08 novembro, 2008

Crises everywhere

Dear Mr. Blogger:
(não vou dar a fonte desta foto, pois o texto deixará claro que é do Sr. Basic Income)
Hoje é um dia de glória:
.a. Wanda de Avila Bêrni completa seu sexagésimo aniversário. Estamos em dúvida se o que de mais vale é lhe darmos (eu até preferiria ter escrito darmos-lhe) as boas vindas ao clube dos sex, tendo ela comentado que ouviu alguém referir-se aos "sexy", ou -diria Lewis Caroll, não-sei-onde, infelizmente, talvez eu tenha querido dizer apenas que disse "diria", o que não quer dizer que ele ou eu disse que "disse"...-, "sexies". Ainda mostro a minhas companheiras de show de tango, especialmente Sheila V. Borba (cara, agora deu um branco sobre ser "Vasconcellos", como CHVH, ou "Vilanova", como Cíntia Vilanova Teixeira, doutora em biologia molecular e cujo currículo lattes acabo de acessar (ver http://lattes.cnpq.br/4418084117924728), perfunctoriamente;
.b. caiu o Muro de Berlim, não hoje, é claro, mas há 19 anos precisos, quando o Brasil estava em campanha para suas primeiras eleições diretas depois da saudosa (principalmente por aqueles que ganharam recompensas milionárias do governo deste país cuja desigualdade deixa corada qualquer formiguinha e seu elefantão, mais dois ou três esbirros, distribuídos normalmente por cada gorda fração do chiqueiro social) ditadura militar
Seja como for, a crise me abate, pois preciso falar sobre ela daqui a umas 60 horas. Pensando nisto, busquei na internet algumas ilustrações:

e também temos o que segue em: http://atlaslumber.blogspot.com/.
Naturalmente, economia é a diplomacia na política, como disse Daniel (cujo sobrenome quase que me veio à memória). E que quer dizer "we finance anyone"? Que os americanos são sabidos e entenderam que pobre também é gente, ou pelo menos, se não é -como sou levado a pensar a maior parte, mas não integralmente, do tempo- explode como gente grande, volta-e-meia. Deixe-me argumentar, para auto-clarificação. Iniciemos com o livro de Microeconomia de Samuel Bowles, o maior portento já escrito pela humanidade desde a "Iniciação à Economia Marxista" (Lisboa: Afrontamento, resumo disponível em www.GangeS.pro/duilio), que Marinês Zandabali Grando, amiga de Diva Cadorin Marquetti, deu-me de presente, numa esfumaçada tarde decembrina de (ano mantido em sigilo) na aprazível cidade de Paris, à beira de um rio do mesmo nome, ou de outro nome, que os franceses também têm lá bem sua criatividade para nomearem seus rios, pontes e queijos, só sei que naquele rio há uma "Praia das Greves", ou o que seja.
Pois bem, dizia eu, Ernest Mandel, digo, Samuel Bowles tem um modelo que pode interessar às três divas (Diva, Marinês e Sheila, citando em ordem alfabética), pois trata de formalizar comportamentos associados com o que chama de "segregação urbana". Tentando frasear um resumidíssimo flavour do tema, digo o que segue. Parece que, nos bairros em que maiores frações (mas não 100%) das residências são de propriedade dos moradores, os níveis de criminalidade são menores do que otherwise. Isto significa que nada de mais conveniente existe num país marcado pela presença de migrantes, id est, os EUA, do que financiar-lhes casas, de sorte que eles passem a sentir-se como pertencendo às comunidades que lhes dão guarida. Daí o surgimento dos empréstimos subprime (ou seja, abaixo da taxa de juros das vigentes no mercado de crédito. By the way, diria Adalberto de Avila, tal também ocorre, in Brazil, com os coronéis da canícula, ou seja, os cultores da cana-de-açúcar em Sampa e Nordeste, ou seja, empréstimos para nenhum tomador -sem trocadilho com a ingestão de cachaça- pagar).
Como em qualquer lugar do mundo, alguém tem que pagar. Penso, em primeiro lugar, que o mundo já está pagando mesmo 5% de sua renda como o primeiro imposto indireto mundial, devotado integralmente ao Tesouro americano. Em segundo lugar, penso que a hipocrisia de muitos cultores da civilização americana entrou em choque com a incapacidade dos criadores do mito da soberania absoluta da instituição "mercado" como elemento de agregação das preferências sociais em criarem mecanismos que garantam a paz social precipuamente nos EUA.
Meu ponto ficou claro? Os pés-de-chinelo americanos, se não forem tratados como cidadão, tornam-se criminosos, como é o caso dos juízes do Supremo Tribunal Federal do Brasil, você -claro- entendeu a sutileza, três pontinhos. Por que há crime nas favelas do Rio de Janeiro e de Porto Alegre e mesmo no progressista município de Barros Cassal? Vou enunciar agora o que poderemos chamar de "primeira lei do mercado":
:: a distribuição de renda igualitária é o maior antídoto contra os desmandos alocativos conduzidos pelo livre jogo das forças de mercado,
:: nas economias igualitárias, há dois fatos inarredáveis:
.a. a renda mata a criança (ou seja, rico tem menos filho do que pobre)
.b. a renda mata o crime. Ou seja, se a Profa. Yeda Roratto Crusius (governadora dos homens do Rio Grande do Sul), em sua infinita incompetência, começasse um programa de criação de um milhão de empregos organizados pela Brigada Militar e pela Sargenta Marisa Abreu (responsável pela Secretaria dos Negócios da Educação), teríamos não apenas brigadianos, mas também dentistas (há quem goste...), psicólogos (que poderiam também tratar a patroa), costureiras (que pegãozinho na roupa decorre da lei da entropia para qualquer ser vestido), cozinheiras (eu iria oferecere meu "coelho oriental", num prândio desses de congraçamento).
Em outras palavras, a pobre professora que hoje governa os homens do Rio Grande do Sul deveria pensar que:
.a. a produção deve, naturalmente, ocorrer localmente, mas
.b. a distribuição deve ser realizada globalmente.
Nâo podemos pensar que, apenas pelo fato de que os adultos de Tiradentes não sabem produzir o que quer que seja que o mercado deseja, suas crianças devam ser lançadas às salas de aula superlotadas da Sargenta Mariza de Abreu, ou seja, uma sem-educação tentando organizar a educação dos filhos dos outros.
Disto decorre, necessariamente, o seguinte programa mínimo de reformas democráticas que conduzem ao socialismo:
.a. criação imediata do Banco Central Mundial, com Jader Barbalho como seu primeiro presidente (epa!, já estamos vendo tráfico de influência nessa futura instituição)
.b. a implantação imediata do Imposto de Tobin, um misto de arrecadação de 1% do PIB global de todos os países do mundo e 25% sobre todas as transações financeiras internacionais, inclusive pagamento de exportações, aos cuidados do filho mais velho da Sra. Diva Cadorin Marquetti,
.c. a instituição do mecanismo da renda básica, associando o meridional far niente com o tutto fare característico da Universidade de Chicago e de outros locais em que se trabalha pelo progresso da humanidade. Responsável: Sen. Edward Matarazzo Suplicy (sem registro no Lattes), ainda que detentor do seleto título de PhD pela Universidade de Michigan, próxima a Chicago.
Penso ter-me alongado. Essa de falar em "coelho oriental" e este alongamento precludem pensamentos laterais sobre Pernalonga e outras figurinhas carimbadas, inclusive Quino e Asterix, not to speak of Valentina, Curzio Malaparte e o Sr. Boldo Jurubeba.
Beijos, Mr. Blogger, if you are still with me!
DdAB

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