terça-feira, 19 de julho de 2011

Dialética, senso comum e sociedade igualitária

querido blog:
coçando a cabeça com o garfo, o que é um signo de preocupação, o menino de rua de que volta e meia falo -all of a sudden, como lá diz ele- citou-me (de memória) a p.207  do celebérrimo  livro de Cirne-Lima que leva por título "Dialética para Principiantes". ele, claro, principiou dizendo que "principiantes" são seres contingentes e que o que é mesmo necessário é o conhecimento que os retirará desta condição. "inclusive" -ponderou ele- "não se é principiante em algo que não mais se estuda". anuí, pois, no caso, "foi-se principiante".

nessa página, pude confirmar após ter-lhe pago um cachorro quente, o que aqui fraseio em suas frases sobre a dialética ou o que alguns estouvados chamam de método dialético: 

“Entre os Direitos do Homem estão, em pé de igualdade, o Direito de ser tratado como um cidadão igual aos outros Cidadãos, bem como o Direito de, em tudo que não afetar a Cidadania, ser Diferente. Tanto Identidade como Diferença pertencem aos Direitos Básicos de cada ser humano. A igualdade equalitária de ser Cidadão igual a todos os outros Cidadãos e a liberdade de poder ser desigual dos outros em todo o resto, eis a conciliação de ideias contrárias que funciona aqui como síntese.”
pois daí é que se originou minha surpresa. ele aduziu:

"Aí me lembrei disso:" (fechando estes dois pontos, ele referiu-se ao seguinte trecho da Oração aos Moços de Ruy Barbosa)

"A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade. O mais são desvarios da inveja, do orgulho, ou da loucura. Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real".

triunfante na linha da argumentação de que nada há de muito especial que mereça ser protegido pelo conceito de dialética, ele disse-me que o trecho (que me soube parecido mesmo com o de Cirne) vem daquele discurso de paraninfo do Rui Barbosa, ultra-badalado, da década de 1920.  aí chegou minha vez de concluir. disse-lhe apenas: o discurso é bem lindo, apesar de "santarrão" (hahaha - exclamou ele. ele, elezinho, que ainda não fizera a primeira comunhão, nem o batismo, nem o alfabeto, não se conteve e adorou essa!) demais para o meu gosto.

parece-me que, de fato, eles estão querendo dizer mais ou menos a mesma coisa. o que não sei se fica claro é que este troço todo deve inserir-se no conceito de sociedade justa de John Rawls:. para o filósofo americano, na sociedade justa, a deisiguldade será administrada de maneira a beneficiar os menos favorecidos. no outro dia, falei novamente do absurdo do judiciário mudar a lei do orçamento. com tratameantos médicos. na hora não me dei conta e depois fiz um p.s. dizendo que o problema é que eles infringem bem esta regra rawlsiana). 

comovido com meu argumento, o menino de rua aduziu que, em sua opinião, e na de Raymundo Magalhães Jùnior, Ruy Barbosa era mesmo ladrão. fiquei sem saber se isto é apenas rima ou um chunk (palavra, novamente, do novo inglês que ele está inventando) de itabirito.
DdAB
imagem: aqui.

2 comentários:

Conrado disse...

És, Dondo, o que a Suzi me prometeu que eras! Uma mente brilhante! Difícil é, no começo, acostumar-se a seguir teu raciocínio rápido e tua pontuação latina. Mas já estou me habituando. Vale o esforço. Vou passar a te seguir para não perder mais nenhuma postagem. Grande abraço!

... DdAB - Duilio de Avila Bêrni, ... disse...

aê, meu amado amigo! muito obrigado, fico feliz de ver comentários de um dos marcadores de minhas postagens!!! meu estilo busca incansavelmente confundir o leitor, para que pense que meus erros são ironias, que acentuo sempre com reticências...