quarta-feira, 21 de julho de 2010

Classificações: BCC=BCND, BCD, BCI, BK etc.

querido blog:
quem inventou as classificações? quais, todas? não, apenas as que cerceiam a Classificação Internacional de todas as Atividades Econômicas, guardadas no Brasil pelo IBGE? qual será a primeira classificação que um indivíduo humano aprende? na escola, talvez seja, no alfabeto, diferenciar vogais de consoantes. depois lembro das categorias gramaticais, os substantivos (próprios e comuns, simples e compostos, concretos e abstratos, primitivos e derivado, (?) e coletivos, algo assim, faz tanto tempo...). também causou-me enorme sensação de bem-estar, ao estudar Botânica de nível pré-universitário, entender que o reino vegetal se dividia em ervas, arbustos e árvores, tanta que nunca esqueci e até anotei em meu site.

muito antes de chegar à faculdade de economia, também registro no site, aprendera as classificações de Luiz Lopes, em que ele e outros permitiram-me entender que a economia se divide em setores primário, secundário e terciário, correspondendo, respectivamente, a agricultura, indústria e serviços. hoje sei que esta correspondência não é perfeita e o IBGE, nas contas nacionais, usa a segunda. aliás, onde escrevi "agricultura" lá eles falam em "agropecuária". mas reforcei o "agricultura" em meus primeiros anos profissionais, com o próprio IBGE, que ainda falava em "extração vegetal", "lavoura" e "pecuária", as lavouras dividindo-se em "permanentes" e "temporárias". mas parece que a humanidade sempre soube da diferença entre "urbano e rural", entre "agricultura e artesanato urbano, sei lá". pelo menos os economistas clássicos, Cantillon e outros fisiocratas também sabiam.

na indústria, havia quatro classes ("dois dígitos", nas análises da área), subdivididas em grupos (quatro dígitos): extrativa mineral, transformação, construção, e serviços industriais de utilidade pública. e ainda seguia subdividindo cada classe. esta classificação mantém-se até os dias que correm, com diferença -se é que- menores.

e os serviços? naquele tempo, o IBGE tinha seis subdivisões: comércio, transportes e comunicações, intermediários financeiros, governo, aluguéis, e outros serviços. (e esta vírgula exerce função lógica de busca de clareza; já a tive censurada por revisores de texto ranzinzas). hoje, os serviços têm mais subdivisões, pois -no Brasil- representam mais de 60% do valor adicionado mensurado pela ótica do produto (isto é, o PIB). não quero falar, pois já o fiz e ainda o farei, do Efeito Excel, quando ainda compraremos flores e comeremos bifes, mas o PIB dos serviços representará 100% do valor adicionado total.

pois bem, e como John Kenneth Galbraith foi parar na foto que selecionei do Google Images? e que tem ele a ver com o que escrevi até agora? vejamos. o próprio IBGE, há alguns anos, apresenta algumas de suas estatísticas industriais falando em "bens de consumo não-durável, bens de consumo durável, bens de consumo intermediário e bens de capital". anos atrás, provocou-me enorme alegria, depois de ler os textos de Maria da Conceição Tavares e outros, talvez Fernando Fajzynlber, que a utilizavam, ver a primeira referência num dos planos de governo dos militares e que estaria associada ao nome de Arthur Candall. como sempre soube de sua fama de gênio, achei que ele mesmo é que a tivesse inventado. depois suspeitei que ele, Candall, tivesse inspirado-se em Marx, pois Andrew Glyn requereu que eu a usasse para reunir meus dados de insumo-produto do Brasil nos anos de 1970, 1975 e 1980.

Marx, como sabemos, falava em até cinco departamentos, produtores de bens de consumo dos trabalhadores, dos capitalistas, numerando-os aqui e apenas referindo estes dois no volume 2 d'O Capital. eu myself não pude diferenciar adequadamente bens de capital dos bens de consumo intermediário, ao reorganizar os "grupos" do IBGE, mesmo que com até seis e oito dígitos, atividades e produtos (tecnicalidades...). então trabalhei com: agricultura (e não chamei de agropecuária, parece), indústria e serviços. não subdividi os serviços em nada, mas nestas tabelas de resumo, subdividi a indústria em bens de consumo corrente (e não chamei, como a maioria dos autores, de bens de consumo-não-durável, talvez por ter sido induzido a ler algumas coisas de Mário Henrique Simonsen), bens de consumo durável, e bens de capital (que, obviamente, abrangiam os bens de consumo intermediário e os bens de capital propriamente ditos).

neste processo aprendi que tudo que é classificação veste-se de certo grau de arbitrariedade. e mais, que estas classificações "setoriais" para rastrear a origem da produção deixam passar uma classificação analiticamente mais importante, nomeadamente, a dos grupos industriais (e não estou falando de "complexos industriais") e, se for o caso, subclassificações de pequenas empresas, sei lá. é certo que, por exemplo, a Itaú vende cimento e serviços bancários, não é isto? ou eram computadores? mas também é certo que mapear a atividade e os produtos do armazém da esquina e de todos os demais armazéns de esquina de todo o território nacional levariam o compilador de tal tabela a montar uma matriz de insumo-produto mais longa do que caberia na planilha Excel que, espalhada na areia, cobrisse todas as praias de rio, mar e lagoa da América Latina etc..

Galbraith? falou no assunto (BCC, BND etc.) em seu livro de 1955 sobre a crise de 1929. também vi que Nicholas Kaldor falou em "metalmecânica", sendo esta a responsável por algumas propriedades importantes do dinamismo do sistema econômico. meu resumo para esta importância kaldoriana e para estas classificações é:

.a. tudo devia ser feito por empresa
.b. a metalmecânica perde sua importância na economia dos serviços. isto não nega que bisturis eletrônicos sejam feitos pela Enxuta, mas que sua importância relativamente a uma cirurgia cardíaca é minúscula.

e entendi que a "economia não se divide em agricultura, indústria e serviços". aliás, o que entendi é que nem sei como dividir a "economia": teoria, análise, política? micro, meso e macro? mainstream e nice streams? estática e dinâmica? a nossa (correta) e a deles (errada)? o certo é que qualquer classificação da ciência econômica requererá que dediquemos enorme esforço para dominar a teoria da escolha pública.
DdAB
captura da imagem: este John Kenneth Galbraith mais parece uma personagem de John Steinbeck, se lembro com exação, desde que devidamente acossada pela depressão. tirei-o de sua paz em: http://www.ebbemunk.dk/technostructure/image_galbraith.jpg. achei-o excessivamente magro na imagem original e dei-lhe umas editadinhas...

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