quarta-feira, 4 de maio de 2011

Gini 1 x 0,5 Brasil

querido blog:
sigo nos escores futebolísticos. ainda falta outro "Fradique 10 x 1 Brasil", algo assim. vou fazê-lo. in due time, se me permitisse o dep. Raul Carrion... hoje que significará "Gini 1"? que o afamado índice de desigualdade na distribuição da renda, criativa mensuração da curva de Lorenz, lavrou um ponto, pois o erro não é de Zero Hora (Herra?), mas da turma do IBGE, do IPEA, da FGV-RJ ou -pasmemos- do Planeta 23. no caso de ser esta última e frequente hipótese, a responsabilidade penal cairá sobre os largos ombros de

BACHA, Edmar L. & TAYLOR, Lance (1980) - Brazilian income distribution in the 1960s: `Facts', Model Results, and the Controversy. In: TAYLOR, Lance; BACHA, Edmar L.; CARDOSO, Eliana A. & LYSY, Frank J. (1980) -  Models of growth and distribution for Brazil. New York: Oxford University. p.296-342.

lá nesse livro vemos que o índice de Gini de 1960 foi de 0,50. eu já sabia muito bem isto. mas o que me impressinou foi a notícia da p. 32. falar em Marcelo Neri, que fala que em 2010 o índice alcançou 0,5304. e diz: "Para Neri, a volta ao patamar de 1960 é uma boa notícia, mas não significa que a desigualdade atual seja aceitável: 'O nível de desigualdade em 1960 já era muito alto.'" [e acrescenta o jornal algumas coisas meio disparatadas. la verità -não diria Carrion- é que, dos ricos, os USA é que são os campeões da desigualdade com, tento adivinhar, 0,44. os nórdicos não têm mais de 0,3].

de volta aos 0,53: e de volta ao livro citado e, se bem ainda lembro, o livro do IBGE intitulado "Estatísticas Históricas such & such". ou seja, ambas as cifras foram obtidas de censos demográficos. só que, como sabemos, o censo de 1960 foi declarado por todos une vraie horreur, exceto por Carrion, que odeia galicismos e expressões correlatas. inclusive as expressões "corre lata", "carrinho de lata" e "carrinho de lomba" deveriam ser proscritas, pois não eram brinquedos utilizados pelos filhotes de dinossauro achados nas plagas rio-grandenses. aliás, nem as plagas rio-grandenses eram assim chamadas nos tempos pré-cabralinos, de sorte que ainda resta a determinar quem é que fala mesmo a língua nativa.

de volta ao Gini: é inegável que o Brasil melhorou absoluta e relativamente. em termos absolutos, no outro dia evoquei que, nos governos FHC e LILdS, o PIB cresceu 56%, o que dá uns 35-40, talvez, de aumento na reda per capita. e relativamente também, ontem mesmo festejei, com a Carta Capital, que a classe média arribou. ou seja, arribou da classe baixa: hoje, mais de 50% da população ganha entre R$ 1,5 mil e R$ 5 mil (é?). claro que considero isto um milagre brasileiro: tanto emprego com apenas 3% (se tanto...) de crescimento do PIB total em 16 aninhos.

agora, é inegável que o Brasil não é uma brastempe desde que ganhamos a copa do mundo de 1970. agora, é inegável que a educação está contribuindo para alguma mobilidade social. agora, é inegável que aquilo que eu entendo por educação encontra-se abaixo da crítica. agora, é inegável que eu sou crítico sobre a selvageria que testemunhei na universidade à medida que:

.a. ia ficando mais velho
.b. os jovens iam ficando relativamente mais moços.

agora, é inegável que é melhor andar para frente devagar do que para trás rapidamente. agora é inegável que a tragédia argentina e uruguaia de terem perdido 30-40% do PIB lá nos áureos tempos pós-ditadura é casca grossa. e é inegável que o fato de o Brasil ter um PIB mais avantajado é melhor, inclusive contra pressões descententes. era o que Alan Greenspan (que Carrion já chamaria de Arcada Verde?) chamava de "resiliência", falando lá da economia americana.
ok?
DdAB
e a camiseta da CBF é d(aqui).

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