segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Acarajés ou Carijós no Brasil Meridional

 
querido diário:
diria neguinho (como não mais iria nossa presidenta Dilma Rousseff) que esta garota de Bortero não seria Miss Universo por terem-lhe dado excessivas doses de acarajés durante a primeira infância (e todas as demais, acrescento). sempre que falo em acarajé, lembro de Gonzaguiinha e os índios acarajés -teria concedido ele- ou carijós. os carijós -aparentemente- campearam pelas cercanias do litoral gaúcho. mas não seriam dados ao consumo de acarajés, sei lá. concretamente, Marta Rocha ou Adalgisa Colombo, uma delas, talvez ambas, foram desclassificadas num concurso de miss, por exibir dissonância acarejífera. o fato é que Marta Rocha também é o nome de uma torta ultra saborosa e, como tal, ultra engordante.

quem come acarajés em excesso será levado/a a portar duas polegadas a mais (precisamente o diâmetro de ume espécime que encontrei enterrado dentro de um guardanapo numa festa de aniversário de um aninho de uma criança a que compareci há alguns anos, gerando dissonâncias acarejíferas nas ilhargas) nas ancas, na barriga, sei lá. concretamente, não sei se foram os ônibus (que teriam andado comendo os acarajés) ou os caminhões (estes com excesso de drogas alimentares) que cresceram. o fato é que um viaduto sobre um estrada que acaba de ser inaugurado deixou meio metro (na metragem dos viadutos, um cacarejante acarejão) a desejar, ou seja, os rapazes que planejaram a obra, os que a executaram e os que fiscalizaram o planejamento e a execução não se flagraram que faltaria altura para a passagem do tráfego sob o viaduto.

sempre penso, nestes casos, nos afamados restauratnes de Moscow, que -atendendo a legítimos anseios da classe trabalhadora protegida pelo Partido Comunista- fechava em horários de refeições, para que seus trabalhadores não nutrissem sentimentos de inveja com relação aos felizes comensais. tornavam-se, portanto, comensais eles próprios, os garçons, caixas, faxineiros, provedores de a la minutas, queste cose. em minha opinião, a única saída é a lei do orçamento ter, digamos, valor legal. mais que isto, a única saída reside na profissionalização dos funcionários públicos. pouco profissonal, por exemplo, é a declaração de um dos envolvidos, salientando que, se houvesse mais meio metro de altura na rampa de acesso, os espelhos retrovisores iriam visualizar objetos indesejáveis, o que seria -concluiu triunfante- indesejável. e outro teira lembrado que a altura do viaduto é perfeitamente compatível com o voo de espaçonaves de qualquer porte, o que não as impede de sobrevoá-lo à vontade.

duvido que engenheiro não saiba usar teodolitos, aquelas geringonças que hoje podem ser substituídas por câmeras, sei lá. duvido que tudo que é engenheiro envolvido naquela obra seja incompetente. mas já vejo diferenças substantivas no caso da corrupção. quem se corrompe não é o engenheiro, mas o indivíduo que pode portar diploma de deputado, engenheiro, secretário de obras ou, simplesmente, secretário de um partido político.
DdAB
p.s.: esta imagem é de: http://www.overmundo.com.br/banco/mulher-tamanho-g-episodio-dois. Bortero é um gênio, inspirou um restaurante na Rua João Alfredo, que não resistiu à pressão da inveja de um xis-frango bem ao lado.
p.s2: de onde vem o nome do xis-frnago, este informal infrator do código de higiene da Corte Internacional de Haia? creio que, por analogia ao "fango", ou barral, na língua gauchês, de origem castelhana.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Autorreferência Política (o invento e retificação)

querido blog:
hoje inventei as autorreferências políticas, que começam escrevendo-se como não sei o que diz a respeito a Academia Brasileira de Letras, esta incendiária de bibliotecas, pois acabo de dar-me conta que meu simpático livro

PIACENTINI, Maria Tereza de Queiroz (2000) Só palavras compostas; manual de consulta e auto-aprendizagem. São Carlos: EDUFSCar.

tornou-se caduco. uma vergonha, com apenas 11 anos de idade, se tanto. uma vergonha para essa macacada que não tem o que fazer em casa, como o velho Bechara, e fica imaginando-se o velho Américo Pisca-Pisca, o reformador da natureza que, talvez, também deva ter seu nome mudado para Piscapisca, sei lá. nem vou estudar isto. contento-me em protestar com a eliminação das maiúsculas da primeira letra das palavras iniciais de frases, como o faz, assim entendo, e vou conferir in loco o jovem vasco da gama animal, sei lá.

seja como for, as autorreferências políticas começam com a seguinte:

que quererei reificar carinhosamente tendo do título o fim? (cansei deste troço de ligar início de uma palavra ao final da seguinte, repetindo-a, um troço de primeira linha do clube da baixaria, um troço inibidor da liberdade, como o velho Pérec e a eliminação de não-lembro-qual-letra de seu romance. eu eliminaria ABL dos meus... e botaria toda aquela macacada que ganha R$ 25.000 por mês na cadeia. se é que são apenas os citados R$ 25.000.

seja como for, passemos à parte da política desta reificação. tenho -na já saudosamente oculta- Zero Hora de hoje dois registros. tudo no caderno "Dinheiro", este reificador universal.

na primeira, diz-se que, na Argentina, o uso do cartão de crédito (ou de débito ou ambos), ou seja, a moeda escritural super escritural vai tornar-se obrigatório. sabendo da explosão que vive, no momento, o Oriente Médio, da explosão que viveu o Irã, imergindo no poder o Aiatolá Quomeíne, essas coisas, da explosão da Nicarágua, da explosão da União Soviética, da futura explosão de tudo quanto é ditadura, começando pelos Chavez da Venezuela, fiquei filosófico a respeito dos hermanos. lembro de outras tropelias e, na autorreferência, da dificuldade em trazer como bagagem de viagem a Posadas mercadorias que seriam, assim "exportadas ao Brasil". os neguinhos são loucos, pois as contas nacionais deram como exportação, anyway, tudo o que lá ingeri por via oral (claro que as ingestões nasais, ar e fumaça, não contam, pois nada cobraram por elas). um país que penaliza as exportações lembra o Império Brasileiro (não, não estou falando das famílias Sarney, Barbalho e, mais modernamente, Lula da Silva), de João VI a Pedro II.

já referi neste blog que, há alguns anos, vi lojas londrinas dizendo que não mais aceitariam cash e apenas cartões. uma coisa é "o mercado" achar isto interessante. mas outra coisa é o governo, imcapaz de administrar seu país, obrigar a negadinha a usar cartão, fazer serviço militar obrigatório, votar nas eleição, essas coisa que deixam neguinho de queixo na mão! em minha opinião, a Argentina padece de males assemelhados ao Brasil, o que me levou a tratar a dupla como Lizarb e Anitnegra, pois talvez de trás para frente dê certo. lá contraria-se o mercado, logo lá, onde Raúl Prebish pronunciou a frase que "o mercado é péssimo senhor mas ótimo servo". digo o mesmo do governo e da comunidade. nenhum deles é ótimo senhor, todos devem ser servos uns dos outros, pois são instâncias de poder consagradas por, digamos, 3 mil anos de história humana. talvez 4 mil, mas certamente não estamos falando de formações econômico-sociais mais velhas do que 200 mil anos... menos, muito menos. em Lizarb de hoje em dia, não se está afrontando em excesso o mercado com este câmbio esfignoninanométrico?

e que dizer do sr. Robert J. Schiller, professor de Yale e economista-chefe da MacroMarkets (sei lá o que é isto!), que diz que a profissão dele nunca conseguiu prever a crise de 2008, o que gerou enorme descrença por parte dos povos na profissão dele e minha. eu tenho ímpeto de cortar os pulsos ao ler este tipo de imbecilidade. a primeira crise realmente séria que pude observar, desde que me graduei em economia foi a de 1973. ela começou a acabar com a farra da milicada na economia brasileira, o II PND do general Geisel, essas coisas. depois, andei meio desligado, talvez, pois nada vi de mais marcante. seja como for, em 1987, vi a crise do Japão, em 1997-8, a dos Tigres Asiaticos e, claro, a de 2008. em todas elas, trilhões de dólares se evaporaram dentro de uma semana. mais algumas semanas, tudo voltava a crescer. a crise havia sido debelada. com -quase sempre- mais inflação, mais guerra cambial e mais desemprego. o câmbio e os preços voltam a alinhar-se e o desemprego segue altaneiro. e assim será per omnia secula seculorum. hoje no Brasil exalta-se o milagre do emprego. mas eu acho que o Brasil não é um país sério para falarmos seriamente na mágica igualitária por aqui. enquanto houver um menino de rua, clamarei por um emprego de um psicólogo, uma assistente social, outro dentista, etc., para tomar conta dele. e enquanto houver velhinhos abandonados, clamarei por ajuda feminina, mais carinhosa...

o que mesmo quer dizer o Robert?diz que "[...] o economista Edwin R. Selligman em 1889 [disse que] 'a economia é uma ciência social, ou seja, é ciência ética, e portanto histórica... Nâo é uma ciência natural e, portanto, não é uma ciência exata ou puramente abstrata'.". ou seja, se Edwin não descobriu a pólvora, até antes de Thornstein Veblen, o certo é que Shiller acaba de fazê-lo. não sei o que o levou a pular a crise de 1929 e outras nos Estados Unidos antes e depois de 1929, 1973, 1987, 1997-8, e por aí vai.

agora, o fato de que a economia é uma ciência social não vejo bem como é que tem implicações sobre a ética. ou com a moral, ou com a religião. o que vejo é espaço para enorme discussão deste ponto. agora, também, dizer que "portanto histórica" é, se quisermos, ficar recitando uma série de sinônimos para ciência econômica, ciência social, ciências morais, filosofia política, esse troço todo. o que seria mesmo que ele queria dizer com ciência natural, a dominada pelas rochas ou pelas abelhas? e que a economia não é uma ciência exata. já viu algo mais exato do que o fechamento de um balanço? e a economia não é puramente abstrata? nem o mundo fascinante das simulações? acho que o pessoal de Yale anda contratando cada pérola que faz inveja até às pérolas que cultivamos por esta Lizarb e essa Anitnegra.
DdAB
p.s.: como não achei nada interessante sob o título de "besteirol", pulei para "jogadores de carta", o que me lembra o pocker e o blefe. acho que, de modo análogo aos políticos brasileiros, o Robert é um blefe. pago para ver. e mais: prevejo uma crise severíssima para 2017. para a crise de 2008, o que prevejo é que o mundo vai pegar fogo para gerar a instituição da Brigada Ambiental Mundial, pagando a renda básica universal para seus brigadeiros. um dia este planeta ainda pega fogo, mas acho que não será antes de 2020...

sábado, 29 de janeiro de 2011

Eu Conheço um Garotinho que Queria Ter Nascido Pastor Alemão

querido blog:
o rock da cachorra, de Eduardo Duzek, de mais ou menos 1984, tem este verso lá pelo meio da letra. há pouco, ele -verso- entrou-me na cabeça à propos alguns eventos que andei vendo nas ruas de Porto Alegre. em Jaguari, sabíamos -à distância- da "Vila da Ponte Seca", um viaduto sobre o qual passa/va o trem para Santiago e daí para frente. 50 anos atrás. tanto tempo fa.

às vezes a gente sente-se piegas, falando nos meninos de rua, falando em justiça social. às vezes a gente sonha com um mundo mais igualitário. se havia trem de passageiros há 50 anos, devemos indagar-nos o que impede que, daqui a mais 50, não possamos tê-los novamente. o problema, creio, que este tipo de solução, que requer um verdadeiro sistema econômico par lui même, empregos diretos, manutenção, fornecedores, clientes, outros stakeholders, em síntese, tanta abertura que só pode ser concebida na sociedade que escolhe o igualitarismo, na sociedade igualitária, a própria atividade gera igualitarismo.

antigamente eu achava simplesmente que todos os políticos (ergo, ladarões) eram apenas ladrões e que isto explicava tudo. depois, concebi a teoria do estado de alfa microeconômico. esta propõe que a ação individual -digamos, G- é uma combinação entre uma componente altruísta A e outra componente egoísta E:

G = a x A + (1-a) x E

e que, por problemas de aritmética, o alfa dos políticos é praticamente nulo. ou seja, todo político não tem coração, proposição tipo "O" do quadrado lógico. mas, pensando muito nestas coisas, vim a entender que existe um problema muito mais sério, que não se presta a este tipo de tratamento. o que ainda não entendi é qual a álgebra adequada para tratar deste problema. entendo que há problemas que envolvem "este" problema, problemas de escolha coletiva, problemas de coordenação da ação dos agentes, problemas de criação de estruturas de incentivos adequadas para conduzir a sociedade a rumos mais confortáveis para os meninos de rua, para a velhice desamparada, para o trabalhador desempregado. ontem, reproduzi um texto que constitui uma excelente agenda para a discussão e mentagem de um projeto utópico, um projeto de sociedade do futuro, um projeto de reformas democráticas que conduzam ao socialismo. o Oriente Médio está pegando fogo. tomara que surja de lá uma propsota mais interessante de libertação humana do que homem batendo em mulher, do que cortando mão de ladrão, de ambos os sexos desempregados, e do que infância abandonada pelas ruas.
DdAB
esta imagem é loquaz, ambas, a do título e a da imagem: http://clarkbrunoamargem.blogspot.com/2010/05/sem-pedigree.html.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sobre Morcegos, Rorty e Blá-blá-blá

querido blog:
na penúltima postagem, recebi comentários interessantes, cada um a seu modo. ontem, novamente, fui agraciado com outra visão absolutamente interessante, ainda que despida do jargão filosófico-sociológico que vemos na seguinte frase:

Rorty concebe o ideário democrático com um projeto contingente, em sua historicidade, mas talvez capaz de capturar a sensibilidade popular, em escala universal, se o descrevermos como uma construção, que não se funda em nossa natureza - como desejaria o dogmatismo autoritário etnocêntrico, de vezo colonialista -, mas deriva de nossa imaginação e audácia experimentalista, as quais não evocam a raiz de nenhuma fundação, mas o futuro, a utopia e a generosidade de um sonho comum.
ela, frase, é deLuiz Eduardo Soares, escrita na orelha de outro livro de Richard Rorty:

Objetivismo, relativismo e verdade; escritos filosóficos I. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1997.

ou seja, 10 anos depois da tradução de Portugal do outro livro "A filosofia e o espelho da natureza" que revelei, no outro dia, estar lendo. pois volto a ele, aquele... relembro: ‘por influência de Eduardo Grijó, voltei a priorizar a leitura de Richard Rorty. no livro que referencio formalmente acima, vi -para minha alegre surpresa- várias páginas da Folha de São Paulo daquele ano (12/out/1997), sendo um dos autores precisamente este Luiz Eduardo Soares. ainda voltarei a comentar, pois já fiz referência a ele/s em outras postagens mais antigas.

por hoje, quero apenas brincar com alguma coisa carregada no título da presente postagem, reclamando de mim mesmo que tenho enormes dificuldades para começar a ler em áreas novas, áreas que culminam por aumentar meu poder de abstração e -obviamente- comunicação, receber comunicações de pensamentos de terceiros. este Rorty que estou lendo é difícil (talvez não mais do que entender bem entendidinho o que é o índice de desigualdade de Theil e o que ele tem a ver com o de Atkinson, e por aí vai). o Rorty do "Objetivismo" não me atraiu o suficiente para lê-lo todo. talvez agora o faça novamente. eu dizia ter lido lateralidades. agora decidi encarar "A filosofia e o espelho da natureza."
mas que encontro na p. 33 deste último, nota de rodapé 4?

Esta pretensão [a de que “as crianças, os morcegos, os Marcianos, Deus e as pedras vistas de um modo pampsíquico podem habitar ‘espaços qualitativos’ fenomenais, diferentes daqueles que habitamos.”] foi energicamente apresentada por Thomas Nagel, “What is it like to be a bat?, Philosophical Review. V.83 (1974, p.435-450. Aprendi muito com o trabalho de Nagel em filosofia da mente, embora discorde profundamente dele em quase todos os pontos. Penso que a nossa diferença de pontos de vista remonta à questão (levantada de modo mais agudo por Wittgenstein) de saber se as ‘intuições filosóficas’ são mais do que resíduos de práticas linguísticas, mas não estou certo de como debater este ponto. A intuição de Nagel é que “os fatos acerca do que é ser-se um X são muito peculiares” (p.437), enquanto que eu penso que eles apenas parecem peculiares se, seguindo Nagel e a tradição cartesiana, sustentarmos que “caso o fisicalismo deva ser defendido, deve estabelecer-se um cálculo físico dos próprios traços fenomenológicos” (p.437). [...].

eu juro que já li este artigo de Nagel, creio que reproduzido num livro editado por Douglas Hofsteider. e juro que se bem lembro do que lembro, não lembro de nada, não entendi nada. vou buscá-lo onde ele se encontra e talvez volte a comentar por aqui. a verdade verídica requer que respondamos a seguinte pergunta: o que queria mesmo eu, enquanto economista, com este tipo de leitura? já terei respondido por aqui mesmo. acho que, se tudo tivesse figurado de maneira ligeiramente diversa da como efetivamente desempenhou, eu poderia taer feito uma tese de doutorado sobre economia experimental. na franja entre psicologia econômica e teoria da escolha pública. mas não foi diferente, fiz insumo-produto e, pensando que era lazer, li pilhas sobre biologia evolucionária.
DdAB
p.s.: e olha este comentário que transcrevo da postagem de ontem. beleza? beleza!
Blogger Tania Giesta disse... Duilio:fico feliz em saber que REadquiriste o direito ao VOTO , isto é o exercicio pleno da CIDADANIA, e o que é ser CIDADÃO?
- numa perspectiva utópica, ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, `a igualdade, é votar e ser votado, ter participaçao na sociedade, ter direito à educação, ao trabalho, ao salario justo,à saude,a uma velhice tranquila.Ser cidadão varia no tempo e no espaço, ha diferenças em ser cidadão na Alemanha, nos Estados unidos ou no Brasilnão apenas pelas leis mas pelos direitos e deveres de cada nação.
28 de janeiro de 2011 08:31.
peésse ainda: http://www.1br.biz/s/papeis-de-parede/filmes/batman-begins-2064.html.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Cidadania Brasileira: R$ 23

querido diário:
tempos atrás, revelei-te que, no momento eleitoral do referendum sobre armas, e o mensalão e aquilo tudo, fui declarado em desobediência civil. tempos atrás, ao querer meu passaporte para o pós-doutorado em Berlim, tive que pagar multa, a fim de voltar a ser cidadão brasileiro no gozo de todos os direitos políticos, que me teriam sido cassados por causa do absenteísmo eleitoral. depois daquilo, em mais duas ou três eleições (prefeitos, governadores, presidentes, pilhas, pilhas e mais pilhas de cargos ultra-bem-remunerados, até demais), mantive-me abssente. quando achou-se que havia um efeito roldão e a senadora (estava licenciada, agora segue com seus estipêndiozinhos) Marina da Silva podia inviabilizar a vitória do lulismo no primeiro turno, cheguei a dirigir-me à Av. Padre Cacique, 1492 (ano da chegada do invasor Colombo às Américas), Justiça Eleitoral.

queria recadastrar-me. não pude: réprobo é réprobo e, se não votou no primeiro turno, agora -que é bom- não pode votar. está cassado. pois hoje, despendendo a modesta cifra de R$ 21,00, voltei a credenciar-me ao exercício pleno da cidadania. inclusive tirar segunda via do passaporte emitido pela Polícia Federal, uma via crucis muito do desagradável. ser obrigado a votar é uma barra, ser obrigado a prestar serviço militar é outra, ser obrigado a exibir documentos que provam que eu sou eu mesmo, tudo isto é uma vergonha. passaporte: se vivêssemos mesmo na brotherhood of men lenninista (de John Lennon, não me interpretem mal), não teria que tirar passaporte nenhum para ir a lugar nenhum. e se fosse, como fui a Montevidéu há três anos, não seria assaltado, como fui naquelas paragens.
DdAB
a imagem veio de http://www.cavalleriatoscana.com.br/site/index.htm. poderia ser gente dos 1% mais pobres do país. mas não é!!! aquele cavalo leva jeito de ter um nível de despesas pessoais (mensuradas em quantidades monetárias) muito acima de, talvez, 80% da população brasileira.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Mais Auto Referências: blog, filosofia e turismo

querido blog:
sei que cito meus artigos mais do que terceiros o fazem. penso que os epígonos (epa!) poderiam ter mais o que falar se rastreassem meu modo de pensar. na verdade, às vezes penso em epígonos, mas fico na ideia que me foi passada pelo prof. João Rogério Sanson: escrevo para lerem em certo futuro. penso que, se a humanidade tiver, digamos 1 trilhão de habitantes, poderá ter um ou dois milhões de pessas interessadas precipuamente nas mesmas coisas que me interessaram e, como tal, rastrearem minhas lucubrações.

não acho má ideia esta ideia de rastreamento, pois -já anunciei- comecei a ler

RORTY, Richard (1988) A filosofia e o espelho da natureza. Lisboa: Dom Quixote.

por indicação do prof. Eduardo Grijó. e entendo que Rorty fez mais ou menos o que penso: releu tudo o que escrevera até aquele momento, reorganizou coisas, tratou de dar um prumo a pilhas de anotações e culminou com um tópico frasal maravilhoso, que já vi se desdobrar duas ou três vezes, isto que alcancei apenas as primeiras páginas do primeiro capítulo da Parte I:

Quase na mesma altura em que comecei a estudar filosofia, fiquei impressionado com o modo como os problemas filosíficos aparecem, desaparecem, ou mudan de forma, em resultado de novas assunções ou vocabulários.

aí, se bem entendo, ele demarca um território já ocupado por Locke, Descartes e Kant, contrastando-os com seus verdadeiros interlocutores contemporâneos (o livro pintou-se, em inglês, há 30 anos), nomeadamente, Wittgenstein, Heiddeger e Dewey. com este espírito mental na ponta dos dedos, as três partes do livro dedicam-se a filosofar sobre a mente, o conhecimento e a própria filosofia. claro que fico a perguntar-me o que faria um Rorty, um Cirne-Lima com a filosofia vista sob o ângulo de uma pessoa que está escrevendo precisamente neste instante e terminará de publicar o livro antes do final de fevereiro, o que me permitiria adquiri-lo durante minha estada em Lisboa...

seja como for, no final da Introdução (p.22), ele diz coisas maravilhosas originárias de John Dewey

Dewey [contrastando com Wittgenstein e com Heiddeger, que centravam seu interesse no indivíduo] redigiu a sua polêmica contra a tradicional imagética especular a partir da visão de um novo tipo de sociedade. Na sociedade ideal, a cultura não é mais dominada pelo ideal da cognição objectiva, mas pelo da elevação estética. nessa cultura, como ele disse, as artes e as ciências serão as flores espontâneas da vida'."

e eu pensei que, há anos, criara o motto "Ordem e Bondade" para os territórios sob a administração do Governo Paralelo. e, mais adiante, pensei que, vencida a escassez, vamos dedicar-nos -como o fazem os ricos de hoje em dia- apenas às artes e aos esportes.

blog? falei em blog no título desta postagem? é para dizer que surpreende-me esta era de milhões de tudo e, particularmente, que -em poucos dias- meu site terá recebido 20 mil registros de acesso. mesmo contando que cada vez que eu faça algo relacionado a ele, conte-se um acesso, sobram ainda alguns pares de centenas... dias atrás comemorei (em silêncio) a 600a. postagem.
DdAB
tirei esta capa do livro que Júlio Berni escreveu em homenagem a minha 20.000 postagem (a ocorrer) daqui: http://www.emule.com.br/lista.php?keyword=Leguas&pag=5&ordem=DESTACADOS.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Mecanismo de Mercado e Mecanismos Institucionais

querido diário:
sempre fiquei de orelha em pé quando ouvia a expressão "mecanismo de mercado", pois não sabia bem o que era isto, se não quisesse parecer "mecanicista". por mecanicista, lembro a crítica de Cornelius Castoriadis a pensadores não economistas. em um en passant, ele simplesmente disse que "dinâmica é mecânica, enquanto que dialética é que é o canal", ok, ok, não foi bem com estas palavras e, aparentemente, nem na publicação Elsewhere, revista de filosofia política inexistente. não quero falar da dupla analítica-dialética, o que me jogaria para trás e para frente, em postagens inspiradas em leituras pretéritas e futuras de meu amado Carlos Roberto Cirne-Lima. nem no livro que começo a ler hoje, Richard Rorty, "A Filosofia e o Espelho da Natureza", edição lusa de 1988.

pois bem, o que desejo salientar é que hoje caiu-me a ficha sobre este assunto do que é mesmo mecanismo de mercado. não sei se anteriormente não pensei o suficiente, o quê. o fato concreto é que devemos pensar em Herbert Simon e o homem de marte. não, não é Robert Henlein Jr. Simon fez a alegoria de que, se os mercados fossem pintados de verde e as organizações, pintadas de amarelo, um homem originário do planeta Marte veria inicialmente os amarelos e apenas à medida que se aproximasse mais é que veria os amarelos. ou seja, há muito mais firmas do que mercados. é natural, cada firma atua em alguns mercados, mas cada mercado é, em geral, servido por inúmeras firmas. (como lembramos, já andei jurando que um mercado pode ser tachado de concorrencial quando há nele pelo menos oito empresas de tamanho não muito diferente).

aceitando a palavra "organização" como sinônimo de "instituição", na linha de Simon, devemos pensar que talvez não devêssemos falar em "mecanismo de mercado", como acabo de ver na Internet atribuído a Adam Smith (mas nunca vi isto no Smith), mas em "mecanismo dos preços". esta expressão também é encontradiça aqui e ali. vai aqui meu pensamento:

o mercado e o mecanismo de preços por ele desencadeado são os instrumentos fundamentais para a articulação da ação das instituições econômicas, ou seja, a interrelação de compra, venda e donativos encetada entre produtores, fatores e instituições.
DdAB
a imagem proveio de: http://carlosaugusto.multiply.com/journal?&page_start=120. obviamente esta imagem mostra alguma dimensão da tragédia brasileira deste verão, que terá um da capo no verão que vem, durante -pelo menos- alguns anos mais.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Saneamento, Sinecuras e a Suíça

querido diário:
olhares animais, atônitos, testemunham a estupefação nacional com a repercussão vinda de sei-lá-onde sobre o fato de que os governadores aposentados, ou melhor, depois de quatro anos de mandato como governadores, a rapaziada passa a ganhar R$ 24.000 mensais. um pouco mais. e menos do que os demais políticos, uma exploração, segundo entreouvi de um menino de rua. tudo o que leio vem de Zero Hora e Carta Capital. estas novidades, as entreouvidas, não foram lidas, emergiram de um cruzamento da Av. Ipiranga e seus milhares de crianças destituídas de destinos decentes.

fiz uns cálculos e olhei outras estatísticas. a Suíça tem um índice de Gini de 0,33. o Brasil, presumo, tem de mais de 0,55. esses R$ 24.000 mensais lembram os US$ 35 mil per capita (já corrigidos pela PPP) anuais do pequeno país. R$ 50 mil, ou seja, o dobro, ou seja, seis vezes menos do que o governador aposentado em um mês. a pobreza na Suíça, por isto mesmo terá ingredientes mais saborosos do que a brasileira. além de sermos mais pobres, os pobres daqui têm menos renda relativamente aos ricos como lá. as aves que aqui gorgeiam não gorgeiam como lá. e as mãos amigas a amparar leopardos não amparam crianças (meninos de rua) com lá.
DdAB
e a imagem veio de: http://www.blogdosperrusi.com/2009/05/01/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvii/.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

ASSC: conradianas

querido blog:
hoje espero estar falando em benefício da humanidade, como o faço sempre que respiro e, mesmo, anaerobicamente. em outras palavras, se vetor há resultando de contribuições proclíticas e anticlimatéricas da parte dos indivíduos à humanidade, rogo a Marx que o meu seja positivo. seja como for, hoje começo uma nova série de marcadores de postagem, que chamarei de "conradianas", por terem e-mails trocados com o prof. Conrado de Abreu Chagas e ligeiramente editados por mim aqui reproduzidos, para o benefício da humanidade.

pode ser que esta série de tags não tenha vida longa, pois pode o respeitado professor não achar-se à vontade para ser editado por um rebelde professor, ou melhor, ex-rebelde e ex-professor. lá vai:

Siglas são normalmente substantivos. O teste sintático para sabermos se um item lexical tem função de substantivo é antepor-lhe um artigo: a PUCRS, o IPE, o INSS, etc. E digo "função de substantivo" porque, deverás sabê-lo, palavras de outras classes gramaticais podem ocasionalmente subtantivar-se: "O porquê de sua volta me era desconhecido." / "Tudo estava certo, embora houvesse ainda um senão." / Sorrir nesse caso demonstra uma ausência total de compaixão." / "Era o ai-jesus da casa!"

A história do hífen segue ainda complicada, não é mesmo? --- embora, me pareça, a Reforma Ortográfica vigente tenha simplicado bastante a coisa. No caso de "recém" especificamente, o hífen é ainda empregado quando "recém" (que aí funciona como um prefixo) precede particípios. Não seria, portanto, o caso de"recém chegamos", mas sim de "recém-chegado" 
Changing the subject, já leste Philip Roth? Li dois romances do renomado autor americano, The Counterlife e Indignation (o primeiro na tradução brasileira "O avesso da vida', e o segundo em inglês mesmo), e gostei muitíssimo de ambos. Ando, por isso, a fim de saber quem mais o lê e, como eu, gosta, de modo a trocar figurinhas.

Concluo com a última parte da última frase do penúltimo capítulo de Indignation

"...of the terrible, the incomprehensible way one's most banal, incidental, even comical choices achieve the most disproportionate result."

preciso dizer mais?
DdAB
p.s.: pois direi o seguinte:
.a. tirei a imagem de hoje de http://laesquinadeguille.blogspot.com/2010/11/uno-con-siglas.html.
.b. há anos, tinha em casa um dicionário de siglas. lá encontrei DAB : delayed action bomb, expressão que achei muito estranha, pois eu achava que DAB não viveria sem DdAB.
.c. a primeira lá de cima é TCP, o que me fez confundir com TSP, o time series processor, um programa de estatística e econometria que usei ainda nos main frames da University of Sussex. e TCP, como eu não sabia o que era, menti em Jaguari que era simplesmente "maria-bonita", um tipo de prato com agrião que eu teria ingerido no Refectory Building daquela concorrida universidade.
.d. como sabemos, ASSCé uma sigla que quer dizer "as sacramentadas sessões conradianas".
.e. a última frase do último capítulo poderá ser usada, por mim, na segunda edição do livro sobre teoria dos jogos, não é mesmo?

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Política de Governadores

querido diário:
busquei a expressão com "." acima no Google Images. sem muito esforço, caí neste instigante site (aqui). nem lembrava mais que o café teve tanto poder no Brasil. se bem lembro, em 1954, por lá, campeonato de futebol da Alemanha, essas coisas, o PIB industrial passou, pela primeira vez o agrícola. se bem lembro, o agrícola não era PIB, mas valor da produção. se bem lembro, o IBGE refez estimativas e parece que il sorpasso deu-se ainda no final dos anos 1940. se bem lembro. como sabemos, o primeiro teorema da idade assevera que "nunca fui tão velho quanto hoje".

no tempo do café e da política dos governadores, estes mandavam. hoje, mandam tanto governadores quanto ex-governadores. a imoralidade instaurada há mais de 25 anos (uns 35, se o teorema da idade não é severo sob o ponto de vista da perda da memória...). parece que foi no tempo da ditadura. parece que, desde então, ninguém teve o peito de mudar este tipo de fator indutor do atrabiliarismo. ocorre que tem uma lei que diz que ninguém pode ganhar mais de R$ 30.000 reais por mês, ou melhor, nenhum funcionário público.

ao mesmo tempo, ocorre que todo mundo (a elite) ganha, e até mais, fora o por fora. todo político é ladrão, como sabemos do primeiro silogismo da política. a acumulação de aposentadorias e pensões para qualquer funcionário público é revoltante. e para o político é apenas um atestado de seus genes larapidários. diz a constituição da república que não se pode rebaixar os ganhos de ninguém. diz? não li esta parte. e se diz devemos levar a sério, pois foi ditada pelos políticos, isto é, ladrões? devemos levá-la a sério? claro que não. o que devemos fazer é começar a baixar pau, pau e pau. exigir que tudo mude, esta roubalheira acabe, as compras de café e posterior queima também acabem, a moralidade seja restaurada.

e, para começar, enquanto não mudarmos estas leis que beneficiam as classes altas, podemos mudar apenas uma: a tabela do imposto de renda que, by the way, não foi alterada, para desagrado da colunista política Rosane de Oliveira da "Página 10" de Zero Hora de hoje. claro que a tabela deveria ser mudada. quem ganha R$ 3.000 mensais deveria ser isento de imposto de renda. quem ganha 10 vezes mais, ou R$ 30.000, deveria defrontar-se com uma tabela de alíquotas decentes, digamos, chegando aos R$ 33.000 com 98% de taxa marginal. e não recuar até os 99,99999999999999999999999999999999999999999%, pois a falta de vergonha destas elites, o pacto de saque, é tão profundo que eles poderiam fixar-se estipêndios de 999.999.999.999.999.999.999, a fim de levarem para casa apenas R$ 34.000 (cálculos aproximados...).
DdAB
p.s.: isto que nem falei nas enchentes.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O Número Pi, a Cábala e Eu

querido diário:
eu, como sabemos, na condição de cidadão brasileiro, participante ativo da distribuição da renda nacional, tenho um CPF, que um desditado (qual não o é?) governo transformou em CNPJ (ou em sei lá quê). meu CPF, andei alegando, pode ser encontrado a certa altura das casas decimais do número pi. ninguém ainda informou tê-lo encontrado, mas parece que -no Texas- um computador segue calculando.

em compensação, nas p.267-275 do volume 3 das Obras Completas de Jorge Luis Borges, inserido no livro "Siete Noches", vemos o ensaio "La Cábala", que trata do mesmo tema. já no título, reli coisa que escrevi e retirei das páginas interiores: cábala quer dizer 'recepção' e 'tradição'. já decidira dar uma olhada com mais vagar nesta coisa toda. fui agora (fui agora? agora não é presente e fui não é passado?) à Wikipedia (aliás, quando abri seu amiguinho Google, encontrei esta peça de arte, comemorando os 107 anos de Paul Cézanne (a verdade verídica é que, antes mesmo de ver bem, pensei que fosse um Monet, mas -ao fixar-me nos pêssegos- juraria, de olhos fechados, ser obra de Paul himself).

Cabala (alternately Kabbala(h) or Qabala(h)) may refer to one of several systems of Mysticism:
Kabbalah, the religious mystical system of Judaism
Practical Kabbalah, an agglomeration of all the magical practices that developed in Judaism from the Talmudic period down through the Middle Ages
Christian Kabbalah, the Christian application of Jewish Kabbalistic methods
Hermetic Qabalah, a Western esoteric and mystical tradition drawing on Jewish Kabbalah and other sources
English Qabalah, one of several different systems of Hermetic Qabalah that interpret the letters of the English or Latin alphabet as number and symbol.

não me atemorizei. decidi meter bronca logo no primeiro verbete. li diagonalmente, não é bem minha praia, mas jurei que lerei mais detidamente: It is a set of esoteric teachings meant to explain the relationship between an eternal and mysterious creator and the mortal and finite universe (his creation).

claro que estamos falando do mesmo conjunto U* e seu subconjunto U - o universo conhecido. e mesmo do eterno retorno. será que o creator (eles escreveram "Creator") já criara outros? ou criou simultaneamente a U algum outro U1, U2, U3, U...? e será que o eternal creator não responde apenas pela ideia de panteísmo? ele é tudo e tudo é ele, e o 'tudo' é maior do que aquilo que podemos ou poderemos ver?

a abordagem de Borges é interessante par elle mêmme. não transcreverei nem, menos ainda, tentarei resumir. seja como for, o que me fascinou -e não é bem retirado diretamente- foi a possibilidade de que as letras é que são os verdadeiros átomos da construção do Universo Estrela, ou seja, o universo mais amplo que podemos imaginar e que não podemos (epa, agora já continuei com Rorty), o universo que contempla todos os U* que podemos intuir poderão existir, infinitos, infinitos, crescendo ao infinito, decrescendo ao infinito, ninguém podendo jamais dizer que chegou ao fim, nem ao começo, nem que desceu o suficiente para dialogar com a mais elementar de todas as partículas, com o Aleph (nada a ver com o texto de Borges, apenas com o outro texto de Borges).

e, se é verdade que a ordem das letras e mesmo -mais radicalmente- sua pronúncia podem alterar tudo, tudo o que podemos imaginar que seja contingente, haveria outros planetas em torno do Sol, haveria outros universos não abarcados por U*, nem pelo Universo Estrela. haveria outro alfabeto. e tudo, de acordo com certos universos contidos num simples U*, poderia estar contido no caroço de um daqueles pêssegos de Cézanne (ou naquele outro troço ali ao lado que parece uma Cassatta Sttella Alppinna.
DdAB

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Mancha de Volume

querido diário:
voltei, espero, ao mundo em que sou devotado ao cálculo de matrizes, a transformar matrizes em matrizes e -raras vezes- matrizes em números. quando o faço, muitas vezes, chamo o resultado de produto interno bruto...erguerei mais um capítulo do estudo da reprimarização na economia brasileira. enquanto isto, decidi lançar algumas reflexões ao significado da expresssão "mancha de volume".

com a precisão de dois dígitos, ela se encontra na p.136 de "Torvelinho dia e noite", de José J. Veiga, livro de São Paulo, da Difel, de 1986 (segunda edição; a primeira não sei, mas aprendi que o autor nasceu em 1915, ou seja, há 96 anos). diz lá ele:

Ele [o Nequinho, o frango {de pescoço pelado} que fora capturado por um gavião, que o soltou em pleno voo, respondendo a uma comoção vinda de fora] estava lá [num jirau de lajes que ela {D. Angélica, esposa do 'gumer'Cindo, mãe de Nilo e Aldair e irmã de Mariana} usava para deixar vasilhas de cozinha enxugando ao sol] como num pedestal, o pescoço esticado orgulhosamente, a crista muito vermelha contrastando com a pele amarela do pescoço, as penas fulgurando ao sol. Ao vê-lo assim belo e senhorial ela teve a impresssão de que uma radiação vinda de dentro o envolvia e se prolongava além das penas, formando uma aura, e sentiu um arrepio em todo o corpo, não de medo, mas deseslumbramento, arrepio que a fez fechar os olhos em êxtase. Teria ela se deixado influenciar pela suposta descoberta de Mariana? Quando abriu os olhos, o frango não estava mais no jirau, mas por algum tempo ainda a mancha do volume dele permaneceu lá. Que estranho! Estaria ele querendo mesmo dizer alguma coisa? Ou já dissera?

momentos antes de ler este trecho da p.136, eu pensava na frase de Hobbes (E a vida do homem é solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta). detive-me neste "curta", que o 'solitária, pobre, sórdida e embrutecida' são atributos/conceptualizações humanas). conviver com um vulcão, um maremoto ou um raio são contingências de uma civilização que está mais próxima da barbárie do que eu de Jaguari, ou ambos  das estrelas. e do que há além delas. até me dá vontade de comê-las. elas são velas e levarei anos para no além vê-las, não era isto, Mautner e Iracema? mas aí pensei na progressão

:: 2 : 4 : 8 : 16

que poderia ser a regra do alfa ao ômega: dois bilhões de anos de vida na Terra, quatro bilhões de anos de Terra, oito bilhões de anos do nascimento do Sol e mais oito, dá 16, para o tempo previsto de duração de U, o Universo Conhecido. Ainda bem que não é do U*, o Universo Expandido. fui além das reflexões sobre o "quando tudo acabar" e voltei a cultivar a crença de que este é um momento impossível. acaba a canção, mas ficam os cantores, vão-se os cantores, mas fica a partitura. o capital. é capital. temos que fugir, temos que dar no pé deste planetinha cheio de provações, de barbárie. temos as naves, basta aperfeiçoá-las, a primeira foi o osso que atuou no filme 2001-uma odisséia no espaço, de Stanley Kubrick e HAL.

claro que tudo pode acabar, é uma possibilidade lógica que não temos -e talvez nem tenhamos- de avaliar empiricamente (ainda bem). e claro que tudo pode ter sempre existido e ser garantido (por liminar e futura axiomatização) que existirá para sempre, que tudo se transformará, que haverã cantões sedentários que talvez não se transformem, ou que se transformem, do mesmo jeito. como os jacarés que não têm pescoço, mas mantêm-se como entes voadores. eu aceito, provisoriamente, que tudo existirá para sempre, mudando de forma, expressando novos conteúdos, mas não esquecendo -cultivando- os conteúdos antigos, da canção, da partitura, do compositor, de seus pais e avós. dos átomos que se concentraram para formar o Sol, da mutação que transformou uma molécula discreta em molécula que se autorreproduz/iu. em outras palavras, aceito que tudo o que está no Universo U* já nasceu nele e nele ficará, não pode sair dele, não pode ser destruído nem pode ser exportado. um sistema fechado, porque completa e infinitamente aberto.

supondo, assim, que "tudo" não vai acabar nunca, que nos resta? Nunca? "nunca" é muito tempo. mas o próprio tempo é relativo, é previsivelmente finito, pelo menos o da equação E(m, d, t).  do mesmo jeito, "tudo" é muito grande e devemo-nos conformar com isto. nunca chegaremos ao final de tudo e o "tudo" não vai acabar nunca. quem, aparentemente, chegará ao final serão o tempo e os terremotos, a matéria e os raios.  a salvação? a aura, a aura do Nequinho.

é este tipo de consideração que me sensibilizou tanto para estudar o equilíbrio geral do sistema, a teoria da unificação da ciência e -agora- começar a estudar o panteísmo, já que especular sobre ele decorre do pragmatismo rortiano. estudar o ponto que rege nossa capacidade de observar todos os demais pontos e -o que é mais sublime- nosso próprio desenvolvimento. parece que, se há mesmo barbárie em seguirmos sucumbindo à força das águas e às picadas de cobra, também haverá limitações apenas contingentes em nossa condição quanto à resistência ao final dos tempos. uma cápsula (e não é apenas isto o que podemos definir como 'universo conhecido'?) pode levar-nos a sair do tempo, evadir-nos desta condição de finitude, de mortalidade, de contingência. haverá em nós algo do necessário universal que podemos tornar menos fugaz do que o próprio hidrogênio. fugir do tempo como o Nequinho evadiu-se do jirau.

evadiu-se? não, não, não. foi libertado pelo Luizinho, que acertou o gavião com um tiro de flobér (quem tá desconfiando pode conferir na p.7). e se não tivesse força estranha? e se não tivesse tunelagem? aí eu não sei, mas acho que podemos considerar que é mais provável ter do que não ter, que é mais provável que este troço todo tenha sempre existido, que o tempo terá sido criado e recriado (não no sentido de eterno retorno, mas em algum outro em que o acaso de Cirne-Lima e sua contingência desempenhem um papel mais relevante do que o concordino determinismo universal).
DdAB
p.s.: nada achei com "mancha de volume", mas com "mancha" e "volume" caí no Don Quijote: foi acaso ou necessidade. acaso foi que, ao escrever 'mancha', saiu-me 'msancha', que traduzirei como madame Sancha, a tia de um amigo astrólogo. conferir.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Universos finitos e o giro da rosquinha

querido blog:
.a. acabo de constatar que as pessoas que nasceram, na semana passada, na segunda-feira, são mais velhas do que as que nasceram ontem. mas - se generalizarmos, pois os dias da semana compõem um universo finito - as que nascem no sábado são sempre mais velhas do que a que nasceu na terceira segunda-feira de 1492 anos atrás, se é que nasceu alguém naquele dia antigo, da Idade Antiga, dos primórdios da Idade Média..

.b. e quem mesmo foi que disse que quem nasceu em 1947 é mais velho do que quem nasceu ontem? isto, claro, depende da direção/sentido da seta do tempo, mais ainda, da precisa datação de todos os eventos. problemas, pois o próprio universo amplo (o conhecido e infinitos outros que podem existir) terá lá seus problemas com a recomposição do tempo no hiperespaço E(t, m, d), com e sendo energia, t, tempo, m, matéria e d, espaço.

.c. neste caso, quem gira mais, o carinha que viajou 180, o que viajou 360 ou o que viajou 3 milhões e 60? pergunta retórica, resposta rápida: sei lá.
DdAB
procurei nas imagens do Google apenas "universos finitos" e achei isto aaa-qui! esta rosquinha poderia, em outras dimensões, conter-nos...

domingo, 16 de janeiro de 2011

Datas: o túnel e a political arithmeticks

querido blog:
ontem, por razões sinuosas e outras necessárias, encontrei um papelzinho em que constavam as seguintes anotações:

Adam Smith (1723-90)
François Quesnay
Thomas Malthus (1766-1834)
Stuart Mill (1806-73)
Karl Marx (1818-1883).l

mas o assunto não começara com isto e sim com mexidas em materiais que falam da felicidade nacional bruta. claro que cheguei a Bentham e em seguida cheguei -não o esperava- a Bastiat. esta anotação, se bem esclareço, foi feita em outras eras. ontem seria como se diz: "amanhã vai ser outro dia". um truísmo que rendeu uma bela canção.

neste caso, somos forçados a concluir que Bastiat tem as seguintes estatísticas vitais:

*29//jun//1801//\\+24/dez/1850


e que foi ele que fez a maravilhosa imagem do túnel: os governos de dois países distanciados por um monte decidem abrir um túnel (uma empreiteira, diriam os malvados, forçou-os a pagarem os compromissos eleitorais) para expandir o congraçamento cultural, ajuda mútua, essas coisas. no dia da inauguração do túnel, vemos também do lado de fora de cada lado umas edificações repletas de policiais -os guardas aduaneiros: sua missão é impediro o livre tráfego de pessoas e coisas.

livre comércio já!
DdAB
p.s. um: pedi simplesmente túnel e alguma outra coisa para refinar. por isto cheguei a este site e foto.
p.s. dois: eu ia falar sobre a "arithmeticks" e a "economicks", o que já terei feito outrora e não o faço mais agora.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Baimler-FM, pilates e português

  
querido diário:
esta postagem inicia-se às 8h00min desta radiosa (em algum lugar do planeta, que aqui no Menino Deus o que vemos são os fumos da borregarde em Guaíba e o céu encoberto por simpáticas nuvens impedindo que o calor senegalesco da Porto Alegre estival nos derrube, como o vento ao guapuruvu e o portentoso projeto proletário ao proletário otário) manhã, radiosa (nem tanto) manhã, andei querendo dizer.

que digo? sempre que indago "que digo?" lembro da emenda à errata feita à ata por um colega secretário: onde digo digo digo desdigo. queria dizer, digo, que esta postagem fala de português arrevesado, do corpo arrevesado por contentamento (pilatiano) e arrevezado por dores e esgares (observador da política brasileira). que dirá o prof. Marcelo Baimler, criador da Baimler-FM, que ouço neste momento, pois cliquei o link postado à direita nos "Links Amados", postados logo abaixo do "Eu sou". sou o que sou. parece que ouvi Charlton Heston, interpretando Deus him/herself, dizer isto a quem indagou-lhe sobre sua estrutura molecular. de outra parte, Alvinho (da revista Bolinha, op cit) um dia indagou-se, o que me deixou encafifado até hoje sobre filosofia: "se eu não fosse eu, quem seria eu?". dá o que pensar.

que digo?

.a. digo que Marcelo Baimler é uma das pessoas de mais alto e elevado astral que já conheci. levantei-lhe a hipótese que isto se deve a sua sistemática prática de exercícios físicos. ele aquiesceu, mas acrescentou que também lhe é importante para a moral elevada a audição sistemática à Baimler-FM, sua Internet Radio Station. de um acervo -não lembro agora se 500 ou 5.000 canções- retiro úteis de utilidade que parecem um infinito universo de alegrias e entretenimento.

.b. digo que se digo que "Marcelo ter-me-ia dito que pilatear é bom para os pilares colunares" então poderei ser desditado, ou melhor, desdizido, ou sei lá, o fato é que ele não disse, nem eu disse que ele disse, pois disse "se digo". ergo, se não digo, digo que fica o dito pelo não dito. digo mais: ele teria me dito que a mesóclise (ter-me-ia) caiu da moda, do mesmo modo que desmaiou a coda ou modificou-se a queda. e se digo "modificou se a queda", qual o problema da omissão do hífem? indagarei isto a algum andarilho, one of these mornings.

.c. digo que "one of these mornings" evoca-me Janes Joplin cantando na Baimler-FM: simplesmente Summertime, talvez quente prá burro, como cá. e se digo "I am what I am", parece-me que eu mesmo estaria evocando Tina Turner (ver Baimler-FM e revista Bolinha).

.d. por fim, se digo que não digo que Marcelo Baimler, num tempo em que exibia humor chorão, não praticava pilates nem -menos ainda- o ensinava para as gerações mais velhas, nem sequer podia caminhar, não estarei falseando a verdade dos fatos, pois ninguém com idade de cerca de um (hum) ano de idade pratica pilates aprendido em livros.

.e. por fim, o fim não é o fim: nenhuma postagem é tão longa que não possa ser espichada (frase de Baimler, M, mutatis mutandis). indagam-me o que faço e respondo invariavelmente: "faço um blog" e "faço pilates". pois nesta radiosa (epa!) manhã, tematizei ambos.
DdAB
p.s.: como vemos, comovem-me cacofonias e a variedade, de Gardel a Joplin, de Gallup a Sangallo, nem todos audíveis na Baimler-FM. ouça você mesmo/a.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

César, FEE, Seite

querido diário:
a imagem que nos capitaliza diz coisas em alemão que -não fosse minha estada em Berlim e, principalmente, a legendinha em francês - eu de pouco ou nada entenderia. seja como for, o Google é um tanto burrinho, que eu pedia "seite" e ele insistia em dizer que eu queria "site", um anglicismo homófono. por que procurei SEITE, Sistema de Informação Técnica e Estatística da Fundação de Economia e Estatística, desativado no início dos anos1990s ou muito me engano recuando ao final dos anos 1980s,? parece que a resposta é evidente: porque ontem o César Leal fez 63 anos de idade e, entre seus convivas, encontrava-se o indefectível Adalberto e nosso companheiro de longa data, o prof. Sérgio Fischer, de invejável estatura moral e intelectual. não que eu não diga o mesmo dos demais, digo-o, claro.

pois sugeri, a certa altura da cerveja Patrícia, ao prof. Sérgio Fischer que este sugira (o que fiz e não faço) ao prof. Adalmir Marquetti o relançamento do SEITE. cruzar o rio, passar ao futuro recompondo o passado, buscar as origens, a nascente, ampliá-la, transformar o rio em lago e o lago novamente em rio. fazer o número falar, fazer a FEE fundir-se com o futuro. no discurso do governador Tarso Genro -ouvido por mim na cerimônia de empossamento do Adalmírio- sobreveio a ideia de que pode ser séria a tentativa de montar um sistema de informação que dê a abertura para a transparência tão desejada por facções de gregos e troianos. o Adal-M trabalhou a vida inteira com o orçamento participativo. eu cheguei a trabalhar como seu auxiliar de pesquisa aqui e ali. e depois de ter participado do Conselho de Justiça e Segurança do (bairro) Menino Deus, entendi que a única saída é o cumprimento da lei do orçamento. e que a única forma de a vermos cumprida é via mecanismos como o já velhinho orçamento participativo.

a sociedade diz onde quer gastar e fiscaliza se os políticos fizeram isto mesmo. a democracia direta, para salvar o planeta, eis que a democracia representativa parlamentar é para lamentar, como aprendi o trocaduílio na Câmara dos Vereadores.

neste link um tanto como direi..., torna-se claro que pouco ou nada direi mais sobre estas abordagens, pois tudo está começando a cheirar à modelagem de que eu teria poderes especiais, como visionário e mesmo como atrabiliário, o que me deixa cego e pacífico. em resumo, era o aniversário do César, era o assunto do momento a nova direção da FEE. mas não apenas. eu, por exemplo, disse que farei 64 em julho e que, no caso, a dupla Adal-L e César L. são novatos, pois apenas chegarão a tanto em 2012!
DdAB

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Necessidade e contingência

querido diário:
obviamente o conetivo "e" entre "necessidade" e "contingência" induz a uma contradição em termos. como tal, pode ser que seja impossível de escrever em alguma língua terráquea ou, mais provável ainda, em alguma forma de comunicação que não obedece de modo cego à lei E =m*c^2. era necessário que AAM assumisse a presidência da FEE? minha presença naquele momento de tempo era contingente? revi amadas/os amigas/os na cerimônia de sua posse. AAM é o presidente, AAMN foi o primeiro que vi, Adalberto Alves Maia Neto, meu amigo cinquentão, ou seja, sex, ou melhor, amigo há 50 anos, tendo-nos conhecido aos 17, descontando a tríade platônica (marido n.1, marido n.2 e marido n.3...), dá precisamente 61, 62 ou 63 e, no eterno devir, também efêmero, 62, 63 e 64. hermético, eu? aparentemente, o primeiro marido (meu é que não, by the way, que não sou destas coisas...) é César Antonio Leal. Adalberto, alegando que -pela ordem alfabética- é o segundo, faz-me replicar que o segundo sou eu, seguindo a ordem alfabética dos sobrenomes. hermético eu? aristotélico e platônico, tudo jundo? necessário ou contingente?

no outro dia, César Leal demorou para entender o que eu queria dizer com

E = f(m, d, t)

que nada mais é que -digo- Einstein disse que tudo se transforma (não era Lavoisier, professora Adelina?). matéria, energia, espaço e tempo, tudo vira tudo, mas não ao mesmo tempo. na presente encarnação dos átomos que presidem minha existência (e Walras, marshallianamente, diria que são todos, ceteris paribus), sou apenas eu, e não os outros. equilíbrio parcial walrasiano. se não fossem os outros, eu não pensaria o que penso, aliás, nem existiria. se é verdade que "o inferno são os outros", também é verdade que "o paraíso são os outros". há uns outros e outros outros. sou dos primeiros. tudo no eixo dos tempos de Hélio Riograndense.

e o que quero dizer é "tá tudo ligado". Kandinski e da Vinci. Monet e Caravaggio. Lisette Girotto e José Antonio da Silva. Luiz Inácio e Napolitano. Milano. Venezzia, Firenze, Roma. cidade aberta. mundo aberto. aberto é contingente? mas como algo contingente pode existir, se não é parte de algo necessáro. e ainda Marx dizendo: no capitalismo, tudo vira mercadoria. e Adalmir falando na criação de bancos de dados de esquerda. Adalmir, Adalberto ou Alberto?
DdAB

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Coisas

querido blog:
não lembro quantas postagens seguiram este título. no outro dia em que contei, encontrei 2^64, ou seja, o número de lances possíveis em uma partida de xadrez (ou de cadeia...). no outro dia, informei que, em minha maneira de escrever, usar reticências (três pontinhos...) é uma forma de apresentar a ironia, além, claro, da idéia de continuidade. continuei estudando... e isto pode significar: "não estudei nada", "segui estudando como os mais aplicados intelectuais da Idade Mèdia". Graciliano, se bem sei, não usou a palavra "ironia" no livro "Infância", embora tenha-a usado...
 
no outro dia, fui informado que, no Brasil, neguinho (diria nossa Presidenta) que ganha R$ 3.000 mensais faz parte da elite dos 10% nmais ricos. nada me disseram sobre os 20% mais ricos, o que nos permitiria chegar às razões de Kuznets (ou era Kusnetz?). se este marcador fosse "Economia Política", eu iria ao Google para lembrar da correta grafia. mas irei apenas por farra ver o que quer dizer, digamos, "grafia". uma das primeiras coisas que pintou foi "Grafia é um género botânico pertencente à família Apiaceae." simples, né? mas não era isto o que eu queria. queria algo mais, digamos, semâmptico. resposta: "Será que queria dizer: semântica"? parece que era isto mesmo o que eu queria. mas vejamos "grafia" no Google: "Aproximadamente 2.380.000 resultados (0,13 segundos)". fui direto ao primeiro: http://www.grafia.blog.br/pt/, o que deu a imagem que vemos acima...
DdAB

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Oficialismo: com AAM!!!

querido blog:
pois foi só eu anunciar aqui mesmo que sou da situação (na postagem de ante-ontem) que vi-me profundamente envolvido -enlevado, encantado- com o que vim a saber: nosso colega Adalmir Marquetti (o AAM do título) foi confirmado como presidente da Fundação de Economia e Estatística do novo governo gaúcho.

já comecei a espalhar que se trata do segundo mandato do PPGE-PUCRS, pois Adelar Fochezatto também tem suas origens por lá localizadas. a fachada da FEE está bonitinha (clicar aqui para ver a fonte). jamais esquecerei (e por que deveria fazê-lo?) que foi lá que começou minha vida profissional, aliás, foi lá que começou a vida da própria FEE naquela tarde fagueira de dia tal de outubro de 1972. Alemão, Marilene, Moema, Rubinho e myself. não é à toa que farei meus 64 este ano. como sabemos, 1972-1964=2^3, não era isto?
DdAB

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Somatório

querido diário:
há um teorema informando que 3 = 1 + 2, ou seja, hoje é o único dia do ano (e, por extensão, também presente nos meses) em que a soma do dia corrente é igual à de todos os dias pretéritos. trata-se, pelo que lembro, de uma formalização correlata às sequencias de Fibornacci. o corolário deste teorema é, por si só, o fundador de uma filosofia existencialista (no sentido dado pela Chiquita Bacana): o teorema fundamental da idade. este diz, com candura: nunca fui tão velho quanto hoje.

ainda não li o discurso da posse da presidenta Dilma. vi-a, vi-o, de relançe na TV. via-a dizendo que iria cingir a faixa, ou que a faixa presidencial é que lhe cingiria os ombros, não lembro. claro que isto foi o que vi no dia primeiro. no dia dois, vi esta palavra ("cingir") usada livremente por Rosane de Oliveira da página 10 de Zero Hora. pensei em plágio. não é bem isto. seja como for, a festejada (por mim na postagem anterior) de ZH, não vai longe, afirmando que Dilma foi treinada na política gaúcha. a música gaúcha também exibe esta chula cacofonia. eu disse: sou da situação. mas não deixei suficientemente claro que não perderei minha consciência crítica.
DdAB
a imagem, campeã de simpatia, veio daqui.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Sou da Situação

querido blog:
parece que o ano inicia com suas promessas. e dubiedades. mal declarei-me da situação, na postagem de ontem, insurjo-me contra a situação que me abriga, ao ver a manchete de Zero Hora de hoje: "Não haverá compromisso com o desvio e o malfeito". frase atribuída à presidenta Dilma. ela se diz "presidenta", desde os tempos em que presidiu-a, presidiu a FEE, se me faço entender. acho bom, acho que a mulherada chega para ficar, desde Lisístrata. elas têm a força. e Cláudio Moreno já disse apostar que, no futuro, a língua portuguesa evoluirá para fazer "presidenta" mais corriqueiro que "presidente"... tou de acordo!

fiquei enfarruscado: não haverá compromisso? será que, além da tutela do FMI, o quinto governo FHC também começa com tutela da CIA, essas coisas? ou seja, um discurso redigido em Washington, D.C. e maltraduzido pelo oficialismo? que estou dizendo? que estou pensando? estou dizendo que, pelo Aurelião,

compromisso
[Do lat. compromissu.]
Substantivo masculino.

1.
Obrigação ou promessa mais ou menos solene.
2.
Acordo entre litigantes pelo qual se sujeita a arbitragem a decisão de um pleito.
3.
Dívida que se deve pagar em determinado dia.
4.
Concordata de falidos com credores.
5.
Acordo político; convenção, ajuste, pacto.
6.
Promessa de trato a ser cumprido.
7.
Estatutos de confraria (1).
8.
Escritura vincular.
9.
Bras. Obrigação de caráter social:
Domingo não tenho compromissos.


então, a Dilminha estava usando a expressão "compromisso" na segunda acepção, e pensei que fosse na primeira, tampouco haverá "dívida", tampouco haverá "concordata", tampouco haverá "acordo político", tampouco haverá "estatutos de confraria, nem sei o que é "escritura vincular" e tampouco haverá obrigação de caráter social. sei não, não sei não... seja como for, fui ao Webster:

compromise: 
an agreement in an argument in which the people involved reduce their demands or change their opinion in order to agree. It is hoped that a compromise will be reached in today's talks. In a compromise between management and unions, a 4% pay rise was agreed in return for an increase in productivity. The government has said that there will be no compromise with terrorists.

se não estamos falando de ambiguidades governamentais, ou seja, se é que o compromisso de que fala nossa presidenta é no sentido que tanto me apraz, sou da situação!
DdAB
a imagem veio de: clique aqui. des vraies horreurs, tout ça.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Primeira Postagem

querido diário:
feliz 2011. when i'm sixty four. ou melhor, farei meus 64 assim que possível. é um ano interessante.vejamos. meu grande desafio é fazer mais postagens do que em 2010, como já andei postando. mas nem tenho lido jornais, atarefado que estou. ainda assim, comove-me saber que o Brasil volta a funcionar, com todas suas mazelas e potencialidades. Dilma no poder, neguinho não terá moleza. a palavra pizza poderá voltar a ser apenas comida.
DdAB
ver link.