quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Lange - O Objeto e Método da Economia: Parte Três/Final

querids blogeirs:
hoje acabarei as postagens sobre o interessante artigo de Oskar Lange. na verdade, falta pouco para concluir o artigo, apenas uma seção. mas depois postarei algo quase tão interessante. trata-se de um exercício para os estudantes/leitores que lidaram/lidarão com o original. sempre sustentei que o novato no estudo da ciência econômica deveria começar aprendendo o objeto e a análise. e apenas então passar a refletir sobre o método. por isto os temas de metodologia, em meu curso introdutório, eram reservados para a última semana de aula, quando o aluno já teria uma boa ideia das possibilidades da ciência econômica em sua vida cotidiana (de observador e leitor de jornais). neste caso, a lista lá de baixo poderia ser vista como uma espécie de coroamento de todos os conceitos usados durante o semestre, não apenas os relacionados com o artigo específico.

O objeto e método da economia.
Literatura Econômica. v.7 n.2 p.207-230, 1984.

Primeira Parte: aqui.
Segunda Parte: aqui.

Terceira parte:
.5. O Postulado da Racionalidade
:: postulado da racionalidade - refere-se à possibilidade de interpretarmos decisões das famílias de maneira similar às decisões das empresas:
.a. empresas - querem maximizar lucros (e outros objetivos)
.b. famílias - querem maximizar a utilidade (satisfação) resultante do atendimento de várias necessidades.

:: que é agir racionalmente? o agente é um ente que age. ele age racionalmente quando tem um objetivo em vista (e.g,, maximizar a satisfação com o consumo de bens e serviços) e busca o caminho de menor esforço para alcançá-lo.

:: adotar a suposição de que os agentes econômicos agem racionalmente

"nos fornece o instrumento mais poderoso para a simplificação da análise teórica. Pois, se uma unidade de decisão age racionalmente, suas decisões em qualquer situação dada podem ser prevista pela simples aplicação das regras da lógica (e da matemática) [sic]."

"[...] o postulado da raconalidade é um atalho para a descoberta de leis que governam as decisões das unidades e para a previsão de suas ações sob dadas circunstâncias."

"Embora sendo um atalho destinado a economizar investigação empírica elaborada, o postulado da racionalidade é, apesar de tudo, apenas uma suposição empírica. É uma hipótese que, em cada caso, deve ser verificada, confrontando-se as deduções lógicas do postulado com as observações da experiência."

"Isso precisa ser enfatizado porque alguns economistas acreditam que o postulado da racionalidade pode ser usado como princípio 'a priori', não sujeito à observação empírica. Em tal caso, contudo, as conclusões derivadas do postulado não poderiam ter, também, nenhuma relevância empírica. Em certas circunstâncias, bem-estar público e privado podem ser compatíveis: é o caso do laissez-faire."

SEGUNDA PARTE: Exercício sobre as Três Postagens Agora Concluídas
Iniciar a construir seu "Pequeno Dicionário de Economia".
.a. Retirar do texto de Lange o significado das palavras que serão listadas abaixo. Trata-se, como diz o título do exercício, de construir definições de termos econômicos.
.b. É sábio, então, começar tendo uma boa ideia (passada por um dicionário comum ou filosófico) do que é uma definição (termos correlatos: conceito, categoria).
.c. Neste exercício, alguns casos têm a definição prontinha. Por exemplo, para "produção": "a atividade humana que consiste em adaptar os recursos e s forças da natureza com o fim de criar bens e serviços é designada como produção".
.d. Outros requerem um pouco mais de elaboração, inclusive com casos em que a definição será derivada de outras já construídas. Exemplifico este caso com "necessidade" ou "necessidade social". O texto nem fala, mas -a partir do entendimento do conceito de necessidade biológica- pode-se deduzir o que é a necessidade social.


Palavras a procurar (algumas delas poderão estar nas três postagens do capítulo do livro que fiz há alguns dias):

atividade econômica, bem de consumo (ou bens indiretos), bem de produção (ou bens diretos), bem/bens, caráter social da produção, caráter social do trabalho, consumo, consumo improdutivo, consumo produtivo, cooperação, desgaste e depreciação, distribuição, distribuição (ou repartição), divisão do trabalho, economia política, força natural, forças produtivas, forças produtivas sociais, instrumentos de trabalho, meios de distribuição, meios de prestar serviços, meios de produção, meios de trabalho, necessidade/s, necessidades biológicas, necessidades coletivas, necessidades individuais, necessidades sociais, objeto da economia política, objeto material, objetos de trabalho, processo, processo de produção, processo econômico, produção, produção social, produto, relações de distribuição, relações de produção, relações econômicas, relações sociais, serviço/serviços, trabalho não-produtivo, trabalho produtivo, troca e utilidade/valor de uso.
DdAB
imagem: aqui. por que tanta ilustração com o dinheiro e o mundo? porque vivemos numa economia monetária. exagerando: vivemos num planeta monetário que gira por influência do dinheiro. hoje em dia, ninguém vive sem contato com o mundo dos bens e serviços que tomam a forma de mercadorias ou de bens públicos. há quem desgoste, claro. indivíduos racionais (epa, já vem uma aplicação da seção 5 do artigo de Lange) preferem o apêndice inflamado ser removido, o filho alfabetizado, o almoço servido e o patrimônio segurado (epa, tornei-me poético, hehehe).

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Lange - O Objeto e Método da Economia: Parte Dois

querids blogueirs:
seguimos hoje com a segunda parte do artigo de Oskar Lange [cujo original é de 1945]. para ler o que ontem postei, clicar aqui.



O objeto e método da economia.
Literatura Econômica. v.7 n.2 p.207-230, 1984.

2. A objetividade da ciência econômica
[chamar a atenção que objetividade não é neutralidade]
:: uma vez que os fatos são interpessoais, isto é, valem para todos, a economia é objetiva: duas pessoas que concordam em acatar as regras da lógica chegarão às mesmas conclusões, pois a mesma hipótese deve gerar o mesmo teorema.
:: as divergências entre ortodoxos e não-ortodoxos, burgueses e socialistas, e outros, não refutam a tese da objetividade e sim devem:
.a. refletir divergências entre objetivos sociais
.b. refletir divergências sobre os fatos relevantes
.c. fracassar ao ater-se às regras da lógica, da identificação e da verificação.
:: a persistência de divergência indica que as influências perniciosas são muito fortes. estas podem ser conscientes ou subconscientes:
.a. certa sociedade histórica
.b. certo padrão civilizatório (crenças, valores, preconceitos e interesses, horizontes, limitações)
.c. dependem da universidade, instituição de pesquisa, editores, imprensa, governo, empresas
.c. nação particular (classe social, grupo religioso ou filosófico, tradição política).
:: as influências subconscientes operam por meio de processos de racionalização de motivações não-lógicos; as ideologias não têm validade interpessoal. convencem apenas aqueles que compartilham das mesmas motivações subconscientes e se submetem aos mesmos processos de racionalização.

:: mas devemos notar que nem toda a influência ideológica é perniciosa, uma vez que foi a ideologia que influenciou no desenvolvimento da própria economia teórica.

:: certas situações econômicas levam ao desemprego e à inflação, qualquer que seja a simpatia ou antipatia do economista pelo sistema capitalista.

:: o elemento ideológico pode até ajudar a alcançar resultados válidos interpessoalmente:
.a. física e química - lucro e defesa nacional
.b. biologia - simpatia humana pelo doente
.c. ciências sociais - justiça social, liberdade.

:: também se sabe que as motivações conservadoras desfavorecem, ao passo que as progressistas favorecem, a obtenção desses resultados.

"é o desejo de mudança e aperfeiçoamento que, consciente ou subconsciente, que cria a inquietude da mente resultando na investigação científica da sociedade humana."

.3. As Unidades Econômicas e sua Coordenação
:: unidades: indivíduos, famílias, empresas, entidades governamentais
[quase 30 anos depois de ter lido o artigo pela primeira vez, penso: cara, bicho, gente, indivíduo, pessoa: ele está falando no que a matriz de contabilidade social designa como instituições envolvidas com a absorção da produção. as famílias protagonizam o consumo das famílias, as empresas protagonizam o investimento. também as empresas são responsáveis pelas exportações e importações. por fim, as entidades governamentais protagonizam o consumo do governo (e, se quisermos, o investimento do governo)].

:: cada um dispõe de certos recursos, os quais são classificados em três tipos:
.a. consumo
.b. produção
.c. troca
[na MaCS, fala-se em produção, apropriação e absorção; a apropriação pode ser feita por troca ou donativo]

:: os objetivos guiam as decisões:
.a. nas famílias é o consumo
.b. nas empresas é o lucro
.c. nos serviços públicos: bem estar público [escolas, hospitais, sistema judiciário, serviços industriais de utilidade pública, correio, exército]

:: as decisões destes três tipos de unidades podem ser independentes, e sua totalidade constitui a economia [o sistema econômico].

:: há equilíbrio na economia quando as decisões das unidades são consistentes umas com as outras.

:: como alcançar a coordenação?
.a. planejamento
.b. mercado
.c. misto entre planejamento e mercado.

.4. O Capitalismo e Outras Formas de Organização Econômica
:: a história da sociedade humana mostra diferentes maneiras pelas quais a administração de recursos escassos é organizada.

:: de todas as atividades econôicas é a produção aquela para a qual os homens dedicam mais tempo e atenção.
[isto também deve ter mudado nesses últimos 30 anos, ou desde que Lange publicou o artigo, lá em 1945; hoje fala-se em custos de produção e custos de transação e estes últimos chegam a superar os de produção; a menos, claro, que estejamos entendendo como produção o que Marx chamava de trabalho improdutivo, como o comércio e a proteção jurídica ao cumprimento dos contratos].

:: em tempos passados, os produtores eram as famílias: tratava-se da economia doméstica.

:: a crescente troca levou ao aparecimento da empresa.
[e aqui tem algo rimando com os parênteses acima: a empresa surgiu por causa do custo de usar o mercado, na visão de Ronald Coase]

:: o objetivo da empresa é o lucro, e ela o atinge tanto melhor conforme maior seja seu valor, ou seja, ela procura maximizar o lucro auferido em sua atividade.

:: a economia cuja maior parte da produção é da empresa é a economia capitalista:
.a. capitalismo estatal
.b. capitalismo privado

:: mas ainda há outros objetivos para a empresa: prestígio, posição social, desejo de 'vida mansa', responsabilidade social, aversão a decisões que envolvam risco.

:: elas sacrificam algum lucro para atender a esses objetivos. mas a busca do lucro domina os outros objetivos de tal modo que podemos pensar que elas se ajustam aproximadamente a nossa concepção teórica de empresa que maximiza lucros. 
[mesmo porque, sem lucro, não haveria como investir em, digamos, posição social do proprietário e sua família].

:: quanto ao risco, pode-se dizer que a empresa deseja maximizar seu lucro descontado o risco.

:: outra forma de organização econômica é o socialismo: a produção é feita por serviços públicos operados para a satisfação das necessidades da comunidade.

:: os proprietários são
.a. os governos: central, estadual e municipal
.b. as associações de cidadãos: cooperativas, clubes, sindicatos, fazendas coletivas
.c. corporações especiais do governo
.d. fundações.

:: a coordenação é planificação e mercado, tal como no capitalismo
[mas não havia um verdadeiro mercado monetário nos países socialistas, como identificamos claramente hoje em dia]

::a história raramente nos confronta com uma organização econômica que corresponda exatamente às nossas classificações teóricas, pois há claramente as economias mistas.
DdAB
o original desta foto com a fetichização da própria pele encontra-se aqui. tomara que fosse das tatuagens que se desvanecem quando o lombo (avermelhado pela agressão do artista) é submetido a sucessivos banhos de água e sabão.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Lange: O Objeto e Método da Economia - Parte Um

querids blogueirs:
Proêmio:
estaremos tods lembrads que, no outro dia, anunciei (aqui) alguns textos de Oskar Lange, a quem atribuí influência importante na minha formação de -agora temos até batismo - economista neo-heterodoxo.

nos dias seguintes, transcrevi as notas que usei para ministrar aulas de "O objeto da economia política; noções preliminares. p.13-15."

e hoje começo a fazer o mesmo com relação ao artigo [de 1945]:

O objeto e método da economia.
Literatura Econômica. v.7 n.2 p.207-230, 1984.

cujo original é de 1945, o ano da guerra que ainda não terminou... e uns malvadinhos diriam que ele, Lange, não terminou de escrever "economia política", ficando apenas no substantivo. e outros, malvadões, diriam que, se é o substantivo, ainda bem, pois o pior é o adjetivo. seriam, talvez, os que criaram o afamado silogismo "Todo político é ladrão"...

então lá vem Lange:

1. De que trata a economia
:: economia é a ciência da administração dos recursos escassos na sociedade humana

:: com isto, lembramos a noção de "necessidades", que são biológicas ou sociais. as biológicas têm comunalidades com o mundo dos demais seres vivos, ao passo que as sociais são produto da vida em sociedade.

:: para satisfazer as necessidades: usam-se recursos, que são bens e serviços. alguns são escassos e outros são abundantes. a questão sobre como distribuir os recursos escassos resulta de decisões tomadas pelos homens.

:: administrar os recursos escassos é produto dos padrões da civilização e organização e instituições da sociedade. há, a este respeito, uma influência que se desdobra:
.a. as necessidades determinam os padrões da civilização [e tu sabia que "civis é 'cidade'?].
.b. as organizações e instituições sociais determinam as maneiras pelas quais os recursos são usados.

:: as formas de administrar os recursos são influenciadas por:
.a. firmas de propriedade
.b. instituições tais como as corporações e os bancos
.c. conhecimento técnico
.d. regulamentação de atividades
.e. hábitos
.f. padrão moral.

:: daí poder-se ver por que a economia é uma ciência social, mas ela difere da sociologia, uma vez que privilegia o estudo das ações do homem quanto aos recursos escassos.

:: a economia não se satisfaz apenas com o conhecimento descritovo, tentando discernir padrões gerais de uniformidade na administração dos recursos escassos. [estes padrões, também chamados de 'regularidades' podem ser classificados em paralelismos e simetrias].  por exemplo, se os indivíduos ficam mais ricos, eles gastam mais em bens e serviços.

:: o ramo da economia que lida com tais padrões de uniformidade e os combina num sistema coerente é a teoria econômica. as proposições que enunciam estes padrões de uniformidade são as leis econômicas [e.g., se a renda sobe, compra-se mais]. mas devemos ter presente que as leis são proposições condicionais.

:: ou seja, tal e qual acontece sempre que tais e quais condições são satisfeitas [p.ex., se a renda sobe, mas os preços sobem ainda mais, não podemos garantir que se compra mais].

:: deste modo, podemos entender que as leis são historicamente limitadas a certos tipos de organizações e instituições sociais. não há, a partir disso, nenhuma diferença entre as leis sociais e as naturais, apenas que estas têm maior permanência histórica [algumas leis da meteorologia são menos permanentes...]

:: as leis são estabelecidas para fazerem predições. na economia, servem para prever o resultado de políticas, i.e., de ações públicas ou privadas com referência à administração dos recursos.

:: o processo da construção da teoria econômica é a observação, que deve ser
.a. realizada
.b. classificada
.c. interpretada
à luz das uniformidades estabelecidas pela própria teoria.

:: as leis são um conjunto de proposições dedutivas obtidas pelas regras da lógica (e da matemática) a partir de um conjunto de supostos e postulados.

:: a economia é tanto uma ciência dedutiva quanto empírica.

:: os teoremas estão sujeitos a testes através da observação empírica, quando -então- se tornam teorias ou hipótes ou modelos.

:: a teoria não é específica: não se pode conceber -por exemplo- o preço de um bem específico

:: os teoremas da economia teórica nunca são confirmados completamente e sim apenas parcialmente.

:: às vezes, formulam-se hipóteses compatíveis com os fatos

:: a administração dos recursos escassos deve ser feita tendo em vista certos objetivos sociais:
.a. satisfazer as necessidades individuais
.b. satisfazer as necessidades coletivas: industrialização, guerra, justiça social

:: uma vez que os objetivos têm caráter social, pode-se encontrar regras de uso dos recursos escassos que melhor conduzem à realização desses objetivos.

:: o uso daí sugerido é o uso "ideal". dele surge um padrão para a avaliar o uso real. e daí surge o capítulo da microeconomia chamado de "economia do bem-estar".

:: na economia do bem-estar, o caráter condicional das proposições é mais claro do que no restante da economia teórica.

:: as regras do uso "ideal" dos recursos podem então ser consideradas como um tipo especial de leis econômicas. isto torna conveniente incluir a economia do bem-estar na economia teórica como um ramo complementar.

[seções 2 e 3 seguem amanhã; termina quarta-feira!]
DdAB
imagem: aqui. entre o que falamos acima e o globo movido por dinheiro, houve uma longa evolução histórica. pelo menos 10 ou 20 mil anos!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Mais da Carta Capital

querido diário:
novamente caiu o horário de verão. uma vez que o domingo parece outonal em Porto Alegre, apenas posso dizer que o Sol gira mesmo em torno da Terra, ou vice-versa, pois seu passeio já venceu a inflexão estival. novamente leio a Carta Capital da próxima quarta-feira.

nas p.30-31 tem uma entrevista com o prof. Antonio Dias Leite, importante intelectual brasileiro, de 93 anos de idade e que foi ministro das minas e energia principalmente no afamado governo Médici. festeja-se agora o lançamento de um livro (2011) de título talvez propositadamente comercial: "Brasil, país rico; o que ainda falta". ou seja, não somos um país rico, pois faltam requisitos. parece-me -to be true- que, na verdade, falta mesmo é renda per capita. a turma do FMI e do Banco Mundial nos distingue com o título de "renda média".

mas o que poderia fazer a diferença é que os pobres brasileiros não precisariam ser tão pobres. o vilão desta história é o índice de Gini, se minha ironia não me esconde a visão das causalidades.

li e amei o livro "Caminhos do Desenvolvimento", em que Dias Leite articula um projeto nacional para o Brasil. na entrevista, fala-se nesta questão, com outro enfoque. seja como for, talvez por barbeiragem do jornalista Maurício Dias, o entrevistador, que indagou:
"Essa seria mais uma contradição?".
e diz que Dias Leite respondeu:
"Ninguém sabe exatamente o que é 'curto' e o que é 'longo' prazo. Para o mundo financeiro, o curto prazo é uma semana, o longo prazo é um mês."

pois eu, na condição de economista neo-heterodoxo, juro que sei o que são os prazos relevantes para a análise econômica e, em especial, a teoria da produção. claro que Dias Leite não disse nada contra isto, pois sabe-se lá o que quereria dizer o jornalista com a pergunta e ele com esta tirada.

curtíssimo prazo: período de planejamento (veja só, não é "período de tempo") em que nenhum fator de produção pode variar.

curto prazo: período de planejamento em que apenas o trabalho pode variar.

médio prazo: não existe esta definição na teoria microeconômica da produção.

longo prazo: período de planejamento em que podem ajustar-se os níveis de alocação do trabalho e do capital.

prazo secular (ou longuíssimo prazo): período de plajamento em que todos os fatores de produção podem variar, inclusive a tecnologia. neste caso, desloca-se a própria função de produção. aliás, sempre que uma função de produção se desloca, ou seja, seu intercepto cambia, estamos no prazo secular. e isto pode durar um dia, ou uma semana, sabe-se lá. quando falamos em "secular", parece que estamos falando em grandes ondas de inovação. mas este não é o uso adequado do termo.
DdAB
imagem: aqui.
p.s.: fora que o jornalista, como muitos, não sabe o que é leito de Procusto.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Equilíbrio Einsteniano

querida/os blogueiras/os:
será que alguém que milita em um partido irracional (PSOL) é racional? na p.12 de Zero Hora de hoje, tem um artigo assinado por Fernanda Melchionna, vereadora deste partido. precisamos pensar no título do artigo entre aspas: "Viver é como andar de bicicleta". e nos impressionarmos com a última frase: "Albert Einstein dizia: "Viver é como andar de bicicleta. É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio."

como suspeito de tudo, ambém suspeito da autoria da frase. onde estará escrita? procurei no Google. tem quase 50 mil documentos com parte ou toda. mas não procurei diligentemente ao ponto de achar onde, bem escritinho, está o pensamento. seja como for, creio que ele é maravilhoso breve contra a irracionalidade dos economistas que consideram que o conceito de equilíbrio é pernicioso para a construção da ciência econômica. muitos dos acusadores usam como argumento precisamente a segunda parte da frase: sem movimento, não há equilíbrio. eu já lera -Raymundo Pereira no "Movimento"?- que "da contradição é que surge o movimento".

acho que isto explica tudo: há contradição entre ofertantes e demandantes. dela, há movimentos nas quantidades e nos preços que levam a um vetor preço-quantidade que gera o equilíbrio. se não gerar amanhã, pelo menos terá gerado ontem: mesmo que muitos agentes tenham ficado insatisfeito, vendendo de menos ou comprando mais do que o previsto pelos primeiros., que deverão desviar-se de seus estoques considerados ótimos.

eu já disse que E = m x c^2 equivale a x = B x f, com os símbolos de matéria, energia, velocidade da luz, produção setorial, matriz inversa de Leontief e vetor da demanda final. e claro que estamos supondo, em ambos os casos, equilíbrio, igualdades. movimento. somos racionais, afinal. ainda que haja partidos muito céleres em querer o socialismo. o que nós -adeptos da teoria da escolha racional- passamos a entender que queremos são é reformas democráticas que conduzam a ele. ele, não. não agora.
DdAB
imagem: aqui. é só procurar o "é preciso estar em movimento". pode-se até voar, por instantes, e manter o equilíbrio. equilíbrio dinâmico é o termo que me foi ensinado.
p.s.: acho que já falei que um dia falei para um aluno, que era aquerenciado com Mário Possas e outros campineiros. ele sustentou que não existe equilíbrio. depois contou-me que eu cocei as barbas (será que as portava?) e lhe disse: "se não houvesse equilíbrio, não estarias aqui". não lembro de ter dito, mas lembro de ele dizer que eu disse. se o fiz, e o faço agora, é apenas para relembrar que E = m * c^2, ou seja, um inegável equilíbrio entre matéria, energia, espaço e tempo. seria impossível que um conceito tão arraigado assim à natureza das coisas fosse irrelevante para construir qualquer edificação científica mais sólida.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Mais Atropelos: agora é na praia

querida/o blogueira/o:
no outro dia, voltei a ficar estupefato ao ler em Zero Hora Papel (foto e site aqui) a notícia de que um rapaz de 18 anos, aparentemente portador de carteira de motorista, dirigindo uma camionete EcoSport, lançou-se pela avenida sobre um trecho ocupado por muitas pessoas. ele feriu 17 delas, sob a alegação de que queriam matá-lo precisamente porque ele avançava seu carro sobre elas.

há depoimentos de que um amigo dele foi visto, ocupando o banco do carona, portando uma arma e a usando, com tiros para cima. o novo atropelador nega peremptoriamente, diz que nada disso aconteceu em seu carro, que estava sozinho e que não bebera mais do que alguns goles de cerveja, o que o impediu de fazer o teste do bafômetro. o atropelador original tem parte da história contada aqui.

em minha visão microeconômica do mundo, o problema do crime é o preço baixo. obviamente a violência sempre é injustificável, mas no país da impunidade, ela passa a tornar-se moda.
DdAB
p.s.: da p.30 de Zero Hora de amanhã (!): "Pela versão do jovem, temendo linchamento, ele tentou fugir, ataropelando as pessoas. Testemunhas, porém, disseram à Polícia Civil que Pelizzer teria se irritado com pessoas que lançavam espuma com spray no veículo, e acelerado contra a multidão." fora o tiro para o ar. (acrescentado às 15h15min de 25/fev/2012).

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Lange: o objeto da economia política - III Parte/final

queridas/os blogueiras/os:
hoje termino o resumo do artigo "O objeto e método da economia política", citações literais e outras menos, pois os manuscritos que originaram estas três postagems foram notas de aula usadas em 1984.

tudo começou com:
.a. http://19duilio47.blogspot.com/2012/02/oskar-lange-os-prolegomenos.html

e tudo continuou com a Primeira Parte:


e prosseguiu com a Segunda:
.c. http://19duilio47.blogspot.com/2012/02/lange-o-objeto-da-economia-politica-ii.html.

então tá aqui a Terceira:

As Relações de Produção e as Forças Produtivas Sociais
:: as relações de produção ocorrem no processo de trabalho, i. e., no processo de ação do homem sobre a natureza. como são vários homens, dependem da cooperação e divisão do trabalho entre si
(repeti: ao transformar a natureza, o homem também se transforma no processo)

:: forças produtivas: a maneira e os meios empregados pelo homem para agir sobre a natureza no processo de produção, assim como a formação do homem ligada a esta ação

:: forças produtivas sociais: abarcam o conjunto de todos os fatores que determinam a produtividade social do trabalho num dado nível de desenvolvimento histórico da sociedade, envolvendo:
.a. os métodos técnicos de produção
.b. os meios de produção
.c. os instrumentos de trabalho
.d. a experiência e a aptidão dos homens
.e. os próprios homens,
o que nos permite dividir as forças produtivas em: reais e humanas

:: na produção, os homens não atuam somente sobre a natureza, mas também uns sobre os outros
[sobre este ponto, ver a p.38 do livro "Mesoeconomia; lições de contabilidade social - a mensuração do esforço produtivo da sociedade", Porto Alegre: Bookman, 2011. o Quadro 1.1 mostra um esquema envolvendo as afamadas três questões fundamentais da economia, nomeadamente, o que/quanto produzir, como produzir e para quem produzir. diz-se (seguindo Bob Rowthorn e, talvez, milhares de outros, como o próprio Lange está-se credenciando) as duas primeiras referem-se à apropriação da natureza, ao passo que a terceira diz respeito à absorção da produção.]

As Relações de Distribuição e as Relações de Produção
:: as relações de produção dependem do nível histórico das forças produtivas

:: as relações de distribuição dependem das relações de produção: a distribuição se dá de acordo com a participação que os homem exercem no processo social de produção
[não sei quando, vim a perceber que isto não é verdade, nunca foi. para não brincar que as mulheres também têm a ver com a produção, sempe penso nas crianças e velhos, que não produzem, mas absorvem, pois há outros mecanismos que trasformam a distribuição funcional (a ótica do produto na mensuração do valor adicionado) em distribuição secundária (da renda, propriamente); o produto mostra a transferência da renda dos produtores para os {locatários dos} fatores de produção, ao passo que a renda consiste na transferência do recebimento do pagamento pelos serviços dos fatores alugados pelas instituições aos locatários. claro que Lange nunca ouviu falar em matriz de contabilidade social. ou ouviu?, que é o instrumento que deixa clara esta questão. além disto, disse o sr. Chico Buarque lá de uma patroa: "nunca trabalhava então achava a vida linda"; tá cheio de gente nestas condições, por exemplo, os políticos, hehehe].

:: para Marx, a própria distribuição é um produto da produção, pois
.a. só o que é produzido é que pode ser distribuído
.b. a forma de participação na produção determina a forma como o produtor participará na produção.
[tá aí outro que nunca ouviu falar na matriz de contabilidade social; tenho dito por aqui e em outros foros que o que é produzido é aquilo para o que o capitalista acha que tem demanda, deste modo, a absorção é determinada pela distribuição que determina a produção que determina a distribuiçã o que determina a produção que determina três pontinhos; ou seja, o melhor é pensar mesmo que geração-apropriação-absorção é a verdadeira tríade que compõe o verdadeiro fluxo circular da renda {o qual, presumo, não exercia papel explícito na modelagem de Lange ou Marx, mas que estava em suas cabeças privilegiadas}

:: quando mudam as relações de produção, alteram-se por consequência as relações de distribuição [e posso aduzir: e quando mudam as relações de distribuição também mudam as relações de produção; da mesma forma, se nunguém mais usa cartola ou espartilho, muda a produção e a distribuição, com mudança aqui gerando mudança ali, ad eternum].

:: a atitude ativa do homem face à natureza no processo social de produção determina as relações de produção e estas, por sua vez, determinam as relações de distribuição.

[bem, já que entrei na trilha do revisionismo da hagiografia, devo deixar claro que
.a. esta visão é muito "Primeiro Volume", cuja missão foi deixar bem claro que o fetichismo das mercadorias até hoje produz falsa consciência e também que não é um capitalista que explora um trabalhador, mas a classe capitalista em seu conjunto é que explora a classe trabalhadora em seu conjunto
.b. dito isto, começam as mediações. por exemplo, se Marx nunca ouviu falar na matriz de contabilidade social, ele tampouco ouviu falar em falhas de mercado, bens públicos, etc., ainda que tenha falado pilhas sobre a falha de mercado representada pelo poder de monopólio dos grandes capitais, o que já nos está levando para o "Terceiro Volume".
.c. mesmo que o "Segundo Volume" fale em "esfera turbulenta da circulação", depois de tudo resolvido, ficamos com a mudança tecnológica ocorrendo na produção, na organização e na distribuição.]

ok. fim da série de três postagens sobre um artigo de Oskar Lange. em breve, tirarei um tempo para postar notas de aula de outro dos artigos citados na postagem "Prolegômenos".
DdAB
imagem: o que Mauricius Escher e eu estamos querendo dizer é que, se pássaros brancos estão -digamos- indo, e pássaros negros estão -então- vindo, haverá um ponto em que pelo menos um pássaro ou fragmento de pássaro não será nem branco nem preto nem estará indo ou vindo. e que talvez seja impossível desenhar tal ente. levei muitos anos para entender que ficou mais coisa fora dos três volumes do Capital do que neles entrou. levei muitos anos para entender que a "teoria do valor" é apenas uma teoria, uma explicação tentativa sobre certos fragmentos da realidade: ou o pássaro preto ou o branco ou as terras aráveis, ou o bosque, ou a cidade, ou o homem, a mulher e a criança, ou o capitalista e o trabalhador e o rentista, o pensionista, o sinecurista, o inventor e o ator, a empregada doméstica e a ama-de-leite. até a grande máxima "no capitalismo, tudo vira mercadoria, inclusive a honra" veio a ser substituída por mim pelo entendimento de que as transferências de renda entre as instituições (famílias para o governo, por exemplo e alocação do crédito/dinheiro sinalizado pela "poupança" das famílias, do governo e externa) tornam-se cada vez mais importantes, ao longo do desenvolvimento do capitalismo. culminei por começar a alardear -há muitos anos- que o capitalismo acabou há mais de 15 dias.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Lange: o objeto da economia política - II Parte

queridas/os blogueiras/os:
sigo com as postagens sobre o artigo "O objeto e método da economia política". tudo começou com:
.a. http://19duilio47.blogspot.com/2012/02/oskar-lange-os-prolegomenos.html
e tudo continuou com a Primeira Parte deste artigo que segue hoje:
.b. http://19duilio47.blogspot.com/2012/02/lange-o-objeto-da-economia-politica-i.html
devemos lembrar que há citações literais e outras não, pois os originais foram notas de aula usadas em 1984.

Caráter Social da Produção e da Distribuição
:: quanto mais longe remontamos no curso da história, tanto mais o indivíduo - e, como tal, o indivíduo produtor também - nos aparecerá num estado de dependência, membro de um conjunto mais amplo de indivíduos

:: logo, ao falarmos em produção, estamos -ipso facto- falando da produção feita por indivíduos que vivem em sociedade

:: Cooperação - é o trabalho em comum dos homens na produção

:: Divisão do trabalho - é o fato que permite aos diversos indivíduos especializarem-se em certos tipos de trabalho

:: Distribuição ou repartição - é o fenômeno da divisão dos produtos produzidos pelo trabalho social humano entre os indivíduos membros da sociedade

:: A distribuição se dá tanto entre indivíduos, para fins de consumo individual ou entre grupos organizados de indivíduos (comunas, associações, instituições, etc.)

:: A distribuição assume diferentes formas. Uma delas é a troca dos produtos gerados na produção.

O Trabalho Produtivo e Nâo-Produtivo (os serviços)
:: Existe certo tipo de trabalho humano que não cria objetos materiais, mas que satisfazem as necessidades humanas: balconista num armazém, artista, professor: os serviços

:: [Muitos chamam este tipo de trabalho de "não-produtivo]

:: No caso dos serviços, não se fala em "meios de produção", mas em "meios de prestação de serviços".

:: E uma categoria especial de "meios de prestação de serviços" é constituída pelos "meios de distribuição"

:: Nesta tradição, considera-se que os meios de prestação de serviços são bens de consumo.

A Economia Política: ciência das leis sociais da atividade econômica
:: O objeto da economia política são as leis sociais da produção e da distribuição.

:: A economia política estuda as leis sociais relativas à criação dos bens [e serviços/DdAB] e à maneira como eles são trazidos até as mãos dos consumidores, quer dizer, dos homens que, mediante esses bens [e serviços/DdAB] satisfarão suas necessidades individuais ou coletivas:

.a. o ato do consumo fica fora do domínio da economia política
.b. atividade econômica é a atividade social [dos homens] de produzir e distribuir os bens [e serviços]

:: processo: é uma atividade econômica que se repete constantemente. Assim, a produção e a distribuição são processos econômicos

[gostei quando aprendi que a repetição de ações gera processos e a repetição de processos gera estruturas, e a repetição de estruturas gera sistemas]

:: apenas pelo estudo das regularidades associadas à repetição de processos é que se pode observar o funcionamento de leis

:: assim, o objeto da economia política é estudar os conjuntos de regularidades [leis sociais] que regulam o processo econômico.

As Relações Econômicas
:: relações sociais são relações que se repetem constantemente entr os homens mediante uma atividade de dada espécie que se repete constantemente.

Relações sociais:
.a. entre governantes e governados
.b. entre professores e alunos [acho que este exemplo deve ser meu...]
.c. etc.
.d. agentes econõmicos e agentes econômicos

:: as relaçõessociais que se estabalecem no processo econômico surgem por inermédio dos objetos materiais que servem à satisfação das necessidades: os meios de produção ou os bens de consumo

:: são as relações econôlmicas: os objetos materiais desempenham aqui o papel de cimento das relações sociais entre os homens.

:: no processo de produção, as relações entre os homens e as coisas são as relações entre o gasto em trabalho e a quantidade de produtos criados, isto é, a produtividade do trabalho

:: no processo de distribuição são as relações entre as necessidades humanas e os diversos produtos.

:: assim, a economia política estuda as leis sociais do processo econ^mico: estuda as relações econômicas entre homens e as coisas que constituem o elo de ligação entre as relações econômicas

:: as relações econômicas são de dois tipos:
.a. relações de produção
.b. relações de distribuição - no caso em que a distribuição se dá pela troca, chamamo-las de relações de troca.

(Conclui na próxima postagem)
DdAB
imagem: aqui, encontrada com "medievo". tem gente que diz que o capitalismo é a "formação econômico-social" que nasceu entre o século XIV e o século XVII. e outros que ele nasceu apenas com a revolução industrial, o que -obviamente- deixaria de fora a revolução comercial. quem se entende?

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Lange: o objeto da economia política - I Parte

queridas/os blogueiras/os:
ontem fiz uma retrospectiva de quanto aprendi com o autor polonês Oskar Lange. inclusive transcrevi um apêndice ao capítulo que hoje começo a comentar em que ele faz um retrospecto da criação do termo "economia política", que é a definição profissional que escolhi para mim. nesta linha, tenho-me declarado "neo-evolucionário", por ter bebido nas fontes neo-clássicas e marxistas. Lange, certamente, ajudou-me a formar uma visão crítica da economia marxista. até cheguei a fazer-lhe um reparo sugerindo que o "economics" de Marshall já se encontrava em outros livros ingleses, na forma de "economicks", ou algo assim. ver aqui. então vejamos, com minhas palavras, este esquema feito em 1984:

Capítulo 1: O objeto da economia política; noções preliminares. p.13-15 de LANGE, Oskar (1967) Moderna Economia Política; problemas gerais. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura Econômica.

As necessidades humanas e os meios de Satisfazê-las
Natureza -> homem -> sociedade -> necessidade -> desenvolvimento histórico
Necessidades:
.a. biológicas e sociais
.b. individuais e coletivas
Ambas são satisfeitas com objetos materiais (bens e serviços) obtidos da natureza por (p.14): "extração, transformação, modificação dos caracteres físicos, químicos ou biológicos, deslocação no espaço ou conservação no tempo."

Natureza - Economia Política

Satisfação das necessidades com objetos materiais fornecidos diretamente ou não pela natureza:
.a. bens (bens livres): objetos materiais
.b. produto: é o resultado da ataividade da produção humana

A produção e o trabalho
Produção: é a atividade humana intenconal e consciente que consiste em adaptar os recursos e as forças da natureza com o fim de criar bens [e serviços]. Nesta linha é que "produto" difere de "bem ou serviço".
Trabalho: é a atividade humana consciente e intencional pela qual o homem atua sobre a natureza, transformando-a de acordo com suas necessidades.
Ao mesmo tempo que o homem atua sobre a Natureza com seu trabalho e a transforma, ele transforma sua própria natureza e desenvolve as faculdades que nela se encontram em estado latente.

Notate bene: nunca pude identificar o local em que se encontra esta frase atribuída por Lange a Marx. (ver p.s.s.s.s.s.s.s.)

Os meios de produção e os meios de consumo
Meios de produção: são objetos materiais dos quais o homem se srve para realizar seu trabalho (de atuar sobre a natureza, a fim de transformá-la de acordo com suas necessidades e, ao fazer isto, transformar-se a si próprio), mas que não atendem diretamente a suas necessidades.
Objetos de trabalho: são meios de produão transformados durante o processo de trabalho: riquezas naturais, tais como a terra, a fauna e flora, carvão entro das minhas, assim como as matérias-primas (e.g., algodão) e os produtos semi-acabados (e.g., casaco sem botões).
Meios de trabalho: são meios de produção que servem para modificar os objetos de trabalho.
Instrumentos de trabalho: são meios de trabalho, ou melhor, objetos de trabalho, especialmente adaptados à execução de uma dada atividade, como os machados, as serras, as máquinas, a aparelhagem de um laboratório, as locomotivas. Também se consideram instrumentos de trabalho os edifícios, depósitos, portos, estratas e a terra (que é instrumento e objeto).
Bens de produção: são meios de produção que só servem indiretamente à satisfação das necessidades humanas (por isto são chamados de bens indiretos).
Bens de consumo (ou bens diretos): são bens que atendem diretamente as necessidades humanas.
Consumo: é o próprio ato de satisfazer as necessidades humanas.
Consumo produtivo (ou desgaste produtivo): é o desgaste experimentado pelos meios de produção em virtude de terem sido usados.

(Continua...)
DdAB
imagem: só posso dizer que era casca bem grossa ser homem primitivo. tu viu que lá no fundo (tercil superior) à direita, tem uma leoa correndo, a fim de auxiliar o homem na luta contra aquele leão desagradável?
p.s.: a frase "ao transformar a natureza, o homem transforma sua própria natureza", acabo de achar nesta mesma terça-feira gorda, aqui. trata-se da tese de doutorado de Cláudio Stieltjes, cujo título é "A IRONIA EM A UTOPIA DE THOMAS MORE; IDEOLOGIA E HISTÓRIA", submetida à USP em 2005. o interessante é que andei procurando a fonte da citação. não lembrava de tê-la escrito nas notas retiradas de Lange e menos ainda que seria da "Contribuição à Crítica da Economia Política", o que não pude conferir hoje, pois meu exemplar desta obra encontra-se longe de mim.
p.s.s.: diz Stieltjes que, na Grécia, "trabalho" é designado com uma palavra tipo "sacrifício" e nós, economistas, sabemos que o próprio substantivo "trabalho" evoca um relho de três ramos.
p.s.s.s.: olhei meu dicionário etimológico, meu e de Antônio Geraldo da Cunha (ele escreveu e eu comprei, hehehe). no verbo "trabalhar", ele diz: "ocupar-se em algum mister, exercer o seu ofício [século] XIII. Do lat. vulg. tripaliare 'torturar', devivado de tripalium 'instrumento de tortura composto de três paus; da ideia inicial de 'sofrer', passou-se à de 'esforçar-se, lutar, pugnar e, por fim, trabalhar.
p.s.s.s.s.: tá na cara que, quanto mais cedo conseguirmos transferir a robôs (os gregos tê-lo-iam feito aos escravos) todo o trabalho, neste sentido de "sacrifício", melhor.
p.s.s.s.s.s.: o homem é o único animal que, ao transformar a natureza, transforma sua própria natureza.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Oskar Lange: os prolegômenos

queridos/as blogueiros/as:
ontem, no rodapé da postagem um tanto premonitória (antecipei eventos que ocorrerão apenas depois de amanhã, hehehe), falei que começaria uma série de postagens sobre Oskar Lange e centenas de glimpses que aprendi com ele. descontadas leituras de que não tenho registro (por exemplo, os dois ou três livros em espanhol), encontrei quatro pastas com textos dele e, em duas, comentários meus. lá vai:

.a. livro:
LANGE, Oskar (1967) Moderna Economia Política; problemas gerais. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura Econômica.

.a.1 Capítulo 1: O objeto da economia política; noções preliminares. p.13-15.
.a.2 Capítulo 4: O método da economia política. p.90-138. [Não falarei mais sobre ele].

.b. artigos:

.b.1 O objeto e método da economia. Literatura Econômica, v.7 n.2 p.207-230.
Notas. Tradução: Antonio Silva Dias, Luciana Varnieri Brito, Maria Juliana Zeilmann Fabris e Renato Lui Romera Carlson. Revisão da tradução: Achyles Barcelos da Costa, DdAB, Pedro Silveira Bandeira e Suzi de Avila Bérni. O original intitula-se "The scope and method of economics" e foi publicado na Review of Economic Studies, v.13, em 1945. Os tradutores foram meus alunos de Introdução à Economia na UFRGS em 1984, ou seja, há milhares de anos. Fizemos uma empreitada, da qual participou também o acadêmico Marco Antonio Vargas, cujo trabalho foi misturado com alguma gema de fino lavor e a autoria perdeu-se na ourivsaria do tempo.

.b.2 A economia marxista e a moderna teoria econômica. Publicado em:
HOROWITZ, David, org. (1972) A economia moderna e o marxismo. Rio de Janeiro: Zahar. p.66-83. [Não falarei mais sobre ele].
Notas: diz o rodapé: Reproduzido da Review of Economic Studies, junho de 1935. Digo eu: este é uma dos mais extraordinários e visionárias outras matérias (artigos e livros) que já li.

Hoje vou tanscrever um apêndice de menos de duas páginas do primeiro capítulo do livro:
.a. título do capítulo: O objeto da economia política; noções preliminares.

OBSERVAÇÕES SOBRE A HISTÓRIA DA DENOMINAÇÃO "ECONOMIA POLÍTICA" E OUTRAS SIMILARES
O termo "economia" provém de Aristóteles. Designa a ciência das leis da Economia Doméstica. Em grego, oïkos quer dizer casa e nomos, lei. A expressão "economia política" começou a ser usada no princípio do séc.XVII. Foi Montchrétien que a introduziu, para publicar, em 1615, um livro intitulado Traité de l'écononomie politique (Tratado de economia política). O adjetivo "política" devia indicar que se tratava de leis da economia do Estado; Montchrétien ocupava-se, com efeito, em seu livro, principalmente das questões das finanças do Estado. Posteriormente, a denominação "economia política" generalizou-se para designar as pesquias consagradas aos problemas da atividade econômica social. O termo grego politikos é sinônimo de "social" (por exemplo, Aristóteles definiu o homem como sendo um "animal social": zoon politikon). Daí considerarmos as expressões "economia política" e "economia social" como sinônimos, se bem que esta última exprima melhor o verdadeiro conteúdo desta ciência.

Por vezes, a Economia Política é definida como sendo a ciência da "economia social". É esta a expressão que empregou Supinski no título de sua obra: Szkola polska gospodarstwa spolecznego (A Escola Polonesa da Economia Social) (1862-1865). Na França, em conformidade com uma tradição que remonta a 1615 e a Montchrétien, a expressão "economia política" é geralmente empregada até hoje. Por exemplo, o célebre tratado de Charles Gide: Principes d'économie politique (1884). A expressão "economia social" foi muito empregada na Polônia em fins do séc. XIX e princípios do séc. XX. Esta expressão tinha igualmente partidários em outros países. Na Itália, Luigi Cossa intitulou a sua obra, publicada em 1891, Economia Sociale. Na Alemanha, foi essa a expressão empregada por Heirich Dietzel: Theoretische Sozialoekonomie, 1895.

Na Inglaterra - certamente por influência francesa - a expressão adotada foi "economia política". James Stewart foi o primeiro a empregá-la, quando intitulou o seu livro, editado em 1767, Inquiry into the Principles of Political Economy.

É desta tradição franco-inglesa que provém a designação "economia política" que Marx e Engels escolheram para designar a ciência que trata das leis sociais da produção e da distribuição dos bens, devendo-se observar que Marx definiu por vezes a sua obra como sendo uma "crítica da economia política", quer dizer, uma crítica das doutrinas que formam o que se chama a Economia Política clássica. Desde então, a expressão "economia política" tem sido universalmente empregada na literatura marxista. Rosa Luxemburgo constitui uma exceção: falava, com efeito, em seus cursos de Economia Política, da "ciência da economia nacional" (Nationaloekonomie), (Cf. Rosa Luxemburgo - Einführung in die Natonaloekonomie. Ausgewählte Reden un Schriften, Berlim, 1951, vol.1).

Era essa a designação que, a partir da segunda metade do séc. XIX, tinha alcançado ampla aceitação na ciência oficial alemã (Nationaloekonomie, Volkswirtschftslehre). Traduz a apreciação específica, de papel da nação enquanto fator econômico, da chamada escola história que representava a corrente dominante na ciência oficial alemã. Deve-se acrescentar que esta expressão foi empregad apela primeira vez pelo monge veneziano Gianmaria Ortes em seu livro Della Economia Nazionale, publicado em 1774. Fryderyk Skarbek também intitulou o seu curso de Economia Política, publicado em 1895: Ogólne zasady nauki gospodarstwa narodowego (Princípios Gerais da Ciência da Economia Nacional). Na Rússia, a expressão "economia política" foi empregada com persistência, a princípio sob a influência da tradição franco-inglesa, posteriormente por se tratar de expressão universalmente empregada na literatura marxista.

Depois que Alfred Marshall intitulou o seu livro, publicado em 1890, Principles of Economics, o termo "economia" foi usado cada ver mais no ensino univestitário dos países anglo-saxões. Nesses meios, suplantou a expressão "economia política", que empregava ainda William Stanley Jevons (seu livro, publicado em 1871, chamava-se The Theory of Political Economy). Na Polônia, o termo ekonomika é empregado com especial insistência por Edward Taylor em seu Wstep do ekonomiki (Introdução à Ciência Econômica), 2a. edição, Gdynia, 1947. Cf. igualmente Adam Krzyzanowski, Zalozenia ekonomiki (Os Princípios da Ciência Econômica), Cracóvia, 1919. Isto não deixa de ter relação com um certo deslocamento do objeto das pesquisas econômicas, questão sobre a qual teremos ocasião de voltar a falar. Atualmente, nos países anglo-saxões, o termo "economia política" é empregado quase exclusivamente na literatura marxista, que opõe conscientemente a "economia política" da chamada escola clássica e de Marx e Engels à "ciência econômica" universitária contemporânea. (Por exemplo, Maurice Dobb, Political Economy and Capitalism, Londres, 1937).

de minha parte, posso juntar-me à temática da definição da -que chamo- ciência econômica. primeiro: vejo, aprendido com o próprio Lange, que não há uma mas, pelo menos, duas ciências econômicas, dois paradigmas, no dizer de Thomas Kuhn e sua aplicação mais direta à ciência econômica, o belíssimo artigo "Radical Political Economics as a Scientific Revolution", de Stephen T. Worland, e publicado no Southern Economic Journal, v.39 n.2 oct/1972. o próprio Lange, como observamos pelo título acima, fala em "economia moderna" e "marxismo", ao invés de "economia", ou "economia política" e "economia marxista". e, de passagem, ganhamos o entendimento que os economistas radicais (marxistas?, apenas estes?, claro que não) americanos (que hoje alguns chamariam de heterodoxos, juntamente a pilhas de outras escolas, como os pós-keynesianos, os austríacos, os evolucionistas, os institucionalistas, os comportamentalistas, e por aí vai) falavam em "economics" e não em "economy", a diferença entre a ciência e o sistema econômico.

outro ponto que junto a esta discussão é que a teoria da escolha pública dos anos 1950 também é intitulada de "Political Economy".

por fim, gostaria de dizer o que andei inferindo ser a contribuição para o "economics" de Alfred Marshall. tempos atrás, baixei da Internet o livro "Political Arithmeticks", de William Petty. daí chegou-me a "political economicks", o que mostra que realmente Marshall pulou o "political" (como poderia ter pulado o "social"), mas manteve o "economics", sacando fora apenas o "k".
DdAB
a foto de Oskar Lange vem da Wikipedia. lá podemos ver alguns traços biográficos do polaco. a tradução acima referida, feita por meus alunos, fez-se acompanhar por alguns traços biográficos de Lange, ausentes da ficha da Wikipedia.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Intolerância Capital: caso contraditório

queridos blogueiros:
de volta ao futuro, acabo de ler a Carta Capital da próxima quarta-feira, dia 22/fev/2012, a afamada quarta-feira de cinzas. acabará nosso carnaval? (ver Carlos Lyra no YouTube). na p.18, tem uma matéria sobre a tentativa das oposições venezuelanas de impedir a terceira (ou milésima?) eleição de Hugo Chavez à presidência da república. aliás, ela -Carta Capital- ajudou-me a entender -há anos- o que me desagradava com a aprovação do congresso daquele conturbado país de eleições eternas para o presidente da república, ou seja, precisamente o rapaz que já cumprira dois mandatos. disse a Carta: não se pode dizer que não houve democracia, pois a maioria votou e escolheu-o. é bem verdade que observadores internacionais apontarem irregularidades naquela eleição, mas tomemos como "tudo o.k.". ainda assim -e lá veio a Carta- o problema com este tipo de reeleições eternas é que o culto à personalidade de algum líder carismático mina o surgimento de novos líderes. parece que estou vendo a dinastia em segunda ou terceira geraçao na Coréia do Norte, também um país conturbado.

pois bem, cadê o radicalismo da Carta Capital à p.18? o unificador das oposições é Henrique Capriles. que diz a Carta? "era prefeito de Baruta, na Grande Caracas, quando golpistas assediaram e vandalizaram a embaixada de Cuba lá situada e Capriles exigiu inspecioná-la em busca de asilados, principalmente o vice Cabello. As conexões de seu partido, Primeiro Justiça, incluem o DEM brasileiro, o Partido Conservador Colombiano, o PAN mexicano e a maioria dos democrata-cristãos do continente." e por aí vai.

eu pensei: esta notícia é de má-vontade, pois tá na cara que todo mundo pode reestruturar-se em composições eleitorais, com o fim de derrubar uma ditadura. que digo? ditadura eleita? claro, da mesma forma que os militares (aliás, Chavez também é/foi milico) elegeram-se milhares de vezes pelo Brasil afora em plena ditadura militar. o medinho da Carta Capital é que esta união, varrendo da direita para a esquerda, derrote o chavismo, o bolivarianismo e outras besteiras de igual jaez.
DdAB
p.s.: talvez a partir de amanhã eu comece uma série de postagens sobre o economista polonês Oskar Lange. all of a sudden, dei-me conta de que aprendi pilhas com meia dúzia de escritos dele, que usei como carga de leitura e, portanto, gerando copiosas notas de estudo e de aula.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A Ficha Limpa e os Juízes


queridos blogueiros:
num time de futebol, se houver alguma rebelião estranha, uma divisão dialética entre os jogadores e um grupo decidir sabotar seu time e outro optar por jogar prá frente, pode-se sugerir a criação de dois clusters de seis e cinco jogadores para cada lado. a sabedoria humana, por esta razão, criou os times com 11 jogadores para cada lado. para simplificar a modelagem, que esta não é uma postagem marcada com "Besteirol", suporemos que não há conluios entre facções de dois times se enfrentando nos sagrados 90 minutos. não é garantido que os seis vençam os cinco. mas é provável.

no caso do supremo tribunal, onde juízes ganham R$ 33 mil mensais e, em certos meses especiais, ganham R$ 400 mil, ou seja, o mesmo que 800 trabalhadores, sempre que o escore for de seis a cinco, haverá vitória para esta maioria simples, é simples, é aritmético.

a p.16 da Zero Hora de 17/fev/2012 fala do caso do julgamento da chamada lei da ficha limpa. ela proibe candidaturas de indivíduos condenados em primeira instância (ou seja lá que diabos o jargão utiliza) de passaram a mão no dinheiro público, houve uma vitória esmagadora dos apoiadores da lei (sete votos) contra os que a consideram inconstitucional (quatro votos). o jornal dá a lista de qual ministro votou em qual posição.

sou completamente favorável à aplicação desta lei, o que não me impede de reconhecer a validade de algumas ponderações. mas, no frigir dos ovos, se eu ganhasse os tais R$ 400 mil mensais, não apenas contrataria 799 trabalhadores para ajudarem-me nessas difíceis decisões, mas também votaria pela constitucionalidade da lei. já argumentei aqui em pretérito perfeito a favor da lei.  vou listar e comentar alguns argumentos dos juízes efetivos. selecionei algumas passagens do jornal.

primeiro: "[...] ficam proibidas de concorrer pessoas condenadas por um órgão colegiado, que tiveram mandato parlamentar cassado ou que tenham renunciado a ele para evitare a punição." parece-me fair enough.

segundo: uma das polêmicas rolou em torno da possibilidade de que um indivíduo que foi condenado injustamente (no órgão colegiado, na cassação do mandato (como o de Ibsen Pinheiro, de que falei ontem) ou da negadinha (tipo Jader Barbalho) que renunciou ao mandato instantes antes de ser cassado, tornando-se incassável) ser injustiçado. claro que a solução é a negadinha que os julga ser mais rápida. daí a razoabilidade do clamor da sociedade para que os juízes não tenham direito a 60 dias de férias remuneradas. ou seja, parece que muitos desses juízes não entendem bem a constituição (o que torna-se óbvio quando os escores de julgamentos de constitucionalidade ou inconstitucionalidade de certas leis tornam-se algo como 6x5 ou 5x6). que quer dizer presumir inocência? ninguém é culpado até que se levantem suspeitas de que ele praticou um crime. se há suspeitas, evidentemente a presunção de inocência cai por terra. como é que posso presumir a inocência, digamos de um atropelador de ciclistas, quando dezenas de ciclistas são atropelados por ele. o testemunho não vale? precisa do aval de 800 trabalhadores?

terceiro: o argumento de que a lei é de iniciativa popular. claro que há dois gumes nesta faca. já evoquei, com estupefação, o caso do povo argentino manifestando-se a favor da invasão das Ilhas Malvinas e depois a favor da expulsão dos militares das Falkland Islands. o mesmo povo? claro que não. há dois povos: o favorável à ficha limpa e o contrário a ela. no supremo tribunal, são quatro. na sociedade brasileira, são milhares. tanto é que volta e meia elegem gente como o dr. Jader Barbalho, mesmo que ele tenha renunciado ao mandato por temor da cassação.

quarto: este negócio da presunção da inocência é casca grossa. já falei pilhas de vezes que eles deveriam entender o negócio de maneira diferente. ou seja, se o indivíduo praticou um crime (mão no dinheiro público) há dois anos e foi condenado no órgão colegiado, o que vale não é a data do crime ou da condenação, mas é óbvio que o que interessa é a data da tentativa de registro na justiça eleitoral.

quinto: argumento ampliativo - da mesma forma, a obtenção de provas ilegais inviabiliza o processo. já falei que eles deveriam era usar a prova, mas condenar neguinho que usou os meios ilegais, a fim de obtê-las. parece óbvio que, se o deputado é ladrão, mas prova-se isto entrevistando ilegalmente sua empregada doméstica, o criminoso segue sendo o deputado, tendo levado ao crime também o entrevistador da garota. o que não é razoável de admitir é que a entrevista ilegal dilua o crime do representante do povo.

quinto: e por aí vai a vida.
DdAB
e a imagem veio daqui.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Blog do Carnaval

queridos blogueiros:
dizem que, chegando ao Rio de Janeiro para o Carnaval de 1500, P. A. Cabral dirigiu-se ao Cacique:

-Araribóia, me passa um prato de bóia.

esta expressão, dada a furia dos gramáticos luso-brasileiros, no Carnaval de 512 anos depois, deixa-se grafar como:

-Arariboia, me passa um prato de boia.

a economia de tinta por não precisar pintar aqueles dois acentos agudos sobre a letra "o" (se é que ""o"" é) é incalculável, pois o que fica para todo o resto a eterninade é incalculável. felizmente, como o Universo Conhecido não é eterno, é fácil de calcular, o que não farei aqui porque começam os folguedos de Momo. claro que esta economia deverá sobrepujar o gasto do ministério da educação em mandar imprimir milhares de novos dicionários para distribuir às escolas de todo o Brasil.

não me parece folguedo excessivo conjeturar que a grande razão para fazerem reformas ortográficas praticamente a cada semana é que, com isto, o ministério da educação terá que comprar mais dicionários e os produtores de dicionários venderão mais dicionários. e, além disto, milhares de outros livros caducam e devem ser substituídos.

bons folguedos a todos/as.
DdAB
imagem: procurei "folguedos" e apareceram dezenas de imagens de bom gosto e outras centenas, de mau gosto. optei por abcz.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O PMDB Gaúcho

queridos blogueiros:
na p.16 de Zero Hora de hoje, diz-se que o deputado Osmar ("Mete Viciado em Crack na Cadeia Compulsoriamente") Terra lançou a candidatura do sei-lá-se-deputado-vereador-ou-o-quê Ibsen Pinheiro para prefeito de Porto Alegre. a situação é a seguinte. além de este Osmar Terra ser o velhinho desta iniciativa de internar a negadinha contra a vontade (eu mesmo fico pensando que poderiam acusar-me de usuário da droga e encaçapar-me, por engano, no Presídio Feminino Madre Pelletier), Ibsen Pinheiro foi presidente da câmara dos deputados e, de lá, foi cassado por seus pares, ao investigaram "irregularidades no orçamento da união".

então esta é a dupla. o indicador "declarando-se porta-voz de Ibsen" e o indicado. qual é a questão, se alguém da Látvia me lê? há três anos, o ex-senador José Fogaça (PMDB) -depois de muito vacilar- elegeu-se prefeito de Porto Alegre. depois de muito vacilar, aceitou ser candidato de seu partido ao governo do estado. perdeu a eleição e, naturalmente, já perdera a prefeitura meses antes. seu vice-prefeito, José Fortunatti (PDT) alçou-se ao posto. em outras palavras, naquela eleição para prefeito, houve uma aliança PMDB-PDT.

estes dois partidos fazem parte da coalizão partidária que controla a república e, com ela, sua presidenta, a economista Dilma Rouseff. mas bem sabemos que o equilíbrio é instável, dada a condição de "agatunados" de milhares de políticos integrantes destas duas siglas (e, lamento digitar, de todos os demais). não podemos dizer que estes partidos são religiosamente da direita, mas que parecem, lá -permito-me avaliar- parecem!

no Rio Grande do Sul a tragédia é -fogem-me os termos- mais trágica. aqui o PMDB pensa que nada mudou no Brasil. ele, que iniciou com uma linhagem de esquerda, fez tantas e tão divertidas que passou a ser avaliado por mim como "oportunista de direita". seu futuro está nas mãos de intelectuais do porte de Daniel Kieling, presidente da juventude estaduaol: "Como vou votar num prefeito que vai apoiar Tarso? Queremos um compromisso público de que o PDT de Porto Alegre não estará com o Tarso", isto é, Fortunatti, alegadamente. Tarso Genro (PT), para quem chegou tarde, é o governador do estado.

temos como candidatos ou tentativas: Manuela Dávila (PCdoB), José Fortunatti (PDT), Adão Vilaverde (PT) e, talvez, Ibsen Pinheiro (PMDB). estou apostando que vencerá o PDT, com maiores ou menores coalizões. na linha das perguntas retóricas iniciadas por Kieling, eu me pergunto: como é que, sóbrio, eu vou apoiar alguém? só bebendo!

DdAB
na imagem acima, Henrik Ibsen himself, que, acabo de saber, era norueguês.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Viver no Futuro: Michio Kaku

queridos blogueiros:
há alguns anos, li o livro "Hiperspaço", de Michio Kaku, em que ele argumenta -para expandir minha lista de dificuldades de entendimento- que o espaço tem nove dimensões, e fala desenvoltamente sobre elas. para mim, ou tem as três euclideanas, ou tem infinitas. esse negócio de quatro eistenianas ou nove kakéticas não me convence. até já falei desdobramentos de E = m x c^2 por aqui. e tem gente que não entende que se
E = f(m, d, t),
então, por exemplo,
t = g(E, m, d),
não é mesmo? o fato de não atinarmos com elas não as impede de existirem, como é o caso dos ácaros que, provavelmente, esãto sendo destruídos por meu sistema pulmonar neste preciso instante, aspirados que foram do espaço euclidiano da sala em que hora digito.

segue-se logicamente que a p.1 do caderno "ZH Digital" tem-no -ao Michio- na capa, um estilão filmes (que não vi) Harry Potter, respondendo pelas garrafais: "Físico do Impossível; abre janela para o futuro." uma vez que amo o futuro, li a materiazinha curta, de assinatura de Vanessa Nunes e resumo:

.a. no futuro, todos viveremos mais,
.b. nossos corpos, inclusive os cérebros, serão analisados por chips e câmeras permanentemente,
.c. também nossos dejetos corporais serão permanentemente analisados, as doenças serão antecipadas por meio deste tipo de instrumento diagnóstico até antes de se formarem, particularmente, o câncer, e também -já vou inventando- as cefaleias, as azias, as febres, essas coisas)
.d. duas pessoas habilitadas em línguas diferentes poderão conversar, fazendo-se acompanhar de traduções simultâneas (em tempo real), tipo projetadas numa tela na linha do Schwartzenegger's "Exterminador do Futuro",
.e. o grande problema será a privacidade de nossas vidas, pois as máquinas poderão ler nossos pensamentos e precisaremos de softwares de bloqueio, como os firewalls contemporâneos,
.f. os robôs substituirão trabalhadores em atividades repetitivas.

Agora começam a falar mais de meu lado economês:

.a. "Os profissionais do futuro [...] terão de oferecer algo que robôs não têm: imaginação, criatividade, talento e experiência."

.b. "A riqueza não estará em commodities, mas sim em capital intelectual."

E agora cutucaram meu lado roqueiro futurista: "Máquinas não podem criar rock and roll."

segue-se logicamente:
.a. precisamos da renda básica universal, para que a sociedade propicie existência digna para aqueles indivíduos "sem imaginação, sem criatividade, sem talento e sem experiência." parece evidente que estamos chegando na hora de uma transformação radical nas regras da distribuição do excedente econômico entre as diferentes instituições da sociedade, como as famílias, o governo, as organizações não governamentais, os países amigos (exportações, importações) e as empresas domésticas (investimento). ou seja, o que prevejo é o racionamento dos "profissionais", para que todos possamos sê-lo um pouco ao longo de nossas ainda mais longas existências. em outras palavras, o incentivo para alguém atuar "profissionalmente" será dado mais pela honraria que a sociedade vai conferir-lhes do que pelo pagamento em dobrões de ouro. haverá, claro, dobrões de ouro, medalhas, etc., mas ninguém poderá ser convidado a falecer, a fim de melhorar o desempenho das "contas públicas". viveremos na sociedade da abundância [ergo, o que está sendo feito com a Grécia não está no mapa],

.b. se hoje podemos ouvir música feita por máquinas, tu só imagina o que será deste trade daqui a 1.000 anos. não digo que as músicas dos robôs sejam melhores do que as dos melhores humanos, mas é certo que a música média do robô será melhor do que a média dos humanos. e tudo o mais. basta ver o que aconteceu com os jogos de salão (cartas, poker, damas, gamão, xadrez): os programas de inteligência artificial são campeões de tudo. e também de diagnósticos médicos, análise de crédito, de previsões econômicas e de tudo o que não sei, mas que são, lá isto são.
DdAB
abcz (joga no grêmio o vivente?)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Tragédias dos Nomes

querido diário:
ontem vi no jornal que um presidiário fugiu de uma casa de detenção de segurança máxima, saindo pela porta da saída. ele enganou os diligentes dirigentes, pois fez-se passar por seu irmão, que o visitava. achei uma tragédia.

hoje, na primeira página de Zero Hora, para mim, nem li o resto, virou comédia. o criminoso estava condenado ao xilindró até 2032, ano em que -se tudo correr bem- estarei completando 85 years old. comédia? evasões de presídios são parte das comédias? claro. a primeira foi a cena de Woody Allen sei lá em que filme: ele esculpiu um revólver em uma barra de sabão. tudo começou bem, mas -ao sair ao ar livre para chegar à porta da saída- não percebeu que a chuva derreteria o sabão. lá na frente, foi facilmente dominado.

e aqui? pois o criminoso chama-se Michel Bonotto e seu irmão é o Richely. pensei: Richely, Richelieu, e lembrei do rapaz que assassinou os ex-colegas de escola no Rio de Janeiro. chamava-se Wellington, creio que em justa homenagem a um ex-governador carioca.
DdAB
imagem: a toalha Richelieu veio daqui. by the way, na foto do jornal, o Michel e o Richely são tão diferentes quanto o vinho e o pelourinho.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Exemplo Chinês?

querido diário:
viajando no tempo, já li a Carta Capital de 15/fev/2012. ano 17 n.684. e valeu a pena. há uma "Reportagem sobre capitalismo de estado" traduzida da revista The Economist e intitulada "A Mão Visível". é muito interessante. estou esperando voltar ao presente para ler o resto. mas o comecinho já diz algo de deixar-nos de orelha em pé:

.a. a reportagem seleciona para falar do Brazil, da China e da Rússia, deixando a Índia por razões secundárias.

.b. ela diz algo interessante sobre os contornos do que chama de capitalismo de estado, certamente mais furioso na China, em segundo na Rússia e terceirão é o Brasilzão. tem cifras qualificando. os dois primeiros são ou eram chamados, na literatura de sistemas econômicos comparados de "economias de comando"

.b. agora passam a chamar-se de "capitalismo de estado". vejo pilhas de coisas erradas em ambos. tenho falado sobre elas exaustivamente. o principal argumento é que devemos substituir o governo dos homens pela administração das coisas, logo acabar com o "capitalismo de estado" também é bom. e também tenho falado sobre os "produtores independentes livremente associados". por fim, falo no trio: comunidade-mercado-estado. claro que o estado ou a comunidade é que deve cuidar das falhas de mercado. até pode ser que a provisão comunitária ou estatal permita ao mercado fazer coisas que este não faria com o simples jogo da mão invisível. mas isto não significa necessariamente que sejam necessárias empresas estatais. neste sentido, posso ver firminhas retendo criminosos, firminhas julgando conflitos entre pessoas físicas ou jurídicas, tudo isto.

.c. neste sentido vejo como função do estado prover (nem necessariamente produzir) informação e fiscalização!

.d. pois bem:

"[...] o Partido Comunista Chinês possui fichas sobre um vasto número de seus cidadãos e é bem melhor no uso de instrumentos capitalistas. Em vez de entregar indústrias para burocratas ou amigos, transforma-as em empresas geridas por administradores profissionais."

.e. não que eu adore 8.000 condenações a penas de morte por ano, como lá. mas pensei nesta tragédia brasileira em que os "partidos políticos" buscam o poder como agremiações encarregadas de dar empregos a seus integrantes. como tal, a administração pública está cheia de CCs e mesmo os ministros (inclusive os juízes) são despreparados para as funções que ocupam.

.f. ling-ling-lé (tradução: uma tragédia).


.g. ao mesmo tempo, na linha do que falei ontem sobre a escala mudar as relações de produção, parece que a centralização do capital leva inexoravelmente ao domínio das empresas estatais. por isto é que precisamos democratizá-las antes que seja tarde. administradores profissionais honestos é uma beleza. administradores amadores ladrões é o pior dos mundos.
DdAB
imagem

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Adendo a Joan Robinson via Andrew Glyn

querido blog:
todos sabemos que a famosa Mrs. Robinson foi figura florescente na ciência econômica dos anos 1930 aos 1970? (quer algo mais técnico? olhe aqui.) e que Andrew Glyn foi meu amado orientador do doutorado, na aprazível cidade de Oxford e sua vetusta universidade? e que há uma conjunção entre eles, talvez dezenas delas, localizada à p.129 do livro de Andrew intitulado "Capitalism Unleashed; finance, globalization, and welfare", Oxford University Press: 2006.

como epígrafe do capítulo "Growth and Stability", ele cita ela:

"Even if the crises that are looming up are overcome and a new run of prosperity lies ahead, deeper problems will still remain. Modern capitalism has no purpose, except to keep the show going."

que traduzo como:

"Mesmo se as crises que estão se avultando forem superadas e uma nova fase de prosperidade pode ser vislumbrada mais à frente, problemas ainda mais profundos permanecerão. O capitalismo moderno não tem outro propósito que o de manter o show ativo, e expandindo sua escala de reprodução e, ao mudar a escala, mudar suas próprias condições de reprodução.

epa, epa, cadê os parênteses do final da citação? parece que acrescentei um pensamento profundíssimo que me assaltou, quando li o livro pela primeira vez, ou seja, antes ou durante o dia 25/nov/2006. Andrew ainda estava vivo e feliz, mas não tinha mais que 13 meses de vida, e ninguém sabia mais nada. não digo que eu seja mais sabidinho do que os dois grandes autores britânicos. o fato é que este este negócio de quanto maior, mais diversa serão as condições de reprodução é fogo! o gigante americano terá perdido o pé? e a chinesada fará mesmo a previsão de que, a cada quatro habitantes do planeta no ano 2222, um terá um genro ou uma nora chinês/a?
DdAB
imagem: de minha autoria, ou melhor, edições que fiz sobre a belíssima sobrecapa do livro.e eu, que já passei uns bons cinco ou seis anos lá naquele reino e que nunca fui capaz de apostar um único pila na cachorrada? e que até parece que já andei usando esta ilustração em outra postagem?

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Em Favor do Aborto: basta de tanto imbecil!

querido diário:
meu ponto fundamental é que "aborto é assunto de comadres". em outras palavras, aborto é um assunto que não pode ser decidido por homens. quer fazer aborto? é homem? tem que calar a boca! quer fazer aborto? é mulher? bem, então que conversem entre si. na campanha eleitoral de 2011, em que sagrou-se vencedora, como previ, a chapa Serra-Dilma (com um programa de governo assemelhadíssimo, nas propostas), parece que a facção Serra andou acusando a facção Dilma de ser aborteira. claro que a própria Dilma negou, dizendo que aborto é assunto de saúde pública.

se é mesmo que são 3 milhões de casos por ano, não há dúvida de que estamos falando de endemia (ou, como parece que hoje os sanitaristas referem, pandemia). é uma vergonha que tanta gente faça aborto. gente mulher. é uma ofensa ao postulado da racionalidade. a menos que dê prazer, é de suspeitar que estas pessoas femininas estão cometendo um erro de avaliação sobre sua verdadeira função de utilidade. principalmente, se considerarmos que também se contam aos milhares as senhoras e senhoritas que morrem ao tentar fazer os abortos fornecidos pela indústria que trata do assunto. aborto, como falei, não é assunto de homem, enquanto problema do que a mulher deve fazer com seu próprio corpo. por contraste, o problema econômico do aborto é assunto do economista. o problema médico é assunto do médico, o problema religioso é assunto do religioso, e assim por diante.

tudo que falei acima tem a ver com o artigo de Cleber Benvegnú publicado na p.15 de Zero Hora de hoje. o Clóvis, minha gente, divergiria de minha sentença acima, pois -para ele- "[...] a assustadora comparação [feita pela nova ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres] do aborto com o HIV, o crack, as drogas, a dengue e todas as doenças infectocontagiosas [é] a mais fria redução do feto humano que já vi. Não querer reconhecê-lo como vida [...] é a postulação que já reúne muitos adeptos."

pensei: tem imbecil para tudo. inclusive um clube que não quer reconhecer o aborto como vida, claro. este não é o caso do articulista, nem de bilhões de mulheres que sabem que carregam no ventre "vida". o ponto, portanto, não é o da destruição de vida e sim de embrião. claro que destruir feto é o mesmo que destruir vida. mas destruir vida é feito por mim, neste preciso instante, ao inalar o ar que me circunda: bactérias, fungos, sei lá que mais. a diferença entre "embrião", "feto" e "bebê" tem tudo a vê, se rimo com mau verbo. obviamente, ninguém (exceto a macacada a favor da pena de mortes, que no final das contas se converteria -absoluta e relativamente- em pena de morte para pobres) é a favor da morte de bebês. nem de "fetos". mas a questão se coloca, neste aspecto, do aborto de "embriões".

bem, o artigo deste Benvegnú é um horror, pois recende a moralismo desde as primeiras letras. e diz que os/as aborteiros/as (a ministra, entre eles/elas). olha só o que disse o vivente: "Para além das palavras, [a mensagem da ministra] propõe uma assimilação do aborto como prática corriqueira. E ressoa no sentido de naturalizar o combate ao feto. Pobre e indefeso feto."

é de chorar de pena e ódio de um "advogado e jornalista" deste porte. confunde embrião com bebê? embrião e feto é certo que confunde. está por fora do assunto, tomando carona, fazendo eco ao deputado da bancada evangélica que tachou a mnistra de "aborteira". é de chorar. todo político é ladrão. mas tem muita gente de outras profissões que também descamba para o lado da imbecilidade.

de minha parte:
.a. aborto é tema interdisciplinar, podendo ser tratado até por burros
.b. decisão sobre fazer aborto é absolutamente indelegável da mulher que carrega, indesejadamente, um embrião e decide "tirar".
DdAB
esta imagem está aqui. e nada tem a ver com o incentivo do aborto para impedir o nascimento de imbecis, como é o caso dos políticos (incluindo os juízes que ganham seus R$ 400 mil mensais).