domingo, 4 de setembro de 2011

Preços: juros e câmbio - lições de mesoeconomia

querido blog:
parece que foi um cientista político que me ensinou que

P = f(p, i, c, w),

ou seja, o nível geral de preços é função (eu diria mais especificamente é uma média) dos quatro preços macroeconômicos da economia:

.a. preço médio do mercado de bens : p
.b. preço médio do mercado monetário : i
.c. preço médio do mercado de câmbio : c
.d. preço médio do mercado de trabalho (e demais recursos, se quisermos): w.

a primeira lição que vem deste negócio é que o nível geral de preços é uma agregado de preços desses quatro mercados bastante heterogêneos. o mercado de bens terá um preço médio, claramente visível, pois podemos detectar centenas ou milhares de preços de bens e serviços específicos, tal como avaliados pelo mercado.

de modo absolutamente análogo, o mercado monetário terá milhões de transações realizadas a cada instante sob taxas de juros ligeiramente diversas. e também análogos são a taxa de câmbio e a taxa de salários. a idiossincrasia no uso de diferentes unidades de medida não é um problema sério. com efeito, tanto o nível geral de preços quanto o preço vigente no mercado de bens e serviços, na absoluta condição de agregados de preços ponderados por quantidades, concernentes às variações entre dois anos, têm base unitária (ou centesimal). ele é obtido pela razão entre dois fluxos: a receita total do período final calculada aos preços de um determinado ano dividida pela receita total calculada aos preços daquele mesmo determinado ano para o período inicial.

o preço do dinheiro é dado pela taxa de juros, também sem unidade, ou seja, com base unitária, ou mais geralmente com base percentual: 12% a.a. mas aqui o resultado é a razão entre um fluxo (os juros) e um estoque (o capital inicial).

o preço do mercado de câmbio é dado pela razão entre dois fluxos: o valor de unidades monetárias do país doméstico despendido para adquirir uma unidade monetária do país estrangeiro tomado como referência. falando em reais e dólares, temos R$ 1,5/US$ 1 (mais ou menos o câmbio desta época brasileira).

por fim, a taxa de salário da economia, dimensionalmente é um híbrido entre a taxa de juros e a taxa de câmbio. como a primeira, mede a remuneração dos empregados dividida pelo número de empregados. como o câmbio, ele tem unidades heterogêneas: R$ e trabalhadores.

se a única diferença entre micro e macroeconomia fosse a questão da agregação das variáveis, claramente teríamos o nível geral de preços como a grande variável macroeconômica (colocando-se ao lado do agregado da produção da economia e seu valor adicionado mensurado pelas óticas do produto ou da receita, dá no mesmo e ainda do nível de emprego). resumo dos parênteses: três variáveis nitidamente macroeconômicas: produto real, emprego e preços.

e por que o preço do mercado de bens não é uma variável verdadeiramente macroeconômica? porque não podemos conceber algum agente econômico adquirindo a cesta de bens produzida por toda a economia. não quero dizer que falte dinheiro, mas que esta é uma transação inconcebível no mundo mundano. da mesma forma, nenhum agente poderá adquirir os serviços do trabalho de todos os trabalhadores.

mas a assimetria com os mercados de dinheiro e de câmbio são visíveis, em virtude da presença do banco central, que exerce um papel fundamental:

.a. na irrigação do mercado monetário com dinheiro "do tesouro nacional".
.b.na conversão das divisas estrangeiras obtidas pelos exportadores e pelos prestamistas dos capitais ingressando no país em moeda doméstica.

a assimetria localiza-se, assim, no fato de que os meios de pagamento (responsabilidade do banco central) recebem a demanda ou oferta de milhões de agente por dinheiro nacional ou estrangeiro e as adquire por um preço padrão (ainda que possa diferir by the hour, como dizem por aqui). claro que isto não é a mesma coisa que o poder de monopólio de um monopolista qualquer. então, que é macro? as médias, os preços agregados. e que é meso? os preços individuais de um lado e os preços do controlador da oferta de outro.
DdAB
imagem: mal comecei a digitar "cash" no Google, veio o complemento "Johnny". achei oportuno. e já vou para o YouTube ouvir algo dele.

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