo. Não era o emprego que era inimigo da produtividade? E não era na corrida em busca da produtividade que víamos a grande virtude do capitalismo?
DdAB
p.s.: eu, que sou da esquerda, apoio os extremos, como o desta imagem do maravilhoso blog. Quer emprego no escritório? Vote na direita. Quer ócio criativo? Vote na esquerda. Quer virar tudo de trás para frente, enfrente aquela cabeça lá do outro lado. Quer pavimentar o caminho da esquerda? Apoie as reformas democráticas que conduzem ao socialismo.

domingo, 13 de maio de 2012

Cuidado com o Domingo Econômico

Querido diário:
Para não gastar no almoço do dia das mães, passei o domingo economizando, ou seja, lendo velhos livros da vestusta ciência econômica. Não tive tempo nem para postagens.
DdAB

sábado, 12 de maio de 2012

A Defesa da Indústria Não Nasceu Hoje

Querido diário:
Na medida em que tenho discutido mais  e mais esta questão da desindustrialização do Brasil, minha própria visão sobre todos os problemas -eu, que não sou partidário, nem estou perto do poder, ou seja, nada tenho a ver com a implementação de políticas públicas- tem mudado. Na verdade, o que tem mudado é minha habilidade em expressar cada vez com mais clareza qual é mesmo o problema.

Ultimamente passei a dizer que, por ser um velho professor de economia industrial, não poderia dizer, legitimamente, que sou contra a indústria. Sei bem que é impossível fazer um bife sem um bom fogão e uma boa frigideira, bens industriais. Da mesma forma, não vejo inferioridade nenhuma em seguirmos nossos antepassados fazendo bifes com bovinos. Ou seja, haverá -além dos produtos agrícolas e industriais- serviços de transporte do boi até o frigorífico e o outro do frigorífico ao açougue, do carinha que moeu a soja para podermos fritar o pobre boizinho, essas coisas.

O que digo, por entender que rima com o parágrafo acima, é que o problema é a política pública. Aí é que começam os problemas. Indago qual é a legitimidade de termos políticas públicas enviesadas em favor do "capital industrial" e não do "capital humano" que poderia ser extraído de (ou adicionado a?) um menino de rua. Nesta linha, o próprio gasto público, em minha visão, deveria atender a rigorosos princípios de universalidade: enquanto houver barriga dágua em qualquer cantão da nação, seria proibido, digamos, aplicar vacina anti-gripe A em idosos (para me inserir na história).

Pois bem. No seminário de sexta-feira na FEE, o prof. Fernando Augusto Mansor de Mattos, além de dar-me uma brilhante aula sobre a questão da desindustrialização, agraciou-me com um exemplar do livro

TEIXEIRA, Aloísio; MARINGONI, Gilberto e GENTIL, Denise Lobato (2010) Desenvolvimento; o debate pioneiro de 1944-1945. Rio de Janeiro: IPEA.

Pois bem. Trata-se do famoso debata entre Roberto Simonsen e Eugênio Gudin, dois luminares republicanos, cuja obra foi ressuscitada para as novas gerações pelo próprio IPEA em 1977. Este livro tem muita coisa interessante. Fiz a leitura de contato e fixei-me nos trechos selecionados pelos autores dos dois polemistas. Então separei para falar hoje no seguinte trecho de Simonsen, que tá na p.104:

A parte nucleal de um programa [delineado pelas classes produtoras para o progresso do país], visando a elevação da renda a um nível suficiente para atender aos imperativos da nacionalidade, tem que ser constituída pela industrialização. Essa industrialização não se separa, porém, da intensificação e do aparfeiçoamento da nossa produção agrícola, a que ela está visceralmente vinculada. (...) A planificação do fortalecimento econômico nacional deve, assim, abranger, por igual, o trato dos problemas industriais, agrícolas e comerciais, como o dos sociais e econômicos de ordem geral. [Colchete anterior meu e parênteses dos autores do livro].

Seguem os comentadores:

Mesmo que de forma genérica, o industrial [Roberto Simonsen] busca definir as principais alocações de recursos para a concretização de tal projeto:

As maiores verbas da planificação seriam, sem dúvida, utilizadas na eletrificação do país, na mobilização de suas várias fontes de combustíveis e na organização de seus equipamentos de transporte. 
Abrangeria o programa de criação de moderna agricultura de alimentação e a promoção dos meios apropriados à intensificação da nossa produção agrícola em geral.
Seriam criadas indústrias-chave, metalúrgicas e químicas, capazes de garantir uma relativa auto-suficiência ao nosso parque industrial e a sua necessária sobrevivência na competição internacional.
Toda uma série de providências correlatas deveria ser adotada; a montagem de novas escolas de engenharia, a volgarização de institutos de pesquisas tecnológicas, industriais e agrícolas, a intensificação do ensino profissional.
Impõe-se, da mesma forma, a criação de bancos industriais e outros estabelecimentos de financiamento.
Uma imigração selecionada e abundante de técnicos e operários eficientes cooperaria, em larga escala, para prover as diversas atividades, assim como para um mais rápido fortalecimento de nosso mercado interno, pelo alto padrão de consumo a que estariam habituaos esses imigrantes.

Cara, tem tanta coisa. Ao terminar de digitar este trecho, lembrei imediatamente do Alexandre Rands Barros que fez a conjetura de que o maior bem estar do sul com relação ao nordeste tem a ver precisamente com o maior padrão de consumo: quer-se mais tem-se que produzir mais. É cultural! Mas não entrarei mais neste detalhe.

Gostei de ver o conceito hirshmanniano de "indústria-chave" bem acomodado no Brasil em meados dos anos 1940s! E também gostei de ver que, entre as "providências correlatas", encontra-se o que considero principal: novas escolas de engenharia. Acrescento: de administração. Mas também todas as outras. Mas também as de nível fundamental e intermediário. As pré-escola e as de pós-escola, o treinamente permanente de toda a nação. Uma guerra contra a ignorância e a desatualização. Em resumo, a formação de capital humano. Por que não começarmos tudo desta vez buscando os setores-chave para a produção destes serviços? Claro que não devemos esquecer a metalúrgica, a mecânica, a química, a petro-química, e a eletro-eletrônica (que ainda não tinham peso importante para as tecnologias vigentes no Brasil; nem liquidificador era comum naquelas bibocas).

Por fim, eu adoraria ver migrantes bem-formados chegado aos montes. Mas não vejo por que não poderíamos aproveitar a população brasileira e nela investir "[...] para um mais rápidofortalecimento de nosso mercado interno." Entre 1947 (meu nascimento) e 2010 (meu reconhecimento da Itália), o PIB brasileiro cresceu à taxa de 5,1% ao ano. E juro que o Gini aumentou, o que -a partir de 1959- não preciso jurar mais nada, pois era 0,49 ou 0,40 e passou, nos dias que corriam em 2010 para, pelo menos, 0,55. Já não estávamos muito bem na parada igualitária, mas tudo piorou bastante. É provável que todos vivam melhor hoje no Brasil, mas o fosso entre as famílias é tão exuberante que todos vivemos atrás das grades.
DdAB
A imagem que homenageia a estética do medo veio daqui. Editei-a ligeiramente. Parece que os linkages da produção de grades não geram desenvolvimento, hehehe.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Política Industrial: que tal a visão literal?

Querido Diário:
Ontem, como não poderia deixar de ser, os acontecimentos se sucederam. Participei do seminário 'Indústria Brasileira: um novo padrão?' na FEE. Ouvi opiniões interessantes sobre a desindustrialização brasileira e sobre a política industrial que podemos esperar venham a ser implementadas pelos governantes. Minha participação no evento não se resumiu a si própria. Explico-me: minha participação motivou acesos debates, alguns ponderados e outros irados. Muito me alegrei com ambos. Merecemo-nos. E houve interessantes manifestações post factum, muitas das quais não pretendo comentar, o que praticamente me levaria a postar estes escritos sob o título de "Conradianas". Poir quoi pas?

Talvez tudo possa resumir-se à resposta que pode ser dada àquilo que Chico de Oliveira, lá em sua 'Crítica da Razão Dualista', coloca como sendo a pergunta do interesse do advogado: cui bono? Ou seja, a quem interessa? Quais são os interesses - ouvert & couvert - que estão presentes quando se fala em política industrial? Claro que minha vida seria diferente se não tivesse lido, no outro dia, a postagem de LeoMon.

Hoje em dia, meu ponto de vista sobre a questão é extremado. Primeiramente, a maior fonte do crescimento econômico dos anos recentes foi a expansão da demanda brasileira. Ou seja, em resposta à memória inflacionária, ao nível do produto potencial e ao que mais seja, a taxa de crescimento da economia brasileira foi medíocre, uns 3,5% ao ano. Ainda assim, a principal responsável foi a demanda (por contraste a outros determinantes: a produtividade dos insumos primários e a mudança tecnológica no uso de insumos intermediários)! Em segundo lugar, a maior parte da mudança do produto e do emprego concentra-se no setor serviços. Terceiro: pulei à conclusão de que devemos elevar a demanda final por serviços educacionais. Esta posição está longe de receber complacência por parte de muita gente. Eu digo que é porque eles foram doutrinados nos anos 1950s e ainda não caíram em si sobre a causa da causa da baixa qualidade da consciência política dos filhos do papeleiro e dos pais do menino de rua.

Pronto. Foi o que bastou. Três de meus amigos tacharam-me de idiota e provaram por a+b não ser uma crítica ad hominem, pois -acusaram levianamente- haveria um laudo médico apontando-me como indelevelmente débil mental. Não contestei-lhes a amizade, mas contestei a qualidade do laudo, hehehe. E fui além, asseverando-lhes que os lobbies como o que salvou a Varig da falência, o que comeu bons recursos que poderiam ter sido servidos ao filho do menino de rua e à avó do papeleiro e similares são -os lobbies, remember?- muito mais poderosos do que os lobbies dos diretores de escola, diretores de presídios, diretores de motoristas de ônibus escolares, essas coisas.

Onde anda a literatice? Parece-me que a questão literária da política industrial mais literal reside precisamente em escolher os vencedores. Serão os filhos dos engenheiros ricos ou os dos papeleiros pobres que vão beneficiar-se dos esforços despendidos pela sociedade para barrar a invasão chinesa. Expressar a questão nestes termos é literária. Entendê-la mais amplamente é precisamente o que diferencia o leitor refinado da comprensão rala do leitor que não consegue mover-se sobre textos mais aprecatados estilisticamente. Sou rápido no teclado, sou rápido na construção de sentenças e imagens literárias. Sou rápído na metáfora. Sou intransigente com o grau de provocação ao intelecto do leitor. Escrevi que estudar é entender o texto, estudar é decifrar o texto, estudar é enriquecer o vocabulário, para não deixar-se derrotar pelo estilo. Um dia cito uma passagem do livro "O Nome da Rosa", em que Jorge insta Adso a expressar-se na linguagem científica, o que o deixará ao abrigo da intransigência dos censores. E hoje digo o contrário: para nos livrarmos das peias de nosso próprio pensamento, precisamos pensar de várias formas, precisamos expressar o mesmo fenômeno de várias formas. Precisamos entender quem são mesmo estas figures du rôle: o menino de rua, seu filho e seu pai, o papeleiro, seu filho e seu pai. Se não pensarmos nele, estaremos deixando de lado os grandes números. Como o fazem aqueles que não pensam na demanda final e nos serviços ao falarem de política industrial.
DdAB

p.s.: nossa imagem é o primeiro de 16 slides (15 dispondo de conteúdo substantivo) da apresentação de ontem. Obviamente, estou reafirmando o padrão 'cubo mágico' que me enquadra desde o seminário de Brasília e a noite em que me apresentei junto com Paul McCartney em Florianópolis. E não é ocioso dizer que não estou dizendo que me apresentei com ele, ou melhor, que apresentamo-nos ambos na mesma noite em Florianópolis, ainda que distanciados de uma ou duas horas e dois ou três quilômetros. Falei verdade? Quem não entende que "noite em que me apresentei junto com Paul McCartney em Florianópolis" é uma sentença brincalhona estará condenado ao opróbio literário, como foi a sentença que depositei na conta desses 'alguns amigos' e do diagnóstico que me assacaram. Não quero amigos na cadeia, mas se os incapazes de entender metáforas forem parar nelas, levar-lhes-ei cigarros com exação.

p.s.s.: ter-se-á tornado claro? quero dizer que ou meu estilo é vago e impreciso ou o leitor é lento e preguiçoso, ou ambos os dois. Nova sentença: os amigos os três ambos os problemas veem.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Industriosos: quantas opiniões haverá sobre a indústria?

Querido Diário:
Fazendo as contas, foram-se quase 40 anos (serão 40 em outubro) desde que participei do grupo de análise da conjuntura econômica que desenvolveu-se e culminou com a criação da Fundação de Economia e Estatística, nome criado pelo então secretário de planejamento prof. Carlos Veríssimo de Almeida Amaral. Nosso líder era Rudi Braatz, no devido tempo escoltado pela profa. Edi Fracasso. Depois circulamos todos pelos quatro cantos do mundo. Fazendo as contas, perdi as contas da última vez (menos de décadas, to be true) que não compareço a uma atividade 'acadêmica' na FEE. Hoje às 14h30min lá estarei, lá estaremos. Haverá um novo padrão na industrialização brasileira? Amanhã respondo. E mundial? Amanhã respondo.

Por ora, posso adiantar que é evidente que sim. As 'novas tecnologias' fizeram especificamente a China e a Índia. Na China, ao lado do dumping social, há revoluções nas inovações organizacionais e financeiras. Na Índia parece que também muda tudo radicalmente. Além destas revoluções à la chinoise, vemos uma enorme economia sendo liderada pelo crescimento do setor serviços. Ou melhor, na Índia, o setor serviços cresce mais do que a média da economia. Será que ele é que está liderando ou, digamos, será que ele é o que desponta, em virtude da decisão indiana de valer-se de processos benévolos em diferentes áreas. Li que os telefones celulares melhoraram até a produtividade dos barcos pesqueiros hindus.

Os economists institucionalistas modernos ensinam-nos que 'a história importa', ou seja, no caso, poderíamos ser levados a pensar que

M: todos os países ricos se industrializaram
m: o Brasil quer ficar rico
C: o Brasil deve industrializar-se.

Com este tipo de formalização, já vai tornando-se claro que David Hume rolaria na tumba, se ainda por lá anda. O que é mesmo que a história validaria? A indução, por certeza humeniana, não permite qualquer tipo de generalização deste tipo, ainda que formalmente corrigida e impecável. A maior filosofia que minha mente consegue alcançar a propósito destes temas palpitantes é evocar Chico Buarque (se não milhares de outros) que indagava: "quem foi que inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor". Ou seja, quando eclodiu a primeira revolução industrial, não havia indução que permitisse dizes o que quer que fosse.

Hoje sabemos que o sucesso da indústria foi potencializar a -para usar mais ou menos a frase de Marx- transformação de trabalho vivo em trabalho morto. Mas hoje quem mais transforma, a própria indústria ou a produção de signos e subjetividade?

Parece que poderá haver debate.
DdAB
p.s. o advogado da senhora Carolina Dickman, Hickman, sei lá, quer que o Google adote o modelo chinês: proibir seu buscador de informar a humanidade que existem fotos despidas em tal ou qual dos quatro cantos do planeta. Parece-me agora a teoria da avestruz: proibe o acesso à fotos da garota pelada que ela não terá posado. Parece que houve um crime, uma violação da privacidade, um roubo de arquivos do computador lá dela. Parece que a solução para este tipo de externalidade negativa que pode abater-se sobre qualquer um de nós que tira a roupa e é fotogrado precisa de um bom economista para estimar o estrago feito à imagem lá dela com a quebra da privacidade. Eu, se fosse dono de outro buscador de sites de internet, processaria o advogado por não estar preocupado com a divulgação feita por meio de meu site. Há inequívoco desprestígio para todos os demais sites, inclusive pela censura exercida e negociações mantidas com o governo da República Popular da China.
p.s.s.: na atual fase de discutir amplamente o tema da reprimarização (a partir do paper com Joal de Azambuja Rosa), tomou ímpeto a "industrialização". Vou escrever mais a respeito, in due time, talvez um artigo de revista. No processo, busquei o livro de Valderrama que conheci na UFSC, em agosto/1980, quando por lá lecionei Economia Industrial. Não era Valderrama:
SOZA-VALDERRAMA, Héctor (1966, 1969, 1973) Planificación del desarrollo industrial. Mexico, Madrid, Buenos Aires: Siglo XXI.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sopro Nefelibata


Querido Diário:
Postagem rápida: dica do Leonardo Monastério aqui. Imagem daqui. Nefelibata? Claro, e muito mais longe do que nas nuvens sublunares. Sopro? Só propaganda... Aqui? Aqui:

Vida em outros planetas e a política industrial

Eu me lembro da equação de Drake quando penso nas chances da política de picking winners dar certo no Brasil. Tal equação fornece o número de civilizações de ETs que podem entrar em contato com a gente. (O Carl Sagan a apresenta aqui.).  A lógica é começar com o número de estrelas do Universo e então multiplicar pela fração que tem planetas, em seguida pela parcela das que tem planetas em que a vida pode surgir e assim por diante. O resultado depende de uns bons chutes, mas é um número muito pequeno.
Eu reconheço que existe a possibilidade teórica da política industrial de picking winners dar certo. Contudo, temos que multiplicar o número de empresas que - em tese - poderiam gerar benefícios para o país pelos seguintes termos:

  1. Probabilidade de o setor público ter identificado corretamente o potencial vencedor;
  2. Probabilidade de a empresa ser -de fato- a escolhida. (Muita coisa estranha pode acontecer entre o passo 1 e 2);
  3. Probabilidade de os incentivos serem bem desenhados;
  4. Probabilidade de os incentivos serem bem implementados;
  5. Tudo mais tando certo, há que se considerar a probabilidade de nenhum lobby alterar os passos 1-4 durante a execução da política industrial. 
O número de casos de sucesso será o resultado da multiplicação dessas probabilidades. Qualquer estimativa razoável resultará em um valor muito pequeno.
A possível compra da Delta pela JBS só me deixa ainda mais cético. Pelo visto, a equação de Drake Industrial deve resultar em um valor bem perto de zero.

Tomei a liberdade de escrever por lá:

Gente! Quase ia perdendo estas maravilhosas ponderações. Os espíritas creem na "pluralidade dos mundos habitados"; não sei se é por isto que -tendo lido os cálculos de Dawkins- acho que, seja como for, é provável que haja outras manifestações do que chamamos "inteligência". Da mesma forma, acho que pode haver conjunção de forças que permita a escolha dos vencedores de mais méritos (com probabilidade baixíssima). No entanto, isto é, no entanto elevado à potência bilhões, meu ponto hoje em dia é que o lobby dos industriais é muito mais forte do que o dos diretores de escola, administradores de hospitais, presídios, e outros 'bens' de mérito produzidos pelos serviços.
DdAB
p.s.: fiquei abismado quando soube que o ex-ministro da justiça, adv. Márcio Tomás Bastos representa judicialmente o sr. Carlinhos Cachoeira nestas escabeladas acusações que foram feitas contra ele. Claro que todos têm direito de defesa. O ponto é que o dr. Márcio é que deveria intitular-se impedido de defender meliantes deste porte, meliantes precisamente associados ao saque às burras federais.
p.s.s.: fiquei abismado quando soube que o ex-presidente do banco central, econ. Henrique Meirelles será o novo diretor da Delta, como diz a postagem do LeoMon.
p.s.s.s.: com esses dois peésses, só bebendo!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Freire e os Comunistas; Dilma e Plebiscito


Querido Diário:
Os tempos estão para assuntos sizudos mas basicamente de sempre: corrupção e golpes na economia popular. Demóstenes e Dilma, a desfaçatez e a caderneta de poupança. Hoje, por contraste, temos um quadro de humor bastante eficaz, no sentido de reduzir o mal-estar provocado no observador independente pelas tropelias governamentais, ou seja, três poderes, três esferas de poder, governo e oposição, todos governantes, todos vivendo às custas do trabalho social.

Nas eleições de 1989, quando concorreram homens de escol, como o vencedor -Collor de Mello-, Ulisses Guimarães, Leonel Brizolla, Lula da Silva, Afif Domingues, Aureliano Chaves e Roberto Freire, meu preferido foi este último. Declarei-o vencedor moral, dado o esmero com que ele defendeu o programa do Partido Comunista, com propostas de cambiar a realidade brasileira. Não estou dizendo que tenha votado nele, aliás não estou dizendo em quem votei, se é que o fiz. Disse e garanto que as propostas que vi dele emanadas eram as que mais "me faziam a cabeça".

Quando o vi desmontando o Partido Comunista, criando esse PPS, partindo para uma aliança com o governo FHC, tornando-se inimigo hidrófobo do governo liderado pelo PT, caí em desalentado desalento, se é que não redundo. Mas hoje foi o dia da risada redentora: Roberto Freire é um brincalhão, na mais escorreita tradição daquela de atribuir feitos à avó do Badanha. Parece mentira. Diz o jornal, p.9:

O deputado [Roberto Freire] ficou inconformado ao ler que a president[a] Dilma Rousseff teria pedido ao Banco Central para colocar em circulação cédulas de dinheiro com a frase 'Lula seja louvado'.

E vem ele:

Issso é uma ignomínia! Dilma pede e B.C. coloca em circulação notas com a frase 'Lula seja louvado'.

Claro que, depois dessa ignonímia, algum amigo de boa fé chamou-o à razão e ele se desdisse. Já sabemos o teor de retificações de tal padrão: onde digo digo digo desdigo. Mas desdizer-se já se tornara ainda mais ridículo, pois parece que ele se tornara uma celebridade mundial, muito mais do que os 3% que ele fez naquelas memoráveis eleições. Ou seja, eu mesmo já citara Henri Agel:

"puisque l'impossible accède à la catégorie du vrai, le vrai, à son tour, peut accèdre à la catégorie de l'impossible."

A única ação que achei sensata, para o caso, foi olhar no dicionário o que é 'freire' e o que é 'ignonímia'. Achei o que segue:

.a. freire: membro das antigas ordens militares, irmão. Pimba, era a posição dele no Pecegueiro.

.b. ignomínia: grande desonra, opróbio, infâmia.

Claro que, para sabermos bem o que é opróbio, infâmia e mesmo honra, precisaríamos expandir esta postagem, o que se torna impossível, dada a impassibilidade deste ponto final.

DdAB
p.s.: no Japão, por muito menos, um samurai faria rolar um harakiri.
p.s.s.: e a imagem não é dele, é do outro Roberto Freire, mais estranho, mais circunspecto. E qual a diferença entre anarquista e comunista? Freire-PPS não sabe, pois "anarquisou" a seriedade.
p.s.s.s.: enquanto isto, os juros da poupança seguem recebendo elogios da classe dominante. ontem mesmo ouvi na TV (e li) um trechinho de uma declaração da presidenta dizendo que ela própria -muito sabida- manteria seus haveres da caderneta de poupança. Pensei: eu também, pois -ao lado da renda perpétua paga pelo Brasil às descendentes das viúvas dos combatentes brasileiros na Guerra do Paraguay- temos agora estas renda perpétua de 6% da caderneta de poupança. Pensei: meu dinheirinho da poupança fica lá até que a morte me separe.
p.s.s.s.s.: desfaçatez mesmo é o que vemos na República Federativa do Brasil. Como tampouco deu certo com Estados Unidos do Brazil, acho que tá na hora de fazermos um plebiscito para mudar novamente o nome.
p.s.s.s.s.s.: o marcador 'Besteirol' tem mais a ver com o p.s.s.s. e com o conteúdo lógico-formal da declaração do tovarich Roberto Freire-PPS.

P.S. de 15/dez/2015: às 11h20min de hoje, troquei o nome de Rimbaut lá no alto do texto pelo que consta. A memória falhou ao citar aquele "puisque l'impossible..." E de onde tirei esta citação, eu, que nunca li o mr. Henri Agel? Da epígrafe do livro "O Púcaro Búlgaro", de Campos de Carvalho.