segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Luta de Classes x Luta de Instituições: Marx e Garaudy

senhoras e senhores:
segue a política, estamos na última semana de circo/2010. a expectativa da semana é se a chapa Serra-Dilma será eleita no primeiro turno, representada por Dilma, ou se teremos mais desperdício de tempo e dinheiro. vemos uma campanha eleitoral que é um verdadeiro documento atestando a condição periclitante da política brasileira contemporânea. o histórico da foto que ilustra esta postagem é curto:

.a. procurei no Google Images a expressão "luta de instituições", que usei no título de um paper publicado pela revista "Textos de Economia" (da UFSC), mas também já falara nela em outro paper da revista "Análise" (da PUCRS). dias atrás, rememorei um e outro. um dia, trabalharei mais sobre o assunto, organizando incontáveis anotações.

.b. pouco ou nada achei de interessante. então procurei "luta de classes" e, sem maiores delongas, divisei sta foto. espantosa. o site é até mais, interessante mundo, este, o da Internet. cheguei a ele e já o elegi como "favorito", disposto ao lado. vejamos por quanto tempo.

com esta ilustração e texto acima, chego a meu ponto. dias atrás referi o livro de Roger Garaudy, "Perspectivas do Homem", em que ele faz um balanço de três escolas filosóficas que -diz- marcaram o século XX: existencialismo, marxismo e catolicismo, algo assim. na primeira vez que li o livro há milhares de anos, achei dificílimo. agora, achei facílimo, mas lendo mais acuradamente, encontrei o caminho do meio, nem tão fácil nem tão difícil. eu nem iria ler tudo sobre o marxismo, mas decidi fazê-lo e vi algo que me ajudou a justificar todo o esforço (e bendizer o acaso) despendido no projeto.

ocorre que, Mr. (pronuncia-se 'monsieur') Garaudy, à p.228, traz um argumento como um dos maiores elogios que pode dar ao marxismo: ele inovou ao vincular a ideia socialista ao movimento operário. nunca fui muito bom nos temas de história econômica e história do pensamento econômico. minhas leituras sobre o socialismo utópico são perfunctórias e, como tal, não sei se é verdade que Marx inovou mesmo neste ponto. se o fez, posso associar seu nome sagrado a uns desmandos que a macacada andou fazendo desde então. e principalmente o que se faz hoje em nome desta visão. no caso, uma generalização e aceitação por parte de  toda a sociedade que toda a distribuição da renda deve relacionar-se ao funcionamento do mercado de fatores de produção (em particular para os marxistas apenas o mercado de trabalho, proibindo a existência de mercado para serviços de outros fatores, como a terra).

primeiro: o conceito de justiça de David Harvey começa o assunto dizendo que, na sociedade justa, todos receberão uma fração do excedente, mesmo se não tiverem trabalhado. eu sempre invoco o exemplo das crianças e dos velhos que não trabalham e comem (ok, ok, uma parte expressiva deles o faz, especialmente os filhos e pais dos ricos). segundo: trabalhador desempregado também deverá ter direito a seu quinhãozinho de comidinhas e outras amenidades vinculantes do corpo à alma. criminosos também (desde que não sejam eleitos deputados e senadores e vereadores e prefeitos e vice-prefeitos e governadores e o que mais seja), tampouco eles são de ferro. e a turma dos loucos, claro, também é filha dos céus (veja o admirador do Movimento Ateus, Saiam do Armário) que ao dizer que alguém é filho dos céus não estou afirmando que é filho de Deus, mas apenas que somos filhos das estrelas que morreram.

nos modelos elementares de gerações superpostas, trabalhou-se o caso de indivíduos que têm filhos como bens de consumo e que, ao verem-nos alcançarem a idade economicamente ativa, fenecem (isto é, morrem...). claro que são modelos e são elementares. no mundo real, vemos muito mais vínculos entre diferentes gerações. isto significa que as tranferências de renda relevantes não são exatamente as que os locatários dos fatores de produção transferem a seus proprietários (as instituições famílias), mas as transferências interinstitucionais, ou seja, as levadas a efeito entre as famílias (filho que sustenta pai, pai que sustenta filha, amigo que sustenta amigo, e por aí vai), e aquelas que têm efeito entre o governo e as famílias.

quer dizer, um modelo estilo renda básica unversal não é compatível com aquelas concepções de que os produtores devem empalmar 100% do produto! quer dizer, a luta de classes é importante, mas -mais que ele- é importante que as regras da definição do produto entre os diferentes indivíduos (ou classes, no sentido estatístico) sejam democratizadas por meio de reformas democráticas que conduzam ao socialismo.
DdAB
p.s: obviamente o guri da foto não está enfrentando a classe capitalista, nem ele pode ser chamado de classe trabalhadora.

Nenhum comentário: