terça-feira, 17 de maio de 2011

Ideias de Alkmin Chegam até mim

querido diário:
esta ilustração não a entendo 100%. tirei daqui. parece conter regras de funcionamento do shadow cabinet inglês (ver wiki). no Brasil, tenho notícia de dois "governos paralelos". o primeiro deles foi instituído (e durou pouquíssimo, o país ainda não estava preparado para ter "loyal opposition") por Lula, quando da acachapante e até surpreendente derrota para Collor em 1989. o segundo mostra detalhes em (clicar aqui).

no outro dia, li algo muito interessante em Carta Capital, dizendo que o PT montou-se como partido no Brasil, diferentemente -talvez- de todas as experiências históricas anteriores. simpatizei com a ideia, o que me serviu até para amenizar minha visão crítica sobre a corrupção (roubalheira) integrante da vida política nacional. a crise da oposição, PSDB em particular, mas alguns nanicos de extração pela esquerda (PCdoB, PCB, PPS, algumas destas figuras carimbadas) é que ela não conseguiu formar uma bandeira de luta para atrair o eleitor mediano que o PT capturou varrendo pela esquerda. tá na cara que ela teria que começar a varrer por algum ponto da esquerda (não na extrema, presumo) e alcançar um bom número de eleitores da direita do espectro político. e se o centro se mexer, é necessário mudar o programa (o que é outro assunto).

consideremos o teorema do eleitor mediano, que dá lições de economia (Hotelling e a formação do preço em oligopólios?), ciência política (claro) e matemática. aprendi isto com o artigo que considero deveria ser obrigatório para todos os políticos, de autoria de Paulo Trigo, expondo de maneira elementar os fundamentos da teoria da escolha pública. consideremos o caso do eleitor mediano convencional, a linha que une dois vendedores na beira da praia. o teorema diz que, entre pontos V1 e V2 (dos vendedores 1 e 2), bem no meio, deve localizar-se a nova unidade que concorrerá com um ou outro. (supondo que eles estejam postados em dois rochedos delimitando a praia).

pois Paulo Trigo trouxe-me à mente a possibilidade de que haja duas linhas. o eleitor mediano, claro, localiza-se na mediana de ambas. Trigo fala, na Europa, em
.a. mais ou menos estado (primeira linha)
.b. mais ou menos federalismo (segunda linha, ortogonal à primeira).

pois agora acabo de ver o governador de São Paulo, sr. Geraldo Alkmin, sugerindo o retorno da estratégia eleitoral encapsulada na ação de um Gabinete Sombra, como diz o jornal Zero Hora na seção da p.10. claro que ele critica o atual governo, que tem 37 ministérios, considerando razoável trabalhar com um número menor. acima esqueci de falar no PDT, mas cito (transcrevo de meu site) agora Cristõvão Buarque, do tempo em que ele era do PT, ou até antes, sei lá (mutatis mutandis):

.a. Ministério Shadow das Necessidades Essenciais (educação, saúde, nutrição, habitação, transporte, comunicação)
.b. Ministério Shadow da Educação (analfabetismo, incentivos à formação de engenheiros e empreendedores)
.c. Ministério Shadow das Medidas Distributivas (reforma fiscal, reforma agrária)
.d. Ministério Shadow da Esfera do Trabalho (abolir o trabalho escravo e o trabalho precário, nele incluída a prostituição infanto-juvenil)
.e. Ministério da Administraão das Coisas: adoção de novas técnicas de gestão do gasto público (provisão e não produção, oferta de patamares mínimos de serviços públios e bens de mérito em todo território nacional)
.f. Ministério Shadow do Serviço Municipal: proteção ao meio-ambiente
.g. Ministério do Exterior: inserção no mundo globalizado (sem perda de soberania popular).

claro que posso esclarecer tintim-por-tintim. mas não posso deixar de lembrar que, assim como pensamos em dois vendedores na beira da praia (ou dois partidos disputando o mesmo "consumidor"), podemos pensar em dois eixos, já são duas dimensões, ou três eixos (como a superfício de utilidade desenhada nos livros de duas dimensões usando uma terceira, como perspectiva), quatro (já começa a viajação, impossível de ser vislumbrada em condiçoes normais; mas tem um livro que fala dela, as quatro e outro que fala mais, até sete). então tudo se democratiza. podemos pensar no atual governo do Brasil com seus 37. e no de Alkmin sei lá com quantos, e por aí vai.
DdAB

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