terça-feira, 26 de abril de 2011

Daiane, Maicon e Raul

querido blog:
Heureusement, a proposta de lei (contra estrangeirismos) do dep. Raul Carrion não proíbe que sigamos chamando de Maicon ao Maicon, de Daiane à Daiane, nem de Davids, Paolos, Siegfrieds e Yúris a outros tantos. Mas impediu que deletemos a xenofobia. Quer, talvez, que entendamos o poliglotismo como maldição bíblica, e não como simples inclinação humana. Para azar deste tipo de argumentação, coabita o artigo da p.17 da Zero Hora de hoje a notícia de que um dos cultores da palavra escrita de pedigree, ou melhor, de estirpe, não tenha o mesmo zelo com a fala... O senador Roberto Requião acaba de arrancar (p.14) um gravador das mãos de um otherwise entrevistador... 

Esta nova tentativa de impedir o povo de falar como le gusta é algo mais preocupante numa terra de fronteira. A Parrilla del Sur será enquadarada... 

As inovações linguísticas representam respostas sistêmicas a necessidades percebidas por determinados grupos, na tentativa – sugere a teoria – de reduzir o custo da comunicação. A língua é um contrato, uma rede societária criada muito antes da existência do estado, que volta a querer dominá-la. Um exemplo cândido da capacidade humana de criar línguas alheias ao oficialismo origina-se de crianças surdo-mudas da Nicarágua pós-sandinista que, iniciando a receber tratamento decente, reunidas em bandos escolares, em pouco tempo criaram seu próprio dialeto de sinais!

Será que a Assembléia Legislativa tem o selo da qualidade adequada para impor novas formas de comunicação popular? Por que será que ela não incentiva a posse de milhares de dicionários per capita? Tá faltando bebida lá?
DdAB

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