quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O Leão e a Mão

querido blog:
algum tempo atrás, li umas partezinhas do livro de Ernest Mayr intitulado "O Que é Evolução". a que mais me interessou foi uma parte recheada, declaradamente, de especulação sobre os passos da transição do macaco africano para o chimpanzé e seus derivados, nossos ancestrais. longe do livro, faço minhas próprias especulações, que talvez fossem apoiadas pelo autor, caso ainda estivesse vivo, lesse em português, e -sobretudo- lesse este blog. mas já ia começar dizendo algo que não é meu. deste modo, ninguém, a não ser que consulte o original, saberá o que é dele e o que é meu.

imaginemos o dia em que a floresta africana foi destruída (epa, não estou falando da Amazônia) e substituída por uma savana. neste caso, os macacos, que tinham certa vida mansa (que digo?) circulando entre o solo e o cume das árvores, passaram a viver terrores insondáveis, pois a vida no chão tem ameaças diversas e até mais letais. na verdade, águias e leões eram inimigos terríveis para aquela turma. e até hoje, desarmados e desprevenidos, podemos sucumbir a umas e outros. imaginemos um leão, muito chegado a carne de macaco que tinha como que um rebanho lá numa zona árida. pois todo dia o leão saía à busca de seu jantar, selecionava um macaco e ia colhê-lo. muito macaco dançou nesta façon. mas é possível imaginarmos que alguns, declarando-se perdidos, ainda assim, decidiram jogar um punhado de areia (ou cinza, sei lá) sobre os olhos do leão.

leões naquele tempo não usavam óculos, de sorte que o macaco do dia conseguiu alguns segundos, ou até minutos, para evadir-se (não sei para onde, pois não estava lá). isto poderia estar virando rotina, os macacos sabidos aprenderam com o "mutante" como se comportar face ao ataque de um leão. aí outro macaco passou a, depois de deixar o leão fora de domínio visual do terreno, acossá-lo com um galho de arbusto de 1,85m de comprimento. numa dessas, um macaco desses conseguiu matar o leão. tudo num misto de deliberação e sorte. mas tantas vezes houve sorte que a tecnologia de defesa (e ataque) tornou-se patrimônio da horda, mais lanças (já assim batizadas) foram feitas, delas surgiram os arcos para lançar "lancinhas menores", as flechas, e assim por diante. e depois, as facas, os fuzis-metralhadora, e tudo o que hoje conhecemos, deslocado do combate aos leões ao combate entre macacos de diferentes tribos.

claro que, entre a lança e o lança-chamas, houve enorme variedade de atividades envolvendo o binômio mão-cérebro que o próprio macaco original abandonou sua condição, passando a intitular-se macaco derivado, chegando ao homo sapiens sapiens em poucos anos, ou em poucos milhões de anos, dá no mesmo.

quem teria sido o grande responsável por esta mudança? a linguagem? o food-sharing? o tabu do incesto? não é impossível que a troca de bens e serviços tenha exercido um papel maiúsculo no sentido de ampliar as conexões entre a mão e o cérebro, favorecendo a geração de excedentes que permitiriam mais trocas, até a criação do banco central. não é impossível que Ernst Mayr concordasse com algumas destas coisas, não apenas as que dele retirei, mas algum arrojo de minha parte.
DdAB
e a imagem, manja, gente, é daqui.

2 comentários:

Tania Giesta disse...

As palavras são como os seres vivos, nascem, crescem, reproduzem-se (so q não morrem). Entram num processo constante de relacionamento, podem tomar o rumo que lhes damos, mas por vezes, escolhem o seu proprio caminho....os livros são o seu meio ambiente, pois permitem que vivam... Um livro contém todas as palavras de todas as eras.

... DdAB - Duilio de Avila Bêrni, ... disse...

é, Tânia: este livro é o Aleph! fico em dúvida se as palavras não morrem, acho que morrem. quem estou certo de que nunca morrerá são os triângulos e outros entes abstratos. pela simples razão de que nunca estiveram vivos, a não ser em nossas mentes e nas de algum outro animal mais sabidinho. ainda assim, apenas se falará de triângulos enquanto houver palavras!
DdAB