terça-feira, 23 de agosto de 2011

Política Industrial x Política Familiar


querido blog:
a discussão permanente - e que deveria ser inexistente - sobre política industrial no Brasil deixa-me mais inquieto do que o afamado gato (da postagem de ontem) em dia de faxina. invariavelmente indago a meus interlocutores o que exatamente pensam a respeito do livre-comércio. àqueles que acham que o livre comércio é fria, ainda indago: fria apenas hoje ou mesmo daqui a 50 anos? um restritíssimo subgrupo que acha que livre comércio é fria em qualquer prazo, que ele servirá como instrumento da burguesia para expandir a exploração do proletariado. a estes digo: é exatamente o contrário. e digo: o problema mais importante a receber nossa atenção deve desviar-se deste tópico da montagem da política industrial para os sabores das sopas encorpadas de inverno e dos gaspachos refrescantes de verão.
àqueles que -mais racionalmente- acreditam que a longo prazo não se justifica qualquer argumento contra o livre-cambismo, aplico o golpe da indução para trás. se, em 50 anos, não mais teremos política industrial (e por que não falar em 500 anos?), também é concebível que não a tenhamos em 49 anos (ou 499). e em 48 anos, etc.. parece que tá na cara que o ajuste não pode ser instantâneo. nem no caso da legalização das drogas ajustes instantâneos terão efeito positivo inequívoco. neste caso, prevejo uma guerra de quadrilhas, com agressões às populações civis. no primeiro, haveria um desajuste no sistema que poderia levar a resultados muito indesejados, no caso de ocorrer instantaneamente. já sabemos o que isto significa: inflação (com sorte, pois poderia haver deflação, o amigo do dragão) e desemprego.
pois bem, aceitando que devemos rezar pela retirada do governo da montagem de política industrial qua industrial, então torna-se importante saber haverá alguma política do governo. e aí é que começa. a política industrial, sob o ponto de vista da matriz de contabilidade social, ingressa na conversa essencialmente "pelo lado da oferta", ou seja, vai-se fazer alguma coisa, pensando em expandir a oferta doméstica de algumas coisas. em outras palavras, privilegia-se a ótica do produto de mensuração do valor adicionado, ainda que esta política receba contornos de orientação via linhas de crédito ou compras governamentais dos setores selecionados. nem quero falar em rent-seeking.
estar-se-ia falando basicamente em formação de capital físico. por contraste, a política aplicada às instituições gera renda e permite falarmos em elevação dos gastos em educação, por exemplo, comprando um tênis, uma pasta de couro (pobres bois, porcos e cabras), um computador, uma caneta, um birô, e por aí vai, por estudante. estar-se-ia falando da ótica da despesa da mensuração do valor adicionado. e estar-se-ia -ao gastar em educação, saúde e  transportes- moldando uma economia cujo crescimento é orientado pela demanda. demanda de insumos para a formação de capital humano. ou seja, transformações feitas no âmago da instituição famílias. ou seja, a política familiar!
dizer que os rapazes que defendem a política industrial são os verdadeiros amigos do proletariado é o mesmo que dizer que certos sindicalistas criticados por Marx também o eram. e que, para alegria do Cidadão Weston, estaríamos querendo produzir colheres menores, ao invés de produzirmos de vez mais sopa. DdAB

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