terça-feira, 12 de abril de 2011

Tragédias Brasileiras

querido blog:
a tragédia brasileira é um blim-blim-blim absolutamente plural. ou multidimensional. ou ainda hiperespacial. hoje vou falar algumas coisas de Zero Hora que me levam insofismavilmente (vilmente?) a afirmar, comovido, a tragédia. meu papel, sempre digo, não é sofrer com ela. fazer o quê? descrevê-la, compreendê-la, explicá-la. também costumo fazer previsões ("não vai acabar bem") e recomendações ("ajamos para dar um final feliz a este infame capítulo da vida nacional").

começo falando na p.8 do Segundo Caderno. cita-se Ronaldinho Gaúcho, jogador de futebol recentemente transferido ao jogo carioca. terra de myself e de dois, já catalogados na Wikipedia, Wellingtons. talvez também haja Nelsons e mesmo Trafalgars. diz Ronaldinho: "O carioca é um povo feliz, que sabe viver. É aquele caraque está cheiode problemas, mas está seprindo, de bem com a vida. Em cinco minutos, é teu amigo."

depois,, ou melhor, antes, mas ainda assim, depois, vi nas p.24 e 25 duas notícias sobre dois fóruns: o da liberdade, tradicional empreendimento porto-alegrense e o da igualdade, com número um, ou seja, inicnando agora, com a presença do governador Tarso Genro e a promoção da CUT. claro que a ideia não é de todo ná, pois até que foi um bom achado aquele blim-blim-blim da contrapartida ao fórum econômico de Davos ver-se criado o fórum social mundial. legal é a contabilidade social, que quereria também um fórum ambiental mundial. a vida é cheia de fóruns e poderia abrigar mais uns bilhões, to begin with.

na linha deste fórum, o da liberdade, há uma tira de Rekern, na p.6 desse mesmíssimo Segundo Caderno que colheu as declarações de Ronaldinho: um rapaz, de carro, indaga a outro, pedestre, onde é o fórum da liberdade. o pedestre responde filosoficamente: "É fácil. Continue sempre à direita."

qual a diferença entre liberdade e igualdade? ainda faltou a fraternidade da bandeira francesa e seu surrogate humanidade, da bandeira gaúcha. nem sei direito aprofundar-me na discussão dos termos, mas invoco o conceito de justiça de John Rawls de que falei há pouco: sem liberdade, não dá para pensar nem em abolição do nepotismo nem em explorar a desigualdade em benefício dos menos favorecidos.

não contente com isto, vi na p.38 a notícia de um protesto organizado pela libertação do sr. Ricardo Neis (disseram,entre outros slogans, creio: "Ricardo Neis, teu lugar é no xadrez". claro que incriminei o poder judiciário. como é que ainda não julgaram o rapaz? o crime, gravado, foi praticado há milhares de anos, ou -pelo menos- "no final de fevereiro". são quase dois meses. não pode jlgar o carinha em dois meses? pois deveriam contratar mais juízes.

a omissão do estado, não estou falando no sentido vulgar de que ele deveria ser substitúido pelo "mercado", é antagônica à tríade liberdade-igualdade-fraternidade. e não tem saída, a não ser que a comunidade comece a pressionar as autoridades para procederem a uma reforma radical de tudo aquilo. já dei minha lista em outras postagens. é um pacote, não adianta apenas o voto voluntário, não adianta apenas o parlamentarismo, não adianta apenas a lei do orçamento ser levada a sério, não adianta apenas uma reforma tributária. tudo chundo, como dizem alguns cidadãos do Alto Uruguai, desde o tempo em que se escrevia "Uruguay".
DdAB
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