quinta-feira, 30 de junho de 2011

A Grécia, as Tragédias Generalizadas e o Imposto de Renda

querido blog:
disse Mestre Carpina: "Dia de hoje está difícil". em meu jornal, nem vou citar as páginas, exceto aquela que vi depositada sobre o capacho: "Arrocho Grego", com a foto de uma batalha campal. o povo contra a polícia. não eram os turcos nem a volta dos alemães. eram os policiais gregos baixando pancada no povo grego. tudo por dinheiro, de ambas as partes. mas dinheiros diferentes. os policiais precisam sobreviver, entende? os governantes precisam roubar, entende? o povo precisa respirar, entende? esclareço a parte que me toca.

eu gosto de respirar, andei me declarando nos 10% mais ricos do Brasil e até, com estupefação, andei sendo classificado como fazendo parte dos 1% mais ricos, ao lado da dona Lily Safra, dos herdeiros de Antonio Carlos Magalhães, da Daslu, e por aí vai. claro que também terei que estar ao lado (na verdade, geometricamente, inferior a eles e elas...) dos herdeiros do deputado Orestes Quércia, do deputado Jader Barbalho, dos senadores Sarney e Renan, dessa macacada toda. do governador Tarso Genro.

tu já ouviu falar em algum político que não é dos upper one percent? se tu ouviu, então me diz se tu ouviu falar em outro que não é dos upper ten percent? acho que aí te peguei. mas agora vem o pior: tu há ouviu falar em algum político que, fora da bebida, falou em usar o imposto de renda para combater os problemas de déficit orçamentário? a universalização da política, neste caso, é algo estonteante:

.a. Portugal e Irlanda e etc. e principalmente os gregos acabam de fazer pacotes estabilizadores em que quem está pagando a conta são precisamente aqueles cujo maior desejo é seguir respirando

.b. o Rio Grande do Sul acaba de fazer um pacote de medidas fiscais em que vai pagar a conta precisamente a classe baixa, ou melhor, os lower ninety percent. na verdade, talvez entre os lower ten percent não tenha nenhum funcionário público, nenhuma professorinha.

.c. o governo federal começa a falar em uma nova reforma da legislação da previdência social, arrancando direitos àqueles que, em sua maioria geométrica são os lower ninety percent.

.d. diz algum comentador do jornal ou o próprio governador do estado que fala "tu é", não ele, mas seu povo e eu myself, que a causa desta reforma estadual que nada resolve, a não ser retirar parte da capacidade de respirar do clube da baixa renda, que estamos tratando de medidas requeridas pelos "agentes financeiros", entre eles o Banco Mundial e o próprio governo federal, de saneamento para podermos (e olhe que estou falando nestes plurais nada majestáticos) arrancar mais empréstimos.

concluo: estamos em guerra civil há anos. a Europa começa a integrar-se a este clube desagradável. muito desemprego é a base dos diferenciais de consumo que culminam por derrubar muros e governos. reduzir o tamanho do setor público é buscar bronca, encrenca. e como distribuir sacrifícios na sociedade igualitária? só tem uma palavra: imposto de renda progressivo! é ou não é a sobreania do FMI decretada por meio do Imperador Pedro Malan? é ou não é o quinto governo Fernando Henrique Cardoso o que faz do dia de hoje um dos mais difíceis?
DdAB
imagem antiga é daqui: abcz.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Crack Bota Sistema Judiciário Fora de Combate

querido diário:
ter-te-ei dito, no outro dia, que um rapaz afanou o telefoninho de uma gatinha em plena Volta do Mercado? e que o chefe da polícia, ou seu preposto, disse que o problema é que o povo anda desligado? parece que o sistema judiciário vive um torpor parecido com aquele provocado, dizem os meninos de rua, pelo cheiro de cola ou mesmo inalação do crack.

pois na p.37 (Polícia), Zero Hora diz que o garoto que afanou o telefoninho da garota, no outro dia, voltou a atacar. desta vez, levantou um par de óculos Mormaii (se fosse eu, já entrava com uma liminar contra a Mormaii, não é mesmo?). foi para o presîdio central. dizem que sairá em poucos dias. claro que deve sair. deveria, se houvesse sistema judiciário não-nefelibático, ser encaçapado nos braços de um psicólogo, psiquiatra, assistente social, um profissionais destes. o rapaz declara-se viciado em crack. os estudos apontam para absoluta ausência de esbatimento de sintomas que levam ao abandono da inalação espontaneamente. ou seja, talvez ninguém tenha-se livrado do vício por, digamos, 10 anos e mais. mas ninguém curou-se sozinho.

que dizer do garoto que estará recebendo o tratamento reservado a presos do presídio central? que dizer de possibilidades alternativas, por exemplo, interná-lo em uma mini-clínica de tratamento de crack e bicheiras assemelhadas? que dizer de leilões virtuais em que, por exemplo, seria colocada sub judice, com perdão da expressão, a vida de um bisneto de um dos agentes envolvidos neste tipo de refrega. a menina dos óculos terá netos. o menino dos óculos, também. um poderá cair no desvão da doença e matar o bisneto do outro. ou o outro do outro, sempre me confundo.

a guerra civil é visível. no outro dia, tornou-se meridiano para mim a divergência que mantenho em amplas discussões com um colega (colega?, um amigo que sabe muito mais eu!). ele defende ação do estado na produção. eu defendo que a ação seja prioritária na produção de bens públicos e bens de mérito. e defendo que todo o patrimônio público chamado de "empresas estatais" seja transformado em um fundão de quotas distribuídas ao brasileiro, ao nascer, intransferíveis, que podem, isto sim, ser alugadas. um amigo de meu amigo disse que eu sou reacionário. outro disse que eu sou revolucionário. eu disse que tá tudo explicadinho aqui neste blog ou nas partes de minha autoria do livro de contabilidade social. e no livro "A Cura da Época Futura" e em milhares de bilhetinhos que tenho espalhados pelas gavetas de minha casa e seu anexo.
DdAB
ops: procurei "crack mormaii", pedida irreverente. caí num blog maneiríssimo: aqui. nem sei se os óculos são mesmo Mormaii. eu tenho umas tiras que os sustentam sobre os ombros, mesmo em casos em que se perde a cabeça. hipótese corriqueira no sistema judiciário e seu aliado, o sistema legislativo.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Jogo do Bicho, CGC e as Palíndromes

querido blog:
saberás que no outro dia recebi um verdadeiro dicionário de palíndromes? saberás que tenho um verdadeiro diretório de dicionários, desde os tradicionais, até alguns que eu mesmo estou compilando? como por exemplo, o de exageros literários (de que já andei falando no site) e o de nomes de bebês iniciados com as letras zyx (ainda sem registro de criança na cidade de Jaguari, mas com quase 10 milhões de entradas várias na teia).
pois, com sabemos, zyx é uma palíndrome de xyz. talvez o povo do zyx tenha sempre tido em mente que é mais usual falar-se em xyz do que em zyx. por exemplo, os meninos de rua que estudam matemática e mesmo os demais estudantes do assunto, reservam, no estudo das equações, as letras abc para os parâmetros e xyz para as variáveis. de meu dicionário de palíndromes (que o dicionário tradicional, erroneamente, chama de "palíndromo"), a que mais me impressionou foi AnitnegrA, por ser sinônima, mutatis mutandis, de Lizarb (e ambos são países fictícios localizáveis no livro visível com um clique aqui).

em segundo lugar, retiro desta lista recebida há dias a seguinte:

A luza Rocelina, a namorada do Manuel, leu na moda da Romana:
anil é cor azul "A".

se o dicionário troca palíndrome por palíndrome, nada mais natural que toleremos este luza com z. em terceiro lugar, no outro dia ouvi algo que ficou a intrigar-me, como o faz há milhares de anos o Teorema da Impossibilidade de Arrow. por alguma razão, ouvi alguém falar, ao citar o CGC de algo, de algo assim: "mil invertido". claro que, no momento da referência, não me dei conta. nem mesmo calculei 1/1000 = 0,001. em resumo, 1.000 invertido é um milésimo. e 1,000 em notação dos países ricos, é mil, do mesmo jeito. e jeito se escreve com jota, mas gesto é com g, essas coisas um tanto parlendescas.

pois bem, vejamos o que diz a professora de matemática que poderia ensinar os meninos de rua na sociedade igualitária:

.a. inv(1.000) = 0,001

.b. simétrico de 1.000: sim(1.000) = -1.000

daí se podendo concluir que este negócio de "1.000 invertido" é uma das mais temíveis e desagradáveis distorções do sistema tributário brasileiro, tão enviesado em favor dos ricos, como bem sabemos.

então hoje tudo se esclareceu para myself. era o CGC mesmo, a estrutura tributária brasileira é mesmo apoiada em impostos indiretos, aqueles que atraíram a atenção de Leontief, pois distorcem o sistema de preços das mercadorias produzidas pelos produtores. (será redundância dizer que produtor produz mercadorias? em certo sentido radical, poderíamos dizer que comerciante comercia mercadoria, mas -uma vez que, na matriz de insumo-produto- ele está encaçapado num setor produtivo, o produtor produz ainda que venda; tema simples, né? tratado com a maior candura no livro do link acima e que a modéstia impede-me de repetir aqui).

digamos que o CGC da Editora GangeS (que alguns políticos mandaram trocar para CNPJ, pois assim poderiam emitir novos formulários, ganhando sinecuras para fazê-lo) seja (o que não é, by the way): 07.008.444/0001-47. então, lê-se: zero sete ponto zero zero oito ponto quatro quatro quatro barra mil invertido quarenta e sete. claro que mil invertido é no sentido de 0001, e não no de 0,001. no jogo do bicho é a mesma coisa: o chefe da polícia, pelo telefone, manda me avisar: que posso apostar no 21 seco ou invertido, ou só seco ou só invertido. 21 é palíndrome de 12, claro, mas 1/21 não é mais que o 21 invertido. ou seja, se isto é uma palíndrome, isto não o é. à propos, vim a descobrir que lenga-lenga deve ter a ver com parlenda. e parlenda, como ter-me-ia dito alguém cujo nome agora me foge, é uma lenda que parla.

o contexto dá sentido ao texto, disse-me Noaon, quando esteve em Porto Alegre. mas eu teria replicado que não estávamos falando em texto. e ele disse que, neste caso, não estava ali quem falou. e ainda deu-me a dica: "se tu te sente desconfortável em escrever luza com z, então tu pode é escrever asul com s. aquiesci.
DdAB
ops: usar o marcador conradianas para esta postagem é um desatino. mas como ele já tel lá seu blog, não vejo razão para não fazê-lo, ele e eu. all together, altogether.
opsspo: a imagem é: SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS, uma palíndrome de tudo o que é lado imaginável. e que eu aprendi lendo o "Avalovara", de Osman Lins. e que quer dizer, como sabemos, "o agricultor Arepo se cuida com as rodas de seu arado". aliás, como sabemos, há milhares de traduções.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A Administração por Cargos no Brasil e na Suíça

querido diário:
tenho razões para crer que, ainda bem, ainda estou vivo. andem pensando que um bom teste é ver esta postagem publicada. não é marcador "Vida Pessoal", portanto dirijo-me ao ponto. estou falando dos padrões da política suíça, de que nada entendo. mas apenas juro que lá as coalizões partidárias não se dão em torno de cargos mas de programas. juro (juro?) que lá a administração das coisas leva de roldão o estilo alternativo, qual seja, o do governo dos homens. juro que lá existe uma classe de funcionários públicos absolutamente isenta de CCs.

por contraste, nem posso dizer no Brasil, pois - se a hipótese de que estou morto se confirma - o máximo a que posso atrever-me a julgar é que o que leio no jornal e alguma coisa na internet, especialmente blogs, existe em jogo no presente momento uma desfaçatez de tal magnitude sobre os loteamentos dos cargos públicos entre os partidos amigos, ou melhor, entre os amigos dos partidos. neste caso, falo em todos os partidos de todos os costados do Brasil. claro que generalizo apenas com os cargos que o jornal noticia sobre o governo federal. e sobre o estadual. e sobre o, parece, de São Paulo Capital. e ainda parece-me ter lido algo sobre outros estados, que já não lembro direito.

pois bem. falei em cargos públicos. mas obviamente os cargos de diretores das empresas estatais fazem parte do butim. jogo de soma zero, não se pode agradar nem todos os aliados, que não mais dizer de cooptar as oposições com prêmios de consolação na diretoria da Petrobrás, ou na comissão da Copa do Mundo, ou no setor bancário?

pois bem, ainda não falei em nepotismo, o que já encaçapa na coversa todo o poder judiciário, tão parte do governo quanto o que de mais íntimo existe nessa macacada. no legislativo, recuso-me a falar, pois eles é que são os porta-vozes da maioria dos desempregados que têm enormes talentos para gerir estatais, privadais, nepotais, judiciais, o que de mais lá seja.

os juízes, em particular os juízes eleitorais, e os outros de mais hierarquia ($$$?) que deveriam cuidar corregedorescamente deles, deveriam mesmo era exigir que os diabos dos partidos políticos cumpram com as promessas eleitorais que fizeram à macacada do lado de baixo da curva de Lorenz. quando digo isto, revelo minha profunda crença no radicalismo: pior que uma revolução à la Egito seria exigirem o sacrifício de que a rapaziada (negadinha, no dizer da presidenta) cumprisse a palavra dada nos manifestos eleitorais e também nos comícios, mesas de bar, entrevistas. afinal, nem todos devem ser benvindos quanto à prática do hobby mentira, como é meu caso...

por falar em meu hobby mentira, aqui vai mais uma: foi organizada uma conferência internacional de meninos de rua na cidade de Zurique, ou alguma outra naquele aprazível país, de interesses tão arraigados com as finanças, leite em pó e até água mineral brasileira, remédios, e tudo o mais. dizem que a maior parte dos convidados eram filhos de políticos enrustidos como meninos de rua, pois haveria -disseram- jetons pela participação. o menino de rua de que costumo falar, Merval, parece que assim o batizei, ou batizaram, o que dá no mesmo, fez contatos com a empresa júnior da Universidade de Zurique -ou Riquezu, sei lá- e há boas notícias.

disse-nos ele, ao chegar, aclamado, ao Aeroporto de São Paulo, que entabulou conversações com a empresa júnior de lá, para fazer um projeto piloto de substituição das atribuições do poder judiciário nacional: iriam começar com essa encrenca de proibir político de mentir. a mãe dele, que ainda não completou 16 anos de idade, diz temer por sua integridade física.
DdAB
ops: imagem d'aqui. disseram-me que uma das razões que leva alguns governantes a cortarem a mão de ladrões e assemelhados é impedirem-nos de cruzar os dedos para evadir-se da verdade.

domingo, 26 de junho de 2011

Valor, preço, escassez e tempo

querido diário:
a palavra valor é equívoca. 3 é um valor, 2 é outro, e por aí vai. R4 32 é um valor e 32 horas de trabalho também é um valor. o preço de 32 horas de trabalho, ou seja, do valor 32 é, digamos R$ 3322, sei lá. como se pode vender mais valor, se os valores, no sentido de horas de trabalho não se vendem, ou ao contrário, os serviços do trabalho, quando incorpodados a matérias primas é que geram valor, se as "mercadorias" com eles produzidas forem vendidas. se não o forem, se não derem o que Marx chamou de "salto mortal", não viram mercadoria, logo não terão gerado valor.

claro que estes troços todos parecem requerer enormes exegeses, a fim de fazerem sentido. eu mesmo apenas fui dar-lhes algum sentido após anos penando com a matriz de insumo-produto e modelos similares. se é valor, tem tempo de trabalho envolvido. se não foi transformado em preço, na verdade, nem podemos falar em valor. e se foi transformado em preços, podemos equalizar tudo chamando o que Leontief falava em "quantidades monetárias": preço unitário e a quantidade é o resto da cifra. por exemplo, a quantidade monetária de R$ 3322 é: preço R$ 1/quantidades x 3322 quantidade monetárias.

e que aconteceria no capitalismo, se o preço não importasse? dá um hai-kai rimado:

seria
uma
baixaria.

o valor é o regulador das trocas na medida em que as sociedades estabeleceram sua contabilidasde de trocas em termos de valores. estes, por seu turno, se basearam no tempo gasto pelos indivíduos para produzirem mercadorias. no livro "Mesoeconomia; lições de contabilidade social", diz-se que os indivíduos integrantes das famílias proprietárias do fator trabalho selecionam entre seus pares os mais adequados para irem ao mercado e vender serviços desses fatores, por exemplo, trabáio ou terra.

o que o livro não diz é que, se o tempo não tivesse custo, por exemplo, se o homem fosse imortal, não haveria necessidade de cobrar pelas mercadorias. por outro lado, o conteúdo de trabalho integrando-se às mercadorias cai ao longo da história das economias monetárias. ele cai porque a produtividade do trabalho aumenta. ele cai porque o homem deseja transformar a maior quantidade possível de trabalho vivo em trabalho morto. ele quer jogar tênis e fazer esculturas em ferro ou madeira ou pedra. caindo o preço, eleva-se a abundância.

já disse Campos de Carvalho sobre os anos 50 ou 60, em Copacabana, que chegou o dia em que cada radinho de pilha já tinha seu mendigo. é como se a mercadoria tivesse a necessidade de ser carregada para cima e para baixo e contratasse mendigos para fazê-lo.

ou algo muito parecido.
DdAB
a imagem é propaganda na Submarino.

sábado, 25 de junho de 2011

seguem os universals

querido blog:
fiz uma googlada e achei como primeiro interessante (human universals):
http://c2.com/cgi/wiki?HumanUniversals
e segundo interessante, depois de mais algumas clicadas:

http://condor.depaul.edu/mfiddler/hyphen/humunivers.htm

e aqui a lista propriamente listada:

abstraction in speech & thought, actions under self-control distinguished from those not under control, aesthetics, affection expressed and felt, age grades, age statuses, age terms, ambivalence, anthropomorphization, anticipation, antonyms, attachment, baby talk, belief in supernatural/religion, beliefs, false, beliefs about death, beliefs about disease, beliefs about fortune and misfortune, binary cognitive distinctions, biological mother and social mother normally the same person, black (color term), body adornment, childbirth customs, childcare, childhood fears , childhood fear of loud noises, childhood fear of strangers, choice making (choosing alternatives), classification, classification of age, classification of behavioral propensities, classification of body parts, classification of colors, classification of fauna, classification of flora, classification of inner states, classification of kin, classification of sex, classification of space, classification of tools, classification of weather conditions, coalitions, collective identities, conflict, conflict, consultation to deal with, conflict, means of dealing with, conflict, mediation of, conjectural reasoning, containers, continua (ordering as cognitive pattern), contrasting marked and nonmarked sememes (meaningful elements in language), cooking , cooperation, cooperative labor, copulation normally conducted in privacy, corporate (perpetual) statuses, coyness display, critical learning periods, crying, cultural variability, culture, culture/nature distinction, customary greetings, daily routines, dance, death rituals, decision making, decision making, collective, differential valuations, directions, giving of, discrepancies between speech, thought, and action, dispersed groups, distinguishing right and wrong, diurnality, divination, division of labor, division of labor by age, division of labor by sex, dominance/submission, dreams, dream interpretation, economic inequalities, economic inequalities, consciousness of, emotions, empathy, entification (treating patterns and relations as things), environment, adjustments to, envy, envy, symbolic means of coping with, ethnocentrism, etiquette, explanation, face (word for), facial communication, facial expression of anger, facial expression of contempt, facial expression of disgust, facial expression of fear, facial expression of happiness, facial expression of surprise, facial expressions, masking/modifying of, fairness (equity), concept of, family (or household), father and mother, separate kin terms for, fears, fear of death, fears, ability to overcome some, feasting, females do more direct childcare, figurative speech, fire, folklore, food preferences, food sharing, future, attempts to predict, generosity admired, gestures, gift giving, good and bad distinguished, gossip, government, grammar, group living, groups that are not based on family, habituation, hairstyles, hand (word for), healing the sick (or attempting to), hope, hospitality, husband older than wife on average, hygienic care, identity, collective, imagery, incest between mother and son unthinkable or tabooed, incest, prevention or avoidance, in-group distinguished from out-group(s), in-group biases in favor of, inheritance rules, institutions (organized co-activities), insulting, intention, interest in bioforms (living things or things that resemble them), interpolation, interpreting behavior, intertwining (e.g., weaving), jokes, judging others, kin, close distinguished from distant, kin groups, kin terms translatable by basic relations of procreation, kinship statuses, language, language employed to manipulate others, language employed to misinform or mislead, language is translatable, language not a simple reflection of reality, language, prestige from proficient use of, law (rights and obligations), law (rules of membership), leaders, lever, likes and dislikes, linguistic redundancy, logical notions, logical notion of "and", logical notion of "equivalent", logical notion of "general/particular", logical notion of "not", logical notion of "opposite", logical notion of "part/whole", logical notion of "same" , magic, magic to increase life, magic to sustain life, magic to win love, making comparisons, male and female and adult and child seen as having different natures, males dominate public/political realm, males engage in more coalitional violence, males more aggressive, males more prone to lethal violence, males more prone to theft, males, on average, travel greater distances over lifetime, manipulate social relations, marking at phonemic, syntactic, and lexical levels, marriage, materialism, meal times, mearning, most units of are non-universal, measuring, medicine, melody, memory, mental maps, mentalese, metaphor, metonym, mood- or consciousness-altering techniques and/or substances, moral sentiments, moral sentiments, limited effective range of, morphemes, mother normally has consort during child-rearing years, mourning, murder proscribed, music, music, children's, music related in part to dance, music related in part to religious activity, music seen as art (a creation), music, vocal, music, vocal, includes speech forms, musical redundancy, musical reptition, musical variation, myths, narrative, nomenclature (perhaps the same as classification), nonbodily decorative art, normal distinguished from abnormal states, nouns, numerals (counting), Oedipus complex, oligarchy (de facto), one (numeral), onomatopoeia, overestimating objectivity of thought, pain, past/present/future, person, concept of, personal names, phonemes, phonemes defined by set of minimally constrasting features, phonemes, merging of, phonemes, range from 10 to 70 in number, phonemic change, inevitability of, phonemic change, rules of , phonemic system, planning, planning for future, play , play to perfect skills, poetry/rhetoric, poetic line, uniform length range, poetic lines characterized by repetition and variation, poetic lines demarcated by pauses, polysemy (one word has several meanings), possessive, intimate, possessive, loose, practice to improve skills, precedence, concept of (that's how the leopard got its spots), preference for own children and close kin (nepotism), prestige inequalities, pretend play, pride, private inner life, promise, pronouns, pronouns, minimum two numbers, pronouns, minimum three persons, proper names, property, proverbs, sayings, proverbs, sayings - in mutually contradictory forms, psychological defense mechanisms, rape, rape proscribed, reciprocal exchanges (0f labor, goods, or services), reciprocity, negative (revenge, retaliation), regocnition of individuals by face, redress of wrongs, resistance to abuse of poser, to dominance, rhythm, right-handedness as population norm, risk-taking, rites of passage, rituals, role and personality seen in dynamic interrlationship (i.e., departures from role can be explained in terms of individual personality), sanctions, sanctions fro crimes against the collectivity, sanctions include removal from the social unit, self-control, self distinguished from other, self as neither wholly passive nor wholly autonomous, self as subject and object, self-image, awareness of (concern for what others think), self-image, manipulation of, self-image, wanted to be positive, self is responsible, semantics, semantic category of affecting things and people, semantic category of dimension, semantic category of giving, semantic category of location, semantic category of motion, semantic category of other physical properties, semantic components, semantic components, generation, semantic components, sex, sememes, commonly used ones are short, infrequently used ones are longer, senses unified, sex differences in spatial cognition and behavior, sex (gender) terminology is fundamentally binary, sex statuses, sexual attraction, sexual attractiveness, sexual jealousy, sexual modesty, sexual regulation, sexual regulation includes incest prevention, sexuality as focus of interest, shame, shelter, sickness and death seen as related, snakes, wariness around, social structure, socialization, socialization expected from senior kin, socialization includes toilet training, spear, special speech for special occasions, statuses and roles, statuses, ascribed and achieved, statuses distinguished from individuals, statuses on other than sex, age, or kinship bases, stinginess, disapproval of, stop/nonstop contrasts (in speech sounds), succession, sucking wounds, sweets preferred, symbolism, symbolic speech, synesthetic metaphors, synonyms, taboos, tabooed foods, tabooed utterances, taxonomy, territoriality, thumb sucking, tickling, time, time, cyclicity of, tools, tool dependency, tool making, tools for cutting, tools to make tools, tools patterned culturally, tools, permament, tools for pounding, toys, playthings, trade, triangular awareness (assessinjg relationships among the self and two other people), true and false distinguished), turn-taking, two (numeral), tying material (i.e., something like string), units of time, verbs, violence, some forms of proscribed, visiting, vocalic/nonvocalic contrasts in phonemes, vowel contrasts, weaning, weapons, weather control (attempts to), while (color term), world view.

tenho dois probleminhas com elas, que poderiam tomar-me a vida inteira para equacionar:

.a. traduzir para o português

.b. entender exatamente o que quer dizer. por exemplo, bem acima: weapons, armas, querendo dizer que todos temos pedaços de osso para contra-atacar, como o macacão do filme 2001? ou ogivas atômicas jurando que as lançaremos sobre os países amigos se estes não aquiescerem com nossos justos reclames? e lá em cima? por exemplo, anthropomorphization, antropomorfização, será que quer dizer que eu quero dizer, quando digo que o modelo explica, apenas que eu explico por meio de um modelo? ou que maçãzinha vende saúde?

depois comleto. bye now. esses anglicismos. aquele deputado Carrion, este Brasil! eu preferiria Brazil, não por ser americanófilo, mas por ser deodorófilo que jogou-nos a primeira constituição da república, assim intitulando nosso país: Estados Unidos do Brazil.
DdAB
e o burro empunhando o melhor amigo do homem, o dicionário (e ele também), é simpaticíssimo e veio d(aqui). visite!
ops: quase esqueço, mas faço este post scriptum: o MEC que se recomponha, pois um universal é language, prestige from proficient use of. ou seja, toda a macacada valoriza a negadinha que sabe português, não é isto?
opss: universal, universais, universal, universals, pinker, stephen pinker, donald brown.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Mesoeconomia: mais mas diferente

querido diário:
hoje o livro "Mesoeconomia; lições de contabilidade social: a mensuração do esforço produtivo da sociedade" já faz rimas: ele é uma inarredável realidade. ele fala a verdade. ele critica o tradicional fluxo circular da renda. ele brinca com o assunto, dizendo que aquele negócio dos antigos é um movimento pendular, ou seja, sobre uma linha. e que o verdadeiro fluxo é análogo ao movimento de uma funda, ou seja, bidimensional. ele diz muito mais do que isto. ele termina com a matriz de insumo-produto da empresa, num capítulo estonteantemente inédito na literatura brasileira da área.

ele, enfim, é o amado livro que levei anos organizando, associado com Vladimir Lautert e com a cooperação, desprendimento e paciência de vários outros economistas de respeito:

Adalberto Alves Maia Neto
Adalmir Marquetti
Adelar Fochezatto
Ademir Barbosa Koucher
Adriana Nunes Ferreira
Alexandre Alves Porsse
André Moreira Cunha
Ani Reni Ew
Cássio Calvete
Daniela Magalhães Prates
Duilio de Avila Bêrni
Eduardo Finamore
Eduardo Grijó
Fernando Salgueiro Perobelli
Flávio Tosi Feijó
Gláucia Michel de Oliva
Henrique Morrone
João Rogério Sanson
Liderau dos Santos Marques Jr.
Luciano Moraes Braga
Paulo de Andrade Jacinto
Riovaldo Mesquita
Ubaldino de Almeida Conceição
Vania Alberton
Vladimir Lautert.

em sua quarta capa, os seguintes dizeres deixam-se ler:

Obra de fôlego de Duilio de Avila Bêrni e Vladimir Lautert, este livro oferece os conteúdos básicos e avançados de contabilidade social destinados aos cursos de graduação em economia do país e atualizxação para os profissionais atuantes na área. Os organizadores e seus colaboradores trabalharam intensamente para atingir as expectativas das diferentes comunidades que lidam com modelos multissetoriais, macroeconomia, problemas ambientais e economia de empresas, alcançando também estatísticos, engenheiros, sociólogos e assistentes sociais.

Dividido em seis partes e com extenso conteúdo adicional no CD-ROM (que inclui uma planilha para uso dos leitores), o texto vai do básico ao avançado. Completamente alinhado com os conteúdos da contabilidade social convencional, apresente grande quantidade de material moderno e inédito, destacando-se a matriz de insumo-produto da empresa.

Um tema convencional, tratado de forma inovadora, um livro extraordinário!
DdAB
p.s.: como disseram vários prêmios nobéis da área (Leontief, Stone, Lawrence Klein, Simon Kuznets, e milhares de outros): é isto aí, gente!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Novos Poetas no Paralelo 30 Norte

querido blog:
nada sei sobre poetas do Paralelo 30 Norte. o que sei é que andaram associando-me ao 30 Sul. nem sei sobre poesia. mas o fato da concretude da realidade tangível é que, neste feriado, decidi publicar uns manuscritos que recebi de meu proverbial amigo e menino de rua Merval, ou seja, o menino de rua da Rua Visconde do Herval. une vergonhe, teria dito lui mêmme. claro que não foi para mim que ele escreveu isto, né, meu? tudo porque hoje é feriado...

Poema Sem Titulo

eu te amo.


eu te amo
e ao teu dinheiro

eu te amo
e ao eu dinheiro
e o resto do patrimônio inteiro

quadrinhas agauchadas
ocorrem sempre com rimas.
têm métricas esmiuçadas
na vastidão das colinas.

filho filho vasto filho
mais vastas são min's eq'ações
se eu me chamasse Duílio
esmerilharia com lima
o conjunto de soluções.

sexteto é forma poética
que já levou prá cadeia
eu rimo cadeia com candeia
e faço nova rima de meio
correndo, que te incendeio
em lições ontológicas de ética.

DdAB
p.s.: ainda sobre rimas, temos uma não catalogada, por exemplo, rimando "ele pensa" com "esta dança". trata-se, claro, de rima rica, mas mais ainda, é riquíssima, pois a grafia da sílaba rimante do verbo é diversa daquela do substantivo.

e tentei ver tudo isto, resumidamente, na quadrinha:

andei em círculos não sei porque
cheguei à borda do banhado que
deixou-se cruzar. nem sei o porquê
de ele ter lá suas manias, seus quês.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Mesoeconomia: não entre em fria

querido diário:
no dia de ontem, tive a grande alegria de ver e cheirar o livro que deu margem à postargem. deste então, passsei a fazer rimas e adulterar algumas delas. e, inconfidente, já fui falando logo para o LeoMon! ele fez o que vemos acima. deixou-me com a sensação de que teria que ser -myself- solene desta postagem de hoje. eu ia postar algo que espero fazer amanhã, ou seja, não fui capaz, hoje, de postar "Escritos" um tanto estranhos. neles, escritos, haverá rimas!

então inspirei-me em dizer o que é mesoeconomia, a fim de que o leitor não entre em fria. e, assim, não compre o livro de contabilidade social para seu melhor amigo ou melhor amiga errado! ou melhor, o amigo ou amiga certo devem ganhar o livro certo: Mesoeconomia, comme le dit Leô!

então já vou dizendo o que é mesoeconomia. tá na p.67-72 do livro.

A mesoeconomia representa uma dimensão intermediária entre as tradicionais micro e macroeconomia, buscando cobrir o espaço que as separa, ou seja, tentando dar respostas tanto à questão da agregação das variáveis quanto à das suposições utilizadas para a construção de suas proposições explicativas. Ao fazê‑lo, a mesoeconomia pode buscar explicações a uma enorme gama de fenômenos que não são abrigados pelos corpos teóricos da micro e da macroeconomia.

 explico-me. ela é o que os antigos chamavam de análise setorial, o que outros chamam de modelos econômicos multissetoriais e o que eu chamo de estudo dos integrantes das três organizações econômicas: produtores, fatores e instituições. nos produtores, encontra-se a análise setorial. os fatores, na verdade, são chamados no livro inteiro de locatários dos fatores de produção, os tradicionais trabalho e capital. por que assim chamá-los? porque em assim fazendo podemos divisar não apenas o manjadíssimo mercado de fatores lá daquele fluxo circular da renda caretíssimo (que o livro rotula de "modelo pendular", pois o negócio todo oscila entre "famílias" e "empresas") mas também principalmente a relação que estes encetam com as instituições (que já definirei), criando um mercado que o livro chama de "mercado de arranjos institucionais, inclusive os monetários". nele as instituições fornecem aos locatários dos fatores a estrutura institucional (jurídica, contratos, dinheiro) e recebe deles os rendimentos que eles amealharam (esta de "meter na meia" é boa, né?) no mercado de serviços dos fatores.

as instituições são, keynesianamente, as famílias, o governo, as empresas estrangeiras (que importam o produto doméstico e exportam o produto imprtado) e as empresas nacionais (que guardam parte da produção para recolocar no processo produtivo como meios de produção, como capital fixo).

um troço destes.
DdAB
ops: postagem original: aqui.
opss: postagem de Leonardo Monastério: aqui.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Mesoeconomia: lições de contabilidade social (o livro!)

querido diário:
((postagem reedidata em 29/jun/2011: acrescentei detalhes sobre vendas e nomes dos autores))

hoje ainda é dia de rock (Sá, Rodrix e Guarabira disseram-me isto há muitos anos). a postagem oficial de hoje é a anterior. mas esta é a mais importante de todos os tempos desde que iniciei este blog ou desde que nele anunciei o nascimento de minha neta. ou ainda desde que, no próximo dia oito, anunciarei being sixty four. não sei o que é mais importante, na verdade: ser avô, ter 64 anos ou ser co-organizador de um livro que assume que é a verdadeira ponte entre a microeconomia e a macroeconomia.

em outras palavras, hoje recebi o livro em que vim trabalhando (menos de 24 horas por dia, admito) desde julho de 2005. isto mesmo, julho de 2005, fora algumas coisas que já escrevera antes desta data. eu disse: seis anos. e também disse que não foram 24 horas por dia. a capa pareceu-me uma das mais retumbantes maravilhas da história da humanidade: a estilização de uma matriz de contabilidade social, o cerne do livro.

Mesoeconomia - Lições de Contabilidade Social A Mensuração do Esforço Produtivo da Sociedade. Duilio de Avila Bêrni; Vladimir Lautert (e colaboradores).

Nomes dos colaboradores, isto é, co-autores:
Adalberto Alves Maia Neto
Adalmir Marquetti
Adelar Fochezatto
Ademir Barbosa Koucher
Adriana Nunes Ferreira
Alexandre Alves Porsse
André Moreira Cunha
Ani Reni Ew
Cássio Calvete
Daniela Magalhães Prates
Duilio de Avila Bêrni
Eduardo Finamore
Eduardo Grijó
Fernando Salgueiro Perobelli
Flávio Tosi Feijó
Gláucia Michel de Oliva
Henrique Morrone
João Rogério Sanson
Liderau dos Santos Marques Jr.
Luciano Moraes Braga
Paulo de Andrade Jacinto
Riovaldo Mesquita
Ubaldino de Almeida Conceição
Vania Alberton
Vladimir Lautert.
((Agradecimento especial: David Pedroso Corrêa e Arlei Fachinello))
  • Formato: 17,5X25 cm
  • Peso: 0,98 kg
  • Páginas: 662
  • ISBN: 9788577808403
  • Ano: 2011
Título Impresso
De: R$ 98,00Por:R$ 83,30ou 3X de R$ 27,77.

Sac e televendas 0800 703 3444 Seg. à Sex. das 8h30 às 18h
 
a fonte destas informações: basta clicar neste negrito para chegar em:
http://www.grupoa.com.br/site/exatas-sociais-e-aplicadas/2/96/0/4853/4854/0/mesoeconomia-licoes-de-contabilidade-social.aspx.


o primeiro parágrafo do Prefácio deixa-se ler como:

Os gregos antigos pensaram que o homem é a medida de todas as coisas, o que faz‑nos cogitar, irreverentes, que o preço e o lucro são medidos em homens, o mesmo ocorrendo com os acres de terra e as mãos humanas usadas para cultivar a plantação. Mais circunspectos, talvez não devêssemos levar tão ao pé da letra esta proposição, mas apenas retirar dela a oposição entre homem e coisas. Isto permite‑nos progredir, assinalando que a intermediação feita entre estes dois termos, digamos, contrários, é central para o efeito da frase: medida. Para que medir?

Para entender! Na verdade, antes de chegar a medir, o homem exercitou sua capacidade de contagem, preocupado com a sobrevivência física e a acumulação de riqueza: uma, duas, três e mais ovelhas, um ou dois cães e lobos. Como teria Monteiro Lobato reclamado do estilo pernóstico vigente em seu tempo: o pegureiro, o armento e o aprisco. Três substantivos. Desse mundo de ovelhas e uvas, podemos dizer que a contagem é a forma de medida mais elementar, seguida de processos de ordenação, por exemplo, aprisco, armento e pegureiro seguem a estrita ordem alfabética, abrindo a possibilidade de fazermos comparações entre as unidades contadas: quem vem antes, na ordem alfabética, o armento ou o aprisco? Também podemos fazer comparações mais sofisticadas e, talvez, mais úteis: há mais lobos ou mais cães?

tá bom? do sétimo céu, assina:
DdAB

Saúde: contribuição do setor privado

querido diário:
o problema da saúde no Brasil só não é mais cantado em tragédia porque há outras expressões da esperada ação pública que, volta e meia, o ofuscam: segurança/justiça, desemprego, educação. e milhares de outros temas que contribuem para reduzir a liberdade do brasileiro médio, para não falar daqueles ainda submetidos a trabalho escravo.

o governo gerou o SUS, que não é capaz de mostrar-se eficiente como o povo gostaria. as filas, os pagamentos "por fora" e muitas outras ameaças rondam o usuário. mas a ideia da provisão da saúde, ao invés da produção é boa, é democrática, ajuda a consolidação de uma sociedade saudável e democrática. descentralização: substituição do governo dos homens pela administração das coisas. uso da lei do orçamento público para ver as prioridades, a hierarquia dos itens de saúde que devem ser universalizados. alcançado certo patamar é que outros deveriam ingressar no orçamento, desde que a provisão para todos dos itens mais básicos seja alcançada.

a centralização, não canso de alardear, gerou a tragédia do Carandiru, no caso da segurança/justiça, sistema prisional e sistema policial de baixo calibre. não sou utópico nem o solitário imaginador de uma situação em que haveria prisões privadas de pequena capacidade de detenção, ou seja, uma prisão para dois ou três presos, outra para cinco ou seis, outra para 20, outras para dois ou três, e por aí vai. empregos para seus mantenedores, opção de gente poder viver honestamente prestando serviços comunitários, como a reclusão de réprobos. a clínica também pode ser atomizada. o atendimento clínico e especializado também.

hoje na p.16 de Zero Hora, fala-se que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária está enquadrando as empresas privadas, as dos "planos de saúde". diz-lhes que devem garantir atendimento aos "contribuintes" em prazos razoáveis. eu penso que há uma limitação física: o médico e o enfermeiro não devem trabalhar mais de, digamos seis ou oito horas por dia. logo não podem atender a milhares de pessoas por dia. o que pode reduzir o congestionamento é haver mais médicos, como se cogita. e haver mais médicos de menor formação para atender a doenças menores, para triar doenças mais severas.

no limite, teremos um verdadeiro SUS, um verdadeiro sistema universal, com prontuário nacional centralizado, com triagens, com treinamentos mais para as doenças "universalizadas", com atendimentos diferenciados, com civilização. sem roubo. os desvios de verbas, nesta sociadade que me retém a mente, serão combatidos pela ação também delegável do governo: prover informação e fiscalização. esta seria sua contribuição. tudo pode ser subcontratado. cada subcontrato tem um risco de corrupção, logo gera o emprego direto (por exemplo, enfermagem) e o indireto (no caso, um contador fiscalizando a operação).
DdAB
ops: imagem daqui: abcz.

domingo, 19 de junho de 2011

O De Que Eu Preciso


querido blog:que podemos fazer com as seguintes sentenças?

.a. "he job with me"
.b. "he has the second marry"
.c. "o que eu preciso?", "eu preciso de um pino".

foram duas pessoas quem as proferiu. a dos itens .a. e .b. é profissional liberal. a do item .c. é de um popular que deixou-se ouvir por mim, na fila da Loja Severo Roth. (e eu escrevi "deixou-se" e não "se deixou" porque acho menos popular...).

a melhor solução que me ocorreu foi passá-las ao prof. Conrado de Abreu Chagas, pedindo-lhe análise e crítica. compreenderam? diz ele:

As frases "he job with me" e "he has the second marry" são bons exemplos da inutilidade da "boa gramática", pois entendemos perfeitamente o que se está dizendo. Michael Swan (autor do "world-famous" Practical English Usage), quando esteve em Porto Alegre, nos relatou um estudo que mostrava que os professores nativos de inglês dão muito menos importância a erros gramaticais do que o fazem professores não-nativos. Creio que os estudantes se preocupam demasiado em saber a gramática e, percebendo que não a dominam, inibem-se desgraçadamente, a ponto de muitas vezes se verem incapazes de comunicar-se. Mas isso tudo o hoje clássico "communicative approach" já desvendou. De fato, em primeiro lugar a comunicação, depois o resto.

Todavia, ninguém quererá passar a vida inteira falando coisas como "he job with me" e "he has the second marry", não é? Haverá um momento no longo e sinuoso caminho rumo à mestria do idioma em que o indivíduo, embora a essa altura já de todo ciente de que jamais entoará as frases com a elegância de um, digamos, David Lodge, fará contudo o seu melhor para que o escutem, senão com admiração elogiosa, ao menos com respeitosa atenção, porque o conteúdo, por mais interessante que venha a ser, dependerá sempre, para que o apreciem com a devida vênia, do envelope em que se veja arranjado.

não falei? os textos dele são maravilhosos!
DdAB
p.s.: meu título evoca os tempos da formação pré-universitária. havia um programa na Rádio Guaíba que se chamava "O Disco que eu Gosto". acho que havia pressão de alguém sobre quem e volta e meia ouvia-se "O Disco de que eu Gosto", mas o português brasileiro voltava a vigorar. e o português lusitano que usa "consigo" no sentido de "com você". a situação é crítica a tal ponto que acho que não acho. ou melhor. acho que eles têm o direito de assim falar, pois já o faziam no final do século XIX:

"Minha adorada amiga: não, não foi na Exposição dos Aguarelistas , em Março, que eu tive consigo o meu primeiro encontro, por mandado dos fados."

p.142 do já citado aqui "Correspondência de Fradique Mendes", na eterna Paris, num certo junho, Fradique escreveu a Clara. tá claro? e aguarelista? alguém hoje evitaria o 'aquarelista'? é uma involução no rumo do latinório?

sábado, 18 de junho de 2011

Mercado de Títulos no Mercado Político

querido diário:
esse negócio de obrigar o homem livre a votar é um grande mal-entendido. caso a democracia possa ser implantada no Brasil, destruindo-se o voto obrigatório e transformando-o em voluntário, haverá ganhadores:

.a. os eleitores: seu voto passará a valer mais, não necessariamente avaliado pecuniariamente (mas por que não?, um arranjo tipo controle de uma empresa pelo mecanismo da sociedade anônima)

.b. os políticos: podem focalizar a promoção de suas candidaturas, o que ainda é mais potencializado com o voto distrital.
DdAB
imagem divertidinha, né? aqui. pensei em melhorá-la: "X está aqui e se chama hipopótenusa."

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O Privilégio de Não Ver Desigualdade

querido blog:
a primeira má notícia que vi no jornal Zero Hora de hoje (e há pilhas de outras) ainda estava sobre o capacho da porta de entrada. espichei o olho para ver se era mesmo um exemplar de jornal ou um menino de rua e vi uma chamadinha na contra-capa do primeiro caderno: "Quero meus privilégios". pensei que fosse o dr. Paloce. olhei, intrigado, mais: "Colunistas de ZH [...] Nâo é errado ter dinheiro ou vantagens, quando se trabalha para isso. Página 2." li o jornal, li o artigo, li o Aurelião:

1.Vantagem que se concede a alguém com exclusão de outrem e contra o direito comum.
2.
Permissão especial.
3.
Prerrogativa, imunidade.
4.
Dom, condão.


então pensei: Dave não leu o Aurelião. ou ficou na quarta acepção, ele que tem um dão ou um condão. e pensei no conceito de sociedade justa. Rawls, como sempre refiro, uma referência, portanto. mas também o conceito de David Harvey:

1. Desigualdade intrínseca: todos têm direito ao resultado do esforço produtivo, independentemente da contribuição
2. Critério de avaliação dos bens e serviços: valorização em termos de oferta e demanda
3. Necessidade: todos têm direito a igual benefício
4. Direitos herdados: reivindicações relativas à propriedade herdada devem ser relativizadas, pois, por exemplo, o nascimento em uma família abastada pode ser atribuído apenas à sorte
5. Mérito: a remuneração associa‑se ao mérito; por exemplo, estivador e cirurgião querem maior recompensa do que ascensorista e açougueiro
6. Contribuição ao bem comum: quem mais beneficia aos outros pode clamar por mais recompensa
7. Contribuição produtiva efetiva: quem gera mais resultado ganha mais do que quem gera menos
8. Esforços e sacrifícios: quanto maior o esforço, maior a recompensa. 



parece que o Dave tampouco leu o Rawls, not to speak to Harvey. uma americanada, exceto o Harvey, Dave, também, que é brit. (ou Brit, para quem sabe-se lá se sabe inglês).


quer dizer, um carinha que clama pela manutenção de seus privilégios só pode estar brincando de jornalista, economista, pedicure, o que seja. nem menino de rua tem direito de lutar por privilégios, se é que deseja mesmo promover a sociedade justa.


o Coimbra faz um elogio dos lobbies. não leu a macacada da teoria da escolha pública. não sabe o que são sinecuristas, o que são "ganhos improdutivos", rent seeking. diz David: "Mas, no Brasil, ter privilégio ou ser rico é vergonhoso." só que diz isto criticando os críticos dos privilégios, milhares deles, inclusive o de não pagarem um imposto de renda condigno com a sociedade justa rawlsiana.


para não alongar-me, eu que não me abreviei, termino dizendo que já faz milhares de anos que sabemos que:


.a. os preços relativos determinam a distribuição da renda
.b. a distribuição da renda determina os preços relativos.


e finalmente


.c. qualquer lucro extraordinário é sinal de ineficiência alocativa e, como tal, deveria pagar imposto de renda (não esses miseráveis 27,5% criados pelo sr. José Sarney).
DdAB
imagem: aqui. ali você verá o pai de Maureen Maggi dizendo ser um privilégio ser pai dela. tampouco leu o Aurelião, o Rawls, o David Harvey, essa macacada toda. o privilégio da Maureen é da segunda definição do Aurelião. e eu leio Zero Hora porque quero. ou melhor, queria ler um jornal que não existe, esquerdista.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A Carga do Mundo

querido diário:
se me atrevo a ser tradutor, diria que a imagem de hoje diz: "na Cidade de Americana, São Paulo, há cargos luminosos". eu diria que não é apenas na cidade dos confederados, mas na federação das cidades emplacada em Brasília. do que vai em Brasília e do que vai no jornal, torno-me filosófico e penso que cargo que é cargo não se transporta no bandwagon, mas negocia-se. nega-se o ócio, mas faz-se um trabalho destrutivo, nada criativo, sob o ponto de vista do enfrentamento dos problemas brasileiros. afinal, daqui a três anos teremos nova campanha eleitoral e poderemos ungir nosso próprio grupo de interesse (família, amigos, algumas ampliações). nós?

a gente nunca sabe se o que está dando no mundo é a mesma coisa que está dando no jornal da gente. parece, pelo jornal, que a agenda negativa mudou do palote ao cegilo. parece que a oposição nem é tão preocupante quanto a... situação. parece que a oposição não quer cargos, quer apenas o poder para ter todos os cargos para barganhar com os aliados. a situação não pensa em eleição, pensa nos cargos agora. não pode adiar. o patrimônio da família precisa crescer agora. oposição? para que oposição, se a própria situação desestabiliza o governo na luta pelas verbas, pelos cargos?

até quando o povo da Grécia vai aceitar perder 150 mil empregos públicos? até quando a Grécia vai tornar-se um novo Brasil, sem governo, sem justiça social, sem um projeto redistributivo, pois todos falam em projeto produtivo? (e nem isto é levado a sério, pois os cargos estão em outras esferas). até quando o povo brasileiro vai aceitar manter-se analfabeto funcional? até quando a gente vai seguir com estes sistemas (eleitoral, tributário, etc.)? até quando nossa paciência será fustigada? (podemos esperar resposta na postagem de encerramento do blog?). até quando vamos ganhar um cargo para carregar no caminhão de cargos com um bandwagon?
DdAB
o p.s.: imagem daqui.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Nem toda Droga é uma Droga


querido diário:


pela imagem acima, a primeira figura "como funciona el cerebro" humano não parece ser uma droga: quanto mais educação, mais informação melhor. um charuto pode ser apenas um charuto (Freud? onde?) e um cachimbo pode não ser apenas um cachimbo (Magritte). uma seringa pode salvar vidas ou destruí-las. um cigarro pode matar nosso amigo ou nosso inimigo. produzir bombas eleva o PIB e produzir hospitais para cuidar de feridos também (Samuelson). o consumo de droga desperta paixões não apenas naqueles que o fazem. o consumo de drogas por terceiros desperta paixões tanto nos terceiros (a pessoa de quem se fala) quanto na pessoa que fala (como é o caso) quanto na com quem se fala (pode-se falar a si mesmo...).

por que o consumo de drogas desperta paixões em mim? basicamente porque entendo que o comércio de drogas ilegais destruiu o sistema judiciário brasileiro. como tal, já aproveitou e destruiu qualquer perspectiva de construção da sociedade justa (Rawls) no Brasil. não sou pessimista sobre a necessidades da injustiça. e, se falo em destruição de perspectivas, é que não vejo, na atual conjuntura (Stanislaw), sinais de que estejamos acabando com

.a. a corrupção
.b. a Voz do Brasil
.c. o serviço militar obrigatório,

essas três e milhares de outras coisas que nos aproximariam das sociedades democráticas, para não falar nas reformas tributária, política, e outras menos concorridas (educação, previdência social, praticamente todas a serem contempladas na tributária, pois falaríamos da lei do orçamento, de corte universal e redistributivo).

a verdade verídica é que (como não estou postando em "Vida Pessoal") posso confessar: já usei morfina em plena madrugada dentro de uma repartição pública em Porto Alegre: o Hospital de Pronto Socorro Municipal. eu já alcançara a maioridade. o cálculo, com certo trocadilho de lugar comum, não saíra de sua primeira infância ao abandonar meu rim direito, uma dor desgraçada. recomendo cálculos? não! recomendo morfina? sim! recomendo maconha? não. recomendo morfina? não.

pois não é que a morfina vem a ser simultaneamente bem de mérito e de demérito? e a cocaína? passou de mérito a demérito, já foi usada com anestésico, 50 anos antes da descoberta da pólvora, ou melhor, antes da apropriação pela indústria da tarefa de sedare dolorem. como se organizaria uma sociedade em que as drogas fossem legalizadas, no sentido da morfina? nos tempos que correm, há um pedagógico exemplo de bem de demérito comercializado livremente: o cigarro. mas sua embalagem diz que ele, cigarro, faz mal à saúde. e o leitinho das crianças, cuja embalagem também diz que passa a fazer mal à saúde a partir de certa data? e a falta de leitinho das crianças cujos pais não têm dinheirinho para contratar os serviços das vaquinhas?

e se as drogas fossem distribuídas gratuitamente para consumo local, em consumption rooms, se o termo anglo-saxônico ajuda a dar caráter científico à iniciativa? e se um viciado fosse buscar no local da distribuição e enrustisse no bolso do casaco para revender a neguinhos não identificados? e se o médico revendesse no mercado negro? estas hipóteses escabeladas certamente são ofuscadas pela realidade escabeladíssima: a garotinha de 13 anos que assassinou, em Erexim (ou era Erechim?) a velhinha de 93anos.

claro que médicos e enfermeiros e assistentes sociais sérios podem, com a maior desenvoltura, definir, pela ficha médica do paciente, ficha penal, anamnese registrada, separar joio do trigo, ou a morfina má da morfina boa, se assim posso expressar-me. a menina de 13 anos viciadinha apartada do malvado traficante de (13+93)/2=53 anos. a história de vida do solicitande da droga na sala de consumo, a quantidade consumida (crescente, decrescente, constante), tudo isto pode servir como indicador de problemas ou tratamentos bem-sucedidos, tudo isto pode ajudar a pacificar a sociedade. transferir o problema da polícia para a saúde, por considerar a dimensão econômica: os incentivos associados às transações ilegais são de tal monta que arrasaram o sistema judiciário. tá na hora de acabar com a Voz do Brasil, tá na hora de acabar com a corrupção, tá na hora de implementar a verdadeira lei do orçamento, tá na hora de reformar o próprio sistema judiciário!

tá na cara que tá na hora da criação de mais controle por parte da sociedade sobre a vida societária. e a liberdade? definindo liberdade por negação: ninguém é livre para poder suicidar-se, ninguém é livre para morrer de fome. ninguém é livre para levar um tiro na nuca!

abaixo a ditadura! e, se não é ditadura, abaixo o escabelamento generalizado das instituições brasileiras contemporâneas!
DdAB
ops: a imagem veio d(aqui). e hoje os juízes, que nem sempre jogam bola-fora, autorizaram a Marcha da Maconha. parece que não autorizaram o consumo, mas apenas o direito de alguém defender algo diferente de tiros na nuca, trabalho escravo, roubo das burras públicas.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Vida Dura: águas mornas e Leontief

querido diário:
a vida é dura. por que será que a frase é fácil e a equação, difícil? a frase é fácil e esta vírgula foi obrigatória? a frase é mais fácil do que a educação, retifico. se eu vou na retífica e retifico, a frase se confunde, vira confusa. mas são frases. um jornal é composto por frases. nas p.6-7 do caderno Viagem, fala-se de águas termais uruguaias e dá-se uma dica para banhos de imersão:

.a. cada banho deve durar entre 16 e 60 minutos

.b. deve-se tomar entre 21 e 40 banhos por dia

.c. deve-se fazer repouso de uma hora entre dois banhos.

pois pensei: 16minutos/banho x 21banhos/dia dá 336minutos/dia. divididos por 60minutos/hora, dá menos de 6horas. mais 18 dá 24, ou seja, tem-se apenas 18 horas para fazer as demais atividades do dia excluídas do binômio banho-descanso. por exemplo, transitar da piscina ao leito. e mais: escovar os dentes antes de dormir à noite, dormir à noite, vestir-se, despir-se, cruzar e descruzar talheres durante as refeições, fazer refeições, muitas, muitas porosidades, e por aí vai.

notate bene: isto que falei apenas nos mínimos: banho de duração mínima e número mínimo de banhos. se fossem os máximos, chegaríamos, multiplicando 60 por 40, a 40 horas de banho por dia, o que impediria, de modo contingente, o descanso entre dois banhos e até proibiria de modo necessário mais de 24 banhos por dia, sem descanso. e, com descansos de 1seg, já não daria nem 24 banhos. vida dura.

o acadêmico Wassili Leontief nunca, presumo, banhou-se nas águas deste rio, o rio metafórico da piscina uruguaia, em que tampouco se entra duas vezes (sem descanso...). como ele formularia o problema, se tivesse coisas menos relevantes do que as que teve para se preocupar? como selecionei 16min para cada banho? usei a função de proporções fixas

B = min( 16/1; 60/1), sendo "1"  o coeficiente de conversão de minutos em banhos (tava na cara, né? 16 se mede em minutos e banhos se mede em unidades balneárias. logo precisa converter.

e como selecionei 21? foi

N = min (21/1, 40/1), o número de banhos por dia, alcançado com o uso de um correlato do coeficiente "1".

então B x C nada mais é do que

VD = min (16/1; 60/1) x min (21/1, 40/1) = 16 x 21,

que deu as seis horas de banhos por dia, no aperto. vida dura. muito banho, exageradinhos, não há. é impossível. a grande escala, as economias de escala e as proporções industriais da vida moderna.

resumo: vida dura mesmo é um indivíduo humano sacrificar-se dentro dágua por 14 horas e ter que amenizar as outras 10 com porosidades não referidas, como é o caso de churrascos, macarronadas, queijos e embutidos, doce de leite e vinho tanat. vida dura!
DdAB

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Dillma, Palocci e Lulla

querido blog:
odeio quando eu mesmo andei escrevendo Lula com três eles, Lu-la-lá, ou simplesmente Lulla. mas agora achei que rimaria termos a influência de Lula no governo Dilma assinalada por um duplo ele no nome dela também (e estes "éles" não são "êle"). agora, já que Lula foi escrito com dois "l" e Palocci duas vezes, com seus dois "c" foi demitido por atividades alheias à lei do orçamento (e milhares de outras), consagra-se nesta postagem a grafia Dillma.

a equação é a seguinte: será que a dra. Gleici tem possibilidade de ajudar a manter o alto astral que cerca os governos Lula 1, Lula 2 e Dillma 1? o jornal Zero H|ora de hoje agracia-me com manchetes futebolísticas na capa, o vulcão, essas coisas. chegando, na p.6 à primeira notícia que me fez pensar seriamente em usá-la ("la" tanto no sentido de a notícia como a postagem e a afamada participante dos noticiários de minha vidinha) para postá-la, tra-la-lá.

diz-se: "Datafolha. Aprovação de Dilma resiste à crise política". e que 49% dos entrevistados consideram a gestão de Dillma como ótima ou boa. ou seja, terá pilhas de "regulares" e uma aprovação maciça. em qualquer plebiscito, qualquer referendo, ela ganharia.

por um lado, devemos lembrar, por falar em aprovar qualquer coisa, que o cordão dos puxa-sacos insistiu em lançar a campanha para as mudanças constitucionais compatíveis com a conquista por Lula do terceiro mandato. claro que Lula venceria, dizem que até ficou tentado, mas dizem que mudou de ideia. e, digam o que disserem, o fato é que aqueles tresloucados adesistas pararam de falar no assunto. ponto para Lula. ponto para a democracia, cujo casco ainda deverá aparecer no porto qualquer dia destes.

ainda neste lado, cabe refletirmos sobre o que está realmente acontecendo. parece que as descendentes de europeus, o "cinturão sulista", algo assim que já ouvi (Dilma, Gleici e Ideli), têm tudo para manter a popularidade de Lula e, como tal, Dilma. um dado interessante do Datafolha é que (mais abaixo, na mesma coluna) "Atuação de Lula é aceita por eleitores. [...] Para 64% dos brasileiros, Lula deveria mesmo participar das decisões de Dilma." ou seja, ele saiu do governo com 85% da aprovação. Dilma terá lá seus 70-80%. o povo quer Lula, Dilma, que é Dilma, também quer Lula. logo torna-se claro que a esperança do Brasil é que Lula seja mesmo um garoto bonachão, o maior político de todos os tempos, o maior altruísta da história, o maior egoísta racional da história. o maior jogador de futebol sete da história, a história da história.

por outro lado, eu -que anunciara que acabou o governo Dilma- devo um corrigendum: reiniciou o governo Dillma! ainda bem. melhor com governo Dillma do que com desgoverno. o melhor seria que ela topasse combater a corrupção como pode. o melhor seria que ela contribuísse para o reerguimento de um sistema judiciário competente. o melhor seria que ela parasse de usar as emendas parlamentares como foco central da corrupção. o melhor seria que a negadinha (expressão muito afeita ao passado dela) fizesse a tal lei requerendo moralidade daqui a 20 anos. afinal, um dia, antes do final dos tempos, teríamos um governo honesto. ou seja, não basta estarmos com Lula. poderíamos abandoná-lo com facilidade, caso perdêssemos completamente as esperanças na mudança. "nós"? we, the people.

para mim, um traço irônico de uma tragédia lancinante é que meu entusiasmo com a oposição também durou pouco: aquele negócio de governo paralelo liderado por Alkmim foi obnubilado pelo caso Palocci: todos perderam a compostura novamente. em particular, o aliado neto do velho líder baiano (e não falo do desarrazoado Rui Barbosa, mas de outro desastrado financista: mistura dinheiros públicos com os particulares) pirou na batatinha. e homens sérios ainda dão bola para este tipo de histrionismo. enquanto isto, as verbas para a educação vão ficando na educação de certos adultos, selecioados por critérios arbitrários.
DdAB
p.s.: peguei a imagem com "gleici casa civil", selecionando a primeira. Hoffmann, Rousseff, Salvati, parece a seleção de futebol, o Real Madrid, sei lá. se o treinador é Lula, só posso lembrar do que segue se clicares aqui. acabo de ouvir: "anoder preier que preis vere gude." apenas com mais verbas para a educação é que tiraremos o poder da mão do vilão, "bi ite ruever itis".

domingo, 12 de junho de 2011

Dividindo o Salário Mínimo

querido blog:
pensei que podemos multiplicar o salário mínimo, a fim de fazê-lo pressionar as empresas para aumentarem a produtividade: empresa que não consegue produzir o suficiente para pagá-lo deve ir à falência. o capital seria vendido por menor valor, a taxa de lucro elevar-se-ia e tudo voltaria ao normal, com os trabalhadores, no longo prazo, ficando em melhores condições.

o problema é que não houve, há ou haverá empregos para todos. logo é necessário um instituto como o da renda básica unviersal, a fim -inclusive- de exercer um papel contra-cíclico. em épocas de excesso de demanda, deixa como está. em época de recessão, joga dinheiro na mão da turma.

teríamos assim já dois: salário mínimo e renda básica universal. o terceiro seria o pagamento de transferências (aposentadorias e pensões). este deve ser maior do que a renda básica e menor do que o salário mínimo. salário mínimo, é preciso repetir ad nauseam, não é indexador da economia, mas apenas da produtividade da economia. o salário mínimo, na verdade, deveria chamar-se de salário industrial, para trabalhadores regulares, detentores de empregos decentes. maior até do que a complementação para "subornar" indivíduos detentores da renda básica universal para fazerem serviços comunitários no Serviço Municipal.

em outras palavras: multiplicar o salário mínimo e o industrial. dividir em três ou quatro conceitos operacionais.
DdAB
p.s.: a imagem veio de abcz. ou seja, do companheiro Delúbio. cada uma!!!!

sábado, 11 de junho de 2011

Opções

querido diário:
quase não posto hoje. já postei mais tarde, já postei de madrugada. já postei em horários que apareceram errôneos (adjetivo adverbial brasileiro), pois estava em fusos horários estranhos. hoje achei que posso filosofar sobre opções. como não tenho marcador de "economia política", não me deterei em excesso com o oPTei que tanto agradou a um velho professor pelo bom humor já de sua fase mais relax da vida. ele não era propriamente de esquerda, mas gostou de ver uma garota portando uma pasta com a velha legenda do PT. o PT acabou, andei dizendo. o governo Dilma acabou, andei dizendo. mas tenho esperança de que possa recomeçar, o que não andei dizendo.

como as borboletas ou seres que redivivem, fênix. coladas feito tatuagem, renascendo feito os universos. em outro sentido, cada vez que optamos, isto é, escolhemos, saímos do armário. eu saí do armário do ateísmo. eu saí do armário do armário, ou seja, declaro-me mais agnóstico do que ateu. mas, ao mesmo tempo, agnóstico esclarecido, pois me parece que a questão não é se Deus fez ou não o universo, mas apenas se o universo sempre existiu na forma atual, pois algo o terá gerado: não pode algo existir a partir do nada. nem como singularidade. o mais próximo do pensamento occamiano é pensar nos fenômenos apoiéticos.

no outro dia li algo muito interessante sobre estas questões que envolvem o governo Dilma, os outros governos petistas do dr. Lula e a educação. os desmandos das cartilhas. alguém criticava as formas como se discutia a gaieté. e ouvi gente dizer que "opção sexual" não é bem opção. conversei sobre esta asserção com gente de inteligência invulgar e foi-me dito: "è vero. ninguém opta por sexualidade da mesma forma que opta por cortes de cabelo. ninguém opta por sexualidade, da mesma forma que tampouco opta por cor da pele, dos olhos. pode-se optar por usar óculos que colorem os olhos, mas..."
DdAB
p.s. imagem borboleteante veio daqui.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A Facção Mística da Economia do Conhecimento...

querido diário:
a facção mística da economia do conhecimento torna-se boquiaberta quando reflete sobre as consequências da imortalidade da mente, alcançada sabe-se lá como. mas, se o for, o cabedal de conhecimentos tornar-se-á absolutamente estonteante. no conto "A última pergunta", Isaac Azimov faz este tipo de "viagem", levando gerações e gerações de humanos a se integrarem cada vez mais intimamente com os computadores. ou seja, incorporando o computador como órgão exossomático, órgão auxiliar da memória.

ora, o conhecimento, enquanto tal, faz parte do estoque de trabalho morto da humanidade: conheceu, pronto, está conhecido. se esquecer, pronto, está esquecido, mas se armazenar, pronto, pode ser recuperado, inclusive pelas gerações futuras. é o caso da "Poética", de Aristóteles, se é mesmo "Poética" e se é mesmo de "Aristóteles".

também já li num exemplar de "Somewhere" que "conhecer é a finalidade da vida". achei interessante, pois achava antes que a finalidade da vida é a busca da felicidade. ou outra legenda. mas pensar em trabalho morto (ou seja, a corporificação extracorpórea do trabalho vivo feito pelo ser humano) também me lembra o hedonismo, postura que não sabemos nem mesmo se nós própros adotamos, que dizer dos outros? mas, se podemos modelar o hedonismo, então teríamos uns paradoxos: o ser humano gosta de fazer mais esforço do que menos, ao praticar esportes, arte e sexo. e talvez ainda outras atividades.

talvez a inteligência artificial ajude a humanidade a poupar trabalho vivo também na busca do conhecimento, mas no outro dia postei algo imaginando que, no futuro, todos teremos que trabalhar -associados ao computador central- apenas uns 10 minutos em nosso curso de vida. curso este enormemente maior do que um ou dois milhões ou bilhões de anos... então: se o benefício é expandir infinitamente a finalidade da vida e, com ela, a própria vida, para usufruir de maiores estoques de conecimento, o custo é o esforço de conhecer, que pode ser crescentemente delegado às máquinas. tudo isto, mais implantação de genes de bonobos e está tudo resolvido. tudo cooperação, nada predação, nada de amigos da onça. maldade? nem de brincadeira! bullying? abaixo a ditadura. just like that!
DdAB
p.s.: com o título da postagem, sem aspas, capturei este Amigo da Onça, de Péricles, se o conhecimento não me falha, daqui. mas achei o seguinte: "Não há igualdade entre os homens, tampouco no reino animal, vegetal, ou até no mineral.", o que contraria algo que me parece óbvio: todos somos iguais perante a lei. e todos somos diferentes perante o médico. todos temos direito a tratamento médico, mas uns preferirão ter problemas renais, outros terão problemas cardíacos e os anti-equilibristas terão problemas otorrinolaringológicos.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Conselhos de Mario Bunge

querido blog:
no outro dia, recebi a longa transcrição que farei em seguida. o tema "como estudar" é tratado lindamente por Mario Bunge. o tema, claro, é discussão sobre ciência. em particular, em que medida sou solipsista, egoísta racional ou apenas me considero o blogueiro mais importante do mundo. mais que isto, o tema é se o que penso ser a realidade é mesmo realidade ou é apenas fantasia. o exemplo mais manjado que pensei ser de Kaneman & Tversky (grafia???) e parece que é mais gelstaltiano do que eu juraria é o que espero apareça bem direitinho: vou escrever as pontas de setas invertidas "<" e ">". e, entre elas, vou colocar cnco sinas "=". vejamos o que pensas disto:

<=====>
>=====<

eu penso que o superior é maior do que o inferior, não pensas também assim? ou eu penso o contrário e o inferior é que é maior? ou eu não penso nada? ou eu, que fiz o desenho, não posso dizer que há distorções na tela que fazem parecer que o que era para ser igual não o é? ou o quê?

então, nas p. 237-240 (obra a ser citada em post scriptum post postagem), lemos bela transcrição, que só pode ter sido feita por quem tem dedos dourados ou um bom scanner. ou, ao contrário, mente dourada capaz de escanear todo o conhecimento humano, como fazia décadas não víamos ninguém fazendo:

Capítulo 16:  Carta a uma Aprendiz de Epistemologia

Possível futura colega:

            Você me diz que está a ponto de ingressar na universidade e se interessa pela Filosofia da Ciência. E pergunta-me o que deveria fazer para converter-se numa boa epistemóloga.
            Após meditar durante quarenta anos sobre este problema, elaborei a seguinte receita para a formação de epistemólogos:
1.      Consiga uma família que lhe assegure uma capacidade inata de fazer trabalho intelectual intenso e variado, continuado e prolongado, além de profundo e original. E, agora, a sério: convença-se de que é capaz de realizar trabalho intelectual produtivo da única maneira possível – tentando-o. Aborde problemas intelectuais difíceis porém não impossíveis para o seu nível atual e esforce-se para resolvê-los. Examine os resultados de seu esforço e assegure-se de que essa classe de trabalho lhe agrada mais do que qualquer outra. Além disso, peça que a critiquem e comentem os seus ensaios. E não se desalente se a crítica for adversa: todo começo é inseguro.
2.      Frequente boas escolas e rodeie-se de gente inteligente e produtiva, com amplos interesses, bem como de profissões e idades diversas. (Uma escola ruim pode ensinar maus hábitos intelectuais, cortar vocações autênticas, ou dar uma segurança injustificada. E amigos superficiais ou improdutivos podem conseguir os mesmos maus efeitos.) Rodeie-se de bons livros e boas revistas. Seja onívora mas não devore tudo que está a seu alcance: selecione.
3.      Estude a fundo uma ciência ou tecnologia. Escolha uma ciência ou tecnologia que tenha atingido maturidade teórica ou esteja em vias de alcançá-la. Isso a colocará em contato com problemas filosóficos interessantes e difíceis e a obrigará a estudar Matemática, a linguagem de toda ciência madura. A menos que acredite sentir uma vocação irresistível para a Física ou a Química, não as escolha, porque hoje em dia necessita-se de uma dezena de anos de árduos estudos universitários para atingir a fronteira da Física ou da Química. Escolha, se possível, uma ciência em desenvolvimento, de fronteira mais próxima, tal como a Biologia Molecular, a Biologia matemática, a Bioengenharia, a Psicobiologia, a Sociologia matemática, a pesquisa operacional ou a Administração científica de empresas. Se assim o fizer, poderá chegar com relativa rapidez à fronteira e poderá abordar problemas científicos e epistemológicos tão apaixonantes como inesperados e ainda não enfrentados.
4.      Não se contente com ler e assistir a alguns cursos: faça estudos formais intensivos, submetendo-se a exames e cumpra os requisitos para obter o grau de licenciado numa ciência pura ou aplicada. Mas não se contente com isso; empreenda o quanto antes pesquisas científicas, primeiro com o auxílio de alguém, depois por si mesma. Do contrário se verá forçada a consumir e mais tarde vender produtos de cuja produção não terá a menor idéia. Do mesmo modo que para escrever bons poemas de amor é necessário amar, para bem filosofar sobre a investigação científica é preciso tê-la efetuado. Os filósofos que jamais a fizeram traçam caricaturas dela, do mesmo modo que os cartógrafos medievais, que sem jamais terem saído de sua terra natal desenhavam mapas imaginários de longínquas regiões. Tudo isso implica que não será suficiente uma licenciatura em ciências: oriente-se para um mestrado e, em seguida, para um doutorado. Isso, porém, ainda não será o bastante: será conveniente continuar toda a sua vida dentro da ciência, mesmo que apenas lecionando, para não perder de vista o objeto mesmo da Filosofia da ciência. O epistemólogo não deveria ser um cientista fracassado e tampouco um filósofo desencaminhado, mas um filósofo que teve sucesso na ciência mas que sentiu-se atraído mais pelos problemas filosóficos por ela suscitados que pelos problemas científicos particulares.
5.      Especialize-se numa determinada ciência ou tecnologia sem abandonar as outras disciplinas científicas: mantenha-se a par, embora à distância, do que acontece em todas as ciências se quiser fazer Filosofia da ciência em geral e não só a de sua especialidade. Para tanto, visite laboratórios, assista a colóquios, e leia literatura séria de divulgação. Lembre-se de que a ciência é um grande sistema formado por subsistemas que se alimentam e controlam mutuamente. E lembre-se também que as divisões do trabalho intelectual são ignoradas pelo mundo exterior.
6.      Estude Filosofia por sua conta ao mesmo tempo em que estuda ciência ou tecnologia, mesmo arriscando-se a que seus estudos científicos marchem com alguma lentidão. Para isso, terá que programar cuidadosamente seu estudo independente de Filosofia. (Se se dedicar por inteiro à ciência, deixando a Filosofia para mais adiante, poderá perder seu atual interesse pela segunda. E se se dedicar desde o início exclusivamente à Filosofia, talvez chegue tarde demais à ciência. A quem consegue o mais difícil pouco custará o menos.)
7.      Introduza-se à Filosofia por via histórica ou pela porta da Lógica, de acordo com sua disposição atual, mas não descuide de nenhum dos dois pólos. Siga os passos dos bons filósofos antigos, medievais, modernos e contemporâneos. Leia algumas de suas obras. (Leia os clássicos em boas traduções. Não perca tempo aprendendo línguas clássicas, já que precisa dele para aprender a língua universal das ciências, ou seja, a Matemática.) Dedique um ou dois anos aos estudos históricos, mas cuide de preservar toda a vida o trato amistoso com os gigantes do passado. Dedique outro tanto ao estudo da Lógica matemática e de suas aplicações à análise das idéias científicas e filosóficas. Este estudo de lógica talvez não lhe inspire ideias originais, mas a poupará de mais de uma falácia, acostumando-a à clareza e ao rigor e ajudando-a a ordenar os seus pensamentos. Uma vez munida das ferramentas históricas e lógicas mencionadas, destine um ano a estudar Filosofia geral da ciência assim como a Filosofia da ciência de suas especialidade. (Em realidade, posto que o assunto já a interessa agora, você já terá feito, a contrabando, leituras epistemológicas durante todo o período anterior. Tanto melhor. Nada como uma pitada de desordem adicionada a uma vida por demais ordenada para realçar o seu interesse). Finalmente, dedique o último ano à Semântica, à ontologia e à ética da ciência. Se você completar este programa estará em condições de passar ao nível seguinte, que é o da pesquisa original.
8.      Não se limite a estudar em livros: consulte revistas e escreva, escreva incansavelmente, desde simples fichas de dados até ensaios de extensão variável. Não guarde esses ensaios como se fossem cartas de amor; mostre-os a seus amigos, colegas e professores. Discuta-os em grupo. Forme um pequeno círculo epistemológico composto de pessoas de formação díspar mas unidas pelo interesse pela Epistemologia. Desta maneira poderá trocar informações e críticas, assim como receber e dar estímulos. Já vai longe a época do filósofo solitário que não saía de seu isolamento senão para galgar uma cátedra, de onde pronunciava frases oraculares, sem tentar interagir com seus colegas e alunos. O filósofo moderno se comporta como o cientista: além de estudar e escrever por sua conta, discute ativamente com alunos e colegas das mais diversas disciplinas. A busca da verdade, seja filosófica ou científica, é uma empresa social, não uma aventura solitária.
9.      Procure e exerça a crítica, mas não se deixe esmagar por ela e não a exerça por mero prazer. Exerça-a com moderação e com ânimo de contribuir para o avanço dos conhecimentos, e não para sobressair-se ou vingar-se. Lembre-se de que a crítica destrói o erro mas também pode matar a verdade. Lembre-se de que a maior parte das pessoas vê com desconfiança as idéias novas. E lembre-se ainda que, seja ou não justificada, a crítica não substitui a criação.
10.  Comece por abordar problemas modestos, mas aponte para problemas mais ambiciosos. A modéstia inicial é necessária em razão da escassez de conhecimentos, mas não se passa a vida no jardim de infância. Modéstia não é o mesmo que incapacidade. Comece averiguando o que pensa o grande filósofo X sobre o problema Y. E mais adiante procure novos problemas. Comece abordando um assunto bem circunscrito, talvez até distante, com o objetivo final de ampliá-lo ou de abordar eventualmente problemas inéditos. Mas, não se proponha a atingir a originalidade por si mesma: é fácil demais. De fato, para ser inovador na Filosofia basta (embora não seja necessário nem honesto) dizer disparates em linguagem obscura e com ar sério. (Os argentinos chamam essa atividade, sempre em moda nos países latinos, de macanear. Os franceses poderiam chamá-la de charlacanisme.) A finalidade da pesquisa filosófica, como a da científica, é a verdade geral e profunda formulada de maneira clara e exata. No caso particular da Epistemologia, uma idéia é verdadeira neste campo se, e somente se, corresponde fielmente à realidade da ciência. As ideias deste tipo não abundam porque para concebê-las é necessário submeter-se a uma longa aprendizagem, que nem todos estão dispostos a fazer.

Se você, possível futura colega, conseguir percorrer o longo caminho que lhe recomendo, se converterá gradualmente numa autêntica epistemóloga. Porém, se não procurar a autenticidade, mas somente fazer-se passar por epistemóloga para ganhar a vida, já sabe o que não tem a fazer. Como vê, a decisão que você está a ponto de tomar é de ordem moral, como o é toda decisão que possa afetar o próximo. Neste ponto, não servem conselhos. Apesar de tudo, não resisto ao impulso de dá-lo: Escolha o caminho longo, não apenas porque é o único capaz de levá-la aonde você deseja, e não só porque é o único honesto, mas também porque é o único interessante.

não é uma coisa querida? e adivinha se fui eu mesmo que escrevi este "não é uma coisa querida?". e adivinha se acho que teus sentimentos te enganam. e que tuas intuições podem trair-te. e que teus sentimentos não te enganam e que tuas intuições são o dom mais precioso que tens para te manteres na condição de um ser vivo e respirante.
DdAB
p.s.: a imagem veio do simpaticíssimo site do click. a primeira vez que vi esta imagem foi no livro de Rubem Alves, intitulado -não o Alves, por suposto- "Filosofia da Ciência; intridução ao jogo e suas regras", 5a. edição da Brasiliense, Sampa. na p.156 é que tá o desenho. e lê-se: "Meu ermão, já faz 11 anos que não vejo mais a velha!" e depois: "hoje, 13/nov/2005, vi." e ainda, "14/set/2008: procurá-la com o olhar pendendo para a diagonal. a jovem olha para a linha do horizonte." sábias palavras, não é?

P.S.S.: olha o que vou escrever em 4/nov/2014:
Primeiro, aquelas linhas têm nome: Müller-Lyer Illusion (aqui).
Segundo, postei coisas laterais aqui.
Terceiro, aquele blog do primeiro p.s. "click" deixou de funcionar. Este é um problema para tudo o que é link da internet. Teremos que construir a wikipedia dos mundos perdidos...