sexta-feira, 6 de maio de 2011

Democracia (+) x (-) bin Laden

querido diário:
não posso eximir-me de falar mais sobre a questão do assassinato de Osama bin Laden por um funcionário público americano em plena moradia (ilegal) paquistenesa. ouço detalhes desencontrados, conflitantes e complementares. por exemplo, entendi que havia muitas pessoas naquele local no momento do assalto pelos helicópteros americanos. uma mulher foi morta e outra levou um tiro na perna. dizem que bin Laden foi assassinado a sangue frio. e houve prisões.

ante-ontem Zero Hora publicou o artigo quinzenal de José Pedro Goulart, cronista que muito admiro. ele também discutiu a questão e foi o primeiro a chamar-me a atenção para a possibilidade do suicídio ritual de bin Laden. eu fiquei pensando que foi precisamente isto o que aconteceu. primeiro, um homem perseguido, mesmo que com a proteção de facções governamentais paquistanesas, não poderia fraquejar fixando residência e domicílio por sabe-se lá quantos anos (seis? quatro?) em um endereço comprovadamente rastreável por interessados.

segundo: um pouco contrariamente ao que acabo de dizer, não é impossível que, mesmo quem queira viver, não resista ao tipo de vida que ele foi forçado a levar desde que se tornou o centro do ódio ao terrorismo e jurado de morte (to be hunted down, como referi outro dia). parece-me que tal modelo explica o que aconteceu com Sadam Hussein, que não aguentou mais de um ou dois anos na clandestinidade e baixou a guarda.

terceiro: as conjeturas sobre o assassinato "a sangue frio", de um homem desarmado podem representar apenas desserviço à causa democrática. claro que ele pode ter sido injustiçado (uns diriam "justiçado"), mas o fato é que ele era um foragido da justiça do império galáctico. e duvido que ele aceitasse de boa paz a voz de prisão dada por um militar americano. duvido que ele não tenha reagido, duvido que ele aceitasse cordatamente um convite a oferer as mãozinhas unidinhas para ser algemado. o fato de que ele, desarmado, levou um tiro não quer dizer de modo necessário que ele tenha sido "covardemente abatido". ao contrário, sua condição contingente de homem perigoso é que deve ter marcado aqueles momentos de invasão de domicílio ilegal ilegal. é, tem "ilegal" demais na parada.

quarto: uma vez que ele não se entregou às autoridades judiciárias, entendo que seria fatal que a sociedade organizada devesse enviar um homem (e não um robô) para recolhê-lo ao xilindró, onde deveria aguardar um julgamento justo. e entendo que este/s homem/ns deve/m ter ficado muito apreensivo/s com as possibilidades da reção armada e mesmo da reação sem a exibição de armas, como a auto-imolação. por isto é que o artigo de Zé Pedro ajudou-me a montar este quadro. também lembro do caso do brasileiro assassinado em Londres por ter fugido da polícia por vários quilômetros. sabe-se lá, hoje em dia, quem é homem-bomba e quem não é. no caso, acho que é mais provável imaginar que bin Laden o fosse do que o pobre entregadorzinho de pizzas (ou do que seja) de Governador Valadores (ou de onde seja que tenha sido...).

quinto. começo a concluir e desviar do assunto. parece-me natural que não deveria existir pena de morte em nenhuma circunstância. parece-me natural que a guerra deveria ser proscrita e, com ela, o terrorismo. matar outras pessoas seria, em meu governo, declarado absoluta falta de educação e o criminoso seria convidado a cumprir uma pena de prisão perpétua. e sem direito a comutação de pena, pois uma geração não tem o direito de julgar os atos da geração anterior libertando indivíduos que esta considerou culpados. é altíssimamente provável e -para efeitos prátivos- evidente que bin Laden foi culpado da morte de milhares de pessoas em todo mundo. é evidente que sua interpretação da religião islâmica é absolutamente contrária ao supremo valor humano: a liberdade.

e acho que, mais do que com os americanos, aquela turma vai ter que haver-se com as mulheres, que é impossível que estas sejam dominadas por aquele tipo de estado religioso.
DdAB
e que que tu me diz desta imagem do livro de Heminguay, digo, do filme do Gary Cooper?

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