quinta-feira, 2 de junho de 2011

Trabalho Eterno e a Nova Esquerda

querido blog:
sendo o trabalho necessário à sobrevivência humana, cabe entendermos que o projeto de esquerda -que ando preferindo chamar de igualitário- como contingente. tão contingente que ele não é dominante, sob o ponto de vista da abrangência de percentagem de população mundial. no outro dia, citei Agostinho Angolano que dizia-se provavelmente certo, pois era acusado de direita pela esquerda e vice-versa. de minha parte, cada vez tenho mais dificuldade em ver as ideias expressas por muitos esquerdistas como encaminhando reformas democráticas que conduzam ao socialismo. ao contrário, vejo-os como nacionalistas, esperançosos da aliança entre o capital estatal e a burguesia nacional. chavonescos.

a verdade verídica é que hoje já é mais fácil entendermos como o capitalismo surgiu e o que o fez prosperar, como surgiu o comunismo (stalinista) e o que o fez decair num projeto que durou pouco mais de 70 anos. ou seja, era mesmo contingente. a desigualdade também é contingente, esta é minha esperança, pois acabo de afirmar a também contingência da sociedade igualitária.o verdadeiro problema prossegue sendo como transformá-lo, atender aos anseios de consumo das massas, ampliar-lhes o poder político e fortalecer os arranjos institucionais que promovam maior igualitarismo, sem perder de vista uma estrutura de incentivos que recompense a atividade inventiva. nem a sociedade nem o estado têm a menor consciência de que se armam frequentes ardis que vêm em prejuízo mútuo, dificultando as correções dos impasses de escolha coletiva e outras formas de inadequação aos processos associados à vida cotidiana.

as tarefas do economista político dizem respeito a entender a concorrência entre os trabalhadores, na qual assumem destaque as contradições entre o exército de reserva e os empregados, sem negligenciar as contradições que se observa entre os próprios trabalhadores empregados (dentro da fábrica e em diferentes fábricas e mesmo diferentes ramos industriais). numa época de ampla instação do capitalismo mundial integrado (dizer de Félix Guattari), o sindicalismo é que é a maior frente de combate da contradição entre trabalhadores e capitalistas, também esta prática devendo ser revista. deve-se reagir contra as barreiras nacionais de mobilidade da mão-de-obra e construir um sindicalismo por unidade de capital e não por ramo industrial regional. tenho dito que o verdadeiro mundo globalizado surgirá quando os funcionários do McDonald's criarem seu sindicato. ou da G.E., ou Toyota, etc.

o sistema econômico associado às economias monetárias cria incentivos à redução do lazer, substituindo-o pelo trabalho, e distribui os frutos dos ganhos da produtividade entre toda a população. as sociedades que deixam os desníveis de consumo per capita elevaram-se mostram-se vulnerávais à mudança radical, praticamente nunca tangida por ventos associados ao progresso econômico (Bronfenbrenner tem um artigo interessante). o socialismo, de sua parte, percebeu a existência de problemas nas formas como o mercado resolve as questões fundamentais da economia (o que-quanto produzir, como produzir e para quem produzir) de modo radical: acabou com o mercado manu militari. não se pode mudar algo que a humanidade levou 500 anos (e talvez 10.000) para erigir e substituir por algo feito em laboratório (como tampouco pode-se confiar que o esperanto resolverá o problema da Babel contemporânea). os critérios do socialismo para distribuir o trabalho humano, ainda que menos voláteis do que os regidos pelo mercado, são fracos per se, pois não souberam lidar adequadamente com os problemas da motivação e coordenação da ação dentro da fábrica e entre as fábricas. evoca-o a dupla Milgrom & Roberts e os rádios cujos parafusos eram inseridos como pregos em eletrodomésticos moscovitas.
DdAB
p.s.: imagem daqui. macacos pescando? sim e eu, que chegara à conclusão de que havia três caracteristicas singularmente humanas (tabu do incesto, linguagem e alimentação a estranhos), vim a saber que os macacos bonobos criaram um tabu do incesto. todos os animais têm linguagens, num sentido não chomskiano, mas talvez nenhum, além do bicho-homem, tenha o food sharing, o que não permite a troca nem o surgimento da divisão do trabalho, nem os ganhos de produtividade.
p.s. de 3/jun/2011: nunca esquecendo que não consigo rastrear a citação aos ratos mexicanos que realizam trocas. ou seja, comércio, comerciam.

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