terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O Alumínio e a Teoria do Valor

querido blog:
seguindo nas leituras do livro "New Guide to Science", de 1984, de Issac Azimov, achei umas coisas interessantes, além de milhares de outras. desta vez, ele estava falando sobre a descoberta e manipulação dos novos elementos. e até os "new wonder metals". estamos lá pela p.280, mas também tem algo da p.366 que desejo referir e pensar um pouco a respeito.

primeiro: para nós hoje não existe nenhum mistério em identificarmos alumínio em inúmeras utilidades de nosso cotidiano, das panelas às janelas. e nem sempre foi assim. inovações sucessivas permitiram que se pudesse lidar com o alumínio, ele é, segundo Azimov, 60% mais comum do que o ferro, mas era dificílimo de ser extraído das jazidas. e é sobre isto que quero falar: valor e escassez. neste processo chego até a filosofia de hoje do B.P., que fala do tempo.

a escassez do alumínio, a dificuldade em obtê-lo em quantidades razoáveis era tanta que alguns chegaram a considerá-lo um metal nobre, como o ouro e a prata. tanto é que, segue nosso autor, Napolião III usava talheres da alumínio, por refinados. e até deu a seu filho (fulano?) um chocalho de alumínio.

segundo: à medida que novos progressos foram sendo incorporados à extração do alumínio, cada vez mais associado a enormes quantidades de eletricidade, seu preço e, como tal, seu uso foi-se disseminando espetacularmente.

primeira conclusão: o que aconteceu, no final do início e intermédio das contas é que, quanto menos trabalho ia sendo necessário para gerar a mesma quantidade física de alumínio, menor ia sendo sei preço. ou por outra, maiores quantidades podiam ser oferecidas a menores preços. curva de oferta invertida? claro que não: a curva de oferta se deslocava em sucessivos saltos para a direita.

e se não fosse uma economia monetária? neste caso, não haveria preços, mas também poderíamos pensar na existência de um substituto desta lei: quanto menos trabalho é necessário para produzir certo bem, maior será a quantidade produzida.

terceiro: aí, lê-que-lê, disse-me o Azimov na p.366 que a palavra "energia", em grego, quer dizer "algo que contém trabalho". [já a Wikipedia falou em 'activity', 'operation']. claro que, no caso, fala-se de trabalho no sentido f´ísico. mas eu fiquei pensando que no mundo de metáforas nem tão rigorosas, temos a mesma lição.

segunda conclusão: de onde vem o preço das mercadorias? parece-me óbvio: da escassez de trabalho. aquelas indústrias que tiverem trabalho altamente ativo (id est, alta produtividade do trabalho) terão preços mais baixos do que as otherwise.

e isto significa que o comunismo deu certo? claro que não. parece que Marx nunca pôde deixar suficientemente claro o que queria com todo o resto d'O Capital. o certo é que já no capítulo 1, ele deixou claro que aquela teoria do valor serve para mostrar que no mundo real não são mercadorias que se trocam por mercadorias, mas trabalhos que se trocam por outros trabalhos.

dito isto, parece que insistir excessivamente neste tipo de abordagem para o entendimento do capitalismo contemporâneo é tão extemporâneo quanto achar que existe dinheiro, no sentido de dobrões de ouro do Forte Knox.
DdAB
imagem:aqui. e claro que aquilo não são tijolos de aluminío, mas do ouro depositado no afamado forte.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Escalas de Medida

querido blog:
o homem é a medida de todas as coisas (é a fonta da imagem que vemos). quem começa a medir já começa a errar. errar é humano. como se mede um ser humano? quilos, litros? no outro dia, li no próprio Richard Dawkins uma frase elogiando a evolução e, com ela, as células dos entes superiores, como nós e os bois (piadinha lá dele mesmo, mutatis mutandis). ele dizia: quando comemos um steak, estamos ingerindo um volume de informação (nas células de cada garfada) equivalente a 200 coleções da Enciclopédia Britânica.
por outro lado, é claro que o ser humano não é tem propriedades facilmente capturáveis pela noção de

medida. deixa eu olhar no aurelião, editanto um pouquinho. ele comenta, na acepção 11, que, figuradamente,  medida é um meio de comparação e julgamento; padrão, estalão.  gostei desta do "estalão", palavra que não é 100% de meu vocabulário, mas que estava registrada em algum pedaço do bife... na acepção 13, da física, vem algo mais interessante, por dizer que medida é o ato ou processo de comparar uma grandeza com outra com o objetivo de associar à primeira um número característico do seu valor em face da grandeza com a qual foi comparada.

por que então usar o homem como medida de todas as coisas? pois podemos compará-lo com as estrelas, as amebas, os sonetos e o que de mais nos vier à mente. aprendi no livrinho de Seagall (simplesmente não é Seagall e não lembro mais o original) que podemos falar em

.a. contar

.b. medir

contamos ovelhinhas ou o número de palavras da Enciclopédia Britânica que um macaco pode digitrar, ao brincar no teclado de um computador moderno, e por aí vai. mas podemos medir: o macaco gosta mais de teclados ou de bananas. o macaco tem Q.I. maior, menos ou igual ao meu? o macaco é mais alto que eu? escalas ordinal, intervalar e ordinal. cada uma delas tem seu contéudo informacional enriquecido relativamente à anterior.

e as escalas de cristalografia? queremos medir dureza: quem risca quem é o mais duro. se o ferro risca o vidro, ele é mais duro do que o vidro. se o vidro risca uma película de farinha de mandioca, o vidro é mais duro. o mais mole é o talco e o mais duro é o diamante, ou muito me engano. ou seja, se queremos medir coisas das ciências físicas, como a rigidez de um corpo, às vezes precisamos de escalas de medida que os economistas usam, por exemplo, para medir as preferências sociais entre políticos ladrões e ladrões políticos, o que -aparantemte- dá indifrerença.

e, já que as coisas começam a complicar-se, devemos ter presente que nem sempre o mais rígido é o mais frágil. tem a fábula das varas, as que envergavam ao vento e as que resistiam. as primeiras eram mais rígidas e frágeis, não eram?

outras escalas (fonte: papelzinho):
Beaufort: descreve a velocidade do vento: 0 - calmaria; 12 - furacão
Epsworth: descreve o grau de sonolência do vivente: 0 - desperto; 24 - precisa de tratamento médico
Glasgow: grau de inconsciência de um paciente: 3 - morte cerebral; 15 - estado normal
Kinsey: grau de adesão ao sexo de nascimento (vulgar mistura de sexo com gênero...): 0 exclusivamente heterossexual; 6 - homossesxual fora do armário
Richter: força do terremoto: 0 - marasmo; 10 - barraco absoluto; o 6 já é sinal de enorme devastação, como disse o papelzinho.

DdAB
p.s.: esta é a postagem n.889, em três anos e meio. vejamos se bato meu récord de número de dias sem postagens. até breve.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Emprego: Governo x Mercado

querido blog:
a exemplo do corpo humano, que pode ser dividido em três partes (cabeça, tronco e membros), a vida societária também tem três órgãos (mercado, estado, comunidade). a ordem de nascimento do corpo humano é sabida: um pouquinho de cada coisa. no caso da vida societária também podemos pensar neste tipo de analogia. costumo dizer, baseado em bilhetinhos recebidos, que tudo começou com a horda, que passou a cultivar tabus (o do incesto, ou seja, da exogamia), desenvolver a linguagem (certamente nada tem a ver com o esperanto) e dividir alimentos com estranhos.

não posso dizer, apesar das objeções de pensadores importantes, que qualquer destas três características (cabeça, tronco, membros...) seja exclusiva do ser humano. talvez o tabu do incesto, sei lá. a linguagem chomskyana tem os correlatos de expressões ou uivos de outros bichos, os macacos vervet, em particular. a troca de alimentos é peculiar. e tenho o caso dos ratos mexicanos que até hoje ninguém provou que não li que eles trocam "mercadorias" (não localizei o bilhetinho).

em resumo, teria surgido a comunidade, depois dela o mercado, com instituições já previamente existentes que a fizeram existir, com seu tabu de incesto e relacionamento com estranhos, talvez troca de presentes, essas coisas antropológicas. e depois a união do mercado com a comunidade na busca da coerção mais formalizada do membro da comunidade e, particularmente, dos amigos invasores de outras, fez (a união, remember?) surgir o estado. estado é pau na dissidência.

sua evolução fez com que ele passasse a assumir funções não desempenhadas pela comunidade ou pelo mercado. por exemplo, organizar um exército ou organizar um sistema de cobrança de taxas comunitárias (lixo, enterro dos mortos, etc.), mas rapidamente ficou claro que há muitos outros bens públicos a terem provisão pelo estado. a comunidade não gosta de muita ataribuição comunitária, cada um gosta de viver feliz, inserido no mundo da divisão do trabalho, cada macaco no seu galho.

e depois veio a ideia de que a sociedade moderna eficiente é aquela em que existe uma harmonia entre os tamanhos relativos destas três instâncias de representação. quem mais tem fraquejado é a comunidade, que gosta de criar regras e gosta de quebrá-las. basta um integrante quebrador de regras para levar todo o conjunto a mal-estares que podem culminar com a destruição da qualidade do ambiente (isto que não falei do "meio-ambiente"). os caroneiros, free-riders, na tradução literal do inglês. o brejo de Hume, aquela literatura toda.

ontem, ao escrever que "os cargos públicos devem ser abertos a todos", falando do conceito de sociedade justa de John Rawls, saltou-me da cabeça a interpretação que nunca lhe dei: todos têm direito a um emprego que lhes possobilite existência digna. e seria muito otimista esperar que a comunidade desse sustento a jovens em idade de trabalhar que não o fazem. ela já se dá por satisfeita em sustentar as crianças e até os velhos ricos. mas o mais sábio mesmo é delegar esta questão da empregabilidade ao mercado, retirando-a da responsabilidade do setor privado.

ao contrário: o setor privado deve gerar lucros. e quando começam com essas leis segregacionistas e anti-segregacionistas (não falo das quotas nas escolas), em que pessoas desqualificadas ingressam nas funções que exigem produtividade crescente, começa a ruína. como é que poderia dar o comando de um avião a jato a um debilóide, pois a cota dos loucos ainda não estaria preenchida?

o que a sociedade requer do setor privado é produtividade, a maior inimiga do emprego. mas, como veremos no p.s. de hoje, o ideal societário não é emprego para todos, mas consumo para todos!

o fato de que hoje haja milhões de desempregados no mundo e outros tantos (uns 10%) são derrotas inflingidas ao planeta pelas crises de 2008 e sucedâneas só tem uma saída: emprego público. e não digo num dos bolsões que requer eficiência, como a polícia ou, o que dá no mesmo, os juízes. mas em outras atividades organizadas pelo poder público precisamente para ocupar a população que excedeu os requisitos do mercado de trabalho. e que nunca será empregada mesmo e que se devotará a desenvolver atividades anti-sociais, como o tráfico de escravos, o tráfico de drogas, o tráfico de armas e, sobretudo, a política, hehehe.

DdAB
imagem: veio daqui. não sabemos se aquele carinha que saiu correndo na frente dos outros foi chamado, o que deixaria os outros esperando, esperando o trem. ou se furou a fila, o que deixaria os outros furibundos. ontem li a velha imagem atribuída a Albert Hirshmann: o desenvolvimento econômico é como um túnel de várias pistas de automóveis no mesmo sentido. cada pista é um setor. se tudo tranca e uma pista começa a avançar, todo mundo aplaude. até que vê que apenas os carros daquela pista é que avançam e todo o resto permanece trancado. diz a metáfora que alguns vão tentar a qualquer custo sair de sua fila e enturmar na dos vitoriosos. e a bagunça pode propsperar, trancando até a fila que se mexia. ou seja, se havia um setor ou grupo de setores se mexendo (digamos, produção de televisores), enquanto que a de outros (digamos, formação de servidores do sistema judiciário) fica trancada, tudo pode vir abaixo. a moral original é que desenvolvimento sem distribuições não funciona. não acho exagerado dizer que esta praga foi a que tomou o Brasil. talvez desde sempre, talvez apenas desde os anos 1960s.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Comentários: a hora da virada

querido diário:
hoje minhas reflexões voltam-se a comentários, desafios, feitos por dois amigos. aproveito e faço reflexões em esferas não diretamente ligadas ao tema e espero deixar como mensagem final finalíssima apenas a questão do cultivo da liberdade humana. entendo esta como o supremo ideal de todos os ideais, a estratégia dominante evolucionariamente estável precisamente por permitir a existência paralela de todas as demais estratégias. domina mas não dizima!

.a. Felipe:
o Felipe escreve pouco em seu blog e eu olho, volta e meia. ele sugeriu-me ontem que desse uma olhada na seguinte postagem:
http://fbvasconcellos.blogspot.com/2012/01/sugestao-aos-nossos-representantes.html
(é só clicar e viajar)
olhei e faço um resumo. ele segue o que informa ser uma sugestão de uma leitura que fez de um texto de autoria de Edmar Bacha. olha só agora. começa citando o Art. 170 da constituição do Brasil:

"A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios [...]", aos quais eles (Felipe/Bacha) acrescentariam a busca da estabilidade de preços.

claro que meu reino não é deste mundo... nasci no tempo em que vigorava a constituição de 1946, revogada pelos militares. em 1968, ingressei na faculdade de economia da UFRGS e assisti às aulas (descabidamente horrorosas) de "Instituições de Direito", onde aprendi, em algum canto daqueles, que "todos terão direito a um emprego que lhes possibilite existência digna". é parecido com esta, presumo, de 1988. claro que dei uma lida nela há anos, como acho que convém aos economistas de boa índole.

quando falam em justiça social, penso no conceito de John Rawls da sociedade justa, tantas vezes referido neste blog:
.a. maior liberdade compatível com a dos demais
.b. os cargos públicos serão abertos a todos e a desigualdade será gerida de modo a beneficiar os menos favorecidos

claro que preciso aduzir que, daqui a dois e meio milhões de anos, é improvável que se esteja falando em estabilidade ou não de preços. não haverá mais preços. tão certo quanto haverá vida humana ou de seus sucedâneos. se ainda houver vida dos sucedâneos do homem contemporâneo, é certo que a barreira da escassez terá sido vencida e, com ela, o uso de preços relativos (e absolutos) para avaliar valores econômicos. não haverá valores econômicos. haverá outro tipo de arranjo regulador da convivência social.

resumindo: claro que Bacha estará fazendo blague contra, possivelmente, a corrupção brasileira, a má qualidade dos políticos, dos partidos políticos, dos eleitores que elegem precisamente os políticos que hoje se encastelam em seus R$ 30 mil reais mensais (fora o que não contabilizei...). como não é de meu feitio querer crucificar a maioria (by the way, não me agradam crucificações), tenho a certeza de que o vilão não é o eleitor. ele é, na verdade a vítima. precisamos saber que, se ele é a causa, do encastelamento dos atuais políticos, qual é a causa da causa. esta é, parece-me, a carência educacional. como o manejo do orçamento público está nas mãos dos políticos, estamos mal-arranjados. ainda assim, estou certo de que haverá: a hora da virada virá. e o Felipe, é contra a inflação ou contra a corrupção?

.b. Daniel:
no comentário que me endereçou ontem, Daniel ingada minha opinião sobre a SOPA. eu nem conhecia a sigla e claro que não confundi com sopa. para refrescar a memória, puxei o que alguns designam por "enciclopédia paraguaya", em homenagem a milhares de instâncias que não me considero apto a julgar. talvez também haja gozação contra a pirataria e o conhecimento fácil de ser falsificado. a internet mostra o que lhe convém e nem sempre é o mesmo que convém ao usuário ou o proprietário (ver o texto após minha assiuatura nesta postagem). o link da Wikipedia está aqui: abcz.


se procurares e vires que se trata da Wikipedia de Portugal, poderás atribuir o fato ao fato de que eu não fui na minha Wikipedia preferida, ou seja, a redigida em inglês, com conteúdos assemelhados na maior parte das vezes (verbetes) em que consultei ambas. aí vi que se trata da lei anti-pirataria.

Daniel comenta: "Até que ponto nossos espíritos libertários devem concordar com uso indiscriminado de conteúdos alheios [?]".


vamos lá. tenho acompanhado apenas por cima estas questões pela minha imprensa de papel e a internet itself. e claro que minha resposta é: parece-me óbvio que nossos espíritos libertários devem opor-se com a maior violência moral que puderem contra qualquer lei que reduza o uso do conhecimento humano, que tente privatizá-lo, que tente retirá-lo do esquema que pode facilitar a transição dos macacos da foto e de nós próprios ao ano 2.502.012. sou de opinião que o Departamento de Econometria deveria arbitrar preços sompras para as diferentes contribuições dos diferentes indivíduos humanos para o progresso da humanidade. eu, por exemplo, na condição de portador de um voto em qualquer eleição decente, deveria ser remunerado por isto (nada tem a ver com vender meu voto, mas de dar à sociedade a enorme alegria de poder contar com ele/comigo). sem mim, a sociedade não existiria. e é justo que eu seja recompensado por isto. [a este respeito, evoco a já conhecida de todos página 74 (Quadro 2.1) do livro de Mesoeconomia (such & such), em que se apresenta os oito itens de David Harvey. no primeiro, diz-se que todos devem receber o suficiente para terem existência digna. e no sétimo diz-se que quem gera mais resultado ganha mais do que quem gera menos. os carinhas da econometria poderiam fazer chover para cima com este tipo de princípio, respeitadas as regras da estimação paramétrica e, principalmente, da não-paramétrica.

há alguns anos, ouvi dizer que "os japoneses" se apropriaram do DNA, um troço destes, de plantas da Amazônia. parece-me que este tipo de pirataria é especialmente escabelado. e, claro, o erro é que se daria propriedade privada a algo que nada tem a ver com os construtos do intelecto humano. como o uso do plano inclinado. e suas leis. claro que as leis foram sendo entendidas por dezenas de gerações e formalizadas por um homem. e claro que ele não patenteou sua formuleta (era Galileu, BP?). é claro que ele não vivia sob o capitalismo.

no outro dia, cansei-me de ler (sem pensar a respeito, parece que era um dos túmulos de pensamentos que leio, no caso a Carta Capital) que os vilões pela crise atual são os banqueiros. falavam da crise europeia. aí me lembrei de coisas made in Brazil: Pedro Malan, Gustavo Franco, Francisco Lopes e outros milhares de economistas que deixaram de sê-lo, passaram a ser "assessores de políticos", até virarem políticos. e como tal, ao abandonarem a política, enturmaram no sistema financeiro.

tem um velho artigo de James O'Connor (que eu chamava de integrante do grupo dos 'marxistas econométricos') intitulado mais ou menos: "Who rules the corporations? The ruling class" e cujo rastreamento começa aqui. parece que políticos e banqueiros fazem parte da mesma tropa de choque em defesa dos interesses da classe dominante. a questão que hoje me deixa de orelha em pé é como é que foi que o povo europeu se deixou levar pela conversa de redução de seu estado de bem-estar social. claro que voltamos a precisar identificar a causa da causa. mas nesta linha de estupefação (longe de respostas que comecem por convencer-me), nunca esquecerei o entusiasmo com que a população argentina saudou a invasão das Ilhas Falklands pelos militares. e o entusiasmo com que a população argentina saudou, pouco tempo depois, a expulsão (era isto?) dos militares lá das Ilhas Malvinas e a derrocada do próprio governo militar.

a única coisa que meu pobre intelecto pôde emitir foi: os entusiastas de .a. e os entusiastas de .b. não eram a mesma macacada.
DdAB
imagem: veio de meu site mesmo! aqui. (e que tem um comentário do próprio Daniel). parece brincadeira. nunca penteei ou fotografei macacos. faz-me pensar na SOPA de que falou o Daniel. só que juro não ter penteado nem fotografado de má fé. ou seja, será que meu creditamento à fonte original (que olhei agora e me pareceu estranha) tirou-lhe os direitos? será que os que procuram "todos terão direito a um emprego que lhes possibilite existência digna" como guia para sua busca de imagens no Google Images encontrarão a pilha de macacos como sendo de origem de meu blog? e será imagem pública? será que houve macacos ou humanos lesados com meu uso dela por lá e por cá? será que nossos sucedâneos espaciais serão tão diferentes de nós quanto nós somos da linda dupla acima? agora vejamos, o interessante daquela postagem é a mensagem não explicitada: tem que acabar com o desemprego de um jeito diferente daquele garantido pela colocação do mercado, e particularmente, o mercado de trabalho no centro da distribuição do produto social entre os diferentes indivíduos. volta e meia falo que os países civilizados têm mais recursos redistribuídos relações inter-institucionais, ou seja, fora do próprio fluxo circular da renda. tão estranhas quanto as relações inter-industriais. no ano 2.502.012, não apenas toda a distribuição será feita entre relações interinstitucionais quanto o que hoje chamamos de "valor adicionado", ou "produto social", como acabo de referir, simplesmente nos será fornecido por máquinas, esses macacos da natureza, no dizer de Umberto Eco que reproduzem-lhe os movimentos apenas que com formas diferentes. quem viver verá.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A Importância Internacional dos Serviços

querido diário:
(clicar na imagem aumenta-lhe o tamanho)
como sabemos, já que não postei ontem, não és bem um diário, mas quase: postagens diárias ou quase. é o máximo que prometo e, mais + do que -, cumpro com zelo. seja como for, tenho os dados da tabela acima que não pude salvar de outro modo e a deixo aqui como testemunho do zelo do dr. Joal de Azambuja Rosa que o compilou e deu-me ao conhecimento.

vè-se algo? trata-se da participação, como diz o título da postagem, do setor serviços na formação da renda de alguns países selecionados. o interessante é que a turma anda prá cima dos 70%, se esquecermos a casa depois da vírgula e arredondamos. Estados Unidos e França em primeirões, surpreende-me que a Alemanha seja da rabeira. e o Brasilzão tem 65%. dois terços, se minha aritmética também é arredondada.

em outras palavras, dois terços do produto interno bruto brasileiro são gerados na prestação de serviços. imagina o que seria no caso de contarmos com um sistema judiciário eficiente, de mais educação, mais saúde, todas essas coisas importantes da vida, como um hotelzinho, um cineminha. não falei em saneamento, pois não é "serviços", mas "serviços industriais de utilidade pública". e nem em "previdência", pois esta deveria ser convertida no serviço municipal, pagando uma renda básica para cada trabalhador mais um suplemento determinado econometricamente que os faria abrir mão do lazer da renda básica em benefício de algum dinheirinho suplementar a ela para fazerem o serviço municipal: cuidar de crianças, cuidar de velhos, varrrer ruas, cuidar das matas ciliares, cuidar dos bichos da mata, e por aí vai.
DdAB
Estados Unidos, Japão, França, Alemanha, Reino Unido, Itália e Brasil. Brazil? USA?

sábado, 21 de janeiro de 2012

Tradição x Religião - engenharia social

querido diário:
claro que o título de hoje não é uma operação aritmética de multiplicação e subtração. quero falar de duas matérias interligadas em Zero Hora, ainda que existindo em dois cadernos diferentes. a primeira delas é do Segundo Caderno, à p.3, a crônica de Nilson Souza. ele comenta o caso do experimento sobre altruísmo feito em Portugal. jogou-se uma carteira ao chão próximo às filas de um estádio de futebol. 95% dos que acharam levaram-na à bilheteria para que o legítimo dono a embolsasse. depois de falar um pouco mais sobre o tema, diz o articulista:

"Será que somos mesmo um povo com pouco apreço por este valor tão caro (a honestidade, o altruísmo, sei lá) ou andamos com a nossa autoestima abalada?"

na primeira leitura, acho que entendi mal, mas articulei a seguinte resposta: o negócio é o seguinte. andamos com nossa autoestima abalada por causa da ineficácia estonteante do sistema judiciário. aqui o número de processos inconclusos é criminoso. o número de prisões arbitrárias é criminoso. o número de criminosos que vive às soltas é criminoso. o salário dos juízes é criminoso. claro que com tanto crime não há auto-estima que aguente. o lado alegre do Brasil é muita solidariedade, hoje destruída por causa do baixo astral inflingido à política pelos criminosos, ou seja, pelos assessores dos políticos profissionais, que sequer foram desasnados em cursos de teoria da escolha pública.

ok, número dois: no caderno Cultura tem alguns artigos sobre as tradições gaúchas. entrevista com Rubem Olivem, respeitado antropólogo deste lado do equador (e de todos os demais lados). fala-se de seu livro "A Parte e o Todo - a diversidade cultural no Brasil". Petrópolis: Vozes, 1992 e 2006.

creio que ele, Rubem, deu-se conta de algo importante ligado com os 200 anos de transporte a vapor e sucedâneos. da globalização, nasceu a peculiaridade do "homogêneo localmente" e "diverso globalmente". acho que o exemplo é de Samuel Bowles: a culinária. mas também os modos de produzir, de viver socialmente, de tudo.

fala agora o editor do caderno:

"O que é ser gaúcho e o que torna um gaúcho diferente dos demais brasileiros? Qando e de que maneira nasceu o Rio Grande do Sul? O que, em sua história, economia, cultura e floclore, distingue nosso estado dos demais da federação? Qual é a relação existente entre o Rio Grande do Sul e o Brasil hoje e o que mudou nessa relação ao longo dos anos?"

pelo que entendi na entrevista de Rubem nas duas páginas seguintes, o tradicionalismo gaúcho foi inventado por Paixão Côrtes e Barbosa Lessa (nomes que me são familiares, mas não íntimos, como o é, digamos, Bowles, J L Borges ou mesmo Mao-Tsé-Tung (de quem li uma malfadada biografia). rola o seguinte:

"Sabe, professor, isso que esse historiador, o Hobsbawn (Eric Hobsbawm, coorganizador de A Invenção das Tradições [sic mut mut]) disse no livro dele que é importante inventar a tradição [...] isso a gente já sabia há muito tempo, e foi por isso que a gente inventou o Tradicionalismo."

seguiu Rubem: "Eles dizem que inventaram a tradição". e conta dois casos interessantes, coisas que recebi como sendo "folklore", ou seja, coisas velhas prá burro: a canção "Negrinho do Pastoreio" e a "Dança do Pezinho". então fiquei pensando: è vero. quando cheguei de volta a Porto Alegre há 50 anos precisos, aqui não era legar beber chimarrão, usar roupas de gaúcho, e tudo o mais. provo: eu tinha um cinto de couro de vaca, muito charmoso para os padrões jaguarienses, o que me valeu muita dor de cabeça no primeiro e único dia que o usei para ir à escola. o chimarrão, se bem lembro, reingressou em minha casa já durante os anos 1970 bem adentrados.

eu nunca esquecerei - e talvez seja ilusão, mas pode-se buscar nos jornais e concluir se era mesmo ilusão ou carteirinha de sócio no clube da baixaria. o quê? li no jornal que -se bem lembro- no início dos anos 1970s (ou no máximo no final dos anos 1980s, mas muito, muito antes desta segunda data), um gaúcho vestido a rigor caminhava pela Rua da Praia, que estava sendo submetida a buracos dentro dos quais iriam canos ou o que seja. havia as pedras, os paralelepípedos retirados ao leito da rua e depositados ao lado dos buracos. estes seriam preenchidos e aqueles dariam o acabamento.

um porto-alegrense, assustado com a presença de um interiorano, chamou-o às falas, ou seja, disse-lhe algumas opiniões desabonadoras sobre o interior, na visão da capital. o gaúcho revidou, houve uma espécie de rebelião do povo da cidade de Porto Alegre contra o invasor campeiro. um dos sitiantes (ao pobre gaúcho, já estamos pressindo o que vai rolar) atirou-lhe à cabeça um dos paralelepípedos, matando-o. minha memória mata-me? faz-me dizer esta barbaridade, ofensiva a toda a população local de todos os tempos? juro que li. juro que estará em um dos jornais da época, juro que foi num deles que li. seria talvez o Correio do Povo. vejamos quem encontra esta passagem.

hoje, quando se fala em cultivar os valores locais, fico pensando nestas coisas, no próprio hino do estado: "Sirvam nossas façanhas de modelo a toda a Terra". fico pensando na corrupção que grassa em todos os cantos do território nacional, no esporte nacional de atirar paralelepípedos à auto-estima, impedindo que as pessoas andem livremente pelas ruas, impedindo que vejamos o réprobo pagar pelo crime, impedindo que haja uma tabela decente para o imposto de renda. impedindo que demos uma resposta consentânea às perguntas do editor.

resumo absoluto: por que falei em religião? porque, lendo a entrevista de Rubem Oliven, entendi que  a criação da tradição é tão arbitrária quanto a religião. e ambas servem para dizer que o local é melhor do que os outros locais, ainda que endeusemos o global.
DdAB
imagem

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Princípio da Diferença

querido blog:
no outro dia, ouvi dizer que em Porto Alegre há apenas três meninos de rua. então é certo que são os meus velhos conhecidos e, além do mais, volta e meia se fantasiam de outros (centenas de possibilidades) meninos de rua. pois, num congresso que eles são dados a frequentar (debaixo da ponte do Arroio Dilúvio), disseram-me que foram criados mais dois testes ("falsificacionismo popperiano", disseram) para testar a diferença entre dois entes:

.A. qual a diferença entre um garçom e um político?
.A/resposta: atire os dois na parede, o que barganhar mais de 10% é o político.

e

.B. qual a diferença entre um garçom e um político?
.B/resposta: atire os dois na parede, o que disser que os 10% são facultativos é o garçom.

DdAB
imagem

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Outro Silogismo Barbaquá

querido blog:

hoje temos o seguinte silogismo do modo barbaquá:

Premissa maior: a ocasião faz o ladrão
(princípio do egoísmo predador)

Premissa menor: o político foi feito
(princípio fundamental da ontologia)

Conclusão: todo político é ladrão.
(princípio da pouca vergonha).

era isto.
DdAB
imagem: abcz. na figura, a bola parada sobre o plano inclinado será apenas Euclides formando o triângulo?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Silogismo do Modo Barbaquá

querido blog:
ontem andei tendo umas dores estranhas, dores morais, dores no intelecto, dores de vários tipos. delas surgiu um novo tipo de modo de raciocínio silogístico: o barbaquá. ele inspirou-se nas notícias do jornal de que há dois deputados (he & she) infratores contumazes das regras de trânsito, por motivos os mais justos e variados. ambos estão enquadrados pela lei. fora os demais deputados que dirigem automóvel, roubando empregos a outros cuja produtividade relativa seria maior precisamente na boleia e menor na feitura das maravilhosas leis que ornam o diário oficial contemporâneo.

o primeiro caso registrado na história da lógica do silogismo barbaquá runs as follows:

Premissa Maior: Todo homem é mortal

Premissa Menor A: Todo deputado federal do Rio Grande do Sul é homem

Premissa Menor I: Toda deputada federal do Rio Grande do Sul pratica contumazes infrações de trânsito

Conclusão: O Dionilso Marcon e a Maria do Rosário não são trigo limpo.

parece que a CAPES dará passagem e, cama, comida e roupa lavada para um congresso num local ainda não revelado para a apresentação de papers.
DdAB
imagem: abcz. donde também se conclui que os oriundi também empinavam seu chimarrãozinho.
p.s.: o Dionilso Marcon informou ao jornal: "Nâo sabia que carteira estava suspensa". Nem eu.
p.s.s.: essas cores da foto que nos ilustra simplesmente são geniais! fiquei em dúvida se é fotografia ou pintura. se é foto ou é minha ou de Man Ray. se é pintura, ou é minha ou é de Cézanne.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Mesa, Cama e Fogão

querido blog:
andei estudando uns manuscritos encontrados ao pé do dinossauro, ou o que o valha, descoberto por estas paragens em 2008. naturalmente, não eram manuscritos registrados com a caligrafia do bicharoco, se bem entendo, mas do repórter, ainda assim, transcritas ao jornal que leio diariamente, com exação, digamos, secundária.

pois bem, que encontrei? talvez confunda com o que terei lido à época, mas garanto ter visto apenas ontem, do livro "Nove Novena", de Osman Lins: uns garranchos dos quais poderíamos buscar a tradução como "mesa, cama e fogão". pensei: então aqueles animais tinham hábitos humanos, como nem todas as famílias que abrigam meninos de rua contemporâneos.

.a. mesa: comem no colo, comem no chão, comem nas balaustradas das pontes sobre o fétido (prefeito?) Arroio Dilúvio, comem lixo, comem doce, rapadura, produtos nestlé, garoto, e outros, comem o lixo lançado pelos automóveis de gente de bom coração que lhes dá as sobras do que circula dentro do automóvel (sobra, no sentido de restinhos e também no sentido de que não lhes faltaria um pila, que fosse, para completar o orçamento doméstico).

.b. a cama: o chão, às vezes estrelado por um papelão de material de embalagem dos mais diversos produtos classificados na Nomemclatura Brasileira de Mercadorias

.c. fogão: às vezes fazem fogo debaixo da ponte. este costuma desempenhar mais as funções de aquecedor de corpo humano (no inverno) do que de comida (quatro estações).

come-se mal, dorme-se mal, esquenta-se mal. a família feliz da idade da pedra tem endereço bem longe deste sei-lá-quê-bicho que comeu a bondade e a generosidade dos políticos que por aqui gorgeiam (e que, portanto, não gorgeiam como lá).

DdAB
obviamente a imagem é de conhecimento comum.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Grenal: Carta e Veja

querido diário:
no outro dia (ontem?), li na Carta Capital de 18/jan/2012 uma frase que me deixou de orelha em pé. não cito literalmente, pois a revista desapareceu, misteriosamente. o conteúdo é que não se me olvida. dizia a revista algo que agora sim, nos últimos nove anos, o Brasil começou a encontrar o caminho das virtudes. não era bem isso, insisto, para fins de julgamentos e adições informacionais posteriores. mas a ideia era esta: parecia que as mudanças que o Brasil vem experimentando e que o estão fazendo melhor muito, mas muito sutilmente, começaram no dia da posse do ilustre e glorioso Presidente Lula, nada sobreando ao ilustre e glorioso Presidente FHC.

como sabemos, os dois presidentes têm muito em comum, além de moverem-se com desenvoltura na sociedade paulistana. nem direi o quê. milhões de comunalidades. grande habilidade política, e por aí vai. agora, cá entre nós, é exagerado dizer:

.a. que o Brasil vai bem (ainda tolero ouvir que está melhorando)

.b. que foi o Lula que tudo começou.

se o FHC fez as privatizações, que foram um tanto esdrúxulas, o Lula fez novas reformas na previdência social, de corte neoliberal e deletério aos interesses da classea trabalhadora. fora que podia ter voltado atrás algumas reformas de FHC, como por exemplo, prorrogar a idade da aposentadoria pelo INSS para 70 anos de idade. nenhum deles foi capaz de apostar no século XXI, ao fim do qual a longevidade será muito maior e não seria razoável nem sensato prorrogar novamente a aposentadoria por idade para 200 ou 300 anos de existência.

em minha opinião, derivada de consultas que andei fazendo a mais de um oráculo, ambos foram presidentes que mexeram. mexeram pouco nas causas das causas. como já argumentei, a causa, claro, é a má qualidade dos eleitores, que votam em ladrões. a cauda da causa são os ladrões que não administram o orçamento público de molde a viabilizar o resgate intelectual dos eleitores, seduzindo-os a não votarem em lixo.

pois bem, este foi o lado da Carta Capital e suas sequelas. e o lado da Veja? simplesmente, a Veja de 28/dez/2011 tem uma interessante matéria sobre "50 Grandes Brasileiros e seu Legado". tudo bem há até mais de 50, como por exemplo, Eugênio Gudin, Roberto Simonsem e Raymundo Faoro. para não falar em Edson Arantes do Nascimento.

e que há de errado com a revista que cega? ela é a flor da direita, é revoltante. ao falar da Princesa Isabel, Cega calculou que seu exercício do poder foi de 3 anos e meio. e concluiu que "Dilma Rousseff, portanto, é a segunda mulher a governar o Brasil". isto diminui a dilminha? isto dá mais compromisso ao dilmão?

uma das formas de tratamento dos problemas que mais me deixa de orelha em pé é o grenal. os gaúchos sabem que grenal é uma estupidez que coloca tudo de bom em seu clube do coração (no segmento desstinado ao ódio e à intolerância) e tudo de mal no adversário, também chamado de inimigo. este grenal entre FHC e Lula, para mim, já passou da conta. esta incapacidade de precisar dar uma baixa em um dos lados para poder ver o outro nas alturas é freudiano: o seio bom e o seio mau. a intolerância à lactose, na política, se torna uma intolerância muito mais séria.
DdAB
fonte da bela ilustração: aqui.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A Seca de 2012 no Rio Grande do Sul

querido blog:
antigamente, havia preocupação quando se observava "seca", ou seja, excesso de aprrensão policial às drogas ilegais, o que criava enorme mal-estar nos consumidores. e preços ainda mais monopolísticos por parte dos fornecedores. todos sabemos que minha posição sobre o consumo de drogas é radical: devia ser zerado. e que minha posição sobre a repressão policial é a mesma: devia ser zerada. e que a oferta deveria ser feita por um convênio do governo brasileiro com uma empresa júnior associada ao centro acadêmico de alguma universidade de algum país nórdico. na verdade esta inovação institucional seria mais para administrar a justiça como um todo do que o problema da saúde. parece que estamos muito melhor servidos por servidores dos serviços de saúde do que dos judiciários...

pois bem: há seca de água, os rios cortam, até o laguinho da pracinha já cortou. e hoje o jornal anuncia um plano salvador da lavoura. dada minha opinião sobre os governantes, não é difícil de ver que estou recriminando-os por não terem agido há 10 anos. ou 20, ou mais. ou um ano, meio ano. a demagogia da ação quando a catástrofe se instala é aterrorizadora. quando chove demais, o governo está a postos, em seus helicópteros, lanchinhos, apertinhos de mão. quando chove de menos, dá-se o mesmo.

ainda não cheguei ao ponto de querer substituir o Brasil e seus reservatórios, açudes e barragens por um centro acadêmico, mas começo a pensar em algo parecido. depois explico, hehehe.
DdAB
e o bonsai vem daqui: abcz.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Artigo de R$ 15,00

querido diário:
coube-me saber que uma pessoa próxima (que bem poderia ser fictícia e os R$ 15,00 poderiam ser R$ 314,16, algu assim) foi examinar sua conta do telefone e percebeu que lhe cobraram R$ 15,00 por um serviço que não fora solicitado.

já propus o seguinte critério de multa:

.a. preço escorchante para nada: R$ 15,00

.b. receita da pessoa no mês: R$ 1.500 (por exemplo)

.c. fração do roubo na receita: 1%

.d. receita da empresa no período: R$ 1.500.000 (digamos)

.e. multa 1% de R$ 1.500.000 = 15.000

já ouvi gente dizendo ser injusto. e centenas de milhares de outros dizendo ser apenas desta forma que poderíamos levar o mundo a se aperfeiçoar nesta época em que as pessoas perdem a dimensão econômica face às acentuadas economias de escala que acompanham o mundo moderno (e que, desejavelmente aumentarão, por contraste à expectativa de alguns que tudo vai voltar à estaca zero).
DdAB
abcz. diz que aquilo ali é um rato ecológico e uma ratoeira ecológica. proponho o mesmo tratamento para os meninos de rua ecológicos.

domingo, 8 de janeiro de 2012

O Milagre Chinês

querido blog:
sem tirar nem por nem um dia a mais ou a menos, aos 12/dez/2011, o prof. Helton Ouriques, da UFSC, devotado agora ao estudo das relações internaacionais (sequela absolutamente lógica de seu doutorado em ciências regionais oslt), lá em Floripa, citou de memória (memória de elefante, by the way) algumas cifras sobre o que estou chamando agora de milagre chinês: como é que os chineses conseguiram levar adiante por tanto tempo o dumping social e econômico tão longe e tão perto das barbas da Europa e dos Estados Unidos, além de outros países com ambições assemelhadas e poder diminuto.

citava de memória, ele -Helton- o livro
SHENKAR, Oded (2007) El siglo de China.
(acabo de ver uma resenha maravilhosa sobre ele: aqui.)

e que diz ele Helton?

custo/hora da mão de obra industrial em 2002:

Estados Unidos: US$ 21,33

Oiropa: US$ 20,18

Japão: US$ 18,83

Coréia do Sul (existe alguma outra?): US$ 9,16

Cingapura: R$ 7,27

China Nacionalista: US$ 5,41

Brazil: US$ 2,57

Mèxico: US$ 2,35

China: US$ 0,69.

não fosse o trabalho escravo, o trabalho infantil e outras significativas mazelas sociais e econômicas (sem esquecer as ambientais) e tudo o mais, seria maravilhoso ver um país com tal eficiência relativa no uso do fator trabalho. como o que vemos é o que é e não o que poderia ser, não há como negar o milagre chinês. também me parece óbvio que o que ajuda este milagre é o número de sócios do Partido Comunista: 60 milhões. chega?
DdAB
p.s.: eu mesmo andei vestindo-me de chinês, no carnaval de 1960, se não me falha a memória.
p.s.s.: a imagem é daqui.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Produto da Técnica: nada mais artificial

querido blog:
no outro dia, seguia -calmamente- minhas leituras do livro da história da ciência de Isaac Azimov sobre o qual tenho postado pensamentos disparatados (ainda que não sejam disparates, eles enquanto tal). então vi que o elemento químico Technetium -inicialmente conhecido como Masurium) é do grupo dos metais que se obtém pela irradiação do Molibdênio com deutérios e na fusão do Urânio (se é que traduzi meu Webster com exação).

pois bem: o Tecnétio (?) vem do grego "technetos", que quer dizer "artificial", simplesmente artificial, como quer a criação de um elemento químico cuja vida depende do bombardeamento de outro pobre coitado.

depois vem, na ordme alfabética lá no Webster: "technic', também remontando ao grego e querendo dizer, em língua de gente, "uma arte, artifício". e ainda diz que é uma acepção agora rara. gelei. então... e depois já veio mais adiante "technique", já do francês e antes dele, do grego, technikos, mas voltando a citar a arte e o artefato. e já falando em ingl`^es, em minha tradução: 1. o método de proceder (com referência a detalhes práticos ou formais) em disponibilizar um objeto artístico ou conduzir uma operação científica ou mecânica. bastou.

mas não bastou, na verdade. nos mesmos momentos que se passavam entre o que li no Azimov e o que agora escrevo, ainda vim a entender que "produto" terá significado análogo. vejamos o Webster: "o que é produzido pela natureza ou feito pela indústria ou pela arte." e depois vem o economês: "algo de envolvimento na criação de valor, ou a produção de bens e serviços."

pronto: circo montado. parece óbvio. seja produção da natureza (as marés) seja a feitura pela indústria (a conta da luz de minha casa) resultam na criação de valor (os numerozinhos nela escritos). e o começo? é que é artificial. ou seja, não precisava ter produto com o sentido da criação de valor. como as formigas e os castores. mas, se queremos ir além deles, precisamos da produção de excedentes sobre nossas próprias necessidades de consumo. aí nasce a troca e aí nasce o banco central mundial. quem não inventa a moeda (os tupinambás, por exemplo) ou o banco central (os maias, mais exemplo) não consegue desenvolver as trocas plenamente.

se este negócio todo é tão artificial assim, sou de opinião que devemos cobrar um imposto dos mais bem aquinhoados por viverem em uma sociedade constituída por mais gente do que eles conhecem. digamos que eles pagariam pelo direito de viver em sociedade. ou seja, todos teríamos que pagar pelo direito de viver em sociedade. mas quem apenas é número e não dinheiro deve receber um estorno de diferença entre poder e ser. em compensação, poderíamos acabar com todos os demais impostos, especialmente os distorcivos sobre a produção, por serem excessivamente artificiais. não é?
DdAB
imagem: abcz.
p.s.: como teria dito um amigo de meu avô, ao ver um serrote de ferro: a máquina imita a mão do homem de forma inimitável.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Equilíbrio Basal e o Comportamento Humano

querido diário:
Azimov (na p.250 do livro que venho citando, "O Colapso do Universo") diz:

Nature is usually symmetrical, especially when it comes to considerations of energy

de minha parte, apenas pensei: como é que podemos dizer que a ciência econômica lida com um fenômeno usualmente simétrico? qual fenômeno? a dualidade entre compras e vendas. e por que é simétrico? qual a relação do fenÔmeno social com a geração e transmissão de energia? parece que os vínculos são de duas naturezas:

.a. por um lado, existe a doação, o dão, o dom.

.b. por outro lado, existem as trocas entre equivalentes. os economistas clássicos falavam em equivalentes de trabalho socialmente necessário. claro que, a partir daí, podemos começar a fazer considerações precisamente sobre os montantes de energia.

DdAB
imagem. se bem lembro, é a energia potencial se transformando em cinética.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Filosofia Econômica e Retórica Escalafobética

querido blog:
existem duas maneiras de um intelectual argumentar com um interlocutor de seu porte, buscando convencê-lo de que ele -o antagonista- é um imbecil.

a primeira é gritar: "tu é um imbecil mesmo, seu idiota!"

a segunda é dizer: "tu só podes estar filosofando."

no outro dia, ao discutir a política de metas de inflação, associaram-me com o segundo argumento. ou seja, disseram que meu pensamento era hermético e filosófico e que o diálogo estava encerrado.
DdAB
p.s.: claro que hoje tudo é novidade: precisamos de um novo marcador para este tipo de filosofia.
imagem: abcz.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Tou Louco que Chegue o Fim-Do-Ano

querido blog:
sigo ainda muito impactado com a mudança de ano. geralmente, mesmo fazendo aniversário em julho, declaro-me já promovido para a idade com que terminarei o ano (se tudo correr bem, hehehe). então pensei em novas palíndromes do ano que começamos a viver. a primeira ocorrerá no dia 21 do mês corrente, ou seja, 21112: vinte e um de janeiro de dois mil e doze, em texto cursivo. a diferença entre o logaritmo de base decimal (4,3245) e o número pi é 1.182937, se não me equivoco. equivoco-me ainda menos se disser que este número significa o dia 18 de janeiro de 2937, ou seja, daqui a apenas e precisos 925 anos. equivoco-me?


da mesma forma, estou louco para escrever 12.12.12. que os 366 dias, incluindo os três já registrados na folhinha sejam-nos leves como um baixíssimo índice de Gini!
DdAB
imagem . observações sobre ela: parece que o cidadãozão lá no alto é o Lênin, não? e o trio lá de baixo parecem três personagens de Eça de Querós, não? e que seria de um Gini de um planeta de quatro pessoas, em que uma ganha a metade da renda e o rstante é distribuído entre três proporcionalmente aos números 1, 2 e 3?
.a. proporcionalidade: 8, 16, 25 e 50.
.b. Gini, sujeito a cálculos de confirmação: 0,33. não tá mal para o Brasil que tem um Gini de 0,55, se tudo anda correndo bem.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

2012: Ano Apalindromado Apenas Hoje

querido blog:
não é muito estranho se eu disser que hoje é 2112? se o acentarmos como tal e não como o insignificantemente diverso 02.01.12, é, não é? como não poderia deixar de ser, neste caso, estamos vivendo a palíndrome possível. mas haverá outras datas sabaorosas, se as fizermos acompanhar por sorvetes Häagen-Dazs. se os particionarmos, como uma banana. sem esquecer que teria Marx dito algo como: "o tempo voa como uma flecha; uma fruta voa como uma banana". disse mesmo? e eu postei?
DdAB

domingo, 1 de janeiro de 2012

366 Dias de Felicidade: as virtudes da indução

querido diário:
este domingo que inicia o ano de 366 dias que hoje começamos a enfrentar também exibe um horizonte plúmbeo e mesmo aquoso. chove em Porto Alegre, cidade de onde se divulga a seguinte fábula.

consta que um malvado governante (ou seja, um governante) comprou pêssegos de uma pobre pastorinha (que já avançara culturalmente até o cultivo das lavouras permanentes). ela lhe disse: "são muito doces". ele provou e confirmou, mas antes de dar-lhe o cheque (sem fundos, by the way) que usava profusamente, quis garantir-se de que toda a mercadoria adquirida também seria doce.

"a única garantia que posso dar-lhe" -avisou a pastorinha- "é o fato de que ninguém nunca reclamou do conteúdo de frutose de meus pêssegos, pois são da Vila Nova". o político não se conteve e disse-lhe: "e quantos são estes que que reclamaram?". ela não se deu por achada e desconversou: "desde que um carroceiro de Belém Velho fez a crítica à crítica de Hume, a turma da Zona Sul tem usado a indução com mais exação."

"acredito" -disse um menino de rua que a tudo ouvia, mas se escondia- "que seremos felizes todos estes próximos 366 dias, pois já o fomos na meia-noite que acaba de extinguir-se for good."

apenas pensei: "ah, esses anglicismos."
DdAB
acredito que já tenha usado a totalidade desta imagem: abcz.